quinta-feira, 29 de maio de 2014

Só pra lembrar

Meu útero é laico.
Meu corpo, minhas regras.
Eu transo com com todo mundo, só não com qualquer um.
Nem Estado, nem patrão, nem igreja, nem marido: eu decido.
Eu sou minha. De mais ninguém.
Defendo apenas a autonomia das mulheres sobre suas vidas e seus corpos.

Creio que os leitores saibam disso, mas acho que não custa lembrar.


Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Expectativas

Um carinho e um agrado pela manhã faz bem.
Ai tu te dá conta da expectativa do outro.
O agrado se torna uma responsabilidade, um compromisso com a felicidade do outro.
Mesmo doce, pesa.

...e nunca saberemos como lidar com a expectativas do outro.


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Viver é melhor que sonhar

Depois de um fim de semana como este, me dou conta...

"Ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais!"




É, Belchior, minha dor é perceber!

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ser contra o PT tudo bem, mas promover a direita fascista já é filha da putice!

Ai você descobre que alguns amigos confirmaram presença num evento "Festa de despedida da Dilma".
Até ai, tudo bem.

Eu entro no evento, além de uma enquete onde Bolsonaro é o mai votado, vejo comentários do tipo "Fora todos os petistas e seus ALIADOS! Aécio NEVER.....outro safado que esta apoiando comunistas no Para"

Com essa vou ali cortar os pulsos e já volto!

No facebook!

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Bebida de homem - o retorno!

Voltamos no bar.
Segunda vez que bebemos uma tal de Rainha.
A cachaça acabou.

Continuação do post - Bebida de homem, por favor!

Por MARIA, L.P.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bebida de homem, por favor!

Estávamos num bar, algumas amigas e eu.
Pedimos para degustar algumas cachacinhas, na primeira vez que lá estivemos, e as sugestões eram: ervas aromáticas, frutas, baunilha.
Uma das meninas diz:
- Tu não entendeu, não queremos bebida de mulherzinha, queremos cachaça.

Na segunda vez que fomos nesse mesmo bar, pedimos novamente o cardápio de cachaças.
- Nos traz uma cachaça de homem, por favor.

O garçom traz duas ou três boas sugestões, destiladas em boas madeiras. Eis que:
- Eu tenho essa aqui (mostra o cardápio). Mas essa é cachaça cachaça.
- Traz, vamos experimentar.
- Mas é cachaça cachaça!
- Pode trazer.
- É muito forte!
- Traz que a gente prova.

Eu provo e aprovo, passo para minha amiga que faz o mesmo.
- Pode servir, por favor.
- Noooossa! Eu vejo os homens todos fazendo careta pra essa cachacinha, e vocês nada! Respeitei, gurias.
- Eu te disse. Aqui ninguém veio ao mundo a passeio, meu bem.

O garçom nos olha com espanto, enche o copo e sai. Mais tarde volta e faz o mesmo.
- Uma cortesia gurias, vocês merecem.



Moral da história:
- Somos mulherzinhas e não bebemos?
- É feio beber?
- Vês na minha cara a resistência do meu fígado?
- Se é pedindo bebida de homem que alguns entendem, mostramos que as mulheres bebem o que querem, onde, quanto e como querem!

Obs: Copo sempre cheio, mesa rodeada de amigos!


Por MARIA, L.P.




quarta-feira, 14 de maio de 2014

A sociedade é um hospício

"A gente até tem até que fingir que é louco, sendo louco.
Que é poeta, sendo poeta.
Vai até ali e leia:

 
O buraco do espelho está fechado
Agora eu tenho que ficar aqui , com um olho aberto e outro acordado, no lado de cá onde cai.
Pro lado de lá não tem acesso, mesmo que me chamem pelo nome, mesmo que admitam meu regresso.
Toda vez que vou a porta some, a janela some na parede.  A palavra de água se dissolve. A palavra sede, a boca cede.
Antes de falar não se ouve.
Já tentei dormir a noite inteira, quatro cinco seis da madrugada.
Vou ficar ali nessa cadeira, uma orelha alerta e outra ligada.
O buraco do espelho está fechado
Agora eu tenho que ficar agora
Fico no abandono, abandonado
Aqui dentro do lado de fora."
 

