segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Entre elas

"E sei que não será surpresa se o futuro me trouxer
O passado de volta, num semblante de mulher"


Entre A Serpente E A Estrela (Zé Ramalho)

domingo, 9 de novembro de 2014

Quando a vida se organiza

Felicidade é viver o novo com intensidade visceral.

As malas já estão prontas: vida nova, seja bem vinda!


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A carne, a dança, o mel...

Assim, Oxum entrou no mato e se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar.
Usava ela tão-somente cinco lenços transparentes presos à cintura em laços, como esvoaçante saia.
Os cabelos soltos, os pés descalços, Oxum dançava como o vento e seu corpo desprendia um perfume arrebatador.

Ogum foi imediatamente atraído, irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa, mas se manteve distante. Ficou a espreita atrás dos arbustos, absorto.
De lá admirava Oxum embevecido.
Oxum o via, mas fazia de conta que não.
O tempo todo ela dançava e se aproximava dele mas fingia sempre que não dera por sua presença.
A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços na cintura, deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum.
Ela dançava, o enlouquecia.
Dele se aproximava e com seus dedos sedutores lambuzava de mel nos lábios de Ogum.

Ele estava como que em transe.
E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata,
sutilmente tomando a direção da cidade.
Mais dança, mais mel, mais sedução, Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina.
Ela ia na frente, ele acompanhava inebriado, louco de tesão.
Quando Ogum se deu conta, eis que se encontravam ambos na praça da cidade.
Os orixás todos estavam lá e aclamavam o casal em sua dança de amor.
Ogum estava na cidade, Ogum voltara!
Temendo ser tomado com fraco, enganado pela sedução de uma mulher bonita, Ogum deu a entender que voltara por gosto e vontade própria.
E nunca mais abandonaria a cidade.
E nunca mais abandonaria sua forja.
E os orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum.
Ogum voltou à forja e os homens voltaram a usar seus utensílios e houve plantações e colheitas e a fartura baniu a fome espantou a morte.

Oxum salvara a humanidade com sua dança do amor.

(Conto do livro MITOLOGIA DOS ORIXÁS de Reginaldo Prandi)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Feliz dia das mulheres queimadas pela sociedade

"Somos netas das bruxas que vocês não puderam queimar.
Somos as netas das mulheres indígenas que sua cruz e seu progresso tentaram, mas não conseguiram dizimar.
Somos as netas das negras que vocês violentaram, humilharam e estupraram nas senzalas, mas nem mesmo sua violência foi capaz de afastar nossos Orixás, tambores e festas.
Somos a voz da resistência, e a resistência vem gravada em nosso próprio sangue!"


Autora desconhecida

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Limões

E você vai aprender que as pessoas não se importam.
E do limão vai fazer uma caipira marota.
Ficar muito louco e dançar bêbado e nu.
Ai a pinta que não se importava vai ficar puta da cara que você está cagando e andando pra opinião dela.
Mas quem vai ficar de ressaca, será você.
Aceite.

No fim das contas, serão só dois: você e a ressaca.
Dance nu, mas aceite a ressaca. Faz parte da vida.

Mas cuidado, não pense que isso é assunto de um alcoolista: entre ressaca e tristeza, é fácil escolher.


Por MARIA, L.P.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Coisas da vida

Coisas que a gente aprende:

- Amar sem medida;
- Desapegar;
- Ter consciência de que as pessoas realmente não se importam.


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A motoqueira vendeu sua moto

Meu amor,
foi bom enquanto durou,
Sentirei saudades.
Adeus.


Por MARIA.L.P.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Loucura

As vezes bate uma saudade...


"E aí
Eu comecei a cometer loucura
Era um verdadeiro inferno
Uma tortura
O que eu sofria
Por aquele amor

...

Salve seu mundo com minha dor"

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dia dx professorx


A todxs colegas, uma singela homenagem pelo nosso dia.

É muito pesado saber que a sociedade nos cobra a responsabilidade pelo futuro dos seus filhos, por isso mais importante que bombons e abraços, merecemos respeito e valorização. Esse é o presente que precisamos!






"Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”- Paulo Freire

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sim, elas

"Penso: Quando você não tem amor, você ainda tem as estradas..."

Caio Fernando de Abreu

domingo, 12 de outubro de 2014

Eu fico com a pureza da resposta das crianças...

Essa á uma importante reflexão que precisa ser feita nesse decisivo dia das crianças: que futuro queremos para os nossos? A prisão ou o cemitério? Talvez, um futuro.


Justo e coerente: leia o texto de Luiz Fernando R. Lopes, no facebook




Boa leitura e feliz dia das crianças!


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Nessas horas, só nós mesmas por nós mesmas

Mas como ainda somos todas clandestinas nesse país, ou nos ajudamos, ou nos ajudamos!
Clandestinas de todo mundo, uni-vos!


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mais vícios

Ah, nossos vícios.
Se você não acaba com ele, eles acabam com você.

Noites, amores e loucuras.
Meus vícios ainda vão me matar: se não morrer por conta da loucura, a noite e os amores farão sua parte.

Adeus vida.

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lua

A lua está tão bela que dá vontade de tirar a roupa e dançar pra ela.
Só pra ela.
Hoje.

Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições no RS

Resumo:

O Rio Grande do Sul foi mais à direita que nunca.

Obs: Ainda bem que esse povo é politizado - SQN!



Por MARIA,L.P.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Disseminando a ideologia marxista na escola brasileira

Cá estou, em minha missão ultrarevolucionária de formar um exército vermelho e disseminar a ideologia marxista em sala de aula.

Porque se aprende jovem a fazer a revolução!



Obs1: Repare no vermelho da caneta.
Obs2: Repare no sol.
Obs3: Esse é um caderno de um aluno, do primeiro ano do Ensino Fundamental.

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Marxismos por ai

Vi uns adesivos na rua, chamando voto nulo, de um grupo autodenominado "alguma coisa" socialista. 
Até acredito que essa turma tenha lido algo de Marx.
Só não entenderam.

Por MARIA, L.P.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A urgência de uma intervenção militar em 2014

Sábado, 27 de setembro, em panfletagem eleitoral no Centro de Porto Alegre, nos deparamos com o medonho ato "intervenção militar já no Brazil".
Alguns militantes de outros partidos, paravam, falavam com a gente, outros horrorizados com com a cena se aproximava e eram xingados, coagidos e filmados.

Confesso que fiquei muito assustada quando vi que pessoas paravam e aplaudiam o discurso  daqueles homens "defensores da moral e dos bons costumes" atacando  o governo, que para eles o PT estava em uma tentativa de promover uma ditadura comunista (?), financiar Cuba e fazer a manutenção de professores que disseminam a ideologia marxista nas escolas e universidades para formar um exército vermelho, que vai espalhar o homossexualismo por ai.

Ai.

Isso mesmo. Em pleno sábado a tarde. 2014.

Agravante: um dos "puliça" que implicou com nosso material, parou para tirar fotos com aqueles doentes.

Agravante positivo: o artista de rua que fazia a estátua do Laçador, balançava o laço impaciente, subia e descia do pedestal, comentou "ta brabo essa gente".

Resumo: fizeram um griteiro, encheram o saco, coagiram  e em menos de 1h, foram embora.

Precisamos estar vigilantes, pela democracia, pelos nossos direitos, pela nossa sobrevivência, pela nossa vida. Pelo nosso país e por nossa sociedade. Pelo mundo que queremos.

É necessário ser vigilante, não da moral e dos bons costumes, mas da liberdade.


Por MARIA, L.P.

domingo, 28 de setembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Noites

Nem todas as noites são iguais.
Umas são mais iguais que as outras.
Outras são melhores.
Ou não.


Por MARIA, L.P.

sábado, 20 de setembro de 2014

20 de setembro


Filho de santo
de bombacha,
Ogum
comendo churrasco:
jeito
gaúcho
do negro
batuque.

( Oliveira Silveira )




Feliz 20 (14) de setembro, gaúcho.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ações

Setembro negro,na Escola Elpidio Paes: Lanceiros negros e a Revolução Farroupilha 






No facebook

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Coisas (que não parece que são) de esquerda

Tem vezes que a diletância de alguns militantes de esquerda é tão rasa, que me dá vontade de vomitar.

Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Rede Globo e ‪#‎SexoEasNega‬ não me representam!



Sou Letícia Maria, tenho 26 anos.
Historiadora, professora nas séries iniciais e no curso de Pedagogia, mestranda em Ciências Sociais, Blogueira Negra e militante do Movimento Contestação.
A Rede Globo e ‪#‎SexoEasNega‬ não me representam!









Leia: 
Ah! Branco, dá um tempo! Carta aberta ao senhor Miguel Falabella.#AsNegaReal

"Repudiamos suas palavras porque fomos estupradas nas senzalas e continuamos a ser na dramaturgia feita por brancos sobre nós através de imagens estereotipadas em seriados, novelas e minisséries."




sábado, 13 de setembro de 2014

Professora, em luta


Hoje foi um dia memorável!




Assinei minha ficha de filiação no Cpers Sindicato!

Uma honra ser abonada por esses queridos companheiros do 38º núcleo,Marina e Jardel!
Estou muito feliz em ser parte dessa luta!!

Obrigada Neiva Lazzarotto pelo reconhecimento e pela paciência de me acompanhar nessa trajetória!


Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A KKK gaúcha

Rio Grande do Sul, setembro, 2014.

