domingo, 11 de maio de 2014

Feliz dia das mães. Pra quem?

Dia das mães e dias dos pais são mais datas criadas pelos capitalistas para venderem presentes.

Afinal, quem ama os seus, presta homenagens e prepara agrados sempre, sem necessariamente ter um dia no calendário pra isso. No entanto ainda temos aniversários e Natal, se ainda houver necessidade.
Sim, eu compro presente no dia das mães, dos pais das crianças, etc. Mas deixo claro aos meus (e pra mim, o que é mais importante) que as minhas atitudes com eles ao longo dos meus dias é a maior demonstração de amor possível.

No entanto, tenho trabalhado com pessoas com necessidades educativa especiais. A maioria dessas pessoas vive em instituições mantidas pelo Estado, pois eles não podem viver com a família, ou eles morreram, ou abandonaram. Enfim, são pessoas especiais que não tem família, vivendo em um abrigo há muitos anos.
Sim, eu acho isso muito pesado.

Acontece que desde que eu trabalhei em escola regular, tinha meus problemas com a comemoração do dia das mães e dos pais (mais dos pais, na real).  Acho que precisamos falar em família sim, mas já passou da hora da escola pensar no conceito de família em uma concepção tradicional: mononuclear, heteroafetiva, que partilha momentos, vive junto, se ama.
Nada mais cruel que uma festa das mães onde ninguém vai para te dar um abraço. A monitora, a tia do abrigo, a madrinha social: não é mãe, sobretudo para quem foi rejeitado pela família, pela escola, pelo próprio estado, e sobretudo pela mãe.

Vi um aluno que aos 54anos, quando a irmã falou por telefone com ele que não iria na festa, os seus olhos ficarem cheios de lágrimas. Sim, me partiu o coração.
Creio que os nossos jovens (por serem “especiais” e por isso dependentes, considero todos meus alunos jovens) não precisam de mais esse episódio de sofrimento dentro da escola. Eles já são rejeitados o bastante pra isso.

Ai tem gente que diz que alguém faz esse papel. Quando há uma família, existem muitos papéis: pai, mãe, vó, vô, tio, tia, dindos, irmãos, padrasto, madrasta, pais gays, mães gays, pais e mãe emprestados...
Quando não há família, não há família. Simples assim.

Estejam certos que nesse dia das mães, quando me sentar para almoçar, com meus pais, meu irmão, sobrinhos, cunhada, vou lembrar dos olhos dos meus alunos. Se vocês tivessem visto, lembrariam.

Por MARIAL.P.

2 comentários:

  1. Eu senti esse teu pesar lendo o texto. Nós que temos uma família, temos mãe, nessa data deveríamos nos considerar extremamente felizes. Muitas pessoas não tem, essa data é complicada e potencializada pelas necessidades especiais ou infância quando é delas que se trata. Um abraço forte.

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  2. A maioria das pessoas não se importa. Esse é o pesar!

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