terça-feira, 28 de janeiro de 2014

E está?

Parede da Igreja Universal do Reino de Deus.
Porto Alegre, janeiro, 2014.



Créditos de Márcio Garcia, no facebook.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ao revolucionário de facebook:

Ao revolucionário de facebook:

- É a favor das grandes manifestações
- Acha que colocar fogo em lixeira é vandalismo
- É contra a violência policial nos atos
- Acha que a negrada tem que fazer “rolezinho” em biblioteca, shopping não é pra eles mesmo
- É contra o aumento das passagens
- Acha que o rodoviário é vagabundo por fazer greve
- Defende  saúde e educação “padrão Fifa”
- É contra o “Mais médicos”
- Acha que o politécnico não funciona porque o professor não quer estudar
- Diz que o melhor amigo é negro
- Acha que o racismo começa por parte dos negros
- Defende um feminismo
- Separa as mulheres em grupos, começando com as que “são pra casar”
- Se indigna com as altas taxas bancárias
- Mas acha que quebrar a vidraça de uma agência bancária é atentar contra o trabalhador
- Acha que todos tem oportunidades iguais
- E a empregada doméstica é como se fosse da família
- E tudo na vida é uma questão de esforço



Fiz essa pequena lista, porque ando bem sem saco pra essa galera, que não é nem bem senso comum, mas me parece algumas vezes muito mais defender a direita raivosa, do que a esquerda – da qual acham que fazem parte.
Pronto, falei.



Por MARIA,L.P.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Racismo e machismo não têm graça, nunca. Em hipótese alguma.

Quem já leu, ao menos uma vez esse blog, deve saber que não sou favorável que uma mulher negra, dance nua nos comercias da Globo, carregando o nome de Globeleza.
Muito embora até faça algumas piadas, dizendo que vou sair no carnaval só de “brilhinhos”, acho que a globelezação da mulher negra de uma agressão tamanha.

A beleza da mulher negra é marcante e única, e violentamente explorada em tempos de carnaval. Todxs sabemos bem disso.
As pessoas se submete a entrar em um concurso para serem escolhidas Globeleza. Não as condeno, mas lamento. Muito.

Agora no facebook vejo muitos memes falando mal e criticando a aparência da nova globeleza.

Ai os piadistas de plantão vão dizer que é piada, que não acham ela bonita por uma questão de gosto, que uma mulher que samba nua não merece respeito, que uma mulher que leva o nome da Globo só pode ser piada.

Racistas.
Machistas.
Moralistas.
Não passarão!


Racismo e machismo não têm graça, nunca. Em hipótese alguma.
E sobre os moralistas. Definitivamente, não vou me perder meu tempo hoje com estes.



Mas o recado está dado.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Devaneios madrugeiros

Quantas linhas?

- O suficiente para escrever um livro.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ocupar a Universidade: Cotas! É o nosso povo colorindo a educação brasileira!

Hoje no Blogueiras Negras


Se tem algo que me da profundo tesão, é conhecer novas universidades.

Parece engraçado, mas chega a ser um vício… Conhecer novas universidades, pra mim, é um misto de curiosidade, mistério, tesão. Os espaços de construção do conhecimento sempre me despertaram o sonho e a esperança, vontade de algo novo. Mas as universidades, para além disso, tem algo de assustador.
Quando era criança, ficava atônita ao entrar em alguma escola diferente. Quando passava em frente, queria saber tudo sobre aquela escola. Chegava a sonhar com elas. Um costume talvez estranho.

Lembro da primeira vez que entrei em uma universidade…. na Feevale, em Novo Hamburgo. Eu estava na oitava serie, e queria fazer meu Ensino Médio na escola de aplicação de lá… O que não foi possível pois eu não podia pagar pelo curso, visto que era uma escola privada. Mais tarde, fui atendida durante alguns meses no setor de fisioterapia, nas piscinas da Feevale. Foi um tempo bom, eu me sentia realmente importante por passar livremente por aquelas portas.