CTG incendiado no interior do estado, em, represália a um casamento coletivo, onde um casal homoafetivo realizaria sua união.


"Já existiam muitos indicativos de que isso poderia acontecer quando começou esta lambança" _ presidente do MTG, Manoelito Savaris, sobre o incêndio criminoso, nessa madrugada, do CTG que previa receber um casamento coletivo no sábado, incluindo uma união civil entre duas mulheres, em Santana do Livramento. Antes disso, outros três casais gays desistiram, temendo ameaças e represália - Ricardo Pont

É a KKK gaúcha se manifestando publicamente.

Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sanduíches de alface e queijo, Luciana e Dilma jantando, tempestade ácida

Eu e meus sonhos estranhos...

Sonhei que estava na casa dos meus pais, enquanto caia uma tempestade que derrubava o telhado e algumas paredes. Coisa quase que de furacão mesmo.
Acontece que eu vinha de uma atividade militante, onde a Luciana Genro vei com a gente para jantar. O curioso, é que a Dilma também estava lá (isso, Luciana e Dilma jantando comigo na casa dos meus pais - juntas). Enquanto as paredes balançavam, discutíamos o problema das enchentes e a falta de investimento em prevenção a desastres ambientais.

Enquanto eu tentava arrumar um jeito de procurar um abrigo mais seguro as duas batiam boca.

Um barco nos levou até um abrigo, e foi onde descobrimos que a chuva que abria as paredes era ácida. Chuva essa que fez com que os sanduíches que eu havia preparado virassem mutantes  e tentassem me comer.

Sanduíches de alface e queijo, tentaram me comer. Luciana e Dilma jantando juntas. Tempestade ácida.

Acordei suando horrores: preciso parar com os entorpecentes.

Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Coisas do senado no RS


Simon sempre coerente.
Depois de 32 anos no senado, vem chamar voto na nova política (da Marina).
PMDB sempre com a sua bela filosofia, 'donde hay gobierno, estoy dentro'. 
Inclusive na base da Dilma, na vice-presidência.


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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Devaneios

Adormeci com a tv ligada. 
Acordo, vejo passando Power Rangers. Penso - pqp, me atrasei de novo! - até descobrir que são 2h da manhã. 

Que alegria! Não me atrasei e ainda assisti Power Rangers!

Por MARIA, L.P.  no facebook

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Não sei se esse mundo está são...

Um adulto ensinando?
Uma criança ensinando?

Um homem apendendo?
Um bebê aprendendo?

Um neto aprendendo o mundo?
Um avô aprendendo o mundo?

Uma semente plantada.
Uma semente regada.
Uma flor colhida.




"Não sei quanto o mundo é bão, mas ele está melhor
Desde que você chegou e explicou
O mundo pra mim" - Espadótea (Nando Reis)




"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende." ROSA, Guimarães.


Por MARIA, L.P.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O racismo dói, revolta, angustia. Mas antes de tudo, mata!

Confesso que me emocionei ao ver esse vídeo.

 O cara coloca o seu corpo no meio dos filhos e dos PMs. Indignado, grita "paguei, chega de racismo, chega de genocídio".

 Vi naquele desespero, meu pai, ensinando diariamente que precisamos ser ...fortes demais, pois o branco nunca vai passar por isso. Nunca vai sentir na pele a angústia de ser inferiorizado pela cor da sua pele e pelo seu cabelo.

 Leia, assistam  - Portal Geledés



 Alguns minutos que argumentam porque precisamos lutar contra o genocídio da juventude negra!

Por MARIA,L.P. - no facebook

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Janelas

Tenho a impressão de que a maioria das pessoas que entram no ônibus e fecham as janelas em dias frios e/ou chuvosos são as mesmas noiadas da época de surto de gripe A.

Paradoxo?

Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Maquiagem

 A sociedade, a mídia, as redes sociais nos impõe padrões de beleza, que quando nos vemos "sem filtro" frente o espelho, não temos m...ais a capacidade de nos aceitar e amar do jeito que realmente somos.

Esse desafio me deixou preocupada, quando vi adolescentes, no auge da sua plena beleza juvenil se sentindo montras por estarem sem rímel.

Como todos sabem, eu gosto de maquiagem, e muito. Mas não podemos ser escravas da indústria cosmética somente para ser como todo mundo.

Negras, brancas, altas, baixas, gordinhas, magrinhas, com ou sem manchas e cicatrizes, cabelo natural, com química ou carecas, power ranger ou superpoderosa: somos lindas quando conseguimos demonstrar amor próprio e felicidade.

Sei que a maioria participou porque acha a brincadeira divertida. Mas desafio vocês a no dia de hoje elogiarem alguém, de coração. Vão notar como ações reais têm valor e nos dão retorno imensurável.


 Bom dia queridas, sejam lindas!
- Lembrem que são mulheres lindas
 
Por MARIA, L.P. - desafio sem make no face

sábado, 30 de agosto de 2014

51 anos do discurso sobre o "sonho" de Martin Luther King

Na semana em que comemoramos 51 anos do discurso sobre o "sonho" de Martin Luther King, nos deparamos com um verdadeiro horror.

Quando a realidade é de polêmicos casos de racismo no futebol, trabalhadores precisam ir para a internet denunc...iando o racismo institucional em lojas e supermercados, casais interétnicos que deixam as redes sociais por não conseguir lidar com os comentários ofensivos, centenas de jovens negros morrem vítimas de um genocídio generalizado em nossa sociedade.

Reconhecemos que existem avanços, mas a luta contra o racismo é diária. Precisamos falar sobre isso com os nossos e deixar de tolerar atitudes que naturalizam o racismo.

Saibam: racismo mata, traumatiza, fere, cria estereótipos, marginaliza. Mas sobretudo, mata. E muito.

Por MARIA,L.P. - via facebook

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nativistas - pra inglês ver

Cesar Oliveira e Luiz Marenco apresentam suas candidaturas a deputado estadual, um pelo PR e outro pelo Solidariedade. Ambos chamando voto na Ana Amélia (PP).

Artistas do cenário nativista, que cantam a terra, a lida campeira, a liberdade e o amor, ao chamar voto na candidata do agronegócio e dos grandes latifundiários mostram que não acreditam naquilo que cantam, na sua própria arte.

Eles já não teriam meu voto, não tem meu respeito e perderam a minha admiração.

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O senado e as eleições no RS

Sabe o que é engraçado nos petistas atacando o Lasier (PDT)?

São todos base do governo Dilma!

Lasier disse que índio não é gente?
Pois no governo Dilma se registrou o maior número de quilombolas e indígenas mortos pela violência do Estado.

Agora temos o Simon (PMDB), que chega falando em novidade, visto que vem no lugar do Beto Albuquerque (PSB) no senado. Vem ainda defendendo uma "nova política", curiosamente, depois de mais de 30 anos lá.

Lamento, mas os caras de Bigode e do Eletrochoque, da mesma forma que o velho Simon, apesar de concorrerem na minoritária, se eleitos defenderam o mesmo governo federal.

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Paz e arroz

No debate dos presidenciáveis na Band, Eduardo Jorge disse que a Luciana não quer, paz e amor.

Todos querem paz e amor.
Mas não sei onde ele vive, porque aqui embaixo, as coisas são diferentes.

Como disse Jorge Ben "eu quero paz e arroz amor é bom, e vem depois!"

Por MARIA, L.P.

domingo, 24 de agosto de 2014

Não sou mulher de um só amor

Desculpe, não quis te magoar, mas não sou mulher de um só amor.

Quando me deixo enganar que isso é possível, mais um amor parte. Prefiro a mansidão de estar só, que a angústia de estar sem.

Lamento.

Por MARIA, L.P.

sábado, 23 de agosto de 2014

Convite de casamento

Eu soube que o meu "primeiro amor" vai se casar.

E me convidou.

Na hora, me passou tantas coisas em mente, como em um filme.
Mas confesso, estou feliz. Ele ama a sua companheira e é feliz com ela. Ver essa felicidade em seus olhos me satisfaz!

Pensei muito antes de escrever sobre isso, mas creio que quem ama não esquece, muito embora a vida e os sentimentos mudem.

Continuo o amando, não como quando tinha 15 ou 18 anos, mas como sou, da forma que posso amá-lo.

Um dia me disseram: eu não amo quem eu não conheço, mas jamais esqueço quem eu amo.
Lembre que te amo, e sempre vou querer-te feliz!

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Pessoas estressadas em plena sexta-feira

Motorista que crava a mão na buzina em trânsito parado, só pode ter problemas sexuais.

Só acho.


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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre as entrevistas dos presidenciaveis no JN

Não vi a Dilma no JN, mas vi alguns comentários sobre.
Assim, eu não voto Dilma, acho divertido desconstruir o discurso petista, mas não se enganem: o Bonner não é um cara legal que defende os interesses da população. Ele tem lado e candidato, que não é o mesmo que o meu e não me representa.
A Globo está apenas formando opinião. A tua, inclusive.

- Procurando sentido nesses coments.

Por MARIA,L.P. - no facebook

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Identificação

Eai dou os livros pros meus alunos colorirem.
E o que acontece?
- Profe, olha, é tu!
Identificação.
Não importa o quanto os pais falem. Identificação é essencial!

 
 
Por MARIA,L.P.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Na luta, na rua, na festa, na universidade, no trabalho. Na vida: mexeu com uma, mexeu com todas!

Em um bar, com umas amigas.

