sábado, 1 de março de 2014

Essa negra, sou eu. Negra, negrinha, negrona.



Sexta feira, um homem negro veio conversar comigo. Disse que o meu sorriso era o mais bonito. 
Até ai, tudo bem. O problema foi quando ele me chamou de morena.
Sorri e respondi, "meu bem, não sou morena, sou negra, como tu". 
O tom da minha pele me caracteriza branca?
Meu cabelo, minha boca, minhas formas, não dizem nada?

Pedi que não me levasse a mal, mas ''morena" é branca de cabelos negros. O "moreno" que cantava no bar, era tão pouco moreno quanto eu. Negro, negrinho, negrão. 

Gosto de conversas espontâneas na noite, que geram algum debate. Acho divertido. 
O plano não é polemizar, mas conscientizar. 

Essa negra, sou eu. Negra família, negra história, negra, negrinha, negrona. 


Ai, respondendo um questionário, sobre o acesso de negrxs na universidade, expressei um pouco sobre isso:

O que caracteriza ou define essa categoria escolhida para indicar a sua cor/raça? *

Para além da cor da minha pele, ser negra é uma categoria construída histórica e politicamente. Minha família é negra, não teve acesso ao ensino e permaneceu em cargos subalternos. O fato da minha pele ser mais clara que a dos meus pais e antepassados, não me faz branca. Tive sim mais oportunidades, mas continuo sentido o peso político da minha história e da minha auto afirmação.



Essa negra, sou eu. Negra, negrinha, negrona. 

Por MARIA, L.P.

Nenhum comentário:

Postar um comentário