Depois, voltei à essa universidade, no terceiro ano do Ensino Médio, para fazer um vestibular simulado e depois no ano seguinte, o ENEM. Foi a primeira vez que senti a ansiedade em realizar uma prova importante: mas eu sabia que as provas que viriam pela frente, determinariam meu futuro.
Quando resolvi prestar vestibular, me inscrevi na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), na cidade vizinha a que eu morava. Eu considerava o curso de historia dessa universidade melhor, devido a sua estrutura (sobretudo por ter a maior biblioteca da AL) e pela recomendação dos meus professores.
Não cogitei tentar a federal (que ficava em Porto Alegre, há uns 40km de onde eu morava). Achei que seria muito difícil passar no vestibular, sempre ouvi que a universidade seria diurna, que não havia como escolher turnos para as aulas, ocasionando que eu não teria condições de trabalhar, teria possivelmente que mudar de cidade e minha família não tinha como me custear sem trabalhar, visto que eu já estava no mercado de trabalho desde o colégio.

O pior: estava entrando em debate as tais das cotas. Fiquei revoltada: porque eu iria estudar em uma universidade que no vestibular diz que sou inferior, que eu preciso de cotas para ingressar… Eu era severamente contas as cotas!

Nunca uma “boa” aluna, mas sempre me virei bem, tinha boas notas e raramente me dedicava a estudar fora da escola, gostava de literatura: lia muito, mas não ficava horas estudando como minhas colegas.
Lembro que uma pessoa disse que eu deveria tentar. Que a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) não era algo inatingível. Mas preferi ouvir todas as outras que disseram que não valia à pena, afinal, eu não tinha chance mesmo, e na universidade privada, estudando a noite, eu poderia seguir trabalhando de dia para pagar pela minha formação, nada mais justo, certo? Errado!

Durante mais de três séculos, nesse país o meu povo ficou do lado de fora do ensino regular, assim como ficou à margem do acesso a emprego, saúde de qualidade e a garantia doa direitos básicos para sobrevivência.

Mas meu povo resistiu! E através do Movimento Negro organizado, vem lutando pelo direito ao acesso a educação, enquanto massificamos as taxas de evasão escolar, de mortalidade infantil e materna, além da morte precoce dos nossos meninos, que mortos ou encarcerados acabam desumanizados, deixando de ser gente, tornando-se apenas estatísticas.

Sem me dar conta disso tudo, pisei pela primeira vez na Unisinos no dia do vestibular. Ao lado da minha melhor amiga percebemos que aquele era o primeiro dia do resto das nossas vidas. Aquela era uma das poucas certezas que tinhas, que se confirmou. O medo, a incerteza, a curiosidade e a esperança tomavam conta do meu ser, e decidi que a partir daquele dia, a universidade me pertencia.

Que felicidade, passei no vestibular! Mas a universidade é particular! Por quatro longos anos fiz o possível e o impossível para me formar o quanto antes: comecei matriculada em poucas cadeiras, financiei e fiz muitas, cancelei o financiamento, fui para a iniciação científica, arrumei trabalho dentro da universidade e finalmente, me formei: historiadora. A filha da empregada com o calderista, lá do fundo da vila, a primeira da família com ensino superior.

Ai alguém me disse: tu estava certa, se tu mulher, negra, pobre, trabalhadora, da vila conseguiu, cotas pra quê? Respondo, cotas sim, porque sou exceção, lamentavelmente, não sou a regra.
Quando em um curso de 300 estudantes, menos de cinco deles são negros não somos regra, somos exceção! Não se trata de questionar a capacidade alheia, como pensei, mas de criar oportunidades que nos motivem ao ingresso na universidade, que por ser pública é nosso direito. Não precisamos trabalhar para sustentar empresários do setor da educação, mas gozar do direito ao acesso ao ensino público, pelo qual pagamos diariamente e, forma de impostos, e ao mesmo tempo, menos se 5% do orçamento da União são dedicados para isso.

Hoje, já no final do mestrado em Ciências Sociais, já atuando no Ensino Superior, militante e consciente do meu papel na sociedade, e da importância que o a minha titulação têm para a população negra entendo o tanto que perdi acreditando no discurso do senso comum de que a universidade pública não era lugar pra mim.

