quarta-feira, 27 de março de 2013

Garantia de direitos não é privilégio


Recebi um comentário anônimo sobre o post de 15 de julho de 2012 – Realmente precisamos de um dia dohomem?,de alguém que prezando pela igualdade, fez um comentário extremamente preconceituoso.
Demorei a publicar o comentário, pois o achei muito sem noção, mas não queria deixar de publicar, a fim de pensar sobre o que esse anônimo comenta, e por isso e publiquei assim que pudesse escrever uma postagem em resposta.

O comentário foi o seguinte (retirei os links, pois não vou divulgá-los):

"Sou totalmente a favor da igualdade de sexo, e para isso, não vejo problema nenhum ter um dia do homem.
Se é para sermos iguais não podemos privilegiar qualquer minoria, o nome disso é "tapar o sol com a peneira". Há um vídeo na internet sobre o que o ator Morgan Freeman acha do "mês da consciência negra", eu penso a mesma coisa com relação às mulheres! (Ver link abaixo)
Sem contar que o dia do homem NÃO seria um dia inútil. Deixo abaixo um link sobre o papel do homem na sociedade, e verás que com o passar dos tempos os homens vêem tendo seu papel diminuído. Isso é bom para as mulheres terem seu espaço, mas o que está acontecendo é que estão deixando-os de lado! Não há políticas públicas sobre prevenção de doenças ou contra o suicídio. Bom, é isso. Só acho que é interessante, para que tenhamos uma real igualdade, que desfrutemos dos mesmos direitos e deveres."


Pra começar, não estamos falando em privilégios, considerando que buscamos a garantia de direitos aos quais não temos assegurados. Como nos diz o texto alusivo ao 21 de março, de Raiz do Samba:

"21 de março: Dia internacional contra a discriminação racial. E aí, Morgan Freeman, enquanto ator famoso e conceituado, você não poderia nos dizer como esse dia também é desnecessário, já que todos somos humanos e iguais perante a  lei ou Deus?
[...]
É sempre um tal de comentários ignorantes sobre a possibilidade de haver um dia da consciência branca seria repudiado, mas pelo negro pode, como se fosse uma regalia, não um gesto contra esse mesmo tipo de preconceito bobo e infantil. Até porque nunca ouvi falar de milhões serem sequestrados e roubados da Europa, por exemplo, pra serem humilhados do outro lado do mundo vivendo abaixo dos animais na pirâmide social."


Tapar o sol com a peneira. 
Honestamente, não sei o que queres dizer com isso, se és a favor da igualdade.
Quando reivindicamos direitos, não queremos igualar homens e mulheres, que são diferentes (e não apenas física e biologicamente) – mas reivindicamos o acesso igual aos direitos. E isso, meu caro anônimo, não temos. 

Eu vejo problema em ter um dia do homem - como pode perceber com a leitura do outro texto - quando todos os dias do ano não se reflete sobre os demais. Homem, heterossexual, branco, cristão é um padrão social instituído, e não queremos lutar contra esses indivíduos, mas lutamos contra a imposição padronização de um padrão ideal. O dia internacional da mulher, surgiu em favor de uma luta de garantia de direitos, onde mulheres morreram por exigir direitos trabalhistas. O fato é que mulheres ainda morrem por isso, e o pior, esses direitos muitas vezes não são assegurados: por exemplo, as trabalhadoras do magistério e domésticas – duas classes maciçamente femininas, que não têm a maioria dos direitos garantidos, como piso salarial (magistério) e a previdência social (domésticas).

Caro leitor, o dia do homem é SIM um dia inútil, considerando que o fato de ser homem não os coloca em relação inferior com a mulher. Já ao contrario, a recíproca e bem séria.

Em relação a programas de prevenção a doença prioritariamente masculinas, é o único ponto em que temos consenso. Concordo contigo que é necessário, sobretudo em razão da ignorância da falta de informação que impede – em sua maioria – de procurar prevenção e tratamento. Mas sou favorável porque os diferentes tem distintas peculiaridades, e isso não pode  deixar de ser levado em consideração jamais.

Sobre o vídeo de Morgan Freeman, sobre o mês da consciência negra, não vou nem comentar, pois além de ser exibido sempre recortado, ele nega a luta e o sacrifício da vida de milhares por acesso igualitário a direitos.

Para encerrar, não quero que entendam que eu boicoto comentários, até porque realmente me interessa saber o que os leitores acham dos meus escritos. No entanto, não permitirei que se dissemine preconceito e intolerância nesse blog, para isso ele é moderado.

E lembre, garantia de direitos não é privilégio.
Comentem!

Por MARIA,L.P.

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