quarta-feira, 30 de abril de 2014

Soluço

 - Soluço é quando o coração está tossindo.
(Ricardo, 3 anos)         


Disponível no blog (fofo) Frases de Crianças - Acessem lá, é uma gostosura!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Marcha das Vadias em Porto Alegre

Não poderia passar por mais essa edição da Marcha das Vadias sem partilhar algumas considerações.

 Foto de Jocassia Motta, no facebook 
 
 
Foi uma bonita Marcha! As gaúchas devem ser reconhecidas por isso, pois o vento gelado da Redenção soprando 18°, e as vadias de sainha, calcinha, sutiã ou mesmo peitos a mostra, merecem o reconhecimento geral. Mostrar o corpo em alguns locais é um grande desafio, mas no frio é demonstração de comprometimento com a causa!
Infelizmente, essa foi uma das menores edições da mesma. Talvez pela alteração da data, pelo frio, ou mesmo pelos problemas com divulgação... Mas certamente tivemos uma equipe de organização que, já experiente, demonstrou coerência e responsabilidade. 

Mas do local onde estava com as companheiras do Movimento Contestação, pudemos observar alguns setores que não conseguiram dialogar: comissão de frente (organização), anarquistas, negras e LGBTs – pra quem estava sensível, percebeu que as diferenças eram gritantes. 

Nem mesmo a presença de mascus não foi visível, só mesmos os comentaristas do machismo (de quem não conseguimos nos livrar). 
 
As meninas do Coletivo Negração, fizeram uma intervenção muito bonita, bem articulada e politizada reivindicando um feminismo negro. 
 
Os LGBTs gritavam que um feminismo transfóbico fortalecia o patriarcado. 
 
E as anarquistas queria a morte dos héteros. Isso mesmo.
 
Lamentamos a posição das anarquistas e autonomistas, que tiveram uma atitude inconsequente e “racharam” a marcha, rumando à Cidade Baixa, para um escracho a bares acusados de violência contra a mulher e homofobia. 
 
A organização, junto com o cachão do feminicídio, seguiram à Delegacia da Mulher, para a leitura e reivindicação de que as políticas para mulheres sejam aplicadas de forma real, protegendo as mulheres que mais necessitam. 
 
O escacho tem a sua função, mas alegar que não protestariam em frente a delegacia “porque a polícia é opressora” soa como a maior falta de argumento. Todxs sabemos que a polícia é opressora, que a delegacia não funciona 24h, que os profissionais não estão qualificados para atender as vitimas, que a Lei Maria da Penha não garante a segurança a vida das mulheres. E por isso precisamos ir até a delegacia exigir que isso aconteça.

No entanto, se deu mais importância a ir xingar o dono do bar e os seus frequentadores, quando a maioria das mulheres e LGBTs proletários e que são vítimas das mais diversas formas de violência não frequentam esses locais. Triste ver algumas pichações sem fundamento algum, do tipo “morram héteros”.
 

Com quem isso dialoga?

 Marlise Paz, ironizando: morre mais um hétero em POA




A Marcha das Vadias vem para chocar, mas precisa dialogar com a população (não com os machistas e homofóbicos, mas com as pessoas de senso comum). Precisamos parar de frequentar esses lugares e fazer que nossos amigos também o façam. Mas sobretudo é necessário um debate político consciente e coerente, que não discuta amenidades, mas intervenções que possibilitem mudanças reais para as mulheres, trabalhadoras, negras, lésbicas, trans, que abortam, que se prostituem, que usam transporte público, que são mães, que são oprimidas, que são vadias: que querem e precisam ser livres!
 

