sábado, 30 de agosto de 2014

51 anos do discurso sobre o "sonho" de Martin Luther King

Na semana em que comemoramos 51 anos do discurso sobre o "sonho" de Martin Luther King, nos deparamos com um verdadeiro horror.

Quando a realidade é de polêmicos casos de racismo no futebol, trabalhadores precisam ir para a internet denunc...iando o racismo institucional em lojas e supermercados, casais interétnicos que deixam as redes sociais por não conseguir lidar com os comentários ofensivos, centenas de jovens negros morrem vítimas de um genocídio generalizado em nossa sociedade.

Reconhecemos que existem avanços, mas a luta contra o racismo é diária. Precisamos falar sobre isso com os nossos e deixar de tolerar atitudes que naturalizam o racismo.

Saibam: racismo mata, traumatiza, fere, cria estereótipos, marginaliza. Mas sobretudo, mata. E muito.

Por MARIA,L.P. - via facebook

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nativistas - pra inglês ver

Cesar Oliveira e Luiz Marenco apresentam suas candidaturas a deputado estadual, um pelo PR e outro pelo Solidariedade. Ambos chamando voto na Ana Amélia (PP).

Artistas do cenário nativista, que cantam a terra, a lida campeira, a liberdade e o amor, ao chamar voto na candidata do agronegócio e dos grandes latifundiários mostram que não acreditam naquilo que cantam, na sua própria arte.

Eles já não teriam meu voto, não tem meu respeito e perderam a minha admiração.

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O senado e as eleições no RS

Sabe o que é engraçado nos petistas atacando o Lasier (PDT)?

São todos base do governo Dilma!

Lasier disse que índio não é gente?
Pois no governo Dilma se registrou o maior número de quilombolas e indígenas mortos pela violência do Estado.

Agora temos o Simon (PMDB), que chega falando em novidade, visto que vem no lugar do Beto Albuquerque (PSB) no senado. Vem ainda defendendo uma "nova política", curiosamente, depois de mais de 30 anos lá.

Lamento, mas os caras de Bigode e do Eletrochoque, da mesma forma que o velho Simon, apesar de concorrerem na minoritária, se eleitos defenderam o mesmo governo federal.

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Paz e arroz

No debate dos presidenciáveis na Band, Eduardo Jorge disse que a Luciana não quer, paz e amor.

Todos querem paz e amor.
Mas não sei onde ele vive, porque aqui embaixo, as coisas são diferentes.

Como disse Jorge Ben "eu quero paz e arroz amor é bom, e vem depois!"

Por MARIA, L.P.

domingo, 24 de agosto de 2014

Não sou mulher de um só amor

Desculpe, não quis te magoar, mas não sou mulher de um só amor.

Quando me deixo enganar que isso é possível, mais um amor parte. Prefiro a mansidão de estar só, que a angústia de estar sem.

Lamento.

Por MARIA, L.P.

sábado, 23 de agosto de 2014

Convite de casamento

Eu soube que o meu "primeiro amor" vai se casar.

E me convidou.

Na hora, me passou tantas coisas em mente, como em um filme.
Mas confesso, estou feliz. Ele ama a sua companheira e é feliz com ela. Ver essa felicidade em seus olhos me satisfaz!

Pensei muito antes de escrever sobre isso, mas creio que quem ama não esquece, muito embora a vida e os sentimentos mudem.

Continuo o amando, não como quando tinha 15 ou 18 anos, mas como sou, da forma que posso amá-lo.

Um dia me disseram: eu não amo quem eu não conheço, mas jamais esqueço quem eu amo.
Lembre que te amo, e sempre vou querer-te feliz!

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Pessoas estressadas em plena sexta-feira

Motorista que crava a mão na buzina em trânsito parado, só pode ter problemas sexuais.

Só acho.


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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre as entrevistas dos presidenciaveis no JN

Não vi a Dilma no JN, mas vi alguns comentários sobre.
Assim, eu não voto Dilma, acho divertido desconstruir o discurso petista, mas não se enganem: o Bonner não é um cara legal que defende os interesses da população. Ele tem lado e candidato, que não é o mesmo que o meu e não me representa.
A Globo está apenas formando opinião. A tua, inclusive.