Uma das minhas amigas se retira do bar por conta do seu ex estar trabalhando lá. O cara tem um histórico violento e definitivamente não era de confiança.
Em decorrência disso, pedimos ao dono que o dispensasse, pois além de oferecer risco a uma de nós (frequentadora do bar), já tinha ameaçado outra com uma arma.

O dono do bar, que é de nossa relação o dispensou.

Dias depois, no mesmo bar, o cara entrou e ficou cercando nosso grupo. Falou com uma, com outra e me ameaçou. Como não sou de levar desaforo pra casa, discuti com ele e avisei o dono do bar.

- Tu não me conhece, não sabe do que eu sou capaz.
- Não te conheço, não tenho o menor interesse de te conhecer. Sei que tu é  um merda, um babacão machista e isso é o suficiente pra não querer que tu chegue perto de mim ou das minhas amigas. Tá todo mundo avisado, se tu seguir vindo aqui, nós vamos embora.

Comentei com uma das minhas amigas:

- Se esse cara chegar perto de mim de novo, eu quebro essa garrafa nele.
- Bah guria, que foda isso. Mas fazer o quê? Se tu der nele, sou obrigada a dar também!

Te liga, babaca machista: mexeu com uma, mexeu com todas!


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Quando eu digo...

Na primeira vez que fui na Fapa, achei que a faculdade era tão longe que possivelmente um dia eu trabalharia nela. resultado: fui dar aula.numa escola ainda mais longe.

Quando eu digo...


Por MARIA,L.P.

domingo, 10 de agosto de 2014

Só acho

Não acho que hoje seja um dia extraordinário.
O dia dos pais e das mães são datas inventadas pelo mercado para fortalecer vendas. E funciona bem.
De nada adianta almoçar com o pai ou compartilhar fotos - que na maioria das vezes nem é pra ele ver - se no dia-dia não damos o devido valor aos que amamos. 

Desde que sai da casa dos.meus pais senti na pele a falta que eles fazem nos meus dias.
Pra hoje, sugiro que amem. Só isso: façam um esforço para demonstrar o quanto amam os seus. E amanhã, façam o mesmo. E depois. 

Sempre é dia de amar e espalhar amor!!


Por MARIA, L.P. No facebook

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Editorial Cotas Sim: #NãoSigoaFolha

Editorial Cotas Sim: #NãoSigoaFolha
por Blogueiras Negras

A Folha de São Paulo tem estado em campanha incessante de desinformação sobre as cotas. Seja por meio da cobertura superficial e desinteressada, seja argumentando cinicamente que “inexistem definições jurídicas ou científicas do que sejam negros, pardos e brancos”. Sobretudo agora que o instrumento se tornou comprovadamente necessário ao desmantelamento das desigualdades raciais, que persistem 126 anos após uma abolição inconclusa.

Apesar de as cotas raciais terem sido declaradas constitucionais pelo STF de maneira unânime e provado sua eficácia, o veículo continua em sua ofensiva com a campanha “O que a folha pensa”, com hashtag homônima e que será divulgada na mídia impressa, em canais de televisão aberta e paga, no rádio e na internet. Ali são publicizados pílulas editoriais sobre temas rotulados como polêmicos, muitas vezes tratando de diretos de minorias. O objetivo é convocar o leitor à segui-los mesmo que discorde daquilo que foi dito e assim vestir com roupagem de debate aquilo que não o é.

No dia 01 de agosto, o alvo foram as cotas raciais. Muito aquém de promover qualquer discussão, o que a Folha de São Paulo está fazendo é vestir com a roupa do rei a tal da “minha opinião”, frase corriqueira quando estão em debate os direitos das minorias. Ali está escrito em letras garrafais que “não deve haver reserva de vagas a partir de critérios raciais, seja na educação, seja no serviço público.” Que seriam “bem-vindas, porém, experiências baseadas em critérios sociais objetivos, como renda ou escola de origem”, uma política insuficiente se temos em mente que a população negra é a maioria no país mas ainda acessa de forma insuficiente espaços de poder como a academia.

A campanha pede ao leitor que, concordando ou não, siga o jornal. Nós, Blogueiras Negras, pedimos que você faça justamente o contrario. Não siga a Folha. Proteste contra a perversidade de um posicionamento que, além de seu conteúdo racista, não se pretende ao mínimo debate, não contempla aqueles que discordam. Que nada mais é que um monólogo, um ataque imperdoável à pluralidade de ideias e aos direitos humanos de todo um povo que tem sido por séculos preterido, um jeito de se fazer conteúdo que não pode ser entendido como imprensa.

Numa empresa onde certamente não somos representadas à contento nas redações e nos cargos de mando e decisão, essa sempre foi a “opinião”. Mas para nós, nunca uma opção válida. Continuamos em luta para que sejamos nós, gente da pele negra, escrevendo também nas redações e fora delas. Mais que nunca entendemos como essa possibilidade assusta a branquitude, seus representantes e todos aqueles que dela se beneficiam. Seu intuito sempre foi de fazer com que o debate aconteça em brancas nuvens. Nós não, iremos enegrecer nossas ideias e a academia, com a alegria e o orgulho de quem tem a certeza na vitória. Cotas sim!

Diante de nossa luta aguerrida, fica evidente a necessidade de a branquitude defender uma reserva de vagas informal destinada apenas aqueles que tem a cor de pele, entre aspas, correta. No entanto, para nós um pingo é letra e a resposta é não a qualquer retrocesso. Não nos calaremos diante de quaisquer ataques aos nosso direitos sobre os quais estamos ciosas e cientes mais do que nunca. Manifeste sua opinião. Não siga a Folha para que entendam que continuamos de punho em riste pela gerência e ampliação de nossas conquistas.

A mensagem, não há engano, tem endereço e rostos conhecidos. O rei está mais do que nunca nu e sabe disso. Não há como entender de outra forma a contratação de uma mulher negra para “protagonizar” a campanha sobre as cotas. Porque não estão ali dando a cara à tapa os jornalistas, editores, colunistas e diretores da Folha? Se a ideia era esconder a própria culpa, contratar uma pessoa negra para “estrelar” a campanha foi um tiro que saiu pela culatra. Serviu apenas para evidenciar ainda mais seu caráter racista ao desconsiderar que a população negra ainda não tem acesso de fato à universidade.

Acreditamos que em nenhum momento o foco do debate deve recair sobre a atriz contratada. A fala da Folha de São Paulo não deve sob hipótese alguma ser pensada na esfera pessoal num contexto em que o racismo é estruturante. O que está em jogo aqui é a desfaçatez de uma campanha que, tanto em sua forma quanto em seu conteúdo, é compromissada com uma visão de mundo em que a universidade e espaços afins não cumprem uma de suas funções primeiras, a inclusão da maioria de seus cidadãos.

Entendemos também que esse assunto nos esgota. Há muito debatemos, argumentamos para nos fazer entender, mas sabemos que há uma lei sancionada e o que acontece cada vez que uma cotista consegue furar o bloqueio que a impede de estudar. Transforma não apenas a sua vida e a de seus amigos e familiares, mas de toda a sua comunidade. A cada uma que consegue, conseguimos todas nós. E muito em breve estudar não mais será um privilegio destinado a poucos mas de fato um direito universal. Somos pelas cotas e por sua ampliação imediata. Nada nos impedirá de lutar por isso.

O que está escrito, dito e redito pouco vai mudar a opinião dos anticotistas. Enquanto esses choramingam, reivindicam a manutenção dos seus privilégios, a gente se alegra da nossa (sim, nossa, de todo o povo preto) conquista. E queremos muito mais – que as cotas nos reservem a maioria das vagas já que somos a maioria da população. Ainda falta muito, mas já somos mais felizes por estarmos na academia, um espaço de enfrentamento que estamos dispostas e preparadas a ocupar. Seguiremos concluindo nossos cursos com louvor, com as melhores notas e ciosas de nossas conquistas.

Acima de tudo, não iremos nos calar diante de qualquer ataque aos nossos direitos.

Que saibam que estamos apenas exigindo o direito a ter direitos tendo numa sociedade em que o talento é universal mas as oportunidades não o são muito em função do racismo. Tomemos como termômetro o último vestibular da Fuvest em que não houve sequer um estudante negro nas três carreiras mais concorridas. Mesmo com as cotas, o número de brancos entre 18 e 24 anos que estão na universidade atinge 65,7% do total. Está claramente posto que a cor da pele e o pertencimento racial estão diretamente relacionados com a probabilidade de alguém ser aprovado no vestibular.


Amedrontados e perdendo seus privilégios, querem a todo custo que acreditemos que as cotas são uma esmola e não um direito. Em nenhum momento sequer consideram que temos plena ciência de tudo aquilo que foi historicamente e ainda é negado à população negra, de todos mecanismos que impedem nossa permanência na escola, nossa admissão no ensino superior. O receio certamente é que mesmo a grande imprensa, feita majoritariamente por homens brancos, seja obrigada por lei a contratar aqueles que a branquitude quer fora dos seus quadros.

Não mais.
Porque iremos enegrecer a universidade, não siga a Folha.
Porque não aceitamos conteúdo racista disfarçado de opinião, não siga a Folha.
Por uma imprensa compromissada com os direitos humanos, não siga a Folha.