A luta não se impõe, se ensina. Marlise e Duda no facebook


 
Por MARIA, L.P.

domingo, 27 de abril de 2014

Uma "vadia" em uma noite qualquer

A - B, encontrei uma coisa sua! (risos)
B - É, o que?
A - Abri o porta luvas do carro do C, e lá tinha uma calcinha vermelha que ele disse que é tua. (risos)
B - Calcinha, minha? (olhar de interrogação)
C - Lembra daquele dia que nos conhecemos, pois é... (expressão de "comi, sou phoda")
B - Nem lembrava mais disso. (risos) Tu guarda pra te dar sorte?
C - Guardo de recordação... (sou phoda)
B - Hummm (expressão de "sabe de nada, inocente").


Obs: A = sabe de nada, inocente; B = vadia; C = o cara que acha que é comedor.

Por MARIA, L.P.



sexta-feira, 25 de abril de 2014

Enquanto isso no STJ

Da série: O STJ não tem mais o que fazer?

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (22) pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde ele mora a chamá-lo de "senhor" ou "doutor", sob pena de multa diária.
Lewandowski entendeu que, para atender o pleito do magistrado, teria que reanalisar as provas do processo, o que não é possível ser feito no Supremo. Ainda cabe recurso à Segunda Turma do Supremo.
O magistrado Antonio Marreiros da Silva Melo Neto, de São Gonçalo (RJ), entrou com a ação em 2004, há dez anos, e o caso chegou ao Supremo neste mês. Segundo o site do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), atualmente, o magistrado atua na 6ª Vara Cível de São Gonçalo, na Região Metropolitana.
Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de "você" e "cara" e que ouviu a expressão "fala sério" após ter feito uma reclamação. Segundo o processo, o apartamento do magistrado inundou por erro do condomínio, mas o funcionário não o tratou com respeito.

Leia a matéria no G1

Chegamos ao ponto de que o ministro do Supremo precisa negar a um juiz que as pessoas o chamem de doutor.
- Juiz não é doutor. Doutor é quem tem doutorado.
- Você, tu, cara não é ofensivo.
- Senhor é usado quando nos referimos respeitosamente a alguém, mais velho ou com algum status.

Eu chamaria o  magistrado Antonio Marreiros da Silva Melo Neto apenas de "Seu Merda".
Para alguém que acha que o porteiro deve o chamar de "doutor", pelo papel social que este ocupa, "Seu Merda" chega a ser elogio.

Título e/ou ocupação não diz muita coisa sobre a pessoa. Uma ação judicial como essa diz muito: diz que o magistrado é um grandioso energúmeno e não merece o respeito dos porteiros do seu prédio.
Mas o porteiro que disse "fala sério", esse sim, merece aplauso!

O STJ não precisa perder tempo com esse tipo de processo, mas infelizmente precisamos encarar esse tipo de gente cotidianamente.  Uma lástima!

Por MARIA, L.P.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Funk, críticos ruins e uma indústria musical estúpida

Andei lendo uma entrevista com o MC Guimê, aquele dos "plaquê de cem dentro de um citroeeem".
No dia seguinte, vi uma crítica do (babaca) do Regis Tadeu sobre ele.

Antes de entrar na crítica, quero deixar uns apontamentos:

1) Não gosto, nunca gostei, não me atrai em absolutamente nada o funk.
2) O Régis é o tipo de crítico musical que odeia tudo.
3) Tenho acompanhado um pouco do funk (ostentação ou não) por conta dos meus alunos, pois isso os atrai e muito.


A coluna do Régis traz como título "MC Guimê e o abismo entre o que poderíamos ser e o que seremos realmente". Isso me pareceu um ataque pessoal muito baixo, considerando o cenário musical da atualidade, eu poderia colocar tantos outros nesse meio, como Luan Santana, Anitta, Justin Bieber...

A grande crise dos críticos com o funk, é que ele estoura sabe-se lá por quê, sabe-se lá de onde, jogando para o quadro de subcelebridades jovens de periferia, sem formação alguma, que do dia para a noite estão nadando no dinheiro, sem talento, sem beleza e sem uma trajetória.

