sábado, 27 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Hey vc ai parado: ato contra o aumento das passagens!



Foto de Caroline Lima


Também estive presente Ato contra o aumento das passagens em Porto Alegre em 23 de abril, e junto de nós estava um menino que cursa a sexta série e estava mais mobilizado e consciente da necessidade de continuarmos organizados na luta, pela garantia dos nossos direitos. Essa presença foi muito importante... jovem, consciente e se organizando!



O fato de ter conquistado a liminar, ainda não nos assegura contra o aumento, muito embora o TCE tenha considerado que 2,60 é valor suficiente para a manutenção do transporte em POA.

Discutíamos justamente a necessidade de se manter organizado. Tivemos uma vitória, que deve nos motivar a seguir em luta... não podemos nos retirar de pautas importantes como as que vem surgindo recentemente, mas sobretudo é necessário que estejamos organizados e mobilizados para os enfretamentos que ainda virão com a Copa.
Para quem achou que era muita polícia e que a abordagem foi truculenta, preparem-se pois com a Copa, vamos todos ser brutalmente esmagados e enquadrados por terrorismo. Isso mesmo, terrorismo.

O cartunista Lattuf ao comentar o Ato ocorrido em Poa, além de fazer vários destaques importantes sobre a necessidade de estar organizado e mobilizado, pois o que nos espera à frente, é bem maior e complexo. Segundo Latuff (assista vídeo)


Qualquer um pode ser considerado terrorista. E cuidado, que é através desse discurso da segurança que se vai minando os direitos individuais!

Importante lembrar!

Hey você parado, também é explorado!

Hey, você parado, vai ficar esperando ser considerado terrorista para se mexer?


Por MARIA,L.P.

sábado, 20 de abril de 2013

Sim, somos...

"Não te fieis em ninguém.
Somos todos canalhas."

De Hamlet, Shakespeare

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Permaneço entre a serpente e a estrela, e só o tempo saberá dizer, até quando!


Eis meu passado que me bate a porta.
Ele insiste em me assombrar.
Como me livrarei de tais assombros?
 
Prezado passado, cá estou. Com minhas fraquezas e teimosias, com minhas virtudes e alegrias.
Mudei em muitas coisas, tomei decisões, fiz escolhas.
Meu corpo e minh’alma já não são mais os mesmos.
Mas meus demônios ainda os são.


Livrai-me destes males. Mas não direi amém. Sei que ainda me perseguirá, pretérito imperfeito.

 Toco a vida prá frente
Fingindo não sofrer
Mas o peito dormente
Espera um bem querer...
E sei que não será surpresa
Se o futuro me trouxer
O passado de volta
Num semblante de mulher...

O passado de volta
Num semblante de mulher
....”

Permaneço entre a serpente e a estrela, e só o tempo saberá dizer, até quando!


Por MARIA,L.P.





segunda-feira, 15 de abril de 2013

“MINHA EMPREGADA É COMO SE FOSSE DA FAMÍLIA”

Texto meu, no Blogueiras Negras, hoje 15 de abril.