Texto disponível em Blogueiras Negras

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Em compensação

As mães podem querer me trucidar.
Mas os pequeninos...
Balas, doces, botões, pingentes e flores: essa é a expressão real da retribuição do que venho fazendo, que é ensinar com amor, compreenssão na diversidade.
Criança não tem preconceito.
Já disse M. Luther King "se podem aprender a odiar, podem aprender a amar".
Por hoje, é isso!
Por MARIA, L.P.

Te assaltou?

O bandido?
Deve ser negro.
Ou ter cabelo de negro.
Ou se vestir como negro.
Ou agir como negro.
Ou ouvir música de negro.
Ou fazer coisas de negro.

Não? Tem certeza? Então não era.bandido.





- Breve sátira sobre esteriótipos, papéis sociais e o racismo nosso de cada dia.

Por MARIA,L.P. - no facebook





quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Não há racismo na escola pública

No episódio de hoje uma mãe põe a boca em mim porque seu filho caiu. Eu fui irresponsável, pois fui buscar uma criança que não passava bem no banheiro e não liberei os demais antes do sinal.

O infeliz resolve se bater em outro colega justamente no curto espaço de tempo onde eu atendia outro. Comento a situação, falo com a irmã do outro e me vou.

Estão arrumando motivos para me atacar. Já chegamos ao ponto de que se alguém espirrar, a culpa é minha!

Não aceito mãe de aluno gritando comigo, quando sei que toda aquela cena aconteceu porque tem algo muito sério em jogo, e não é a minha competência. Mas a minha cor.

Já estou começando a pensar em mudar o nome desse blog para "registros de uma professora negra na rede pública".

Ta foda.

Por MARIA,L.P

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ninfomaníaca, Diário Proibido e Dama da Lotação

Tenho tentado dar uma variada, assistido uns filmes diferentes.
Fazem alguns dias que assisti o filme Ninfomaníaca - sexo sem culpa (2004), e no último fim de semana Diário Proibido (2008) e a Dama da Lotação (1978). Assistir eles fez com que eu não pudesse abrir mão de uma breve análise, relacionando as obras e pensasse calmamente em cada um deles.

 Ninfomaníaca - sexo sem culpa (2004)

Joanna leva uma vida familiar e profissional tranquila, mas paralelamente se relaciona com vários homens, para suprir sua vontade de sexo, visto que apesar de feliz, o sexo era morno em seu casamento. Eis que aparece um jovem, com quem ela se encontra algumas vezes, e acaba se envolvendo.


Diário Proibido (2008)

Valére leva uma vida leve, se relacionando com vários homens. Ela suspeita ser ninfomaníaca, mas sua avó afirma que esse "distúrbio" é uma classificação deturpada do patriarcado, para rotular mulheres que se sentem livres para gostar de sexo.
Eis que Valére encontra um "amor", que de príncipe encantado se torna um doente que a faz sofrer, a boicota até que ela mude de vida e esteja completamente subordinada a ele. Sem amor  trabalho, com a vida arruinada e nenhuma auto-estima, ela entra no mundo da prostituição, até conhecer o lado mais sórdido do ser humano.

 Dama da Lotação (1978)

Solange (a diva da Sônia Braga) é uma jovem de classe média que se casa com seu primeiro namorado. Na noite de núpcias, ele sem paciência a estupra, se sentindo nesse direito, por ser sua esposa e ela ter que cumprir suas "obrigações".
Certo tempo depois, ela percebe que o ama mas não sente prazer com o marido, fazendo com que ela procure outros homens para se relacionar e a satisfazer seus desejos.

Os três filmes tem em comum como protagonistas mulheres que gostam de sexo, e as pessoas não as compreendem. Seja nos anos 70, seja nos anos 2000.

Essas mulheres usam pessoas para satisfazer seus desejos, mas acaba sendo usadas também, normalmente com violência e completo descaso, causando grande sofrimento para elas. O fato é que elas gostarem de sexo e não terem vergonha de procurar em diferentes espaços sua satisfação, as torna mulheres socialmente inaceitáveis - indignas de merecerem respeito.

Uma mulher se relacionar com vários homens é inaceitável. A mulher deve se preservar.

A questão é justamente essa: as mulheres procuram felicidade e satisfação, e não obrigam ninguém a transar com elas. Não há violência, mas um jogo louco de sedução.

E se fossem homens? Seria tão abominável?

A mistura de desejo, prazer, preconceitos, rejeição e objetificação foi a ligação entre um filme e outro, por isso me identifiquei com as histórias. O sexo pode ser libertador e revigorante  quando somos livres para sentir dessa forma.

Sexo sobra. O que falta é compreensão e coerência sobre a liberdade e o prazer do outro.
As pessoas precisam sentir mais e julgar menos. Bem menos.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ainda não é racismo

Hoje tive meu primeiro dia oficial com minha turma, na escola nova.
Foi uma tarde agradabilíssima.
Os alunos gostaram da nova disposição da sala de aula, escreverem no caderno, desenharam as férias, jogaram os novos joguinhos que levei.
Tudo correu bem. Muito bem.

Entro na direção, para assinar meu livro ponto, antes de sair, fim da tarde: entra uma mãe na direção, me ignora completamente, pede para marcar um horário com a direção, pois:

"se essa situação não se resolver, vou tomar outras providências"

Me retiro, afirmando para o supervisor - que estava no ambiente - que a tarde foi ótima, sorrio pra ela e me vou.

Sorrio por fora, espumando por dentro.
Algumas mães dos meus aluninhos não olham na minha cara. Ainda não é racismo, aliás, não é nada contra mim.
Deu pra perceber.


Por MARIA, L.P.

domingo, 3 de agosto de 2014

Segredos

Ouvi de um homem.
Um daqueles que eu achava menos sensível.
Direto, sem floreios.

"Nêga,
Minha mãe me ensinou que a lua é a mais bonita. Tu só perde pra lua.
A tua pele preta. A tua boca grossa. A tua loucura. Até quando tu fica braba. Continua brilhando como a lua.
Tu sabe, comigo o papo e reto. Se eu to dizendo isso, é por que é verdade.
Tu tão maravilhosa que o dia que eu beijei a tua boca eu tava de boa, podia morrer ali mesmo. Porque eu beijei a única negra que é quase tão linda quanto a lua."

Fiquei sem palavras depois disso.
Ai me pus a pensar: todo mundo admira a beleza da lua. De longe.
Quem a faz companhia? - Segredos.

É, preto. Me deixaste a pensar.

Por MARIA,L.P.


sábado, 2 de agosto de 2014

Vermelho é a cor mais amarga

Algumas coisas tem cheiro e gosto de Malboro Vermelho.
Mas não são cigarros.


Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Não foi racismo, né?!

Semana passada comentei aqui a situação que vivi em minha escola nova.

Mesmo com minha colega insistindo que não foi racismo, hoje tive a prova final: Uma mãe tirou a criança da escola, por minha causa.
Se o problema fosse de fato o sofrimento da criança por conta de mais uma troca, por que mudar de colegas e escola, se não pelo gravíssimo problema em ter uma professora negra.

Sim, estou muito chateada.
Mas nem de longe isso vai me abalar.

Mas estejam certos que farei muito pior: ensinarei meus pequenos a respeitarem as diferenças e - pior - a gostarem da profe preta.

Não passarão!!

Por MARIA, L.P.

Por

Um 25 de julho que nunca existiu

Martim Dreher, em entrevista para o Jornal NH diz que os imigrantes alemães foram os primeiros não-católicos do Brasil.
Além de ser uma afirmação errônea, é racista e não considera as manifestações religiosas não cristãs africanas e indígenas (já presentes aqui muito antes da chegada dos primeiros católicos) no Brasil.


Jornal NH - Dia do Colono


Dreher me deixou profundamente triste e decepcionada, desocupando o lugar de "um dos melhores" professores que tive na graduação.


Leia isso, antes de de qualquer coisa!

Por MARIA,L.P.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ele existe, mas não é real

Há um ano eu lamentava a porta que se fechava, quando mais um amor partia.
Há dois anos, embarcava pela primeira vez em um avião, para encontrar um amor que abriu a porta. Porta essa que fechou assim que retornei.
Há três anos eu colava grau, me formando na universidade.

Tudo isso vivi tudo intensamente, até a última gota.
Mas o que se foi?
Mas e o que ficou?

Somente o que é real fica.
As abstrações são meros enfeites da vida.


Por MARIA, L.P.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

8 min

Um homem que trata uma mulher como uma égua, não merece ser tratado como cavalo, mas como corno.

- Fragmentos de uma  conversa com três amigos (casados), durante um baile em um CTG.

Por MARIA,L.P.

domingo, 27 de julho de 2014

O sexo só é libertador quando nos permitimos ser livres

Uma vez, alguém com quem eu ficava, perguntou se eu já havia ficado com um amigo nosso em comum.
Esse amigo,  era justamente o cara com quem perdi minha virgindade.

De fato, mantenho por ele um carinho especial,  pois foi uma pessoa extremamente significativa em  minha vida... não pelo romance (porque eu não estava apaixonada), não pela mística do momento (porque não foi planejado), não pela magia (porque foi bem inusitado), mas por tudo que aprendi com aquela pessoa.
Esse homem era um amigo, mais velho, militava comigo. Era um daqueles caras por quem as meninas se atiravam na universidade e, eu uma caloura. Jamais achei que ele me olharia. E me olhou, me desejou, me quis.
Aquilo foi deslumbrante, fantástico, revolucionário. A minha primeira transa com um homem serviu para que eu me libertasse  como mulher, jovem, mas sobretudo como ser humano. E isso foi o mais importante.