- Procurando sentido nesses coments.

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Identificação

Eai dou os livros pros meus alunos colorirem.
E o que acontece?
- Profe, olha, é tu!
Identificação.
Não importa o quanto os pais falem. Identificação é essencial!

 
 
Por MARIA,L.P.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Na luta, na rua, na festa, na universidade, no trabalho. Na vida: mexeu com uma, mexeu com todas!

Em um bar, com umas amigas.

Uma das minhas amigas se retira do bar por conta do seu ex estar trabalhando lá. O cara tem um histórico violento e definitivamente não era de confiança.
Em decorrência disso, pedimos ao dono que o dispensasse, pois além de oferecer risco a uma de nós (frequentadora do bar), já tinha ameaçado outra com uma arma.

O dono do bar, que é de nossa relação o dispensou.

Dias depois, no mesmo bar, o cara entrou e ficou cercando nosso grupo. Falou com uma, com outra e me ameaçou. Como não sou de levar desaforo pra casa, discuti com ele e avisei o dono do bar.

- Tu não me conhece, não sabe do que eu sou capaz.
- Não te conheço, não tenho o menor interesse de te conhecer. Sei que tu é  um merda, um babacão machista e isso é o suficiente pra não querer que tu chegue perto de mim ou das minhas amigas. Tá todo mundo avisado, se tu seguir vindo aqui, nós vamos embora.

Comentei com uma das minhas amigas:

- Se esse cara chegar perto de mim de novo, eu quebro essa garrafa nele.
- Bah guria, que foda isso. Mas fazer o quê? Se tu der nele, sou obrigada a dar também!

Te liga, babaca machista: mexeu com uma, mexeu com todas!


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Quando eu digo...

Na primeira vez que fui na Fapa, achei que a faculdade era tão longe que possivelmente um dia eu trabalharia nela. resultado: fui dar aula.numa escola ainda mais longe.

Quando eu digo...


Por MARIA,L.P.

domingo, 10 de agosto de 2014

Só acho

Não acho que hoje seja um dia extraordinário.
O dia dos pais e das mães são datas inventadas pelo mercado para fortalecer vendas. E funciona bem.
De nada adianta almoçar com o pai ou compartilhar fotos - que na maioria das vezes nem é pra ele ver - se no dia-dia não damos o devido valor aos que amamos. 

Desde que sai da casa dos.meus pais senti na pele a falta que eles fazem nos meus dias.
Pra hoje, sugiro que amem. Só isso: façam um esforço para demonstrar o quanto amam os seus. E amanhã, façam o mesmo. E depois. 

Sempre é dia de amar e espalhar amor!!


Por MARIA, L.P. No facebook

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Editorial Cotas Sim: #NãoSigoaFolha

Editorial Cotas Sim: #NãoSigoaFolha
por Blogueiras Negras

A Folha de São Paulo tem estado em campanha incessante de desinformação sobre as cotas. Seja por meio da cobertura superficial e desinteressada, seja argumentando cinicamente que “inexistem definições jurídicas ou científicas do que sejam negros, pardos e brancos”. Sobretudo agora que o instrumento se tornou comprovadamente necessário ao desmantelamento das desigualdades raciais, que persistem 126 anos após uma abolição inconclusa.

Apesar de as cotas raciais terem sido declaradas constitucionais pelo STF de maneira unânime e provado sua eficácia, o veículo continua em sua ofensiva com a campanha “O que a folha pensa”, com hashtag homônima e que será divulgada na mídia impressa, em canais de televisão aberta e paga, no rádio e na internet. Ali são publicizados pílulas editoriais sobre temas rotulados como polêmicos, muitas vezes tratando de diretos de minorias. O objetivo é convocar o leitor à segui-los mesmo que discorde daquilo que foi dito e assim vestir com roupagem de debate aquilo que não o é.

