segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nenhuma igreja têm o direito de intervir na minha vida, nem no meu corpo. Não vou fazer o movimento contrário.

Quem me conhece, sabe que tenho uma orientação clara e publicamente cristã. 
No entanto, sabem também que, tenho sérias e duras críticas à igreja católica, e às recentes manifestações públicas cristãs. Tenho inclusive um texto (No Escreva Lola Escreva) sobre a escolha do novo papa, “Ou a igreja enfrenta problemas, ou fecha as portas”.

Quem me conhece, ou lê o blog, sabe, inclusive que a visita do Papa Francisco ao Brasil pouco me importa, e a maioria das pessoas que conheço – que conheci ao longo de mais de dez anos em grupos de jovens – são estúpidos egocêntricos que querem mais se auto-promover, que manifestar sua fé na JMJ. Também conheço várias pessoas engajadas social e politicamente, que também foram a JMJ (longe de ser esse modelo estúpido de jovem cristão felicianus), mas esses são minoria, hoje nas igrejas por ai a fora.

Quero deixar claro, que eu não iria para a JMJ em hipótese alguma. Mesmo quando frequentava a igreja, nunca tive afeição pela figura papal. E com esse papa, não seria diferente.

Diante do recente conflito ocorrido na Marcha das Vadias do Rio, não prestei muita atenção de início, primeiro porque não me surpreende reações radicais durante a JMJ em resposta a visita do papa; em segundo lugar, porque a quebra de imagens sacras não me comove nem me choca. Reitero, que isso já não acontecia quando eu frequentava a igreja.

Sou participante da Marcha das Vadias de Porto Alegre (2012 e 2013), e não abro mão disso. Creio que deixe claro isso neste blog...

No entanto, vi várias reações pró/contra a ação, e quando li o guest post da Lola, me senti “representada”, aliás, como normalmente acontece com os textos do blog:

"Mas num momento em que todxs nós deveríamos estar comemorando o sucesso que foi a Marcha, aqui estamos nós na defensiva, brigando entre nós, com as organizadoras precisando consultar advogados e sendo ameaçadas de estupro e morte.

Minha pergunta é: precisava mesmo disso tudo? O que a gente ganha com o ódio de quem viu seus símbolos desrespeitados? O que essa performance acrescentou ao feminismo? À Marcha das Vadias?”

[...]

Fico pensando também se haveria alguma feminista defendendo e justificando o ato se ele não tivesse vindo de um coletivo desconhecido, mas do Femen, por exemplo. 

[...]

Apesar do meu otimismo incontrolável, eu não tenho muita esperança que o feminismo possa fazer reaças deixarem de ser reaças. Só que tem muita gente que não é reaça, e não é feminista, mas pode se identificar com as nossas lutas, e eventualmente vir a lutar conosco. Eu vejo isso acontecer todos os dias. E são essas pessoas que a gente perde ao depredar símbolos religiosos. Ou ao apoiar quem depreda.
E creio que ainda não chegamos à fase em que podemos descartar aliados. Ou chegamos?



Nós feministas já não somos atacadas suficientemente, para executar esse tipo de ação? É necessário? Respondemos a opressão e a intolerância da igreja e da comunidade (reacionária) cristã com o mesmo ódio?
Eu não sou favorável.

Acho que é preciso ser radical, mas ódio, é outra coisa.
E outra coisa, não acho que para nós socialistas, que queremos a “revolução”, sabemos que essa não vai ser feita de pão e rosas (sim, inspirada no filme), mas se agora estamos lutando por uma sociedade mais democrática e justa, vamos responder com o mesmo ódio que as minorias têm sido violentadas há séculos nesse país.

Pois é, acho desnecessário.

Se o leitor radical quiser me chamar de “maldita reformista”, tudo bem. Faça como o casal, enfie sua opinião (como o crucifixo) no seu cú. Sim, no cú.
Se o leitor cristão quiser me chamar de herege, por favor, faça o mesmo que o radical. Até porque o seu cú não me interessa, afinal, o meu é laico.

Nenhuma igreja têm o direito de intervir na minha vida, nem no meu corpo. Não vou fazer o movimento contrário.

Movimento Direito Pra Quem, no facebook


 Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sem filtros, na estrada

Ontem um amigo me disse que temos o mesmo problema. A transparência.
Duas coisas me vieram à mente: primeiro, que alguém lê esse blog (e entende minhas insanidades) e, segundo, que de fato sou uma pessoa sem filtros, transparente.

Um dia, quando ainda compunha o grupo de jovens (que fiz parte durante alguns anos), uma pessoa me disse que eu ainda iria quebrar a cara muitas vezes, por ser “assim”. Ela se referia justamente, a viver sem filtros, ser transparente e honesta, dizer e expressar o que penso e sinto.
Não creio que ela estivesse errada. Mas estou certa, de que prefiro quebrar a cara por ser transparente, a ser alguém que viva da lógica de mercado, descartando e descaracterizando as pessoas com quem se relaciona. Isso não faz de mim menos racional, menos materialista ou até menos feminista. Isso me faz humana.

Não ter filtros, faz de mim, exatamente o que sou.

Agora, neste exato momento, escrevo da estrada.
Existem alguns prazeres da vida, dos quais não me desapego, além de dançar, gozar de boas conversas e companhias, meu prazer é a estrada.
Vou para estudar, para militar, para escrever, para conhecer pessoas. Não importa, apenas vou.

Era esse o remédio que o meu ser necessitava. Sem receita, sem medida, sem filtros: estrada para o corpo e para a alma.

Sem filtros, na estrada.



Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Uma histeria qualquer

Talvez seja uma histeria qualquer. Paranoia ou necessidade?

“Livre é o estado daquele que tem liberdade.
Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

De Ilha das Flores (Jorge Furtado)



Este é o tipo de doença, que só se cura na luta.
Estou tentando meu curar.



Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Não sou mulher para remorsos, isso é coisa para fracos, para débeis, Eu sou Lilith


“Porque Lilith, quando finalmente abrir as pernas para se deixar penetrar, não estará a entregar-se, mas sim a tratar de devorar o homem a quem disse, Entra.”


Eva Negra


SARAMAGO, José. Caim. São Paulo, Companhia das Letras, 2009; p.59