Depois disso, de fato minha vida não foi mais a mesma. Eu não fui a mesma.
E foi libertador.
E sim, perdi minha virgindade com alguém que não era meu namorado. Na universidade.

A mesma pessoa me perguntou de uma menina. Também amiga nossa.
A situação era a mesma: militante, mais velha, me fez entender que eu era  e podia desejar e ser desejada por outra mulher.
Mas do que "bom", foi libertador.

Acredito que quando somos donos e donas dos nossos corpos, o sexo se torna algo para além do prazer. Ele se torna relação, contato, carinho. Mesmo que descompromissado.
Não é necessário amor. Mas a troca de energias é o que faz se bom ou ruim.
Fui muito feliz em ter me relacionado com essas pessoas, elas tiveram um importante papel em uma transformação somente minha.

Andei assistindo alguns filmes, sobre os quais ainda vou comentar nos próximos dias... pude refletir mais um pouco sobre algumas passagem afetivas, amorosas e sexuais da minha existência: o sexo só é libertador quando nos permitimos ser livres!


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

- Se tu chegasse aqui com uma vassoura, eles iam te adorar

Antes de qualquer coisa, queria saudar o dia de hoje: Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha
Pois isso publico esse texto nesse dia de luta e resistência!

Recentemente comecei a trabalhar em uma escola pública da rede estadual do Rio Grande do Sul. Fui chamada para assumir um primeiro ano do Ensino Fundamental, e isso me fez muito feliz, pois muito embora eu queira muito lecionar história, sempre acabo retornando aos pequeninos e, modéstia a parte, sou boa no que faço. Por isso hoje venho escrever sobre racismo em uma escola de periferia:

Obs1: Temos alunos negros, a maioria dos funcionários, a diretora, uma vice, uma supervisora e (além de mim, recém chegada) uma professora negra e um professor negro.

Cheguei na escola e fui muito bem recebida pela direção e equipe pedagógica.
Como a turma para qual fui designada já passou por algumas trocas de professoras, chegamos a um consenso de que eu assumiria a turma oficialmente depois do recesso, ou seja, 04 de agosto, mas eu já entraria em sala de aula diariamente por algumas horinhas, para melhor adaptação dos alunos, sendo que eles tem em todos seis anos.

Obs2: Todos pais e todas mães sabiam que a professora que estava na turma é substituta, e assim que a SEC enviasse alguém, haveria troca.

Reunião de pais marcada, onde eu seria apresentada aos pais.
De 28 crianças, 13 mães presentes. Dessas, 5 chegaram um pouco resistentes à mudança, mas quando me apresentaram como nova prof, elas ficaram injuriadas. Mil e um argumentos, começando sempre pelo clássico "não é nada contigo, mas...".
Eu já esperava resistência, mas nem tanto. Quando algo me dizia que o discurso delas estava "estranho", vi que a diretora começava a se enraivecer, enquanto as 4 mães (negras) presentes passaram a se manifestar, em meu favor. Sim, elas deixaram claro que a escola havia avisado que a professora que atendia os alunos era temporária, e que estavam felizes com a minha chegada.
A diretora enlouqueceu, quase se descontrolou e deixou claro aos pais que não voltaria atrás, que eu era a nova professora, eles querendo ou não. A outra professora, quando o bicho pegou, saiu da sala.
Tentei mediar, avaliando que a outra professora trabalhavam  com alunos maiores e estava ali para que aos alunos não  ficassem sem aulas, e por isso eu havia sido designada pela Secretaria de Educação.
Enfim, a reunião foi looooonga.

As 5 que geraram o conflito, passaram uma lista para pegar o contato das demais. As negras se recusaram a assinar e ficaram na sala para falar comigo após a reunião.

- Seja bem-vinda e conta comigo pra qualquer coisa. Não te abala com essas escandalosas, que elas vão ver como tu é boa!- disse uma.
- Nem dá bola, elas só tão enchendo o saco porque não tem mais o que fazer. Sou a mãe do fulaninho, e se elas perturbarem de novo, chama. - disse outra.
- Eu só queria dizer que tu seja bem vinda - disse a terceira.
- Eu sou irmã do fulano. A nossa mãe não tá nem ai, mas eu sou responsável por ele. Ele não vai te incomodar, mas em todo caso, pode mandar bilhete no caderno porque quem olha sou eu. Seja bem vinda e pode contar comigo pra qualquer coisa. E não desiste, não muda de ideia porque precisamos de ti aqui.

Obs3: A diretora ficou mais nervosa que eu, com raiva escorrendo dos olhos.

Terminada a reunião, respirei e fui conversar com a diretora, que tremia.
- Se tu chegasse aqui com uma vassoura, eles ia te adorar. Mas como é tu quem vai alfabetizar essas crianças, tu chega ocupando um grande espaço de poder. E isso é inaceitável. O que elas tão pensando? Aquelas vacas racistas, acham que eu não vi? Se tu fosse branquinha, nada disso teria acontecido.

No dia seguinte...

A diretora e a vice abrem um sorriso imenso quando entro na escola: elas acharam que eu não voltaria.
Conversamos longamente, avaliando, que a hostilidade que recebemos não era comum. Sim, era racismo. E que era necessário lidar com isso e transformar essa realidade, pois mesmo num bairro periférico, nos deparávamos com situações como essa. E esse é o desafio!
Apesar do conflito, me senti motivada... é necessário intervir severamente nessa comunidade para desconstruir o racismo (nem tão) velado que existe.

Chego na sala, o filho de uma das "escandalosas", corre e me abraça:
- Profe, que bom que tu veio.

Outra menina, loira, pra minha surpresa (filha de uma das mães negras):
- Profe, minha mãe adorou teu cabelo. Disse que vai fazer igual!

O desafio de ser uma profissional negra e qualificada não nos protege do racismo. Estar em espaços de poder faz com que sejamos alvos mais fáceis.
O desafio foi lançado. E eu fiquei sedenta.

Nesse dia de luta em defesa das mulheres negras e contra discriminação racial e de gênero, compartilho esse momento. A luta se faz todos os dias!
Somos vítimas de racismo e de sexismo diariamente, mas isso deve nos motivar a lutar mais e mais.
Hoje é dia de reflexão, mas é também dia de movimento e de luta!

Não vão nos segurar. Nunca mais!


Por MARIA, L.P.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Heróis não jogam bola

Acho que 4x0 no Flamengo é uma boa homenagem ao Fernandão, que foi um grande jogador.
Um craque merece homenagens.
Mas estátuas são para heróis.
Ele foi um grande jogador, mas isso não é ser herói.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Contradições apaixonantes da vida

Que louco!

Você vive com seus pais e guarda as coisas pra si.
Você vive sem eles, e fica louca pra partilhar essas mesmas coisas.
A contradições da vida não são apenas irônicas, são loucas. Como a gente.
Viver nossas loucuras e terminar onde? No colo da mãe.

Louco é viver contraditoriamente.
Mais louco, é amar essa contradição.


Por MARIA,L.P.

domingo, 20 de julho de 2014

20 de julho

Esse dia já dei muito valor para esse dia.
Hoje só dou valor às pessoas.


Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nunca

Tem dias que parece que chove mais aqui dentro que lá fora.
Mas não há de ser nada.
Aliás, nunca é.


Cifras, no facebook



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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Pedagógicas histórias

Ai eu faço uma entrevista em uma escola privada pra lecionar História, indicada por um amigo.
Na entrevista perguntam se eu tenho interesse em participar da seleção para séries iniciais, já que tenho formação, abrem mais vagas, etc.

Resumo da história: não fui selecionada pra História, mas fiquei em primeiro lugar pra séries iniciais.
Observação da história: Comecei a lecionar no estado, também com séries iniciais há exatamente uma semana.
Final da história: Agradeci, mas por um compromisso ético, não posso largar a turma agora.

E a História: Me deixa triste, mas eu a cada  dia me convenço que devo ser pedagoga.


Cada dia me convenço mais de que eu nunca vou lecionar em uma escola privada


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pessoas e pessoas

As pessoas mais interessantes que eu conheço são loucas.
E não valem nada.
Como eu.


Por MARIA,L.P.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O pão e o álcool

O pão é realidade, mas o álcool é imaginação.
Tá na bíblia, infiel!
- Amém!


Do filme Cazuza

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Frida - 60 anos

Ontem a noite, assisti pela enésima vez o Filme Frida, sobre a vida e obra de Frida Kahlo
Assisti por dois motivos: primeiro, adoro esse filme; segundo, ontem 13 de junho de 2014 completaram 60 anos da morte da artista.

Me dedique a um comentário:

Nada mais justo que uma atriz mexicana (Salma Hayek) protagonizando o filme.
O problema, é que o DVD só tem opção de áudio em inglês, não em espanhol.
Meio frustrante.

