domingo, 31 de março de 2013

Pessach

"Não exista nada inerente ou essencialmente sagrado nas coisas. Os artefatos e idéias são sagrados apenas porque são simbolizados e representados como tais.” (Silva, 2001, p.41)



...


“Tentei ser crente, mas meu Cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, no meio daquela luz...”

(Trecho de Meu mundo é o Barro – O Rappa)



Aproveitem a Pessach!

Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Garantia de direitos não é privilégio


Recebi um comentário anônimo sobre o post de 15 de julho de 2012 – Realmente precisamos de um dia dohomem?,de alguém que prezando pela igualdade, fez um comentário extremamente preconceituoso.
Demorei a publicar o comentário, pois o achei muito sem noção, mas não queria deixar de publicar, a fim de pensar sobre o que esse anônimo comenta, e por isso e publiquei assim que pudesse escrever uma postagem em resposta.

O comentário foi o seguinte (retirei os links, pois não vou divulgá-los):

"Sou totalmente a favor da igualdade de sexo, e para isso, não vejo problema nenhum ter um dia do homem.
Se é para sermos iguais não podemos privilegiar qualquer minoria, o nome disso é "tapar o sol com a peneira". Há um vídeo na internet sobre o que o ator Morgan Freeman acha do "mês da consciência negra", eu penso a mesma coisa com relação às mulheres! (Ver link abaixo)
Sem contar que o dia do homem NÃO seria um dia inútil. Deixo abaixo um link sobre o papel do homem na sociedade, e verás que com o passar dos tempos os homens vêem tendo seu papel diminuído. Isso é bom para as mulheres terem seu espaço, mas o que está acontecendo é que estão deixando-os de lado! Não há políticas públicas sobre prevenção de doenças ou contra o suicídio. Bom, é isso. Só acho que é interessante, para que tenhamos uma real igualdade, que desfrutemos dos mesmos direitos e deveres."


Pra começar, não estamos falando em privilégios, considerando que buscamos a garantia de direitos aos quais não temos assegurados. Como nos diz o texto alusivo ao 21 de março, de Raiz do Samba:

"21 de março: Dia internacional contra a discriminação racial. E aí, Morgan Freeman, enquanto ator famoso e conceituado, você não poderia nos dizer como esse dia também é desnecessário, já que todos somos humanos e iguais perante a  lei ou Deus?
[...]
É sempre um tal de comentários ignorantes sobre a possibilidade de haver um dia da consciência branca seria repudiado, mas pelo negro pode, como se fosse uma regalia, não um gesto contra esse mesmo tipo de preconceito bobo e infantil. Até porque nunca ouvi falar de milhões serem sequestrados e roubados da Europa, por exemplo, pra serem humilhados do outro lado do mundo vivendo abaixo dos animais na pirâmide social."


Tapar o sol com a peneira. 
Honestamente, não sei o que queres dizer com isso, se és a favor da igualdade.
Quando reivindicamos direitos, não queremos igualar homens e mulheres, que são diferentes (e não apenas física e biologicamente) – mas reivindicamos o acesso igual aos direitos. E isso, meu caro anônimo, não temos. 

Eu vejo problema em ter um dia do homem - como pode perceber com a leitura do outro texto - quando todos os dias do ano não se reflete sobre os demais. Homem, heterossexual, branco, cristão é um padrão social instituído, e não queremos lutar contra esses indivíduos, mas lutamos contra a imposição padronização de um padrão ideal. O dia internacional da mulher, surgiu em favor de uma luta de garantia de direitos, onde mulheres morreram por exigir direitos trabalhistas. O fato é que mulheres ainda morrem por isso, e o pior, esses direitos muitas vezes não são assegurados: por exemplo, as trabalhadoras do magistério e domésticas – duas classes maciçamente femininas, que não têm a maioria dos direitos garantidos, como piso salarial (magistério) e a previdência social (domésticas).

Caro leitor, o dia do homem é SIM um dia inútil, considerando que o fato de ser homem não os coloca em relação inferior com a mulher. Já ao contrario, a recíproca e bem séria.

Em relação a programas de prevenção a doença prioritariamente masculinas, é o único ponto em que temos consenso. Concordo contigo que é necessário, sobretudo em razão da ignorância da falta de informação que impede – em sua maioria – de procurar prevenção e tratamento. Mas sou favorável porque os diferentes tem distintas peculiaridades, e isso não pode  deixar de ser levado em consideração jamais.

Sobre o vídeo de Morgan Freeman, sobre o mês da consciência negra, não vou nem comentar, pois além de ser exibido sempre recortado, ele nega a luta e o sacrifício da vida de milhares por acesso igualitário a direitos.

