quinta-feira, 19 de junho de 2014

O espaço é público, meu corpo não

Recado aos gringos na noite: Ninguém encosta em mim sem a minha autorização.
Se eu quiser, você vai saber, se eu não quiser, não encoste ou quebro seus ossos!

Cansei de "a carne mais barata do mercado é a carne negra". Não estou a venda, não estou a sua disposição.
Não importa a aparência, a nacionalidade, o volume da carteira: eu decido!

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Continuando....

Existe um sentimento que circula por ai de que as brasileiras são mulheres "fáceis".
Eu mesma, não me considero "difícil". Parafraseando Leila Diniz "Eu posso dar para todo mundo... Mas não dou para qualquer um!". Eis a questão: podemos ser mulheres livres, que se relacionam sexualmente com quem quiser, mas o fato é que não estamos a disposição para satisfazer gringo durante a Copa do mundo.

Boêmia, como sou, tenho visto muitos turistas na noite porto alegrense. Para meus amigos músicos e donos de bares, isso não é ruim, até porque eles estão movimentando a economia. Até ai, tudo bem.
Acontece que nem eu, nem qualquer outra mulher estamos a disposição para o consumo alheio. Seja prostituta, ou não.

Outra noite, em um bar, um canadense me tira para dançar: tento explicar como fazer "two, and two"... ele segura na minha cintura e começa a rebolar. Coloco a mão na cara dele e digo em alto e bom tom: NÃO ENCOSTA EM MIM!

Se eu quiser, vou ficar com quantos gringxs (ou brasileirxs) me der vontade. Isso se eu quiser!
Se eu não quiser, não me toque.
Nem em mim, nem em minhas amigas, nem em qualquer mulher.
Reconheço que ando pouco tolerante, reconheço, mas sim, desço a mão em quem eu ver tocando em uma mulher contra a sua vontade: negra, de saia curta, bêbada, prostituta, jovem. Nós decidimos se queremos ser tocadas.


Meninas do Coletivo Negração em campanha "A Globeleza não nos representa", em A Mulher Negra e o Feminismo

Se você, turista quiser retornar com boas história, aja como gente, e não como um babaca machista: além de conhecer gente interessante, não vai levar na memória a surra de uma mulher negra. Lembre disso!
Nós reagimos: chega de exploração das nossas mulheres!

Por  MARIA, L.P.

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