quinta-feira, 24 de abril de 2014

Funk, críticos ruins e uma indústria musical estúpida

Andei lendo uma entrevista com o MC Guimê, aquele dos "plaquê de cem dentro de um citroeeem".
No dia seguinte, vi uma crítica do (babaca) do Regis Tadeu sobre ele.

Antes de entrar na crítica, quero deixar uns apontamentos:

1) Não gosto, nunca gostei, não me atrai em absolutamente nada o funk.
2) O Régis é o tipo de crítico musical que odeia tudo.
3) Tenho acompanhado um pouco do funk (ostentação ou não) por conta dos meus alunos, pois isso os atrai e muito.


A coluna do Régis traz como título "MC Guimê e o abismo entre o que poderíamos ser e o que seremos realmente". Isso me pareceu um ataque pessoal muito baixo, considerando o cenário musical da atualidade, eu poderia colocar tantos outros nesse meio, como Luan Santana, Anitta, Justin Bieber...

A grande crise dos críticos com o funk, é que ele estoura sabe-se lá por quê, sabe-se lá de onde, jogando para o quadro de subcelebridades jovens de periferia, sem formação alguma, que do dia para a noite estão nadando no dinheiro, sem talento, sem beleza e sem uma trajetória.

É natural que artistas que durante anos lutam por um lugar ao sol fiquem enfurecidos, mas o cenário é esse. E o que enfurece a crítica classe média é justamente isso, o cara que provavelmente morreria no tráfico fica milionário.
Seria um pouco de inocência, talvez, mas me parece que o funk ostentação acaba de posicionando como uma grande sátira à classe média. Ele ostenta, porque hoje tem, amanhã pode não ter, mas importa que ele está aproveitando aquilo que tem. Ele compra tem o poder de consumir, enquanto antes só o playboy podia esfregar isso na cara do favelado. Hoje o funkeiro faz a mesma coisa. Essa é a sacada.

Acho que os caras do funk ostentação, assim como toda a vibe do funk e tantos outros gêneros têm problemas, mas o central é que eles estão ocupando espaços diversificados, inclusive o de patrão (no tráfico, no bonde, e no capital), e isso mexe com a classe média, mais do que com a classe artística.

Não achei a entrevista do MC Guimê ruim. Ele fala sobre o uso de maconha e álcool, deixando claro qual substância age mais intensamente sobre o corpo, e fala sobre o ensino escolar, onde ele "graças a deus" não precisou cursar uma faculdade para ficar rico. O Regis diz se altera, por pensar que os jovens se inspiram em gente assim... Perai, quantos artistas frequentam a universidade? Quantas pessoas que vêm do morro e vão pra universidade? Não ter formação acadêmica é um (des)privilégio de funkeiros? Ou ser graduado é sinônimo de sucesso profissional e riqueza (não pra mim).

Creio que sim, a geração que está ai está muito carente de ídolos, mas isso é culpa da indústria musical, que cria gêneros e vende artistas ruins, não de um ou outro funkeiro de merda. Tem muita coisa ruim por ai, não dá pra dizer que umas são menos ruins que outras...



Por MARIA,L.P.

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