Para encerrar, não quero que entendam que eu boicoto comentários, até porque realmente me interessa saber o que os leitores acham dos meus escritos. No entanto, não permitirei que se dissemine preconceito e intolerância nesse blog, para isso ele é moderado.

E lembre, garantia de direitos não é privilégio.
Comentem!

Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Lápis cor de pele. Pele de que cor?


Hoje andava pelos corredores da escola, e uma professora me chamou, pedindo um ‘socorro’.
Ela me contou apavorada que uma criança em sua sala chorava. Como eu conhecia bem a sua turma, pois havia trabalhado com eles no ano anterior, ela pediu para que eu a ajudasse em uma situação com a qual ela não sabia como agir:
Uma aluna (negra “parda”) brigou com um colega (negro também), pois não queria ser amiga dele. Motivo: a cor dele era feia.
Sim, ela brigou com o colega por ele ser negro, sendo que ela também o era, mas um detalhe importante – ela chorava e dizia ‘eu sou branca’. As crianças são do terceiro ano do Ensino Fundamental.
A professora me procurou para ajudar não apenas porque eu sou uma professora de discurso assumidamente negro, mas porque trabalhei questões raciais em sala de aula (voltados ao Ensino Religioso) em todas as minhas turmas. No ano passado, as turmas nos trouxeram um bom retorno sobre relações raciais em sala de aula, mas esse dois alunos envolvidos são novos na escola.

A professora amenizou a situação, mostrando que ambos eram bonitos, tinham cor de pele e cabelos bonitos, assim como os demais colegas (brancos).
A realidade é que temos pouquíssimos estudantes negros na escola, pois trabalho em uma escola privada– que recebe os filhos dos maiores figurões da cidade. Logicamente, podemos contar os negros na escola.

Como fiz meu Ensino Médio Técnico em escola privada, sei como é ser uma menina negra nesse contexto. 
Somos poucos. 

Entretanto, algum possível leitor desinformado vai dizer “mas a racista era negra”. Eu digo que não. Certamente ela teve uma (ou várias) atitude(s), que reproduzem uma mentalidade racista. Mas ela também é vítima desse discurso.
Racista é o discurso que coloca o negro em posições sociais subalternas, que afirma que a sua cor é “feia”, que suas características físicas são inferiores.
Mas esse discurso não é de uma criança de 8 anos. Ele é reproduzido por ela.
Essa criança é submetida diariamente a um discurso que faz com que ela se convença que precisa ser branca para ser bonita, e que o feio é o outro – mesmo que o outro seja parecido com ela.

Canso de me deparar com situações complicadas na escola, apesar de não ter passado por nada tão ‘tenso’.  Fiz uma série de atividades no mês da Consciência Negra e todas as turmas curtiram. Difícil foram as vezes em que as cotas entraram no debate no Ensino Médio, quando me deparo com jovens que se sentem roubados por negros cotistas. É duro.

Mas duro mesmo foi receber essa notícia, da menina agredida por ser negra

Quando a professora da turma em que ocorreu essa situação me chamou, ela ainda comentou: “eu imaginei que isso não pudesse acontecer hoje em dia, como era quando eu estava na escola”. A linguagem mudou, com a criminalização do racismo, mas o discurso não.

Veja bem o lápis cor de pele. 

Sempre que proponho alguma atividade em sala de aula que envolva o uso de lápis de cor, sempre entro nesse debate: lápis cor de pele. Pele de que cor?
Não se repararam, mas o que as crianças chamam cor de pele é um laranja, meio rosa...  cor que eu, pessoalmente nunca vi na face de ninguém que não seja a Barbie.
As peles podem ter muitas cores, a minha por exemplo, não é preta, apesar de me declarar negra. Minha pele é marrom, nem rosa, nem laranja nem preta. Mas quando uma criança usa um lápis preto ou marrom, ela é olhada com estranhamento, por colegas e professores. Pintar um rosto de preto no desenho não é preconceito, é ser original. Não é preciso ter medo ou receio, assim como não se pode haver repreensão por parte do adulto. Deixa-se pintar, somente.

Se essa criança – a menina negra que se declara branca – fosse estimulada a se ver e se assumir como tal, certamente ela seria uma criança mais feliz, sem complexos, sem preconceitos.
Certamente ela poderia usar a cor que quisesse em seus desenhos.

