sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A carne, a dança, o mel...

Assim, Oxum entrou no mato e se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar.
Usava ela tão-somente cinco lenços transparentes presos à cintura em laços, como esvoaçante saia.
Os cabelos soltos, os pés descalços, Oxum dançava como o vento e seu corpo desprendia um perfume arrebatador.

Ogum foi imediatamente atraído, irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa, mas se manteve distante. Ficou a espreita atrás dos arbustos, absorto.
De lá admirava Oxum embevecido.
Oxum o via, mas fazia de conta que não.
O tempo todo ela dançava e se aproximava dele mas fingia sempre que não dera por sua presença.
A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços na cintura, deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum.
Ela dançava, o enlouquecia.
Dele se aproximava e com seus dedos sedutores lambuzava de mel nos lábios de Ogum.

Ele estava como que em transe.
E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata,
sutilmente tomando a direção da cidade.
Mais dança, mais mel, mais sedução, Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina.
Ela ia na frente, ele acompanhava inebriado, louco de tesão.
Quando Ogum se deu conta, eis que se encontravam ambos na praça da cidade.
Os orixás todos estavam lá e aclamavam o casal em sua dança de amor.
Ogum estava na cidade, Ogum voltara!
Temendo ser tomado com fraco, enganado pela sedução de uma mulher bonita, Ogum deu a entender que voltara por gosto e vontade própria.
E nunca mais abandonaria a cidade.
E nunca mais abandonaria sua forja.
E os orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum.
Ogum voltou à forja e os homens voltaram a usar seus utensílios e houve plantações e colheitas e a fartura baniu a fome espantou a morte.

Oxum salvara a humanidade com sua dança do amor.

(Conto do livro MITOLOGIA DOS ORIXÁS de Reginaldo Prandi)

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