No dia 01 de agosto, o alvo foram as cotas raciais. Muito aquém de promover qualquer discussão, o que a Folha de São Paulo está fazendo é vestir com a roupa do rei a tal da “minha opinião”, frase corriqueira quando estão em debate os direitos das minorias. Ali está escrito em letras garrafais que “não deve haver reserva de vagas a partir de critérios raciais, seja na educação, seja no serviço público.” Que seriam “bem-vindas, porém, experiências baseadas em critérios sociais objetivos, como renda ou escola de origem”, uma política insuficiente se temos em mente que a população negra é a maioria no país mas ainda acessa de forma insuficiente espaços de poder como a academia.

A campanha pede ao leitor que, concordando ou não, siga o jornal. Nós, Blogueiras Negras, pedimos que você faça justamente o contrario. Não siga a Folha. Proteste contra a perversidade de um posicionamento que, além de seu conteúdo racista, não se pretende ao mínimo debate, não contempla aqueles que discordam. Que nada mais é que um monólogo, um ataque imperdoável à pluralidade de ideias e aos direitos humanos de todo um povo que tem sido por séculos preterido, um jeito de se fazer conteúdo que não pode ser entendido como imprensa.

Numa empresa onde certamente não somos representadas à contento nas redações e nos cargos de mando e decisão, essa sempre foi a “opinião”. Mas para nós, nunca uma opção válida. Continuamos em luta para que sejamos nós, gente da pele negra, escrevendo também nas redações e fora delas. Mais que nunca entendemos como essa possibilidade assusta a branquitude, seus representantes e todos aqueles que dela se beneficiam. Seu intuito sempre foi de fazer com que o debate aconteça em brancas nuvens. Nós não, iremos enegrecer nossas ideias e a academia, com a alegria e o orgulho de quem tem a certeza na vitória. Cotas sim!

Diante de nossa luta aguerrida, fica evidente a necessidade de a branquitude defender uma reserva de vagas informal destinada apenas aqueles que tem a cor de pele, entre aspas, correta. No entanto, para nós um pingo é letra e a resposta é não a qualquer retrocesso. Não nos calaremos diante de quaisquer ataques aos nosso direitos sobre os quais estamos ciosas e cientes mais do que nunca. Manifeste sua opinião. Não siga a Folha para que entendam que continuamos de punho em riste pela gerência e ampliação de nossas conquistas.

A mensagem, não há engano, tem endereço e rostos conhecidos. O rei está mais do que nunca nu e sabe disso. Não há como entender de outra forma a contratação de uma mulher negra para “protagonizar” a campanha sobre as cotas. Porque não estão ali dando a cara à tapa os jornalistas, editores, colunistas e diretores da Folha? Se a ideia era esconder a própria culpa, contratar uma pessoa negra para “estrelar” a campanha foi um tiro que saiu pela culatra. Serviu apenas para evidenciar ainda mais seu caráter racista ao desconsiderar que a população negra ainda não tem acesso de fato à universidade.

Acreditamos que em nenhum momento o foco do debate deve recair sobre a atriz contratada. A fala da Folha de São Paulo não deve sob hipótese alguma ser pensada na esfera pessoal num contexto em que o racismo é estruturante. O que está em jogo aqui é a desfaçatez de uma campanha que, tanto em sua forma quanto em seu conteúdo, é compromissada com uma visão de mundo em que a universidade e espaços afins não cumprem uma de suas funções primeiras, a inclusão da maioria de seus cidadãos.

Entendemos também que esse assunto nos esgota. Há muito debatemos, argumentamos para nos fazer entender, mas sabemos que há uma lei sancionada e o que acontece cada vez que uma cotista consegue furar o bloqueio que a impede de estudar. Transforma não apenas a sua vida e a de seus amigos e familiares, mas de toda a sua comunidade. A cada uma que consegue, conseguimos todas nós. E muito em breve estudar não mais será um privilegio destinado a poucos mas de fato um direito universal. Somos pelas cotas e por sua ampliação imediata. Nada nos impedirá de lutar por isso.

O que está escrito, dito e redito pouco vai mudar a opinião dos anticotistas. Enquanto esses choramingam, reivindicam a manutenção dos seus privilégios, a gente se alegra da nossa (sim, nossa, de todo o povo preto) conquista. E queremos muito mais – que as cotas nos reservem a maioria das vagas já que somos a maioria da população. Ainda falta muito, mas já somos mais felizes por estarmos na academia, um espaço de enfrentamento que estamos dispostas e preparadas a ocupar. Seguiremos concluindo nossos cursos com louvor, com as melhores notas e ciosas de nossas conquistas.

