quarta-feira, 30 de julho de 2014

Não foi racismo, né?!

Semana passada comentei aqui a situação que vivi em minha escola nova.

Mesmo com minha colega insistindo que não foi racismo, hoje tive a prova final: Uma mãe tirou a criança da escola, por minha causa.
Se o problema fosse de fato o sofrimento da criança por conta de mais uma troca, por que mudar de colegas e escola, se não pelo gravíssimo problema em ter uma professora negra.

Sim, estou muito chateada.
Mas nem de longe isso vai me abalar.

Mas estejam certos que farei muito pior: ensinarei meus pequenos a respeitarem as diferenças e - pior - a gostarem da profe preta.

Não passarão!!

Por MARIA, L.P.

Por

Um 25 de julho que nunca existiu

Martim Dreher, em entrevista para o Jornal NH diz que os imigrantes alemães foram os primeiros não-católicos do Brasil.
Além de ser uma afirmação errônea, é racista e não considera as manifestações religiosas não cristãs africanas e indígenas (já presentes aqui muito antes da chegada dos primeiros católicos) no Brasil.


Jornal NH - Dia do Colono


Dreher me deixou profundamente triste e decepcionada, desocupando o lugar de "um dos melhores" professores que tive na graduação.


Leia isso, antes de de qualquer coisa!

Por MARIA,L.P.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ele existe, mas não é real

Há um ano eu lamentava a porta que se fechava, quando mais um amor partia.
Há dois anos, embarcava pela primeira vez em um avião, para encontrar um amor que abriu a porta. Porta essa que fechou assim que retornei.
Há três anos eu colava grau, me formando na universidade.

Tudo isso vivi tudo intensamente, até a última gota.
Mas o que se foi?
Mas e o que ficou?

Somente o que é real fica.
As abstrações são meros enfeites da vida.


Por MARIA, L.P.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

8 min

Um homem que trata uma mulher como uma égua, não merece ser tratado como cavalo, mas como corno.

- Fragmentos de uma  conversa com três amigos (casados), durante um baile em um CTG.

Por MARIA,L.P.

domingo, 27 de julho de 2014

O sexo só é libertador quando nos permitimos ser livres

Uma vez, alguém com quem eu ficava, perguntou se eu já havia ficado com um amigo nosso em comum.
Esse amigo,  era justamente o cara com quem perdi minha virgindade.

De fato, mantenho por ele um carinho especial,  pois foi uma pessoa extremamente significativa em  minha vida... não pelo romance (porque eu não estava apaixonada), não pela mística do momento (porque não foi planejado), não pela magia (porque foi bem inusitado), mas por tudo que aprendi com aquela pessoa.
Esse homem era um amigo, mais velho, militava comigo. Era um daqueles caras por quem as meninas se atiravam na universidade e, eu uma caloura. Jamais achei que ele me olharia. E me olhou, me desejou, me quis.
Aquilo foi deslumbrante, fantástico, revolucionário. A minha primeira transa com um homem serviu para que eu me libertasse  como mulher, jovem, mas sobretudo como ser humano. E isso foi o mais importante.

Depois disso, de fato minha vida não foi mais a mesma. Eu não fui a mesma.
E foi libertador.
E sim, perdi minha virgindade com alguém que não era meu namorado. Na universidade.

A mesma pessoa me perguntou de uma menina. Também amiga nossa.
A situação era a mesma: militante, mais velha, me fez entender que eu era  e podia desejar e ser desejada por outra mulher.
Mas do que "bom", foi libertador.

Acredito que quando somos donos e donas dos nossos corpos, o sexo se torna algo para além do prazer. Ele se torna relação, contato, carinho. Mesmo que descompromissado.
Não é necessário amor. Mas a troca de energias é o que faz se bom ou ruim.
Fui muito feliz em ter me relacionado com essas pessoas, elas tiveram um importante papel em uma transformação somente minha.

Andei assistindo alguns filmes, sobre os quais ainda vou comentar nos próximos dias... pude refletir mais um pouco sobre algumas passagem afetivas, amorosas e sexuais da minha existência: o sexo só é libertador quando nos permitimos ser livres!


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

- Se tu chegasse aqui com uma vassoura, eles iam te adorar

Antes de qualquer coisa, queria saudar o dia de hoje: Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha
Pois isso publico esse texto nesse dia de luta e resistência!

Recentemente comecei a trabalhar em uma escola pública da rede estadual do Rio Grande do Sul. Fui chamada para assumir um primeiro ano do Ensino Fundamental, e isso me fez muito feliz, pois muito embora eu queira muito lecionar história, sempre acabo retornando aos pequeninos e, modéstia a parte, sou boa no que faço. Por isso hoje venho escrever sobre racismo em uma escola de periferia:

Obs1: Temos alunos negros, a maioria dos funcionários, a diretora, uma vice, uma supervisora e (além de mim, recém chegada) uma professora negra e um professor negro.