 

De louco pra louco (do filme Bicho de sete cabeças)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Foram. Fomos.

TRANSMISSÃO (Oliveira Silveira)

Querem que a gente saiba
que eles foram senhores
e nós fomos escravos.
Por isso te repito:
eles foram senhores
e nós fomos escravos.
Eu disse fomos.

domingo, 11 de maio de 2014

Feliz dia das mães. Pra quem?

Dia das mães e dias dos pais são mais datas criadas pelos capitalistas para venderem presentes.

Afinal, quem ama os seus, presta homenagens e prepara agrados sempre, sem necessariamente ter um dia no calendário pra isso. No entanto ainda temos aniversários e Natal, se ainda houver necessidade.
Sim, eu compro presente no dia das mães, dos pais das crianças, etc. Mas deixo claro aos meus (e pra mim, o que é mais importante) que as minhas atitudes com eles ao longo dos meus dias é a maior demonstração de amor possível.

No entanto, tenho trabalhado com pessoas com necessidades educativa especiais. A maioria dessas pessoas vive em instituições mantidas pelo Estado, pois eles não podem viver com a família, ou eles morreram, ou abandonaram. Enfim, são pessoas especiais que não tem família, vivendo em um abrigo há muitos anos.
Sim, eu acho isso muito pesado.

Acontece que desde que eu trabalhei em escola regular, tinha meus problemas com a comemoração do dia das mães e dos pais (mais dos pais, na real).  Acho que precisamos falar em família sim, mas já passou da hora da escola pensar no conceito de família em uma concepção tradicional: mononuclear, heteroafetiva, que partilha momentos, vive junto, se ama.
Nada mais cruel que uma festa das mães onde ninguém vai para te dar um abraço. A monitora, a tia do abrigo, a madrinha social: não é mãe, sobretudo para quem foi rejeitado pela família, pela escola, pelo próprio estado, e sobretudo pela mãe.

Vi um aluno que aos 54anos, quando a irmã falou por telefone com ele que não iria na festa, os seus olhos ficarem cheios de lágrimas. Sim, me partiu o coração.
Creio que os nossos jovens (por serem “especiais” e por isso dependentes, considero todos meus alunos jovens) não precisam de mais esse episódio de sofrimento dentro da escola. Eles já são rejeitados o bastante pra isso.

Ai tem gente que diz que alguém faz esse papel. Quando há uma família, existem muitos papéis: pai, mãe, vó, vô, tio, tia, dindos, irmãos, padrasto, madrasta, pais gays, mães gays, pais e mãe emprestados...
Quando não há família, não há família. Simples assim.

Estejam certos que nesse dia das mães, quando me sentar para almoçar, com meus pais, meu irmão, sobrinhos, cunhada, vou lembrar dos olhos dos meus alunos. Se vocês tivessem visto, lembrariam.

Por MARIAL.P.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os linchadores de uma nação triste

 Texto de Fernanda Melchionna, em 08 de maio de 2014 para o Sul21
 
  
O linchamento bárbaro, chocante e lamentável de Fabiane Maria de Jesus em Guarujá (SP) traz à toa novamente casos de práticas de “justiça com as próprias mãos” no Brasil. Faz-se necessária uma reflexão sobre as causas de tais práticas terem crescido nos últimos tempos. Obviamente este crescimento tem base objetiva em uma situação de desigualdade e, portanto, essencialmente injusta, no discurso de ódio propalado por tipos como Jair Bolsonaro e Rachel Sheherazade (ao se referir a um jovem negro amarrado e torturado em um poste por ter furtado). Ou discursos do tipo “bandido bom é bandido morto”. Mas isto não explica tudo.
 
Se observarmos a experiência histórica, veremos que a prática do linchamento é motivada tanto por um descrédito nas instituições encarregadas de “fazer justiça” desde o âmbito judicial até o policial, quanto por ideologias que promovem o ódio. Na Idade Média, tal prática era promovida contra os hereges pelo Estado católico, nos tempos modernos os regimes fascistas, nazistas ou estalinistas incentivavam os linchamentos a partir de um argumento racial, xenófobo ou homofóbico que ganhavam contornos ideológicos adaptáveis aos interesses do poder dominante. Os grupos neonazistas são a expressão prática deste legado no presente, assim como os regimes de inspiração religiosa fundamentalistas de conotação violentamente machista. Há uma diferença importante, no entanto entre a “justiça com as próprias mãos” realizada sob uma orientação institucional e aquela que ocorre espontaneamente.
 
No Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, a questão está ligada a um aumento crescente da violência do Estado e à criminalização da pobreza com a cumplicidade dos governantes. Evidentemente que não temos nenhum governo fascista no país, no entanto a situação pela qual passam diariamente os moradores das periferias das cidades, submetidos à violência policial e a violação dos direitos humanos que vitimam Amarildos, Cláudias e DGs e tantos outros que produzem páginas e páginas de “autos de resistência” e lotam presídios aparecem para a população como farsa e como tragédia. Farsa porque a segurança pública e a prática policial têm seu protótipo de criminoso padrão: pobre, negro, jovem, morador das comunidades. Logo profundamente injusto. Tragédia porque também se configuram como um incentivo ao uso dos mesmos métodos contra os que praticam os crimes visíveis ou inventados por irresponsáveis para estas mesmas pessoas. Dificilmente se verá algum corrupto, grande empresário, ou criminoso “de colarinho branco” ter negado seu direito de defesa e ser condenado sumariamente. Ao contrário, Collor acabou de ser inocentado pelo STF.
 
Constatar as injustiças não nos pode motivar a cometer outras, deve sim motivar uma verdadeira luta por justiça, seja em sua face econômica, social ou penal.
 
As penas mais rigorosas também escondem problemas sociais profundos não resolvidos. Como na canção de Caetano Veloso que diz que “a mais triste nação, na época mais podre, compõe-se de possíveis grupos de linchadores” devemos estar atentos ao que faz com que os possíveis grupos se tornem de fato linchadores. São eles o reflexo de uma nação triste que finge não ver a desigualdade social e pune a si mesma com os mesmos métodos dos que produzem as próprias desigualdades. São eles o reflexo de uma polícia militarizada que aprende a ser torturada pelos superiores para poder torturar os subordinados. São eles produto de uma sociedade injusta que ensina e reproduzir a injustiça e não a lutar contra ela.
 
 
Fernanda Melchionna é vereadora do PSOL em Porto Alegre e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Prioridades

"Eu luto ao lado da revolução, não de um homem."

Olga Benário (No filme Olga)

terça-feira, 6 de maio de 2014

90 min

"Histórias de amor duram apenas 90 minutos.
A vida tem histórias muito mais interessantes."

(do Filme Histórias de amor duram apenas 90 minutos)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um ano

Ontem fez um ano que mudei para Porto Alegre, deixando minha cidade natal e a casa dos meus pais.
Aprendi muitas lições nos dias que passaram. Mas algumas foram ais importantes que outras:

- Retribua toda forma de amor;
- O mundo é um lugar bonito, mas desigual por demais;
- Sempre teremos motivos para lutar;
- Liberdade é uma prioridade;
- Tristezas são tão instáveis quanto as alegrias, mas podemos optar por uma delas;
- Sempre vai aparecer alguém para encher seu copo, não o seu prato;
- Dançar é o melhor remédio para (quase) todos os males;
- As mudanças que queremos precisam ser feitas por nossas próprias mãos;
- Nunca saberemos o suficiente;
- O dia é sempre mais frio se nos sentimos sozinhos;
- É possível ser feliz sozinho, mas não com fome;
- Precisamos transformar a realidade;
- Um outro mundo é possível. E necessário!
- Nunca perder a poesia em meio aos dias.
  


Por MARIA, L.P.

domingo, 4 de maio de 2014

Corpo

O cor tem limites, que até mesmo os limites duvidam.


Por MARIA,L.P.

sábado, 3 de maio de 2014

Eu não queria, mas ainda precisamos falar de racismo e bananas

Eu juro: fiz um esforço gigante para não falar sobre isso: Racismo, bananas e oportunismos.

Li muito sobre o acontecido, e sinceramente me deu uma preguiça, comentar sobre o Luciano Hulk e o Neymar. Os diversos textos publicados no Blogueiras Negras me foram suficientes, pois elas me representam.