Acima de tudo, não iremos nos calar diante de qualquer ataque aos nossos direitos.

Que saibam que estamos apenas exigindo o direito a ter direitos tendo numa sociedade em que o talento é universal mas as oportunidades não o são muito em função do racismo. Tomemos como termômetro o último vestibular da Fuvest em que não houve sequer um estudante negro nas três carreiras mais concorridas. Mesmo com as cotas, o número de brancos entre 18 e 24 anos que estão na universidade atinge 65,7% do total. Está claramente posto que a cor da pele e o pertencimento racial estão diretamente relacionados com a probabilidade de alguém ser aprovado no vestibular.


Amedrontados e perdendo seus privilégios, querem a todo custo que acreditemos que as cotas são uma esmola e não um direito. Em nenhum momento sequer consideram que temos plena ciência de tudo aquilo que foi historicamente e ainda é negado à população negra, de todos mecanismos que impedem nossa permanência na escola, nossa admissão no ensino superior. O receio certamente é que mesmo a grande imprensa, feita majoritariamente por homens brancos, seja obrigada por lei a contratar aqueles que a branquitude quer fora dos seus quadros.

Não mais.
Porque iremos enegrecer a universidade, não siga a Folha.
Porque não aceitamos conteúdo racista disfarçado de opinião, não siga a Folha.
Por uma imprensa compromissada com os direitos humanos, não siga a Folha.



Texto disponível em Blogueiras Negras

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Em compensação

As mães podem querer me trucidar.
Mas os pequeninos...
Balas, doces, botões, pingentes e flores: essa é a expressão real da retribuição do que venho fazendo, que é ensinar com amor, compreenssão na diversidade.
Criança não tem preconceito.
Já disse M. Luther King "se podem aprender a odiar, podem aprender a amar".
Por hoje, é isso!
Por MARIA, L.P.

Te assaltou?

O bandido?
Deve ser negro.
Ou ter cabelo de negro.
Ou se vestir como negro.
Ou agir como negro.
Ou ouvir música de negro.
Ou fazer coisas de negro.

Não? Tem certeza? Então não era.bandido.





- Breve sátira sobre esteriótipos, papéis sociais e o racismo nosso de cada dia.

Por MARIA,L.P. - no facebook





quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Não há racismo na escola pública

No episódio de hoje uma mãe põe a boca em mim porque seu filho caiu. Eu fui irresponsável, pois fui buscar uma criança que não passava bem no banheiro e não liberei os demais antes do sinal.

O infeliz resolve se bater em outro colega justamente no curto espaço de tempo onde eu atendia outro. Comento a situação, falo com a irmã do outro e me vou.

Estão arrumando motivos para me atacar. Já chegamos ao ponto de que se alguém espirrar, a culpa é minha!

Não aceito mãe de aluno gritando comigo, quando sei que toda aquela cena aconteceu porque tem algo muito sério em jogo, e não é a minha competência. Mas a minha cor.

Já estou começando a pensar em mudar o nome desse blog para "registros de uma professora negra na rede pública".

Ta foda.

Por MARIA,L.P

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ninfomaníaca, Diário Proibido e Dama da Lotação

Tenho tentado dar uma variada, assistido uns filmes diferentes.
Fazem alguns dias que assisti o filme Ninfomaníaca - sexo sem culpa (2004), e no último fim de semana Diário Proibido (2008) e a Dama da Lotação (1978). Assistir eles fez com que eu não pudesse abrir mão de uma breve análise, relacionando as obras e pensasse calmamente em cada um deles.

 Ninfomaníaca - sexo sem culpa (2004)

Joanna leva uma vida familiar e profissional tranquila, mas paralelamente se relaciona com vários homens, para suprir sua vontade de sexo, visto que apesar de feliz, o sexo era morno em seu casamento. Eis que aparece um jovem, com quem ela se encontra algumas vezes, e acaba se envolvendo.