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor" - Frida Kahlo


Frida aqui, 2012
Frida ali, 2012
Frida lá, 2011


Por MARIA,L.P.

domingo, 13 de julho de 2014

Foi-se a Copa

O fracasso no campo só não é maior do que fora dele

Texto de Roberto Robaina, leia na íntegra:


"Assim, o fracasso do Brasil na Copa não é gratuito, nem por acaso. A Rede Globo há muitos anos usa o futebol como um instrumento de manipulação da consciência de massas, como se o povo precisasse apenas de circo e pão; e muitas vezes mais de circo do que pão. Mas usa o futebol, não denuncia suas mazelas nem o abandono dos esportes em geral. Que o fracasso tenha sido tão retumbante envergonha o povo. Mas por incrível que possa parecer o fracasso fora do campo é muito superior. Claro que é também um fracasso do futebol. Que um governo gaste bilhões construindo estádios e corte o orçamento da saúde é algo indignante, um ataque ao bom senso e à inteligência. E isso foi feito. Que o futebol seja dominado por uma máfia corrupta que comanda a CBF indigna igualmente. Que o ministério dos esportes seja comandado por amigos desta máfia causa repugnância. Que a FIFA tenha ditado as regras e mandado e desmandado no país, exigindo cada vez mais verbas públicas para atender seus interesses privados e que todos os partidos com representação no Congresso Nacional, com exceção do PSOL, tenham votado a favor da Lei Geral da Copa é a expressão máxima de nosso fracasso."

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Letícia veg

- Tem esse risoto vegetariano que eu fiz: tem azeitona, cenoura, milho e uns temperinhos...
- Bah, não sabia que tu curtia essa vibe vegetariana, Lê.
- Até curto, mas é que não tinha nada de carne em casa mesmo.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Só pra registrar:

Hoje peguei o Campus Ipiranga (linha de ônibus que leva ao Campus do Vale da UFRGS) com motorista e cobradora mulheres.
Na volta, peguei o D43 também com ambas mulheres.

Creio que esse registro seja válido, pois é importante mencionar quando mulheres ocupam lindamente espaços historicamente construídos para homens.

Até porque sempre quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!


Por MARIA,L.P.

domingo, 29 de junho de 2014

Por que a Copa me perturba - Parte II

Episódio 2:

Estou em outro bar que frequento, com amigas dançando e bebendo.
Eis que se aproximam turistas argentinos e dançam ao redor de nós.

Obs: Sem xenofobia - pra mim não importa se são argentinos, coreanos, holandeses, brasileiros ou marcianos.

Sempre procuro ser simpática com quem me respeita. Mas acontece que as investidas deles eram sempre segurar em nossos braços, tocar nossos cabelos, tocar e mexer com a gente.
Não aceito que me toque sem a minha autorização. Já escrevi isso aqui e não tenho problema algum em dizer isso para as pessoas, quantas vezes for necessário!
Quem quiser se divertir que aproveite, o mas o meu corpo não é público eu não estou disponível.

Se eu quiser dançar, conversar, beber, ficar, beijar, transar, casar e ter filhos - ou dar um mortal pra trás - a pessoa interessada vai saber disso, mas não invada o meu espaço.


Resumo da história:
Ando pouco tolerante e sem paciência.
Pouco tolerante para o senso comum.
Completamente intolerante para o machismo.

E sim, a Copa me perturba.

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Educar é um ato revolucionário

"GOVERNO TARSO PÕE A EDUCAÇÃO NO BANCO DE RESERVAS"

Professor lutando também ensina!

Enquanto Tarso justifica que a lei do piso é inconstitucional - lei que ele mesmo criou - ele entrega mais de 2,5bi aos empresários e banqueiros!
Mesmo que o nosso sindicato tenha sido abocanhado pelos representantes do governo, seguiremos organizados e lutando, pois a classe trabalhadora não se entrega!

Viva os que lutam!!



Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Faxinas, limpezas e memórias

Limpar a casa é fácil.
Difícil é se desfazer de lembranças e memórias.

Muitas vezes me batia uma tristeza ao me desfazer de coisas que me lembrassem pessoas.
Confesso que me deu certa nostalgia me libertar de algumas coisas. E não sentir nada ao lembrar de momentos e pessoas.
Pior que a tristeza da saudade, é nada sentir.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Por que a Copa me perturba- Parte I

Episódio 1: 

Estou em uma roda de samba em um bar que frequento. Um cara oferece cerveja. Já que está sozinho, aceito e minhas amigas também.
Logo, ele diz:
- Eu acho isto tudo impressionante, eu amo a Copa.
Respondo:
- Nisso concordo contigo, isto realmente é impressionante.
- Tu começa uma conversa dizendo que concorda em parte?
- Tu começou dizendo que ama a Copa,eu não . Mas amo roda de samba. (risos)
Ai, ele me tira pra dançar....
- To encantado com a tua cidade. Mais bonita que Porto Alegre, só o Rio mesmo. A vida noturna aqui e ótima.
- Porto Alegre é ótima mesmo, mas acontece que a vida noturna acabou sendo boicotada por causa do poder público. Mas nós já tivemos na vida noturna bem intensa, há pelo menos dois anos atrás até que o governo municipal fechou bares a locais de festas e espaços de manifestações públicas culturais. Na realidade, nós só temos isso por causa de vocês turistas assim vocês forem embora, vai retornar como era. Claro que a copa têm sido ótima por um lado, mas por outro, nós estamos aproveitando algumas coisas que nos foram cortados há algum tempo. Nós vamos aproveitar junto com vocês, mas acabando a Copa, acabou Cidade Baixa, acabou Lapa, acabou alegria
- Tu é da política?
- (risos) Tá na minha cara que eu sou militante?
- Eu sou do PCdoB de São Paulo, tu é de qual partido?
- Eu sou professora e milito em um partido. Mas não preciso ter uma opção militante para ter uma opinião. Eu sou do PSOL, mas se tu conversar com qualquer frequentador de bar da Cidade Baixa, tu vai ter uma percepção muito parecida em relação a vida noturna daqui.
A simpatia misteriosamente vira desaprovação:
- É por isso vocês não conseguem dialogar com as massas vocês são muito radicais!
- Radical? Eu só tô conversando contigo.
- Vocês são uns radicais. Não dá pra dizer "eu gosto da Copa, mas..." e fazer a crítica?
- Eu não disse que odeio quem gosta da Copa. Só disse que não defendo a Copa. Se isso é ser radical, então eu sou.
-  Vocês do PSOL são muito radicais, nunca vão conseguir nada.

Comprimento o cara e paro de dançar.
Não quer ouvir minha opinião, não pergunte, não fale comigo.
Sim, a Copa me perturba.


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O espaço é público, meu corpo não

Recado aos gringos na noite: Ninguém encosta em mim sem a minha autorização.
Se eu quiser, você vai saber, se eu não quiser, não encoste ou quebro seus ossos!

Cansei de "a carne mais barata do mercado é a carne negra". Não estou a venda, não estou a sua disposição.
Não importa a aparência, a nacionalidade, o volume da carteira: eu decido!

Comentariozinho meu no Facebook

***

Continuando....

Existe um sentimento que circula por ai de que as brasileiras são mulheres "fáceis".
Eu mesma, não me considero "difícil". Parafraseando Leila Diniz "Eu posso dar para todo mundo... Mas não dou para qualquer um!". Eis a questão: podemos ser mulheres livres, que se relacionam sexualmente com quem quiser, mas o fato é que não estamos a disposição para satisfazer gringo durante a Copa do mundo.

Boêmia, como sou, tenho visto muitos turistas na noite porto alegrense. Para meus amigos músicos e donos de bares, isso não é ruim, até porque eles estão movimentando a economia. Até ai, tudo bem.
Acontece que nem eu, nem qualquer outra mulher estamos a disposição para o consumo alheio. Seja prostituta, ou não.

Outra noite, em um bar, um canadense me tira para dançar: tento explicar como fazer "two, and two"... ele segura na minha cintura e começa a rebolar. Coloco a mão na cara dele e digo em alto e bom tom: NÃO ENCOSTA EM MIM!

Se eu quiser, vou ficar com quantos gringxs (ou brasileirxs) me der vontade. Isso se eu quiser!
Se eu não quiser, não me toque.
Nem em mim, nem em minhas amigas, nem em qualquer mulher.
Reconheço que ando pouco tolerante, reconheço, mas sim, desço a mão em quem eu ver tocando em uma mulher contra a sua vontade: negra, de saia curta, bêbada, prostituta, jovem. Nós decidimos se queremos ser tocadas.


Meninas do Coletivo Negração em campanha "A Globeleza não nos representa", em A Mulher Negra e o Feminismo

Se você, turista quiser retornar com boas história, aja como gente, e não como um babaca machista: além de conhecer gente interessante, não vai levar na memória a surra de uma mulher negra. Lembre disso!
Nós reagimos: chega de exploração das nossas mulheres!

Por  MARIA, L.P.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A solidão, as alturas, os temporais e vendavais

Algumas coisas realmente me dão medo: altura e temporais. Já achei que a solidão me desse medo, mas isso eu já superei. Os temporais não me deixam com tanto medo, quanto ficar doente sozinha.

Morar sozinha tem disso, entre prós e contras, pior que manter a geladeira cheia e as contas em dia, é ficar doente e não ter ninguém pra te fazer um chá, um agrado, uma companhia, um conforto qualquer.

Frente a isso, tenho enfrentado muito bem a solidão, as alturas, os temporais e vendavais.


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Marx também entende de amor!

"O ciumento necessita de um escravo;
o ciumento pode amar, mas o amor eh para ele apenas um sentimento extravagante;
o ciumento eh antes de tudo um proprietário privado"


Marx - sobre o suicídio em Jardim Feminista

domingo, 15 de junho de 2014

A Mulher Negra e a Não Monogamia na prática






“Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor”


Nosso estranho amor – Caetano Veloso


Este não é um manual prático de como se tornar não-monogâmica, tão pouco é uma história de amor. Ou melhor não só de amor.

