sábado, 29 de junho de 2013

Mais uma sobre o que eu ando pensando a respeito da polícia

Esse é o relato do ato do dia 17 de junho em Porto Alegre!

Durante um dos atos que participei na capital gaúcha, sociologicamente pude fazer uma série de observações. Certa vez um colega do doutorado, me disse que iria para os atos prioritariamente para observar e aproveitar e escrever algo sobre. Não compreendia isso, até ter a oportunidade de ficar em uma manifestação – de enfrentamento durante um bom tempo.
Reconheço que sou caloura em termo de manifestações de grande contingente. Mas isso não é nenhuma novidade para minha geração, entretanto consegui me movimentar e raciocinar mais rápido que alguns dos meus companheiros de luta, que como eu não estão acostumados em participar de uma grande atividade e ter que fugir da polícia na sequência.

Na concentração do ato, no Paço da Prefeitura de Porto Alegre, encontrei alguns camaradas, distribuímos adesivos e apitos. Alguns tinham seus cartazes e bandeiras. Procurei ir de mochila, pois ali levava as bandeiras dobradas, algum material, água e vinagre. Até então não havia presenciado enfrentamento, mas como sabia do rumo das coisas, fui precavida.

Ao logo do ato, tivemos alguns debates com manifestantes que queriam que baixássemos nossas bandeiras. Soumilitante da juventude do PSOL, e me recuso a baixar minha bandeira: essa é a bandeira que me representa, pela qual luto, do partido que construo. Entendo que ela pode não representar a todos, mas essa bandeira não estava a frente de todos, estava sendo carregada por mim e por companheiros, assim como diversos cartazes levados também não me representam. E eu os respeito.

Sobre o “sem partido”, o PC Siqueira tem um vídeo muito legal no seu canal do youtube, explicando quem defende esse discurso e o motivo. Muito didático e vale a pena conferir.

Mas em especial em POA é preciso reconhecer e respeitar que quem entrou com a liminar que fez com que o valor da passagem retornasse aos R$2,85 foram os vereadores do PSOL.
Respeito quem não tem partido, mas votar é preciso. É preciso tomar partido. Parto do princípio de que quando não estamos satisfeitos com algo, precisamos construir a mudança que desejamos. Nos partidos políticos (democráticos) também é assim que a coisa anda.

Continuando a marcha:  haviam dois adolescentes da periferia (bairro Rubem Berta) conosco, a menina de 17 anos e seu primo de 12. Orientei que se fosse necessário correr, que me seguissem. Eles acharam engraçado, mas quando as primeiros fogos de artifício foram atirados, e muita gente correu, eles entenderam o que eu disse.

Na esquina da Av. João Pessoa, com a Av. Ipiranga, a tropa de Choque da PM cortou a marcha e nos cercou, na quadra da Zero Hora. Ficamos ali durante algum tempo, suficiente para abastecer os nossos com vinagre em seus lenços e mantas, recolher as bandeiras, e nos organizar, pedindo para que as pessoas não dispersassem, não corressem e não se apavorassem.

Mas o esperado aconteceu. Enquanto o Bloco de Lutas se esforçava para manter a marcha coesa, alguns presentes sentavam no chão, a polícia atira bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Os que estavam no meio e no final da marcha não faziam idéia do que acontecia na linha de frente, mas entravam em pânico. Vários corriam, alguns passavam mal e eram pisoteados, outros, quebravam o que viam pela frente.
Alguns dos nossos também passaram mal, outros estavam muito assustados, pelo clima de guerra e pela falta de noção do que realmente estava acontecendo. Assim nos retiramos, para assegurar que os nossos pudesse dispersar em segurança. Fiquei pela cidade baixa, no estúdio de um amigo, na Lima e Silva, rua por onde a marcha subia. Pudemos observar de onde estávamos alguns containeres sendo virados, pessoas correndo, desespero, violência.

Vi a polícia atacar os manifestantes sem motivos.
Vi manifestante virando objetos para atrasar a ação da polícia.
Vi pessoas quebrando coisas, para atiçar a polícia.
Vi a polícia com ódio nos olhos.
Vi que a polícia que mata na favela, é a mesma que permite atos de vandalismo e violência para enquadrar lutadores.
Vi o ódio do governo, nos olhos da polícia.

Tive muito medo daquilo que vi.
Mas reconheci viver um momento privilegiado da história do nosso país, nas ruas, ocupada por aqueles que não saiam da frente do computador. E perceberam que a realidade é bem mais cruel que parece.

A luta é acontece nas ruas. E nós precisamos construir as mudanças que queremos. Lutando.

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem" (Rosa de Luxemburgo)



Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vândala, é a polícia

Porto Alegre, 27 de junho de 2013.

Uma noite fria, chegamos a Praça da Matriz.
Bonito Ato. Carro de som, banda, falas politizadas, bandeiras, militantes e ativistas.
Bonito Ato.

Estamos com nossos cartazes, faixas, adesivos, em meio à multidão, participando do manifesto.  Bonitas fotos.

Eis que chega um grupo (facista) com faixas do Acorda Brasil. Com algumas palavras de ordem reacionárias, até que começam a pedir para o carro de som parar e entoam o hino riograndense. Gritamos “não, não, não”.  Acreditamos que a luta é internacional, e somos contra esse regionalismo desse discurso, sobretudo quando dizem “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, devido ao peso escravagista que essas palavras carregam. Simples. Elementar. NÃO NOS REPRESENTA.
O fato, que ao reagirmos, eles logo enrolaram a faixa e foram embora. Direita (paga) declarada. Militante, não baixa sua bandeira, pois luta por ela.