É natural que artistas que durante anos lutam por um lugar ao sol fiquem enfurecidos, mas o cenário é esse. E o que enfurece a crítica classe média é justamente isso, o cara que provavelmente morreria no tráfico fica milionário.
Seria um pouco de inocência, talvez, mas me parece que o funk ostentação acaba de posicionando como uma grande sátira à classe média. Ele ostenta, porque hoje tem, amanhã pode não ter, mas importa que ele está aproveitando aquilo que tem. Ele compra tem o poder de consumir, enquanto antes só o playboy podia esfregar isso na cara do favelado. Hoje o funkeiro faz a mesma coisa. Essa é a sacada.

Acho que os caras do funk ostentação, assim como toda a vibe do funk e tantos outros gêneros têm problemas, mas o central é que eles estão ocupando espaços diversificados, inclusive o de patrão (no tráfico, no bonde, e no capital), e isso mexe com a classe média, mais do que com a classe artística.

Não achei a entrevista do MC Guimê ruim. Ele fala sobre o uso de maconha e álcool, deixando claro qual substância age mais intensamente sobre o corpo, e fala sobre o ensino escolar, onde ele "graças a deus" não precisou cursar uma faculdade para ficar rico. O Regis diz se altera, por pensar que os jovens se inspiram em gente assim... Perai, quantos artistas frequentam a universidade? Quantas pessoas que vêm do morro e vão pra universidade? Não ter formação acadêmica é um (des)privilégio de funkeiros? Ou ser graduado é sinônimo de sucesso profissional e riqueza (não pra mim).

Creio que sim, a geração que está ai está muito carente de ídolos, mas isso é culpa da indústria musical, que cria gêneros e vende artistas ruins, não de um ou outro funkeiro de merda. Tem muita coisa ruim por ai, não dá pra dizer que umas são menos ruins que outras...



Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tá fácil nem pro Pondé

Ai o Pondé se queixa que tá difícil ser de direita e pegar mulher.
As mulheres não querem homens de direita. 

É necessária uma direita festiva, porque a esquerda por si já é festiva. 
Confere, produção?

Mulheres da Adm, Contábeis e Economia não gostam de política?
O único tipo de mulher que discute política são as libertárias das humanas?
A imagem do Che, cachaça e um beck são armas de sedução dos esquerdistas?

Pondé, além de machista, você é um idiota!


Nisso tudo, uma coisa me deixa feliz com tal constatação: ficaria preocupada se os babacas de direita estivessem fazendo o maior sucesso entre as mulheres!

Por MARIA, L.P.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Nossa vida é feita assim

Vento no rosto.
Gotas de chuva molhando a roupa.
Frio na pele.
Cabelo cheio de nós.
Dedos congelantes.
Lábio roxo.
Nariz vermelho.

Você, a estrada e o motor. E mais ninguém.
A música do  vento cantarolando ao ouvido.
Pensamentos vão e vem.

Te olham como marginal suicida.
Tu vês os loucos.

Quem nunca provou da estrada não pode ser um sujeito completo.

Sê livre!





Trilha sonora sugerida: Na Estrada (quando Encontrei Dean Pela Primeira Vez) - Cordel Do Fogo Encantado


Por MARIA.L.P.

sábado, 19 de abril de 2014

Por que (não) jejuar na sexta-feira santa

Como qualquer jovem de família católica, me criei comendo peixe na sexta-feira santa. Pois sexta-feira santa é dia de comer peixe!

1) Sexta-feira santa é dia de jejuar. Aprendi isso em minha formação religiosa, ao longo de mais de quinze anos.

2) Jejum é o ato de deixar de comer, como forma de penitência. Logo, se como peixe, não jejuo. Ai apontaram que o jejum para algumas pessoas é algo muito difícil (se é penitência, deveria se difícil, não?), e dessa forma se jejua de carne, por conta do sangue derramado por Cristo, preso, torturado e morto (jejuar é difícil, ser preso, torturado e morto é barbada).

3) Peixe é carne. Podem argumentar que é carne branca, mas partindo desse princípio, porco e frango também o são. (Mas os judeus e os adventistas não comem porco, eu sim).

