quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vândala, é a polícia

Porto Alegre, 27 de junho de 2013.

Uma noite fria, chegamos a Praça da Matriz.
Bonito Ato. Carro de som, banda, falas politizadas, bandeiras, militantes e ativistas.
Bonito Ato.

Estamos com nossos cartazes, faixas, adesivos, em meio à multidão, participando do manifesto.  Bonitas fotos.

Eis que chega um grupo (facista) com faixas do Acorda Brasil. Com algumas palavras de ordem reacionárias, até que começam a pedir para o carro de som parar e entoam o hino riograndense. Gritamos “não, não, não”.  Acreditamos que a luta é internacional, e somos contra esse regionalismo desse discurso, sobretudo quando dizem “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, devido ao peso escravagista que essas palavras carregam. Simples. Elementar. NÃO NOS REPRESENTA.
O fato, que ao reagirmos, eles logo enrolaram a faixa e foram embora. Direita (paga) declarada. Militante, não baixa sua bandeira, pois luta por ela.

Mais tarde, percebemos a presença de mais um helicóptero: estranho. Com palavras como “Acorda Brasil”, “Sem partido”, “respeitem a polícia, eles promovem nossa segurança” e “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Quer dizer, a direita reacionária e fascista (que sabemos que têm dinheiro) bancando helicóptero para intervir em um ato popular. NÃO NOS REPRESENTA.

Ai, os helicópteros da polícia começaram a voar baixo. Entre discussões e papos legais, um bonde nos cerca. Pois é: enquanto debatíamos com uma mulher que reconhecia que a manifestação só acontecia pelo fato de que a polícia “nos libertou, para manifestar, senão nos quebraria”. NÃO NOS REPRESENTA.
Enquanto isso, o bonde tentava “intervir”.

Enquanto isso, um cara de cabeça raspada, me olha. Quando um dos meninos olha pra ele (ressalto que este menino é gay) ele chega perto e diz “se tu me olhar de novo, te quebro todo”. E segue encarando a mim = mulher negra.  

Logo, a PM começo a jogar suas bombas. Exatamente: O comando da POLÍCIA DE TARSO resolveu que o ato deveria acabar. E assim o foi: finalizado com bombas. NÃO NOS REPRESENTA.
Com o correrio, os bondes desceram, e assim que os manifestantes dispersaram, eles voltaram e começaram a quebrar tudo. TUDO!
O careca de antes, chega perto de nós, e olha para nosso camarada e diz “esse quem eu vou quebrar”.

Desce a Choque, a Cavalaria, enquanto as ruas vizinhas estão todas cercadas.
Os manifestantes assustados com a intervenção violenta e opressora da polícia, se apavoram também com a ação dos bondes que quebravam tudo que viam pela frente. ABSOLUTAMENTE TUDO. NÃO NOS REPRESENTA.

Pela Cidade Baixa (bairro ao lado do Centro de POA), nossa dirigente vai até a PM e avisa que há bondes na rua paralela, enquanto a Choque dispersa os manifestantes que estão no final do ato. Eis que a PM ignora completamente, pois a orientação é oprimir manifestante, não os bondes.

Relato um pouco dessa experiência, pois sai do ato com a juventude da organização da qual faço parte e defendo suas bandeiras. Relato, pois A POLÍCIA DE TARSO NÃO NOS REPRESENTA. Vândala, é a polícia, fascista é o governo do estado que elogia e estimula este tipo de ação, para poder criminalizar na mídia a ação popular.  Algumas pessoas que dizem “apoio o movimento, mas enquanto houverem esses anarquistas vandalizando, não vai pra frente!”. Pela primeira vez, lamentei não ter encontrado nenhum anarquista.

Vou me embora, certa que nossos militantes estão em segurança e acompanho o conflito pelo rádio: TARSO GENRO, GOVERNADOR DO RS ELOGIA A AÇÃO DA POLÍCIA.

Governador fascista: Tarso, você NÃO NOS REPRESENTA.


Mais uma vez, PT envergonhando os trabalhadores.


Por MARIA, L.P. 

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