Cheguei na escola e fui muito bem recebida pela direção e equipe pedagógica.
Como a turma para qual fui designada já passou por algumas trocas de professoras, chegamos a um consenso de que eu assumiria a turma oficialmente depois do recesso, ou seja, 04 de agosto, mas eu já entraria em sala de aula diariamente por algumas horinhas, para melhor adaptação dos alunos, sendo que eles tem em todos seis anos.

Obs2: Todos pais e todas mães sabiam que a professora que estava na turma é substituta, e assim que a SEC enviasse alguém, haveria troca.

Reunião de pais marcada, onde eu seria apresentada aos pais.
De 28 crianças, 13 mães presentes. Dessas, 5 chegaram um pouco resistentes à mudança, mas quando me apresentaram como nova prof, elas ficaram injuriadas. Mil e um argumentos, começando sempre pelo clássico "não é nada contigo, mas...".
Eu já esperava resistência, mas nem tanto. Quando algo me dizia que o discurso delas estava "estranho", vi que a diretora começava a se enraivecer, enquanto as 4 mães (negras) presentes passaram a se manifestar, em meu favor. Sim, elas deixaram claro que a escola havia avisado que a professora que atendia os alunos era temporária, e que estavam felizes com a minha chegada.
A diretora enlouqueceu, quase se descontrolou e deixou claro aos pais que não voltaria atrás, que eu era a nova professora, eles querendo ou não. A outra professora, quando o bicho pegou, saiu da sala.
Tentei mediar, avaliando que a outra professora trabalhavam  com alunos maiores e estava ali para que aos alunos não  ficassem sem aulas, e por isso eu havia sido designada pela Secretaria de Educação.
Enfim, a reunião foi looooonga.

As 5 que geraram o conflito, passaram uma lista para pegar o contato das demais. As negras se recusaram a assinar e ficaram na sala para falar comigo após a reunião.

- Seja bem-vinda e conta comigo pra qualquer coisa. Não te abala com essas escandalosas, que elas vão ver como tu é boa!- disse uma.
- Nem dá bola, elas só tão enchendo o saco porque não tem mais o que fazer. Sou a mãe do fulaninho, e se elas perturbarem de novo, chama. - disse outra.
- Eu só queria dizer que tu seja bem vinda - disse a terceira.
- Eu sou irmã do fulano. A nossa mãe não tá nem ai, mas eu sou responsável por ele. Ele não vai te incomodar, mas em todo caso, pode mandar bilhete no caderno porque quem olha sou eu. Seja bem vinda e pode contar comigo pra qualquer coisa. E não desiste, não muda de ideia porque precisamos de ti aqui.

Obs3: A diretora ficou mais nervosa que eu, com raiva escorrendo dos olhos.

Terminada a reunião, respirei e fui conversar com a diretora, que tremia.
- Se tu chegasse aqui com uma vassoura, eles ia te adorar. Mas como é tu quem vai alfabetizar essas crianças, tu chega ocupando um grande espaço de poder. E isso é inaceitável. O que elas tão pensando? Aquelas vacas racistas, acham que eu não vi? Se tu fosse branquinha, nada disso teria acontecido.

No dia seguinte...

A diretora e a vice abrem um sorriso imenso quando entro na escola: elas acharam que eu não voltaria.
Conversamos longamente, avaliando, que a hostilidade que recebemos não era comum. Sim, era racismo. E que era necessário lidar com isso e transformar essa realidade, pois mesmo num bairro periférico, nos deparávamos com situações como essa. E esse é o desafio!
Apesar do conflito, me senti motivada... é necessário intervir severamente nessa comunidade para desconstruir o racismo (nem tão) velado que existe.

Chego na sala, o filho de uma das "escandalosas", corre e me abraça:
- Profe, que bom que tu veio.

Outra menina, loira, pra minha surpresa (filha de uma das mães negras):
- Profe, minha mãe adorou teu cabelo. Disse que vai fazer igual!

O desafio de ser uma profissional negra e qualificada não nos protege do racismo. Estar em espaços de poder faz com que sejamos alvos mais fáceis.
O desafio foi lançado. E eu fiquei sedenta.

Nesse dia de luta em defesa das mulheres negras e contra discriminação racial e de gênero, compartilho esse momento. A luta se faz todos os dias!
Somos vítimas de racismo e de sexismo diariamente, mas isso deve nos motivar a lutar mais e mais.
Hoje é dia de reflexão, mas é também dia de movimento e de luta!

Não vão nos segurar. Nunca mais!