Diário Proibido (2008)

Valére leva uma vida leve, se relacionando com vários homens. Ela suspeita ser ninfomaníaca, mas sua avó afirma que esse "distúrbio" é uma classificação deturpada do patriarcado, para rotular mulheres que se sentem livres para gostar de sexo.
Eis que Valére encontra um "amor", que de príncipe encantado se torna um doente que a faz sofrer, a boicota até que ela mude de vida e esteja completamente subordinada a ele. Sem amor  trabalho, com a vida arruinada e nenhuma auto-estima, ela entra no mundo da prostituição, até conhecer o lado mais sórdido do ser humano.

 Dama da Lotação (1978)

Solange (a diva da Sônia Braga) é uma jovem de classe média que se casa com seu primeiro namorado. Na noite de núpcias, ele sem paciência a estupra, se sentindo nesse direito, por ser sua esposa e ela ter que cumprir suas "obrigações".
Certo tempo depois, ela percebe que o ama mas não sente prazer com o marido, fazendo com que ela procure outros homens para se relacionar e a satisfazer seus desejos.

Os três filmes tem em comum como protagonistas mulheres que gostam de sexo, e as pessoas não as compreendem. Seja nos anos 70, seja nos anos 2000.

Essas mulheres usam pessoas para satisfazer seus desejos, mas acaba sendo usadas também, normalmente com violência e completo descaso, causando grande sofrimento para elas. O fato é que elas gostarem de sexo e não terem vergonha de procurar em diferentes espaços sua satisfação, as torna mulheres socialmente inaceitáveis - indignas de merecerem respeito.

Uma mulher se relacionar com vários homens é inaceitável. A mulher deve se preservar.

A questão é justamente essa: as mulheres procuram felicidade e satisfação, e não obrigam ninguém a transar com elas. Não há violência, mas um jogo louco de sedução.

E se fossem homens? Seria tão abominável?

A mistura de desejo, prazer, preconceitos, rejeição e objetificação foi a ligação entre um filme e outro, por isso me identifiquei com as histórias. O sexo pode ser libertador e revigorante  quando somos livres para sentir dessa forma.

Sexo sobra. O que falta é compreensão e coerência sobre a liberdade e o prazer do outro.
As pessoas precisam sentir mais e julgar menos. Bem menos.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ainda não é racismo

Hoje tive meu primeiro dia oficial com minha turma, na escola nova.
Foi uma tarde agradabilíssima.
Os alunos gostaram da nova disposição da sala de aula, escreverem no caderno, desenharam as férias, jogaram os novos joguinhos que levei.
Tudo correu bem. Muito bem.

Entro na direção, para assinar meu livro ponto, antes de sair, fim da tarde: entra uma mãe na direção, me ignora completamente, pede para marcar um horário com a direção, pois:

"se essa situação não se resolver, vou tomar outras providências"

Me retiro, afirmando para o supervisor - que estava no ambiente - que a tarde foi ótima, sorrio pra ela e me vou.

Sorrio por fora, espumando por dentro.
Algumas mães dos meus aluninhos não olham na minha cara. Ainda não é racismo, aliás, não é nada contra mim.
Deu pra perceber.


Por MARIA, L.P.

domingo, 3 de agosto de 2014

Segredos

Ouvi de um homem.
Um daqueles que eu achava menos sensível.
Direto, sem floreios.

"Nêga,
Minha mãe me ensinou que a lua é a mais bonita. Tu só perde pra lua.
A tua pele preta. A tua boca grossa. A tua loucura. Até quando tu fica braba. Continua brilhando como a lua.
Tu sabe, comigo o papo e reto. Se eu to dizendo isso, é por que é verdade.
Tu tão maravilhosa que o dia que eu beijei a tua boca eu tava de boa, podia morrer ali mesmo. Porque eu beijei a única negra que é quase tão linda quanto a lua."

Fiquei sem palavras depois disso.
Ai me pus a pensar: todo mundo admira a beleza da lua. De longe.
Quem a faz companhia? - Segredos.

É, preto. Me deixaste a pensar.

Por MARIA,L.P.


sábado, 2 de agosto de 2014

Vermelho é a cor mais amarga

Algumas coisas tem cheiro e gosto de Malboro Vermelho.
Mas não são cigarros.


Por MARIA,L.P.