A primeira vez que comi carne, foi em um encontro estudantil que participei durante a páscoa, em 2008. Me senti  a pecadora (hsashau, superei rápido). Essa sexta, acordei de ressaca e fui almoçar na praça de alimentação de um shopping perto de casa, pedi frango o molho de champingnon. O rapaz que chegou depois de mim, perguntou o que ela sugeria:

- Tem peixe a milanesa. Afinal, hoje é dia de comer peixe - disse ela me olhando torto.

4) De nada adianta eu penitenciar meu corpo, se sigo com os mesmos pecados. De nada adianta vale argumentar o verdadeiro sentido da páscoa, se invejo e destruo os que me cercam. A sexta rememora a paixão, essa que é lembrada apenas pelo feriado. Se não é verdadeiro, de nada serve: não sou hipócrita para afirmar que esse dia faz diferença em minha vida, que não seja o feriado.


5) Para pagar meus pecados (e curar a bebedeira da santa ceia) passei a noite em casa bebendo vinho (obrigada, Jesus!).

6) Se eu comer peixe, é porque gosto de comer peixe. Não faço penitência, pois apenas deixei de acreditar.

Obs: os parênteses eram para ser a parte irônica e sarcástica do texto.



Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Consciência de classe

Consciência de classe:  uns não sabem o que é e têm, outros sabem, e escolhem não tê-la.

Episódio 1: Participo de parte de um ato contra o aumento das passagens em Porto Alegre, ato esse de estudantes secundaristas de duas grandes escolas da cidade. 
Saio de fininho, e vejo uma senhora com grandes rolos (tipo Dona Florinda) olhando, tentando entender  o que acontecia.
Ela me chama, já que estou de camiseta e adesivos, perguntando o que estava acontecendo.
- É um ato dos estudantes do Julinho e do IE contra o aumento das passagens.
- Que vergonha esse aumento. Só assim pra chamar a atenção desse prefeito.
- A gente tem duas opções, se organizar e lutar ou deixar que nos roubem.
- Só lutando mesmo. 
E ela continua olhando o ato.


Episódio 2: Paro para abastecer minha moto. O frentista completa e custou $8,00. Dou a ele três moedas e $1 e uma nota de $10 pensando ser $5.
Quando eu subia na moto ele me chama:
- Moça, tu me deu dinheiro a mais, toma o troco.
- Bah, valeu, nem tinha visto.
- Eu vi. Mas não vou tirar de ti pra dar pro patrão.
- Brigada mesmo! 
Sorrio e me vou. 

De fato, vemos muitos diletantes por ai, e alguns dos mais simples nos dão grandes aulas de consciência de classe, mesmo sem saber disso.

Um dia de grandes aprendizados.


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Gasolina subiu muito no último período


A pessoa se dá conta de que a gasolina está realmente cara, quando abastece 10 pila na Biz, pela primeira vez em três anos.

Tá fácil não!

 

Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Ídolos


Você passou a adolescência sendo super-hiper-mega fã de um músico.
Dez anos depois de parar a neura, e quase não ouvi-lo mais, você resolve procura-lo no facebook. 
Descobre que, você nunca mais ouviu falar, mas a banda ainda existe e, pior, o cara e pré-candidato a deputado estadual pelo PT.
Momento: que merda é essa?!


Por MARIA, L.P.

sábado, 12 de abril de 2014

Cheguei a conclusão: eu nunca vou lecionar em uma escola privada


Andei participando de alguns processos seletivos em escolas da rede privada de Porto Alegre. Na última entrevista para a qual fui chamada, fiquei bastante esperançosa, pois acreditei ter mais chances de conseguir o trabalho.
Acontece, que a primeira parte do processo, era uma entrevista coletiva, para as vagas de Geografia e para Sociologia, Filosofia e Ensino Religioso, que era a vaga que eu concorria.
Achei que estava indo bem, até que ...
Fizemos uma dinâmica, onde deveríamos escolher duas pessoas entre os rostos apresentados, um com quem gostaria de jantar, outro não gostaria e justificar. Até ai, fácil. Escolhi o Ministro Joaquim Barbosa e Xuxa.