- #NãoSomosMacacos
-A banalização do racismo
- Igualdade no Brasil miscigenado

Antes mesmo de saber o que estava rolando, li um post da Luana Tolentino, que me esclareceu todo o acontecido:

" "Estou na Espanha há 11 anos e há 11 anos é dessa maneira. Temos de rir dessa gente atrasada."

Daniel Alves, Querido. Não há graça nenhuma no racismo. Ao contrário do que você pensa, o racismo não é fruto de gente atrasada. É uma construção ideológica produzida pelos europeus no século XV para legitimar a dominação e a exploração dos povos negros. Portanto, é um assunto sério. Há mais de 500 anos, tal ideologia tem provocado a morte, a opressão e a inferiorização de milhões de pessoas da sua, da nossa cor. Pense bem. "

Quando comecei a ver os compartilhamentos e críticas dos famosos, apesar da indignação, não me surpreendeu o oportunismo, tanto dos compartilhamentos como a coleção racista do Luciano Hulk “anti-racista”.

No entanto, o que me deixou realmente preocupada, foi quando vi a postagem de um rapaz que conheci a pouco (negrão, bonito, cheio dos dreads) postando uma foto com uma banana na mão e a hashtag #somostodosmacacos.

Quando tu vê um branco classe média que nunca se envolveu com as lutas do povo negro compartilhar isso, por pior que seja, há uma explicação política. Quando um jovem negro faz isso, há um problema na formação das pessoas que se reivindicam militantes das lutas do nosso povo negro. Não preciso dizer que não somos macacos, assim como não preciso lembrar nenhum leitor desse blog que o racismo é um sistema de dominação que sempre serviu para a manutenção do poder de uma classe social nesse país, e que é esse mesmo racismo que mata pessoas negras (ok, eu já disse), sobretudo homens jovens.

Eai a capa da Veja dessa semana desconstrói toda a luta de pessoas como Malcon X, Martin Luther King, Rosa Parks por uma única atitude: o racismo termina com a ação de comer uma banana:

 

É Veja, ta serto!
Sugiro a leitura do texto do Negro Belchior, na Carta Capital traz muito bem as peculiaridades do acontecido. O melhor texto que li, com brilhantes argumentos sobre Daniel Alves e sobre toda a comoção coxinha ao caso:

" Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo.

O racismo não os atinge dessa maneira. Mas os atinge. E sua reação é proporcional. Cabe a nós dizer que sua reação não nos serve! Não será possível para nós, negras e negros brasileiros e de todo o mundo, que não tivemos o talento (ou sorte?) para o estrelato, comer a banana de dinamite, ou chupar as balas dos fuzis, ou descascar a bainha das facas. Cabe a nós parafrasear Daniel, na invertida: “Não tem que ser assim! Nós precisamos mudar! Convivemos há 500 anos com a mesma coisa no Brasil. Temos que acabar com esses racistas retardados, especialmente os de farda e gravata”.


Esse texto no lembra um detalhe vital: na pele negra a bala não é de borracha!

No mesmo dia,  no Programa Esquenta fizeram uma cena (sobre o caso do Douglas) não pela morte de um jovem negro, mas por conta da morte de alguém do elenco. A grande mídia pode negar o quanto quiser, mas não podemos fechar os olhos e acreditar que esse tipo de discurso anti-racista nos fortalece... O genocídio da população negra é real, e hastags e compartilhamentos no facebook não vão mudar isso: Douglas, Amarildos e Cláudias são exemplos disso.

Não se enganem!


Nos jogam bananas há séculos. Está mais que na hora de lutar de verdade, mas não com a arma do branco. Organizados, conscientes, denunciando e não se resignando. Não precisamos engolir mais essa!

Somos negros, trabalhadores, lutadores! Levanta, meu povo!

Por MARIAL.P.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sabedoria urbana

Ela andava pela rua a noite, sozinha, com um cigarro entre os dedos.
Um morador de rua se aproxima:

- Me consegue um cigarro, moça?
- Só tenho esse, pode ser?
- Oo! Não se nega nada da boca de uma mulher. Com todo respeito.

Ela ri, e segue.
Encontramos sabedoria nos lugares mais inusitados.


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de maio

Feliz:
Dia do trabalhador, não do trabalho!




Por MARIA,L.P.