quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Um pouco sobre relações interétnicas



 Já comentei há algum tempo, queria escrever sobre relações interétnicas.

Tenho acompanhado as postagens no Blogueiras Negras sobre esse tipo de relações, e isso têm me intrigado profundamente.
Esses tempos, assisti no programa da Fátima Bernardes [Nota: Considero o programa, assim como o Esquenta, da Regina Cazé, uma grande forçação de popularização da globo, mas com objetivo de reforçar preconceitos e estigmas] com o tema das diferenças nas relações afetivas. Apresentaram casais com estrangeiros, deficientes, provenientes de religiões distintas, com diferentes idades e diferentes etnias. Obviamente, não haviam casais gays nem trans, mas o que realmente me chamou a atenção, foi que todos os casais interétnicos, o homem era negro e a mulher branca.



Desde que comecei a ler sobre o tema, passei a observar mais os casais interétnicos e negros. Na mídia (entre os famosos), prioritariamente vemos homens negros com mulheres brancas. Vemos algumas mulheres negras com homens brancos, mas vemos poucos casais negros.



Pessoalmente, creio que a explicação mais plausível, é o meio social. Homens e mulheres negrxs classe média, tendem a relacionar-se com brancos devido ao fluxo destes.




Mas também existem aqueles que se relacionam com negrxs, mas não publicamente. Exatamente o que acontece no texto da Charô “Não ser racista, meu amor, não é comer uma mulata”, pois isso prioritariamente acontece com as mulheres negras, onde muitas vezes se submetem à esse tipo de relação por diversos fatores.

O que preocupa, é o medo que alguns homens têm das mulheres negras. Uma vez, perguntei para um namorado (branco) se ele tinha dimensão do que significava se relacionar com uma mulher negra: ele, como a maioria dos homens, nunca havia pensado nisso.

Se relacionar com negrxs, quando o padrão é outro, implica as vezes em algumas dificuldades: famílias racistas, olhares de terceiros, comentários e observações pejorativas, e a máxima, a possibilidade de filhos. Quem nunca ouviu a expressão “apurar a raça”?

Viver enfrentando e lutando contra o racismo, é um grande desafio, no entanto, enfrentar isso dentro dos nossos relacionamentos é terrível, pois encaramos o racismo dos que amamos. Somos todxs reprodutores dos conceitos dessa sociedade racista e machista, não temos como negar isso, assim como não podemos que se relacionar com um(a) negrx possui uma significação especial.

Não se trata de rotular xs negrxs que se relacionam com brancxs, mas nós, negrxs também precisamos pensar no que significa (politicamente, eu diria) se relacionar com outrx negrx.

Se ser negrx no Brasil é uma construção histórica e política, se relacionar com um negrx é assumir a pluralidade desse país, mas sobretudo enfrentar o que há de mais sórdido nas relações raciais, a opressão e o racismo dentro de uma relacionamento afetivo.

Não é feio ter medo de uma relação, feio é se submeter às concepções racistas em nossas relações, negrx ou brancx.


Por MARIA,L.P.

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