- Escolhi a Xuxa, pois entre ela e uma pizza, eu fico com a pizza. A Xuxa que dá uma profunda preguiça, não vejo nada de bom nela, mas como todos da minha geração, ouvi muito ela, mas ela não me anima em nada. Considero sim, que a mesa é o local onde as pessoas se igualam (alguém havia dito isso) , mas eu não sou melhor que ninguém para dizer como a Xuxa deva ser, ou qualquer outra pessoa. Recentemente ela deu uma entrevista, dizendo que as pessoas não deveriam ir às ruas e lutar por seus direitos, mas aproveitar a parte bonita da Copa.  A Xuxa poder ter a opinião que quiser, mas sugerir que as pessoas não lutem por saúde e educação, quando ela nunca vai precisar do SUS, e ela pode pagar a escola e a melhor universidade do mundo para a filha. Enfim, prefiro uma pizza à Xuxa.

- O Ministro Joaquim Barbosa eu escolhi pelo destaque que ele teve no cenário político nacional, com o julgamento do mensalão, onde ele se tornou herói de muitos por ai. Mas acontece que ele fez correto. Muitos acham extraordinário o correto, mas ele cumpriu a função dele, enquanto os demais não fazem. Acho que ele tem o mérito por ter realizado isso, mas efetivamente o julgamento foi mais mídia que justiça. No entanto, tenho profundos desacordos  com ele sobre as recentes declarações sobre cotas para negros em concursos públicos: eu não acredito na meritocracia! Usar o Joaquim Barbosa ou mesmo o Silvio Santos como exemplo (dois participantes escolheram o SS para jantar, porque ele era um cara pobre, que começou de baixo e se tornou u dos caras mais influentes do Brasil porque trabalhou duro) é um erro político e teórico. Quantos negros como eu como como o Barbosa começaram a vida profissional limpando o chão e se tornaram importantes, que podemos citar? Não nego o esforço deles, mas é um erro do ponto de vista histórico e sociológico afirmar que qualquer um que trabalhe muito fique rico ou, que os negros tem as mesmas oportunidades que os brancos, independente da sua classe social. Eles se esforçaram, e merecem o meu respeito por isso, mas se utilizar da meritocracia nesse exemplo é negar que as condições são diferentes e não depende da quantidade de horas de trabalho de um indivíduo que a desigualdade nesse país vai acabar, mas de políticas sociais, como o caso das cotas.  Enfim, apesar da admiração, tenho profundos desacordos com o Ministro Joaquim Barbosa, e um jantar com ele, tenho certeza que seria animadíssimo e acalourado.
 

Resumo da história: semana seguinte  ligaram dizendo que o meu currículo foi arquivado, para vagas futuras.

Honestamente, prefiro não ter sido selecionada. Eu posso mentir respostas, mas não posso mentir sobre quem sou eu. Não menti agora, não mentiria para meus alunos!
Não fiquei chateada em não conseguir a vaga, sinceramente. Mas vou ficar muito chateada se  o cara do Silvio Santos tiver sido.


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Impressões da universidade

Faziam dias que eu não ia pra Unisinos durante o dia.
Chegando de manhã na universidade,  vi alguns estudantes muito jovens. Tive  impressão de estar em uma escola privada, só que sem uniforme: adolescentes bem maquiadas, com bolsas caríssimas, cabelos muito lisos, muita conversa e pouca coisa a dizer.

Semana que vem vou a noite. Espero ver trabalhadores e negros.
Quando me formei, almejava uma universidade mais popularizada. Na privada está cada vez mais difícil.... que aio menos pública seja popular!



Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Morro de amor, dia e noite

A parte boa e que o amor romântico morreu em mim.
A ruim é que ainda amo.
Antes fosse paixão, ai talvez eu já tivesse me curado.
Paixão é doentia, mas sara.
Amor não.
Morro aos poucos.
A cada dia, espero a noite. E morro!



Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Discrição

Andei lendo o jornal da Igreja Universal do Reino de Deus, na página que homenageava as mulheres.
Lá dizia que  mais belo acessório de uma mulher é a discrição.

Diálogo com uma camarada - feminista como eu - sobre o texto lido:

- Quero ser bela pra Jesus.
- Tu tem muita maledicência no coração.
- Eu vou para o inferno.
- Comunista que come criancinhas!
- Adoro!


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O feminismo não luta contra homens nem contra mulheres, mas contra o machismo

O feminismo não luta contra homens nem contra mulheres, mas contra o machismo.

Recentemente os últimos dados pesquisados e apresentados sobre mulheres têm se mostrado assustadores, não apenas pelos altos números relativos à violência, mas, sobretudo sobre a intensidade em que o machismo está arraigado em nossa sociedade.

Mesmo com os problemas em relação aos dados do IPEA, sobre “uma mulher de roupa curta merece ser atacada” (pesquisa essa que ainda apresenta erros – e muitos), considerar que 26% da população brasileira aprova esse tipo de conduta não passa somente pela cultura de estupro, que naturalizada violenta e cala centena de mulheres, mas pela culpabilização da mulher, quando, mesmo que não se dê conta é a grande vítima.

A mulher que não se dá conta de que é vítima se considera responsável quando sofre algum tipo de agressão. Também se cala quando é assediada andando na rua. E não reage quando alguém a toca em um espaço público. É aquela que troca de roupa quando o companheiro diz que está curta ou imprópria para a sua idade. Também tem relação sexual com o companheiro quando não sente vontade nem prazer, mas porque se sente na obrigação. A mesma que perdeu a virgindade com o primeiro namorado porque ele pediu uma prova de amor. Essa mulher que ensina os filhos a sustentarem a casa, enquanto as filhas aprendem a dar conta do serviço doméstico. Essa é a mulher que acha que quem aborta só pode ser uma assassina sem coração, que mata criancinhas. A mesma mulher que quando é traída, se enlouquece e quer matar a vadia que roubou o seu amor. Também, essa mulher classifica como vadia qualquer uma que transe no primeiro encontro ou sem compromisso, só porque sente tesão e esta com vontade.

Essa é a mulher que acha que a outra mulher pediu para ser estuprada. Essa mulher culpabiliza a outra porque não consegue se dar conta de que é tão vítima quanto a vadiazinha que pediu pelo estupro. As duas são mulheres igualmente vitimadas pelo machismo.

Mas compreendam, a culpa não é da mulher: nem do estupro, nem de responsabilizar a outra e, algumas vezes, a culpa também não é diretamente do homem. A culpa é do machismo: o machismo nosso de cada dia!

É o machismo nosso de cada dia que faz a mulher acreditar que mereceu o tapa ou o beliscão do seu namorado, e faz com que ela se comporte para que não mereça mais ser agredida. Esse machismo faz com que a mulher fique vermelha e envergonhada, e não com raiva quando é encoxada e alisada no transporte público em um espaço com muitas pessoas. O machismo faz a mulher obediente, que dá razão ao homem que escolhe com que roupa ela pode ser vista. Também o machismo que caracteriza o que são obrigações conjugais, obrigações estas que estupram mães de família diariamente quando forçadas ao sexo. O mesmo machismo que fez a adolescente acreditar que sexo é prova de amor. Mesmíssimo machismo que condiciona mães a educar e não a romper com o sexismo nas relações conjugais e mesmo entre irmãos. Esse machismo não deixa muitas mulheres compreenderem que o aborto acontece debaixo dos seus olhos, e quem está morrendo por falta de garantia e um aborto legal, seguro e gratuito são milhares de outras mulheres, enquanto as clínicas clandestinas lucram milhões. E é o mesmo machismo que faz com que a mulher traída responsabilize a outra mulher que entrou na sua história, e não o homem a que traiu porque teve vontade. É o machismo que rotula e classifica pejorativamente quem não se submete a ele, rompendo nas ruas relações afetivas, sociais e sexuais.