Durante minha vida toda, eu tive oportunidade de me relacionar com pessoas completamente diferentes, com ideais, sonhos, formatos de família diferentes e principalmente um conceito diferente do que é amor.

Namorei meninos e meninas, casei formal e informalmente, fui um “trisal” (palavra horrorosa) e em todos os relacionamentos existiam regras de como eu deveria me comportar, o que eu poderia fazer ou não, o que poderia ou deveria dizer, onde ir, o que vestir, como receber um caminhão de expectativas alheias e desconhecidas da minha pessoa e onde depositar as minhas frustrações. E de onde vinham essas regras? De todos os livros, filmes, historinhas de amor que a gente passa a vida toda consumindo, e eu não tenho a menor vergonha de dizer que eu consumo mesmo e até hoje, de Sex and City ao reality show das Kardashian. Mas apesar do meu ponto de vista turvo pelo amor romântico sempre me martelou a mente a questão do porque o amor que deveria ser um sentimento tão bom, causar tanta dor, sofrimento, amarras a ponto do alvo do nosso afeto acabar se tornando um inimigo íntimo? E porque o amor não poderia ser livre e distribuído a quem quiséssemos e quando quiséssemos da mesma forma como fazemos com as amizades?

Felizmente as regras existem para serem quebradas então vamos falar um pouco do que aconteceu quando algumas barreiras foram quebradas para dar espaço a uma nova experiência de vida.
De todos os relacionamentos que tive, um dos que me fizeram mais completa e feliz foi o poliamor, mas na época nós não falávamos sobre o assunto, não chegávamos sequer a nomear o que tínhamos ou nos apresentar como tal, nós apenas éramos e por um tempo estávamos bem com isso, até precisar dar nomes e assumir posturas. Dos três, alguém não segurou a onda de precisar lidar com a sociedade e para além disso, a maior cobrança era: Como era possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo de maneira igual?

Surgia no meio de um relacionamento até então saudável a boa e velha culpa cristã, que minou com tudo e quase enlouqueceu uma das partes desta pequena estrutura familiar de 3 pessoas.

Estar com uma outra pessoa sem formar um casal, mesmo que as partes concordem precisava ser traição, não é assim? E sendo algo errado precisa ter um castigo, mas se estava todo mundo de acordo está errado mesmo assim? Bom este é o ponto em que a pessoa volta três casas no jogo do amor e fica uma rodada sem jogar pensando neste ciclo sem fim, até entender (ou não) que se trata de culpa, e ela existe porque temos conceitos particulares de certo e errado moldados pela sociedade em que vivemos e somos nós nos cobrando.

Quando esta dúvida existencial caiu no meu colo, na minha cabeça só passou: Ué, mas não é assim com todo mundo? As pessoas não gostam de mais de uma pessoa ao mesmo tempo e na mesma intensidade? – Eu achava totalmente possível, não tinha dificuldades de focar o meu amor a uma pessoa numa relação monogâmica, mas fazia porque a relação era assim e não porque amando aquela pessoa tinha perdido a capacidade de me interessar por outras. E olha eu errada aqui imaginando que meus padrões de certo e errado poderiam se aplicar ao outro. Aliás erramos demais por supor, passando por cima da subjetividade do outro, mas ai já é outra história.

Vivemos numa sociedade que nos impõe determinados padrões de comportamento, que não raro engolimos com facilidade porque “sempre foi assim”. O fato de sempre ter sido assim não significa necessariamente que seja bom, positivo ou que não exista apenas parar manter o sistema.

Amor: um ato político?

Segundo o Houaiss monogamia é um regime ou costume em que é IMPOSTO ao homem ou à mulher ter apenas um cônjuge, enquanto se mantiver vigente o seu casamento.

Segundo o Michaelis a coisa fica bem pior e extremamente heteronormativa:

Monogamia: 1 – Estado conjugal em que um homem desposa uma única mulher ou uma mulher desposa um só homem. 2 – União exclusiva de um macho com uma única fêmea.

Se uma determinada situação me é IMPOSTA, exige exclusividade e em algumas definições um formato padrão do que é o tal casal envolvido, já acende a luzinha vermelha que me diz: Em nome de que eu faria esse tipo de coisa, deve existir um proposito não? As pessoas não acordaram simplesmente um dia e disseram “vamos nos acorrentar por que vai ser da hora”. Sociedades não são formadas dessa maneira certo?

A monogamia e em algumas sociedades a poligamia, é o elo que sustenta o funcionamento de uma sociedade baseada no modo de produção baseado na propriedade privada e também sustenta o modo de produção patriarcal.

Em “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” Engels mencionas os diversos formatos de organização familiar e reprodutiva que existiram ao longo dos anos e como esses formatos se tornaram necessários para alicerçar e normatizar a estrutura destas sociedades.

O domínio patriarcal – palavra originaria do termo patriarcado que se refere a um território ou jurisdição governado por um patriarca e tem seu uso no sentido de orientação masculina da organização social surgindo pela primeira vez entre os hebreus no século IV para qualificar o líder de uma sociedade (resumo da ópera o líder HOMEM de uma sociedade) – assim como a propriedade privada tornou-se norma em diversas sociedades e expandiu-se de tal forma até ganhar domínio quase mundial. Poder e posse concentrado nas mãos do patriarca, garantir a manutenção dessas posses entre sua linhagem só era possível se sua prole fosse reconhecida, para garantir que isso acontecesse nada melhor do que restringir a liberdade sexual da mulher através de um casamento em regime de exclusividade.

Mesmo em sociedades em que existe a poligamia, o padrão normatizado e instituído é o de um homem que pode “tomar” como esposa mais de uma mulher. O funcionamento é o mesmo, todos sabem quem é o pai e a mãe da criança independentemente do número de esposas envolvidas.

Em linhas bem gerais, a monogamia e os atuais formatos de família normatizados existem para manter a sociedade capitalista que temos hoje. Desconstruir a monogamia é quebrar com dois parâmetros, o da manutenção de um sistema capitalista e quebrar com o patriarcado.

Eu disse lá em cima que isto não era uma história sobre amor não disse? Mas e se desligarmos um pouquinho da questão política da monogamia e nos concentramos apenas nas subjetividades dos envolvidos no amor-livre.

Ah o amor livre, este estranho

Tive a oportunidade de pesquisar e saber mais sobre relações livres através da internet. Estava num grupo de poliamor, depois descobri o RLI. Encontrei ali pessoas que compartilhavam de algumas ideias, outras que levantavam e debatiam questões que também me afligiam, compartilhávamos experiências. Porém, embora na teoria tudo seja lindo, a prática é bem mais complicada do que a gente pode pensar. Não deveria, mas é.

Partimos do princípio de que Amor Livre é o nome genérico que se costuma dar para diversas práticas de amor, relacionamento romântico ou sexual, envolvimento pessoal intenso e terno – ou fugaz porém respeitoso das pessoas envolvidas. O casamento ou relacionamento aberto que discordem da monogamia compulsória, ou seja, que discorde do formato de amar e se relacionar exclusivamente com uma pessoa por OBRIGAÇÃO.

Mas este conceito do que deveria ser o Amor Livre não reflete exatamente o que a palavra deveria significar, liberdade não é só Não Monogamia e não reflete o RLI por exemplo.

Uma relação aberta implica em um casal ou grupo de pessoas que define em conjunto que um de seus membros pode ser relacionar com uma ou mais pessoas, porém (sempre tem o porém) na maioria dos casos quando se trata de uma relação hétero por exemplo existe a permissão baseada naquilo que o outro aceite como “normal”. Normalmente a mulher na relação só pode ser relacionar com outras mulheres e o homem acaba se relacionando com outras mulheres. Existe ai uma regra, e se existe a regra, não existe liberdade no amar.

O poliamor, mesmo batendo de frente com a monogamia também não constitui um padrão de liberdade total, uma vez que as pessoas envolvidas na pratica poliamoristas participam não apenas da escolha de quem adentra o relacionamento mas também convive com aquele núcleo que passa a ser exclusivo (muitas pessoas, com um compromisso).

As relações livres versam sobre a individualidade de cada um com relação ao amor. Pode-se amar quem e quantos quiser e as pessoas com quem você se relaciona, cientes do seu formato de amor vivem com a mesma liberdade de ser, podendo ou não se relacionar com uma pessoa só se assim quiserem (percebam que não está sendo imposto que se viva com uma pessoa só, assim como não está imposto que você precisa se relacionar com várias). É o mais próximo de liberdade que eu encontrei, mas embora seja uma teoria linda na pratica a ideia de liberdade se confunde com a falta de cuidado, responsabilidade e carinho com as pessoas envolvidas. E aqui não estou generalizando, só não estou tapando o sol com a peneira. E isso acontece por um probleminha muito simples, por mais que os modelos de relações sejam diversos, o conceito de amor e liberdade continuam sendo particulares e também diversos.

O que é que eu vou fazer com esta tal liberdade se estou na solidão pensando em você

Voltando ao dicionário. Segundo o Houaiss, bom e velho companheiro de guerra, Liberdade é:

1. Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação 2. Poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas: Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei.
Então quer dizer que se a liberdade está ligada as minhas determinações, significa que amar livremente vai estar ligado a diretamente ao que eu entendo sobre o amor.