Por MARIA, L.P.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Heróis não jogam bola

Acho que 4x0 no Flamengo é uma boa homenagem ao Fernandão, que foi um grande jogador.
Um craque merece homenagens.
Mas estátuas são para heróis.
Ele foi um grande jogador, mas isso não é ser herói.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Contradições apaixonantes da vida

Que louco!

Você vive com seus pais e guarda as coisas pra si.
Você vive sem eles, e fica louca pra partilhar essas mesmas coisas.
A contradições da vida não são apenas irônicas, são loucas. Como a gente.
Viver nossas loucuras e terminar onde? No colo da mãe.

Louco é viver contraditoriamente.
Mais louco, é amar essa contradição.


Por MARIA,L.P.

domingo, 20 de julho de 2014

20 de julho

Esse dia já dei muito valor para esse dia.
Hoje só dou valor às pessoas.


Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nunca

Tem dias que parece que chove mais aqui dentro que lá fora.
Mas não há de ser nada.
Aliás, nunca é.


Cifras, no facebook



Por MARIA, L.P. - no facebook

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Pedagógicas histórias

Ai eu faço uma entrevista em uma escola privada pra lecionar História, indicada por um amigo.
Na entrevista perguntam se eu tenho interesse em participar da seleção para séries iniciais, já que tenho formação, abrem mais vagas, etc.

Resumo da história: não fui selecionada pra História, mas fiquei em primeiro lugar pra séries iniciais.
Observação da história: Comecei a lecionar no estado, também com séries iniciais há exatamente uma semana.
Final da história: Agradeci, mas por um compromisso ético, não posso largar a turma agora.

E a História: Me deixa triste, mas eu a cada  dia me convenço que devo ser pedagoga.


Cada dia me convenço mais de que eu nunca vou lecionar em uma escola privada


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pessoas e pessoas

As pessoas mais interessantes que eu conheço são loucas.
E não valem nada.
Como eu.


Por MARIA,L.P.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O pão e o álcool

O pão é realidade, mas o álcool é imaginação.
Tá na bíblia, infiel!
- Amém!


Do filme Cazuza

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Frida - 60 anos

Ontem a noite, assisti pela enésima vez o Filme Frida, sobre a vida e obra de Frida Kahlo
Assisti por dois motivos: primeiro, adoro esse filme; segundo, ontem 13 de junho de 2014 completaram 60 anos da morte da artista.

Me dedique a um comentário:

Nada mais justo que uma atriz mexicana (Salma Hayek) protagonizando o filme.
O problema, é que o DVD só tem opção de áudio em inglês, não em espanhol.
Meio frustrante.

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor" - Frida Kahlo


Frida aqui, 2012
Frida ali, 2012
Frida lá, 2011


Por MARIA,L.P.

domingo, 13 de julho de 2014

Foi-se a Copa

O fracasso no campo só não é maior do que fora dele

Texto de Roberto Robaina, leia na íntegra:


"Assim, o fracasso do Brasil na Copa não é gratuito, nem por acaso. A Rede Globo há muitos anos usa o futebol como um instrumento de manipulação da consciência de massas, como se o povo precisasse apenas de circo e pão; e muitas vezes mais de circo do que pão. Mas usa o futebol, não denuncia suas mazelas nem o abandono dos esportes em geral. Que o fracasso tenha sido tão retumbante envergonha o povo. Mas por incrível que possa parecer o fracasso fora do campo é muito superior. Claro que é também um fracasso do futebol. Que um governo gaste bilhões construindo estádios e corte o orçamento da saúde é algo indignante, um ataque ao bom senso e à inteligência. E isso foi feito. Que o futebol seja dominado por uma máfia corrupta que comanda a CBF indigna igualmente. Que o ministério dos esportes seja comandado por amigos desta máfia causa repugnância. Que a FIFA tenha ditado as regras e mandado e desmandado no país, exigindo cada vez mais verbas públicas para atender seus interesses privados e que todos os partidos com representação no Congresso Nacional, com exceção do PSOL, tenham votado a favor da Lei Geral da Copa é a expressão máxima de nosso fracasso."

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Letícia veg

- Tem esse risoto vegetariano que eu fiz: tem azeitona, cenoura, milho e uns temperinhos...
- Bah, não sabia que tu curtia essa vibe vegetariana, Lê.
- Até curto, mas é que não tinha nada de carne em casa mesmo.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Só pra registrar:

Hoje peguei o Campus Ipiranga (linha de ônibus que leva ao Campus do Vale da UFRGS) com motorista e cobradora mulheres.
Na volta, peguei o D43 também com ambas mulheres.

Creio que esse registro seja válido, pois é importante mencionar quando mulheres ocupam lindamente espaços historicamente construídos para homens.

Até porque sempre quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!


Por MARIA,L.P.