Mais tarde, percebemos a presença de mais um helicóptero: estranho. Com palavras como “Acorda Brasil”, “Sem partido”, “respeitem a polícia, eles promovem nossa segurança” e “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Quer dizer, a direita reacionária e fascista (que sabemos que têm dinheiro) bancando helicóptero para intervir em um ato popular. NÃO NOS REPRESENTA.

Ai, os helicópteros da polícia começaram a voar baixo. Entre discussões e papos legais, um bonde nos cerca. Pois é: enquanto debatíamos com uma mulher que reconhecia que a manifestação só acontecia pelo fato de que a polícia “nos libertou, para manifestar, senão nos quebraria”. NÃO NOS REPRESENTA.
Enquanto isso, o bonde tentava “intervir”.

Enquanto isso, um cara de cabeça raspada, me olha. Quando um dos meninos olha pra ele (ressalto que este menino é gay) ele chega perto e diz “se tu me olhar de novo, te quebro todo”. E segue encarando a mim = mulher negra.  

Logo, a PM começo a jogar suas bombas. Exatamente: O comando da POLÍCIA DE TARSO resolveu que o ato deveria acabar. E assim o foi: finalizado com bombas. NÃO NOS REPRESENTA.
Com o correrio, os bondes desceram, e assim que os manifestantes dispersaram, eles voltaram e começaram a quebrar tudo. TUDO!
O careca de antes, chega perto de nós, e olha para nosso camarada e diz “esse quem eu vou quebrar”.

Desce a Choque, a Cavalaria, enquanto as ruas vizinhas estão todas cercadas.
Os manifestantes assustados com a intervenção violenta e opressora da polícia, se apavoram também com a ação dos bondes que quebravam tudo que viam pela frente. ABSOLUTAMENTE TUDO. NÃO NOS REPRESENTA.

Pela Cidade Baixa (bairro ao lado do Centro de POA), nossa dirigente vai até a PM e avisa que há bondes na rua paralela, enquanto a Choque dispersa os manifestantes que estão no final do ato. Eis que a PM ignora completamente, pois a orientação é oprimir manifestante, não os bondes.

Relato um pouco dessa experiência, pois sai do ato com a juventude da organização da qual faço parte e defendo suas bandeiras. Relato, pois A POLÍCIA DE TARSO NÃO NOS REPRESENTA. Vândala, é a polícia, fascista é o governo do estado que elogia e estimula este tipo de ação, para poder criminalizar na mídia a ação popular.  Algumas pessoas que dizem “apoio o movimento, mas enquanto houverem esses anarquistas vandalizando, não vai pra frente!”. Pela primeira vez, lamentei não ter encontrado nenhum anarquista.

Vou me embora, certa que nossos militantes estão em segurança e acompanho o conflito pelo rádio: TARSO GENRO, GOVERNADOR DO RS ELOGIA A AÇÃO DA POLÍCIA.

Governador fascista: Tarso, você NÃO NOS REPRESENTA.


Mais uma vez, PT envergonhando os trabalhadores.


Por MARIA, L.P. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Contradição injusta essa

Uma vez ouvi:
- Prefiro estar sozinho no dias dos namorados, que acompanhado no carnaval.


Até concordei, certa feita.

A questão é:
- É justo passar o carnaval acompanhado e o dia dos namorados sozinho?

Contradição injusta essa, galego.

Lamentações de 12 de junho: detesto postar essas coisas bobas, não por ser dia dos namorados, mas porque esse coralção leviano, está muito entristescido...


"Ah, coração leviano não sabe o que fez com o meu..."


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Dor e sofrimento

Te permite ser feliz, meu amor.
Viver em dor e sofrimento, te têm sido uma opção.
Tens outras opções.
Muito embora às vezes pareça, a vida não é feita de dor e sofrimento.
Te permita ser feliz. 


Foto de Caroline Lima



"Sofrimentos pra alguns é ser feliz 
Pra quem nunca teve nada, um sonho é tudo que quis"  


(Bitterusso Champagne - O Rappa)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fim das contas, vale a pena...

Hoje, em minha sala apareceu uma aluna da escola.
Esta menina, estudante da 8ª série, eu venho acompanhando através de um dos grupos de jovens da instituição.

Entre outros assuntos, ela chegou me perguntando se eu estava sabendo da situação da Turquia.

Hávárias jovens como a "mulher de vermelho" nos protestos da Turquia

Governoturco tenta amenizar crise provocada por protestos de rua

Fiquei embasbacada, em relação a preocupação dela sobre a conjuntura internacional, pela violência do Estado e a repressão dos aparelhos ideológicos no Brasil e no mundo.
Superada minha surpresa, discutimos um pouco essas relações políticas... mas reconheço que fiquei feliz com esse dialogo.

Acredito na profissão que escolhi, mas sobretudo na função social de ser professora.
E duro, mas nesses momentos percebo que realmente vale a pena.


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mudar

Há dias sem nada postar.
A rotina tem me sugado, falta tempo, falta inspiração.

Há um mês fiz minha mudança para a capital.
Lidar com as mudanças de vida e de rotina, não têm sido fácil.
Tinha dimensão do que me esperava ao sair de casa, mas efetivamente só nos damos conta, quando vivemos a mudança.
Passei pelo exame de qualificação do mestrado, que apesar do meu pânico e desespero, foi bem mais tranqüilo que eu esperava.
Além de dividir a casa com uma amiga, tenho dividido a vida com alguém. Essa realmente era uma mudança que não estava em meus planos.

Planejamos mudanças, mas as mudanças não nos contemplam em seus planos.
Mudanças.
Mudar. Andanças.
Mudar as andanças.
Amar as mudanças.
Mudar os amores.
Amar as andanças.
Mudar as mudanças.




Por MARIA,L.P.