Por MARIA, L.P.



quarta-feira, 20 de março de 2013

Nota de repúdio ao trote racista e sexista da Faculdade de Direito da UFMG

A Humanidade, se fosse uma pessoa, envergonhar-se-ia de muita coisa de seu passado; passado este que contém muitos episódios verdadeiramente abjetos. Enquanto humanos, faríamos minucioso inventário moral de nós mesmos; enquanto partícipes do que convencionamos chamar ‘Humanidade’, relacionaríamos todos os grupos ou pessoas que por nossas ações e omissões prejudicamos e nos disporíamos a reparar os danos a eles causados.

Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo, não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.
Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano, são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores; os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos); procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.

O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.716/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei 9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.716/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.

O que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetrados. O que seria motivo de vergonha vem ganhando o espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara ‘Democrático de Direito’; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).

Trote racista na faculdade de Direito da UFMG. Foto compartilhada no facebook por Thomaz Reis.
Trote racista na faculdade de Direito da UFMG. Foto compartilhada no facebook por Thomaz Reis.

Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.

A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês podem ler aqui: Trote com saudação nazista provoca acusações de racismo na UFMG.

Mas não é só: infelizmente nesses últimos meses, tomamos contato com episódios igualmente repulsivos ocorridos em universidades: na Politécnica (Faculdade da Universidade de São Paulo, também mantida com recursos públicos), vimos alunos divulgarem uma gincana, onde uma das ‘provas’ era algo cometer assédio sexual.

Trote da USP incentiva os alunos a cometerem assédio sexual.
Gincana da Poli incentiva machismo e revolta estudantes.

E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos) , agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.

Grupo protesta contra trote machista e é agredido na USP São Carlos.

Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada ‘Ética’), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito ‘Direitos Humanos’.

Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.
E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.

Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.
Nós somos negros; nós somos mulheres; nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência; que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e exigiremos o seu cumprimento.

Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal ‘brincadeira’repulsiva, lembramos:
‘Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus’ -
‘Onde não existe justiça não pode haver direito’.

Assinam o presente,

Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte – http://bhemciclo.org/
Ativismo de Sofá – http://ativismodesofa.blogspot.com.br
Bidê Brasil – http://bdbrasil.org/
Biscate Social Club – http://biscatesocialclub.com.br
Blogagem Coletiva da Mulher Negra – http://blogagemcoletivadamulhernegra.wordpress.com
Blogueiras Feministas – http://blogueirasfeministas.com
Blogueiras Negras – http://blogueirasnegras.wordpress.com
Cecília Santos – http://www.cozinhadaceci.com.br/
Centro de estudos humanistas, libertários e anarquistas – http://reinehr.org/cehla/
Chopinho Feminino – http://chopinhofeminino.blogspot.com.br/
Cinezine Cineclube – http://cinezine.com.br
Cozinha da Matilde – http://www.cozinhadamatilde.com.br/
Denise Arcoverde – http://sindromedeestocolmo.com/
Editora Artesanal Monstro dos Mares – http://monstrodosmares.com.br
Entre Luma e Frida – http://entrelumaefrida.com.br/
Escreva Lola Escreva – http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/
Feministas do Cariri – http://www.facebook.com/feministasdocariri
Gilson Moura Henrique Junior – http://natransversaldotempo.wordpress.com/
Gizelli Souza – http://twitter.com/gizasousa
Gordas e feministas – https://www.facebook.com/gordasefeministas
Homem Feminista de Verdade – https://www.facebook.com/pages/Homem-Feminista-de-Verdade/
José Ricardo D’Almeida - https://www.facebook.com/josricalmeida
Larissa Santiago – http://mundovao.blogspot.com.br/
Liga Humanista Secular do Brasil – http://ligahumanista.org/
Lucia Freitas – http://ladybugbrazil.com/
Luciana Nepomuceno – http://borboletasnosolhos.blogspot.com.br/
Luluzinhacamp – http://luluzinhcacamp.com
Machismo chato – http://machismochatodecadadia.tumblr.com/
Marcha das Vadias BH – http://slutwalkbh.blogspot.com.br/
Mulheres em Movimento Mudam o Mundo – http://mmm-rs.blogspot.com.br/
Mulheres Notáveis – http://mulheres-incriveis.blogspot.com.br/
Niara de Oliveira – http://pimentacomlimao.wordpress.com/
Ofensiva contra o machismo – http://contramachismo.wordpress.com/
Ogums Toques – http://ogumstoques.com/
Oyá Feminista – https://www.facebook.com/OyaFeminista
Preta & Gorda – https://www.facebook.com/PretaeGorda
Questões Plurais – http://questoesplurais.tumblr.com/
Rádio Caruncho Fm Livre – http://caruncho.radiolivre.org/
Renovação Negra – http://renovacaonegra.blogspot.com.br/
SlutShamingDetected – http://euescolhifornicar.com/
Transexualimo da depressão – https://www.facebook.com/transpatologico
Vertov Rox – http://we.riseup.net/vertov

sexta-feira, 15 de março de 2013

Convite para Blogagem Coletiva Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial

Texto meu pulicado hoje em BLOGUEIRAS NEGRAS

 

Convite para Blogagem Coletiva Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial


Por que 21 de março?
"Em 21 de março de cada ano, a ONU relembra o triste episódio de 1960, quando dezenas de manifestantes pacíficos foram mortos a tiros pela polícia no município sul-africano de Sharpeville, quando eles protestavam contra o apartheid."