Somos ensinados que quem ama cuida, que o ciúme é parte deste cuidado, que para cuidar temos o direito de passar por cima da vontade do outro (ou nem tomar conhecimento dela) deste que seja o melhor para a pessoa ou o casal. Mas isso é amor? Segundo o dicionário é quase isso infelizmente:

(do Aurélio) Amor: Sentimento que predispõe alguém a desejar outrem. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou uma coisa. 3. Inclinação ditada por laços de família. 4. Inclinação sexual forte por outra pessoa. 5. Afeição, amizade, simpatia. (Antônimo: ódio, aversão).6. O objeto de amor.

Meu amor não tem relação nenhuma com as definições de amor ai de cima, talvez só com os itens que envolvem afeição, amizade, simpatia somados ao sentimento de desejar outrem (e ficar na torcida pra que me desejem de volta) e é isso. A dedicação absoluta me assusta, mas obviamente vou me dedicar a todas as pessoas por quem eu me sentir ligada, apaixonada, amando. Mas e qual é o conceito de amor do outro? Eu não conheço, então por mais livre que eu esteja com o meu formato de amar, ainda tenho que lidar com o que é amor para o alvo do meu afeto e é ai que a porca torce o rabo.

Entre os maiores problemas dos praticantes do Amor Livre estão as reações populares que incluem:

1 – Achar que amor livre é sexo 24 horas por dia, 7 dias na semana, com qualquer um, a qualquer momento.

No segundo seguinte em que comunico que não sou monogâmica esta ligação se instala na mente da pessoa (e muitos não monogâmicos) e me coloca numa posição de sexo fácil. É como se ao invés de escutar que sou não-monogâmica as pessoas escutem: sou viciada em sexo, tem como você tirar a roupa AGORA?

Cada oi, cada bom dia, cada mensagem no whatsapp vira um convite para a cama. E não, não é assim que funciona, isso não é amor livre. Amor livre envolve liberdade sexual sim, mas eu sou livre para querer sexo ou não, para determinar com quem eu quero ter um envolvimento sexual e com quem eu terei laços afetivos que não possuem esse envolvimento. Bem como posso me envolver sexualmente com alguém sem querer um laço com esta pessoa. O sexo e o choro é livre. Mas relações livres não tem necessariamente que envolver sexo o tempo todo.

2- Como manter um laço afetivo numa relação que não pode ter um nome?

Novamente sem generalizar, nunca foi tão difícil nomear o inominável. Se não estou casada, porque trata-se de uma relação monogâmica com tudo aquilo sobre o que já falamos, se o “namoro” convencional (namoro entre aspas aqui porque pessoas não monogâmicas namoram, apenas não o fazem conforme as regras que bem conhecemos que envolve cobrança e ciúmes) implica em duas pessoas se relacionando exclusivamente, se eu não quero tratar (e nem devo) como uma “pegada”, um casinho, um momento, eu estou vivendo o que?

Existe uma imensa dificuldade de fazer entender que as relações são livres mas são sérias, ou podem ser tão sérias quanto qualquer outra relação baseada em contratos e alianças, afinal não existe a cobrança por seriedade, longevidade e etc quando há liberdade no amor. Não precisam necessariamente ter um nome, são laços afetivos e fim, mas é algo para ser desconstruído e lidar com a seriedade da relação não é colocar uma aliança no dedo da pessoa (alianças são criadas de inúmeras maneiras e com significados diversos, mas não vamos entrar neste assunto agora, não vamos falar de símbolos), ligar o tempo todo, saber onde a pessoa está o que comeu. Mas sim se responsabilizar também pelo que aquela pessoa está sentindo, estar aberto ao diálogo, lembrar que mesmo em liberdade estamos sujeitos a fazer cagadas porque as pessoas não sentem da mesma maneira e nem são obrigadas a sentir de forma parecida. Se não há espaço pra dialogo por qualquer que seja o tabu estabelecido na relação ela por si só já deixou de ser livre certo?

3 – Se eu não posso cobrar do outro um posicionamento, como demonstrar afeto ou grau de importância?

Nenhum tipo de comportamento afetivo é exclusivo a uma determinada pratica amorosa. Ser não monogâmica não me tira a vontade de ir no cinema com alguém, de jantar com alguém, de morar com a pessoa, de criar filhos. Tudo é possível, a maneira como eu coloco as minhas vontades e expectativas para o outro é que modificam tudo. Se essas são minhas vontades quem tem que lidar com elas sou eu, eu posso apenas participar as ideias pra pessoa que está comigo naquele momento da minha vida. Às vezes a vontade é igual, as vezes é melhor encontrar outra pessoa para ver o filme, jantar, dormir de conchinha.

No amor livre a frase do pequeno príncipe não é válida, não sou eternamente responsável por aqueles que cativo, o amor que eu sinto é de responsabilidade minha, e o amor que é dedicado a mim é de responsabilidade de quem doa e no meio de tanto amor as pessoas se encontram, e quando se encontram se cuidam mutuamente.

Amar livremente ainda me permite dar presentes, escrever cartas, me declarar. Mas o medão que dá da pessoa fugir para as colinas por imaginar que estas coisas vão atira-la no abismo da exclusividade das relações possessivas está ali tão presente que dá para cortar com uma faca.

4 – Mas e os padrões que a sociedade já impõe com relação ao comportamento da mulher negra e como ela é vista pela sociedade?

A mulher negra já é vista como um objeto a ser utilizado, está ali para servir. Quebrar esse paradigma nas relações vem sendo um dos maiores desafios na minha vida. As relações livres ainda são vistas como um problema menor numa sociedade com tanto nó cego para lidar. Como podemos estar preocupados com os formatos de relações num universo machista e racista? Ora quando eu me recuso a pertencer a alguém porque eu sou minha eu já estou num embate direto com estas duas vertentes do chorume, desconstruo relações de poder. E ai voltamos ao lance de que o Amor também é político.

Como mulher negra eu fui subjugada ao que deveria ser meu papel na sociedade, eu deveria me casar, ter filhos, construir uma família, ser fiel a “meu homem” e neste formato de família aceitar que esta seria a única forma de viver e ser considerada uma negra bem sucedida na vida. Sim porque entre a população negra a família nos moldes padrão heteronormativo cristão, ainda constituem uma espécie de prêmio a ser alcançado e ainda respondemos a este tipo de cobrança. Quebrar com este padrão no âmbito familiar, desconstruir a ideia de família, descobrir novas possibilidades e formatos de viver é sempre um desafio e com o amor não é diferente.

Ser uma livre amorista negra ainda traz o estigma de estar duplamente disponível para o sexo. A naturalidade com que o corpo negro é objetificado mais as confusões criadas pela interpretação do que é a liberdade no amar geram formatos de tratamento diferenciados que nem de longe são lisonjeiros.

Existe todo um horror e um incomodo estampado no rosto das pessoas quando uma mulher negra subverte o senso comum e se mostra dona de seu prazer, do seu corpo, das suas escolhas.

Amor só dura em liberdade

Amar livremente é poder amar e deixar amar uma ou mais pessoas sem restrições impostas. Sem regras, sem amarras, sem um modelo de como deve funcionar sua relação para que ela exista e para que seja amor.

Eu disse também que isto não era um manual lembra? Este é meu ponto de vista sobre o que eu entendo por liberdade, o que eu entendo por amor e quais são os desafios que eu tenho encontrado nesta minha desconstrução, do lidar com pessoas com personalidades diferentes, conceitos diferentes, carinhos diferentes.

Amar mais de uma pessoa é possível, no amor livre estas relações não serão superficiais, não se engane, terão a mesma intensidade, os mesmos prazeres, possivelmente até os mesmos planos, com a enorme diferença de não estar fazendo nada por obrigação. Se optamos por estar junto de alguém é exclusivamente porque aquela pessoa nos faz bem naquele momento, e enquanto for bom para ambas as partes que o outro fique e se é tão bom pra mim porque este bem não pode chegar até outras pessoas?

O amor vai ser sempre algo complicado, subjetivo, idealizado, mas não precisa ser o tempo todo assim, basta a gente se permitir amar do jeito que puder, do jeito que quiser, do jeito que der, mas amar.

Hoje é o dia dos namorados, data inventada para manter o sistema capitalista e fazer a gente gastar o dinheiro que às vezes nem existe para fazer uma graça. E quer saber, tudo bem porque pode ser divertido de qualquer maneira, com um amor só ou com vários.

Enquanto eu escrevia este texto passava pela minha mente meus inúmeros amores, os vividos e os não vividos e definitivamente este texto tem algumas donas. Mulheres que eu namoro e que nem sabem que estão namorando comigo, mulheres que eu amo e com quem me relaciono sem nenhuma conotação sexual mas que são laços afetivos para sempre, mulheres que eu beijei e guardei no meu coração e aquelas que entraram na minha vida por um momento apenas mas fazem parte de grandes amores. Existem abraços que eu gostaria de dar, beijos que eu gostaria de distribuir, a noite de hoje seria perfeita para dormir de conchinha ou pra ver filmes impregnados de açúcar, mas ai começa o problema de logística que vai ficar pra um outro texto. Este aqui foi escrito para as mulheres da minha vida e mesmo que eu AINDA não tenha nomeado o inominável eu tenho CERTEZA que vocês sabem quem são então a todas: Feliz dia das namoradas ♥






“Ah! Mainha, deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha, deixa eu gostar de você
Pra lá do meu coração
Não me diga nunca não”

Nosso estranho amor – Caetano Veloso





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