A culpa toda é do machismo enraizado em nossa sociedade, não das mulheres. Assim como a cultura do estupro é de responsabilidade do machismo com o qual convivemos. Também o machismo faz acreditar que toda mulher que reproduz as relações de dominação é culpada. Muitas vezes homens e mulheres reproduzem esse machismo, sem reflexão, mas caracterizar que as pessoas são machistas porque não tiveram oportunidade de romper com o ele, não quer dizer que esse esforço não tenha de ser feito. De fato, as pessoas não são culpadas pelo machismo mediar as relações, mas elas são responsáveis por romper com ele.

Quanto ao estupro, a culpa é do machismo, que legitima e responsabiliza a vítima, mas nesse caso sim a culpa é do estuprador, que se sente no direito de tomar a mulher como seu objeto de desejo, independente da sua vontade, tenha ela a idade que for, seja na rua quando ela está sozinha, seja persuadindo a companheira ao sexo que ela não quer, seja se relacionando com uma mulher desacordada e embriagada. Sexo sem consentimento da mulher é estupro, simples assim.

O machismo sempre criou lugares para as mulheres, o feminismo rompe com isso, denunciando que as mulheres devem escolher o papel a ocupar na sociedade. Esse feminismo denuncia que as mulheres que acusam as outras são tão vítimas quanto às acusadas e, lembra que a culpa não é delas, nunca.

Não que estejamos defendemos mulheres e homens frente as relações violentas e de dominação, mas a ideologia reproduzida por ambos. Sim, o machismo faz parte da ideologia de uma classe dominante, que classifica e cria papéis sociais, onde o homem branco é melhor que a mulher branca e que homens e mulheres negras, assim como o homem negro é melhor que a mulher negra (os dados sobre salários pagos a homens e mulheres brancos e homens e mulheres negros caracterizam essa escala). Essa ideologia, é uma estratégia de dominação, que faz a manutenção do poder.

O feminismo tem como função rearticular os papéis das mulheres em nossa sociedade, por isso as mulheres que se reivindicam feministas normalmente são taxadas de radicais. Mas acontece, que se não for radical, não haverá avanços: é necessário pensar radicalmente em mudanças, pois nesse momento isso se faz necessário.

Lembrando que nenhuma luta é desconexa, porque a luta das mulheres é a luta da classe trabalhadora. A luta das mulheres é contra o capitalismo. A luta das mulheres é contra o racismo. A luta das mulheres é contra a homofobia.

A luta das mulheres não é contra os homens, é contra o machismo.

Por vezes, precisamos nos colocar contra os homens, assim como vamos ter que nos colocar politicamente contra outras mulheres (mesmo que em defesa delas mesmas), e dessa forma precisamos nos colocar contra o racismo e contra a homofobia também. Só seremos livres, quando todas forem: por isso a diversidade de pautas dentro dessa luta: não há liberdade, quando somente as mulheres da classe média conseguem romper com o machismo. Não há liberdade quando só as mulheres brancas conquistam protagonismo. Não há liberdade quando só as mulheres heterossexuais e cisgênero avançam.

Precisamos de todas as mulheres lutando contra o machismo. Mas também precisamos dos homens nessa luta. Precisamos de todxs, para cessar a reprodução de discursos machistas, para romper com a cultura do estupro, pra desconstruir o sexismo, a homofobia e o racismo em nossas relações.

Precisamos de todxs. Livres!
 
 
Por Letícia Maria - Militante do Movimento Contestação

Disponível em Movimento Contestação

domingo, 6 de abril de 2014

Olha

Quisera ser poetisa.
Prefiro ser louca e boêmia...
Eu já fui uma romântica!
Mas olha o que o amor romântico fez comigo:
- louca, boêmia  e, pior, cética e solitária.



Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Coisa linda

Momento coisa linda do dia:

Um cara, mais ou menos 30 e poucos anos, passa d terno e skate pela janela do meu quarto.

Em meio a tantos carros, um engravatado skatista.
Ora, nem tudo está pedido.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Por que eu sou feminista?

Outro dia, bebendo com um amigo que conheci a pouco, ele me pergunta por que sou feminista.
  Listo alguns motivos:


65% dos brasileirosacham que mulher de roupa curta merece ser atacada

Resultados assustaram até autores do estudo do Ipea; retrato da vítima de violência sexual indica ainda que mais da metade das vítimas tinha menos de 13 anos e há casos de estupro coletivo
Maioria dos brasileiros acredita também que número de estupros diminuiria se mulheres soubessem se comportar, mostra estudo do Ipea
 - Como se a roupa fosse determinante para o estupro. O maior causador de estupros é o estuprador e a cultura do estupro em nossa sociedade, que legitima esse tipo de violência.

Maior parte dos brasileiros se incomoda em ver dois homens ou mulheres se beijando
Pesquisa do Ipea divulgada nesta quinta-feira mostra que 59% dos entrevistados sentem desconforto ao ver a cena
- Como se a sexualidade fosse algo contagioso. Se fosse, qualquer homossexual em contato com hétero seria contaminado, não apenas no movimento contrário.
Homofobia não é opinião. Homofobia mata. 

54,9% acreditam que existe'mulher para casar', diz pesquisa
Segundo autores do estudo, respostas mostram noção estereotipada
- Logo, eu não sou para casar. Em parte, isso me conforta.

Em propaganda, Metrô de SP diz quelotação é bom para xavecar a mulherada
- Como se não bastasse o altíssimo número de casos registrados de assédio nos transporte público em todo país, por algum motivo existem vagões reservados para mulheres. Não é por que gostamos (ou não) de rosa.

Mulheres denunciam violênciaobstétrica
- Milhares de mulheres saem das salas de parto com mutilações irreversíveis, além do abuso e das humilhações do tipo “na hora que fez não gritou”.

Divulgarou compartilhar fotos íntimas na internet é crime
Adolescente gaúcha de 16 anos pode ter sido vítima de cyberbullying.
- Banalização do corpo e superexposição nas redes sociais tem afetado as meninas que mostram o corpo, e não pune quem compartilha, expõe e humilha essas meninas. O pior, os casos vêm aumentando assustadoramente, levando muitas jovens à depressão e ao suicídio.

Brasil:aborto clandestino é a quinta causa de morte materna
A cada dois dias, uma brasileira (pobre) morre por aborto inseguro, um problema de saúde pública ligado à criminalização da interrupção da gravidez e à violação dos direitos da mulher.
- Enquanto a classe média paga clínicas, que enriquecem na clandestinidade, a mulher pobre morre com abortos mau feitos, com agulha e tricot, medicamentos e outras formas bárbaras, que quando levadas ao socorro ao invés de receberem atenção cuidado, são criminalizadas.


Violência contra a mulher: Brasil registra 5,6 mil feminicídios a cada ano
- Mesmo com a Lei Maria da Penha e com as políticas implementadas com a criação da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, os índices de feminicídio só sobem. Algo está errado.


Mas, qual era a pergunta mesmo?
Ah, por que sou feminista... E radical? Sim. Sou radicalmente a favor das mulheres.
Sou feminista por que sou mulher, negra e lutadora.
Luto por mim, mas luto por todas aquelas que são oprimidas

Estarei no Parque da Redenção, com as minhas companheiras no dia 13 de abril para a III Marcha das Vadias de Porto Alegre.

Vadia, feminista e lutadora. Em marcha até que todas sejam livres!


Por MARIA,L.P.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Feliz primeiro de abril

Oh, musa do meu fado,
Oh, minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro abril.


(Chico Buarque - Fado Tropical )