Fonte ONU
Em memória aos militantes negros que morreram lutando, essa data foi instituída pela ONU. Essa data, como outras lembradas pelo Movimento Negro não é mais uma data festiva, muito pelo contrário: com a instituição dessa data, temos no calendário um dia garantido, com a atenção voltada às lutas dos povos negros contra a opressão e a discriminação racial.


Em razão disso, o Blogueiras Negras convida xs leitorxs a participar da I Blogagem Coletiva pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial! Para xs blogueirxs que quiserem participar, é só fazer a sua postagem, incluir ao final a seguinte frase com a imagem e compartilhar com a gente:

Blogagem Coletiva pela Eliminação da Discriminação Racial

 




Blogagem Coletiva pela Eliminação da Discriminação Racial

“ESSE POST FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA PELO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL, UMA INICIATIVA BLOGUEIRAS NEGRAS.”


Obrigada e até o dia 21!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Francisco.


 Estava cochilando no consultório, aguardando o médico e vejo na TV a fumaça branca. Depois de muito especular, o novo nome é esse: Francisco. Foi eleito o novo Papa da Igreja Católica. Argentino, o Cardeal Jorge Bergoglio (eu entendi Gregório na TV). Jesuíta, 76 anos.
 
De cara, na saudação inicial ele já aparece sorridente e simpático. Seria um novo papa populista? Sai Bento, entra Chico! Hehe... piadas a parte, para quem vem acompanhando as polêmicas envolvendo este processo de mudança na igreja católica, sabe que essa posse é envolvida em controvérsias e contradições.
Em meio a denuncias sobre o envolvimento do Vaticano em esquemas de prostituição e pedofilia, o ovo líder vem com o objetivo de unificar e sucumbir às críticas.
A mídia já noticiou que o escolhido não era um dos favoritos. Sacerdote simples, vivia na Argentina aparentemente sem luxos, envolvido com projetos sociais, virou notícia por beijar o pés de doentes de HIV/AIDS. Honestamente, pensei “grande coisa”. Todos os sacerdotes lavam e beijam os pés de pessoas na quinta feira santa. O destaque é por conta do HIV? Só falta dizer que ele “nem ficou com medo de pegar”. Me poupem. Isso não é referência para a humildade.

Há críticas sobre o envolvimento dele com a ditadura argentina, que ele estaria envolvido com o desaparecimento e morte de militantes – inclusive religiosos. Isso não me surpreenderia nem um pouco, muito embora eu conheça jesuítas que estiveram envolvidos justamente no processo contrário, de abrigar e ajudar a fugir do país procurados políticos.
 
Sou favorável a ter mais informações sobre isso, mas o envolvimento de um religioso na ditadura, não é (nem seria) alguma novidade. A igreja católica – salvo a teologia da Libertação e alguns sacerdotes mais a esquerda – foi, omisso  conivente e colaborou com o regime ditatorial da América.

Sobre isso, disse o sociólogo Fortunato Mallimacci:
 “‘A história o condena: o mostra como alguém contrário a todas as experiências inovadoras da Igreja e, sobretudo, na época da ditadura, o mostra muito próximo do poder militar’, disse há algum tempo o sociólogo Fortunato Mallimacci, ex-decano da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires.”

Outro ponto polêmico (sem nenhuma novidade ainda) foram as declarações do então cardeal contra a união homoafetiva. Isso inclusive gerou forte reação da presidente Cristina Kirchner, mas para quem conhece e acompanha a igreja, sabe que isso definitivamente nenhuma novidade. Mas não podemos esquecer que o cardeal foi assim ordenado por um papa (João Paulo II) que já tinha essa posição. Se ele fosse um grande reformista, não seria nem cardeal, pra começar.

O novo papa se destaca por ter um perfil pessoal diferenciado dos últimos, e isso é significativo, sobretudo considerando que nos próximos meses haverá uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Receio que esse diálogo se aproxime dos movimentos cristãos ultra-reacionários (acredite, além de reacionário, é possível ser ultra), através dos movimentos da juventude (que eu considero retrógrados demais) pois essa “simpatia” relacionada com as posições que vemos, podem trazer resultados desastrosos a sociedade, que em tempos de laicidade de Estado, ainda é extremamente influenciada.