por Letícia Maria
Vi este texto, com vários outros comentários, destaquei este:
“Minha empregada é como se fosse da família.”
Pergunta: ela vai dividir a sua herança com seus filhos?
[...]
Todos esses foram comentários que li por aí nas notícias sobre a tardia equiparação dos direitos das domésticas com os de todas as outras categorias. A gente já sabia que essa relação no Brasil era assim, mas não dá pra não ficar chocado com tantas manifestações sem noção. Parece que pra classe média brasileira as domésticas tinham mais é que ser gratas por abrirem mão das suas vidas pessoais pra servirem seus(uas) patrões(oas), tão bondosos e caridosos.” (Léo Moraes)
Repliquei, adicionando o comentário:
“Praticamente da família”, tenho vontade de vomitar quando ouço isso.
Pior, agora os filhos da empregada (quase da família) na universidade. É pra matar a dona patroa. Que morra então!
Aos que não sabem, sou filha de empregada doméstica. Minha mãe atualmente está sem trabalhar, dois anos depois de sofrer um acidente. Quando o acidente ocorreu, ela já não mais trabalhava como doméstica, por último ela era serviços gerais de uma grande empresa (serviços gerais = limpeza). Mas ela foi empregada durante anos: durante minha infância e minha adolescência.
Quando era criança, durante as férias, ela me levava junto para o trabalho. Lá, eu podia tomar banho de piscina e ajudar ela em algumas tarefas, onde normalmente, eu ajudava com os vidros (que eram muitos, ao longo dos três andares de uma casa). Na adolescência, quando eu queria muito uma roupa nova, para uma festa ou coisa do tipo, também fazia isso, assim poderia tirar uns 15 ou 20 reais para comprar uma blusa.
A mãe nunca teve restrições para que eu a ajudasse, mas sempre deixou claro que eu não devia seguir sua profissão, pois ela era degradante e desumana. Sempre.
Com 14 anos, resolvi que eu iria mudar de escola. Decidi que sairia da escola estadual, e iria para uma escola privada, pois precisava garantir que teria boas condições de ter um emprego. Do alto da sua fortuna, minha mãe me deu todo material escolar (incluindo livros e uniforme) enquanto, meu pai (que trabalhava como calderista em uma empresa de borracha) pagou minha matricula: resolvi ser professora e fui estudar em uma escola bem conceituada da cidade.
Nós tínhamos grandes dificuldades de entender como as coisas funcionavam na escola, e procuramos todas as opções possíveis de pessoas e informações que pudessem nos ajudar, a ir atrás de descontos, comprar livros usados, essas coisas.  A patroa da mãe, na época, também era professora. Sugeriu que eu fosse para outra escola estadual que também tinha magistério. Na época, a escola era considerada ruim em relação à qualidade do curso e a aceitação no mercado. Até hoje não sei se ela quis realmente me ajudar, ou se ela não queria ‘gente como eu’ em uma escola, como a do filho dela.
A filha da empregada estudando com o filho do patrão. Imagina!
Antes das aulas começarem, eu já tinha conseguido quase todos os livros usados (uns ganhados, outros paguei bem pouquinho), consegui desconto e minha mãe pagou meu primeiro ano na escola. Sim, com sua fortuna de doméstica. Com o desconto, a mãe conseguia pagar minha mensalidade e minha passagem. A partir do segundo ano, comecei a trabalhar. Paguei todo meu curso, assim como paguei minha graduação. Não pude ser contemplada pelo prouni ou pelas cotas, por ser estudante de escola privada.
Enquanto minhas amigas se vestiam bem, iam para o shopping passear, eu trabalhava para pagar a escola. E quando queria sair com elas, limpava vidros para poder pagar. Sempre tive tudo para seguir no ramo da mãe, mas tive uma família com discernimento suficiente para me estimular a estudar e ir à luta por aquilo em que eu acreditava. Hoje temos condições de vida razoáveis porque meus pais ralaram durante anos para isso. E eu também.
Estudei na mesma universidade que o filho dapatroa. Agora com a PEC das empregadas domésticas a burguesia se agita. De novo.
Tem patroa achando injusto ter que pagar direito trabalhista.
Afinal, elas são praticamente da família.
Já passou da hora! Esta PEC vem mostrar que já passou da hora de parar de explorar o trabalho da mulher (na sua maioria negra) de forma tão injusta e mesquinha. Sabemos que o Brasil (em sua tradição escravocrata) ainda é o país que mantém o maior numero de empregadas domésticas no mundo, em torno de 7,2 milhões de pessoas, 83% delas, mulheres. Em torno de 70% dessas, são negras. Mas apenas cerca de 10% delas são contempladas pelos direitos trabalhistas. Luana Tolentino ao escrever a Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás, sinaliza algo.
Achou injusto, patroa?
Minha mãe se considerava da família, até a patroa desconfiar dela. A mãe foi demitida, e depois teve muitas dificuldades em se adaptar em outras casas, por isso passou para os serviços gerais. Não havia envolvimento emocional. A mãe é minha. Ela nunca fez parte da família da patroa.
Charge por Carlos Latuff
 Não gostou, patroa? Pega a vassoura e te vira!
Letícia Maria - Historiadora, mestranda em Ciências Sociais, motociclista e militante.
Escreve algumas insanidades em Memórias de uma Motoqueira Solitária 


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um relato sobre cabelos crespos quimicamente tratados

Este texto foi escrito para o Blogueiras Negras, em 04 de abril, mas também foi postado em Gelédes Insituto da Mulher Negra, em 08 de abril.
 

Um relato sobre cabelos crespos quimicamente tratados


Por Leticia Maria

 Certamente o cabelo é algo importante para toda mulher.
Crescemos e somos criadas ouvindo que o “cabelo é o molde do rosto”.  Precisamos ter um cabelo sedoso, macio, cheiroso, liso… ops, liso?

