quarta-feira, 26 de março de 2014

Moedinhas e bom senso: bixo e morador de rua

Segunda-feira, um amigo me disse que estava tão sem dinheiro, que ia se pintar de bixo para ganhar uma grana na rua.

Concordei, pois desde que saiu o listão do vestibular da UFRGS, aqui em Porto Alegre, vemos vários jovens (brancos, classe média) pintados na rua, pedindo dinheiro entre carros e pedestres, nas ruas e bares da cidade.

Algumas considerações:

1.      Quando fui caloura, meus pais me presentearam com a famosa faixa na frente de casa. Sem tintas, porque a universidade era particular.

2.      Não me oponho às pinturas

3.      Rejeito trotes violentos e/ou machistas.

4.      Considero a possiblidade de colaborar com umas moedinhas, se eu tiver.

O ponto quatro é o mais importante, não porque eu acho que as pessoas devam colaborar com uma moedinha, mas bom senso é sempre legal!

A maioria das pessoas que vejo dando dinheiro pra bixo, são àquelas que negam para um morador de rua (se puderem o chutam, inclusive). Também não creio que ninguém seja obrigado a dar dinheiro a morador de rua, flanelinha ou catador, mas quando o sujeito é estudante, classe média, branco e definitivamente não precisa desse dinheiro, justamente é ai que vem ajuda?

Não parece uma contradição?

Esse ano, não dei nenhuma moedinha a nenhum bixo da UFRGS. Prefiro colaborar com eles (e calouros de outras universidades) com os textos e fotocópias que acumulei ao longo de quatro anos e meio e graduação. Essas moedas me fizeram falta, e podem colaborar de forma real para um estudante do ensino superior.

Procuro sempre colaborar com as pessoas que moram e vivem nas ruas. Dificilmente dou dinheiro, porque nunca tenho e porque acho que não é educativo. Prefiro dar algo de comer, mas até ceva morna já dei, enquanto normalmente as pessoas jogam fora porque esquentou.  

Estou certa de que ninguém que more na rua seja um anjinho, mas convivo com essas pessoas (sim, pessoas) diariamente, e não me custa nada. Mas o cara que mora na frente do meu prédio, sabe que sou eu que sempre deixa algo pra ele. Isso me basta.

E possivelmente o bixo bonitinho pra quem você deu dinheiro hoje, será o médico que não vai querer te atender pelo SUS daqui a cinco ou seis anos. Isso também me basta.

Só sugiro uma coisa: uma pitada de bom senso.
 

Por MARIA, L.P.

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