Como eu já disse, em outra postagem "Ou a Igreja enfrenta os seus problemas, ou fecha as suas portas"!

O professor Lauricio Neumann, no facebook comentou:
“Em síntese, os progressistas terão um papa pastor, os conservadores terão um papa pastor e doutrinário, o povo de Deus terá um aliado chamado Francisco, isto é, uma pessoa profundamente humana. Rezemos por ele.”

 Sim, o que ainda acreditam na instituição Igreja Católica Apostólica Romana devem rezar por ele.
Aos cristãos em geral, sugiram que rezem pelos católicos.
Aos que professam fé em algo, sugiro  que rezem pela humanidade.
Aos que não acreditam em nada, divirtam-se às custas dos que acreditam. Pois ainda muitas coisas estão por vir.

No facebook

 
Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não nos dê flores!

No meio da correria, queria escrever algo especial para este 8 de março...
Em meio aos acontecimentos recentes e os intermináveis debates nas redes sociais, sobre a morte de Hugo Cháves, achei que realmente poderia escrever algo importante, sobre as lutas em geral.

Acontece que recebemos a triste notícia que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da comissão de Direitos Humanos da câmara. Esse mesmo:

Imagem do facebook - quase me sento "gente" com essa declaração
O elemento, ocupa um cargo que deveria contemplar a luta pelos direitos humanos e pelo fim das opressões é justamente um pastor evangélico que prega um discurso de ódio.

É de chorar.

É lamentável que ainda tenhamos que lutar pela garantia de direitos. Muito triste.

Poucos dias antes, a Prefeitura de Porto Alegre lança uma campanha publicitária em “homenagem” às mulheres. Homenagem esta que parte do principio de que as mulheres são babacas (no mínimo). Uma campanha machista, sexista e extremamente idiota para homenagear as mulheres?

Não, não me senti contemplada.

Contra-campanha, no facebook

O Dia Internacional da Mulher pode ser um dia de prestar homenagens, mas deve ser um dia de reflexão e luta: garantia de direitos, respeito, liberdade. Em um universo onde ainda recebemos menos que os homens, não temos as mesmas condições de trabalho, somos vítimas de violência física/sexual/psíquica, não temos assegurado o direito de decidir sobre os nossos próprios corpos, vivemos em uma sociedade que acha que sabe o que é melhor para nós e que a nossa opinião simplesmente não vale nada. Tudo porque somos apenas mulheres.

Preparei um texto bacana para usar como reflexão na escola sobre a data, de um compilado do  livro “Essas Mulheres”, que se tornou Agenda do CPERS (Sindicato dos professores da rede estadual/RS), sobre a importância política dessa data.

Mas na realidade o recado de hoje é bem simples: não nos dê flores, apenas nos dê o que nos pertence: direitos, respeito, autonomia e liberdade.

Nos assegurar isso, é sim uma bela homenagem.

Feliz dia de Luta! Fiquem com Pagu!



Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Só mais um pouco

Um pouco de pessimismo materialista:


"Algo no amor é violentamente terrível: você fica aprisionado nos sonhos do outro."

Slavoj Zizek, Porto Alegre, 05 de março de 2013.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Não me representam!


Eu havia prometido a mim mesma que não iria comentar nada sobre as eleições suplementares de Novo Hamburgo. Mas é mais forte que eu... portanto, serei breve:

Quase repliquei um post criticando Lauermann e o PT ontem, sobre o fim do plano de carreira do magistério municipal.
Mas resisti! Pois a maioria das pessoas que criticam o candidato no facebook, é porque apóiam o Kopschina, do PMDB.
Não me perdoaria se pensassem isso de mim.

Quando estava no colégio, as minhas amigas (as amigas mesmo, imaginem as que não iam com a minha cara...) diziam que sempre que algo era proposto, eu era contra. Sempre!

Não é por que “hay governo, soy contra”, muito pelo contrário. Sou militante e acho que existem possibilidades melhores do que as que estão dadas. Mas sempre que algo ou alguém não me representar, serei contra. Pode parecer falta de bom senso, mas penso que bom senso é lutar contra estes setores que não nos representam, que verdadeiramente nos orpimem e propor algo novo de fato, que contemple nossas necessidades (reais) e expectativas.

Então, desejo a todxs um bom fim de semana, repleto de votos nulos, porque nem LAUERMANN nem KOPSCHINA NÃO ME REPRESENTAM!!


Por MARIA,L.P.