Na noite da minha formatura na graduação, fui a oradora da turma de 2011/02. Naquela oportunidade, agradeci os meus ancestrais, pois hoje, sempre que entro em uma universidade, levou meu povo comigo.
Mas cada vez que entrei em qualquer universidade, pública ou privada, mas sobretudo nas federais, lembrei do meu povo analfabeto, pobre e marginalizado, que entra junto comigo sempre que eu piso em uma grande instituição de ensino. Por isso, entre tantos sentimentos, uma certeza: assim como os que vieram antes de mim, preciso abrir caminho para os que virão.

Mesmo que eu não tenha sido cotista, as cotas são um direito e a garantia de que nosso povo vai ocupar e colorir a universidade.


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Coisas importantes que os relacionamentos ensinam

As pessoas entram e saem das nossas vidas. Levam um pouco de nós e deixam um pouco de si.
Amadurecer tem mais a ver com o que aprendemos com as relações que tivemos, do que o a quantidade e o tempo que elas duraram.

Eu, por exemplo, aprendi a flambar os alimentos com vodka. 
Depois disso, meus dias nunca mais foram os mesmos!



Por MARIA, L.P. - direto do facebook

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Um pouco sobre relações interétnicas



 Já comentei há algum tempo, queria escrever sobre relações interétnicas.

Tenho acompanhado as postagens no Blogueiras Negras sobre esse tipo de relações, e isso têm me intrigado profundamente.
Esses tempos, assisti no programa da Fátima Bernardes [Nota: Considero o programa, assim como o Esquenta, da Regina Cazé, uma grande forçação de popularização da globo, mas com objetivo de reforçar preconceitos e estigmas] com o tema das diferenças nas relações afetivas. Apresentaram casais com estrangeiros, deficientes, provenientes de religiões distintas, com diferentes idades e diferentes etnias. Obviamente, não haviam casais gays nem trans, mas o que realmente me chamou a atenção, foi que todos os casais interétnicos, o homem era negro e a mulher branca.



Desde que comecei a ler sobre o tema, passei a observar mais os casais interétnicos e negros. Na mídia (entre os famosos), prioritariamente vemos homens negros com mulheres brancas. Vemos algumas mulheres negras com homens brancos, mas vemos poucos casais negros.



Pessoalmente, creio que a explicação mais plausível, é o meio social. Homens e mulheres negrxs classe média, tendem a relacionar-se com brancos devido ao fluxo destes.




Mas também existem aqueles que se relacionam com negrxs, mas não publicamente. Exatamente o que acontece no texto da Charô “Não ser racista, meu amor, não é comer uma mulata”, pois isso prioritariamente acontece com as mulheres negras, onde muitas vezes se submetem à esse tipo de relação por diversos fatores.

O que preocupa, é o medo que alguns homens têm das mulheres negras. Uma vez, perguntei para um namorado (branco) se ele tinha dimensão do que significava se relacionar com uma mulher negra: ele, como a maioria dos homens, nunca havia pensado nisso.

Se relacionar com negrxs, quando o padrão é outro, implica as vezes em algumas dificuldades: famílias racistas, olhares de terceiros, comentários e observações pejorativas, e a máxima, a possibilidade de filhos. Quem nunca ouviu a expressão “apurar a raça”?

Viver enfrentando e lutando contra o racismo, é um grande desafio, no entanto, enfrentar isso dentro dos nossos relacionamentos é terrível, pois encaramos o racismo dos que amamos. Somos todxs reprodutores dos conceitos dessa sociedade racista e machista, não temos como negar isso, assim como não podemos que se relacionar com um(a) negrx possui uma significação especial.

Não se trata de rotular xs negrxs que se relacionam com brancxs, mas nós, negrxs também precisamos pensar no que significa (politicamente, eu diria) se relacionar com outrx negrx.

Se ser negrx no Brasil é uma construção histórica e política, se relacionar com um negrx é assumir a pluralidade desse país, mas sobretudo enfrentar o que há de mais sórdido nas relações raciais, a opressão e o racismo dentro de uma relacionamento afetivo.

Não é feio ter medo de uma relação, feio é se submeter às concepções racistas em nossas relações, negrx ou brancx.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Muito

Amar  é a arte do desapego.




Mesmo desapegada/desapegando, amar é um eterno querer.
E a sina de quem ama, é o muito.

Muito amar.
Muito sofrer.
Muito querer.
Muito desapegar.


Por MARIA, L.P.