Sim, de acordo com os padrões, o cabelo liso é um quesito para um cabelo bonito.

Como a maioria das adolescentes, detestava os meus cabelos. Ouvia na escola que meu cabelo era feio, era grosso, era ruim.

O pior de tudo, é que durante muito tempo, eu realmente acreditei.

Aos 9 anos usei relaxamento pela primeira vez. Aos 12 alisei e comecei a pintar – usei o famoso “henê” até os 15 anos, quando praticamente todo meu cabelo caiu. As fortes químicas usadas afetaram de tal forma meu cabelo, que acabei usando um “aplique” para poder fazer um penteado em minha festa de 15 anos.

Parei de usar henê. Mas voltei a alisar e pintar com cores claras, vermelhos, Borgonha, caju.

Durante meu ensino médio, meu cabelo mal alcançou o comprimento dos ombros, em razão das muitas químicas que eu usava seguidamente.

Eu não era feliz com meus cabelos.

Com 17 anos, resolvi alongar meus cabelos, e coloquei tranças – até a metade das costas. Fui feliz por um tempo, com cabelos longos, fáceis de lidar, simples de cuidar. Mas a manutenção era doída: além de levar horas – em média, mais de 6h – ficava durante dias com dores insuportáveis no couro cabeludo.


Depois disso resolvi dar um tempo, parar com as químicas – aos 18 anos.

Deixei meu cabelo ao natural por uns dois anos.

Já na universidade, voltei a usar relaxamento – para abrir os meus crespos. Me incomodava por eu sempre usava meus cabelos amarrados, não os via crescer.

Voltei a pegar o gosto pela coisa, e voltei a pintar novamente, de preto.

Tive várias fases no uso do relaxamento, até parar de pintar de preto e colocar vermelho.

Até que um belo dia, durante um Fórum Social Mundial, em 2010, coloquei um dread. Amei usar aquilo, me empoderei da minha negritude de tal forma que alguns meses depois coloquei mais um.
Estava feliz com meus cabelos, avermelhados, encrespados, com dois dreads. 

Fui pressionada a cortar meus dreads, por motivos profissionais. Voltei a achar meus cabelos sem graça alguma.

Ai, fui convencida por uma cabelereira que eu deveria usar progressiva: com este tratamento, meu cabelo ficaria como eu quisesse, meus crespos ficariam moldados e fáceis de fazer chapinha.

Ledo engano.

Perdi muito cabelo novamente e entrei em desespero.  Voltei a usar tranças para que me cabelo crescesse novamente.

Depois que tirei as tranças, passei a fazer progressiva regularmente. Até que o meu cabelo ficou realmente liso, como eu sempre quis ao longo de todos esses anos usando químicas.

Ai, me dei conta que eu não queria mais ter cabelos lisos. Eu tenho cabelo crespo e quero ser assim!

Na universidade ouvi muitas vezes que eu não tinha consciência étnica, por insistir em alisar/relaxar meus cabelos. E nunca me vi dessa forma. Sempre tive muito orgulho da minha cor e da minha origem, o detalhe é que eu não era feliz com meus cabelos.

Anos foram necessários para que eu aprendesse a viver com meus cabelos.


Não se trata de ter consciência para assumir os cabelos naturais. Isso está relacionado a auto-estima. Somos submetidas a todo momento a um padrão de beleza ao qual jamais faremos parte, por mais que passemos as nossas vidas correndo atrás da roupa da moda, do cabelo da hora, dos acessórios da estação.


Quem começou essa leitura sobre cabelos quimicamente tratados, imaginou que alguma receita viria. A única receita, que posso oferecer, car@ leitor@ é que se olhe no espelho e descubra a beleza que a natureza lhe ofereceu, seja ela como for. Não é necessário que sigamos um padrão, um modelo, não precisamos ser tod@s iguais… sabemos que aceitar nosso cabelo, em uma sociedade marcada pelo racismo há mais de 400 anos é – no mínimo – um desafio.




Mas é um desafio que vale a pena: sou negra e linda, não porque alguém me disse, mas porque estou convencida disso!

Letícia Maria
Historiadora, mestranda em Ciências Sociais, motociclista e militante.
Escreve algumas insanidades em Memórias de uma Motoqueira Solitária

sábado, 6 de abril de 2013