segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ai entra o papinho do relógio biológico, de mulher completa e blá, blá, blá...


Sugiro a leitura desse texto, no Blogueiras feministas: Meu relógio biológico está quebrado! Trata sobre querer ou não ter filhos, comentários – senso comum – sobre maternidade, idade e relógio biológico.


Tive algumas conversas sobre isso recentemente. Homens e mulheres são severamente criticados por alguns setores por não quererem ter filhos (homens: estamos falando de homens que não estão interessados em serem pais, não em canalhas que abandonam suas companheiras grávidas – são coisas diferentes).

Alguém me comentou sobre crises que teve em relacionamentos passados, por não querer ter filhos. E isso não me surpreendeu. O que me chamou a atenção foi o fato de ele mesmo não estar convencido, devido à pressão que sofria, pensava que poderia mudar de ideia ao longo do tempo. Ele mesmo disse que pensava isso, para não admitir que não queria ser pai, frente a companheira.

Pode ser que algumas pessoas ao ficarem mais velhas acabam mudando sua visão sobre a vida, repensando a possibilidade de ter filhos. Mas isso não é regra.

Ai entra o papinho do relógio biológico, de mulher completa e blá, blá, blá.

Não aceito que condenem alguém por não querer ter filhos. Ninguém é bom/mau por querer ou não ter filhos.
Creio que consciente é não querer ter filhos e deixar isso claro, ao invés do que faz a maioria – os têm e se arrepende (comentário que fiz sobre homens que abandonam suas companheiras, ou de mulheres que tratam mal seus filhos por que uma relação terminou). Acontece que se tratando de filhos, não há meio termo, não se pode ser morno: têm-se ou não.

O fato é que ser mãe dever ser uma escolha da mulher. Não do homem ou da família. E quando ela escolhe não ser, não deve se pressionar para que ela mude de idéia. Não é anti-natural não ser mãe.

Me entristece ainda ser um tabu uma mulher não querer ser mãe. Me assusta que ainda existem mulheres que planejam suas vidas em relação ao casamento e aos filhos, ao mudar os planos de toda uma vida para ser mãe.
Como já disse, as pessoas mudam. Mas quando queremos partilhar nossas vidas com alguém, é importante somar os planos, mas (jamais) dividi-los.
Mas ainda  hoje os planos divididos e deixados de lado, são sempre os das mulheres.

Por MARIA,L.P. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Eu sou um monoico


Segundo o Wikipédia:

Em biologia, chama-se espécie monoica (do grego oykos, que significa casa) aquela em que cada indivíduo apresenta órgãos sexuais dos dois sexos.
Nos animais, como nas minhocas e caracóis terrestres, esta característica é conhecida como hermafroditismo. Nos mamíferos, o hermafroditismo é um caso teratológico, ou seja, uma má formação embrionária.
Apesar do mesmo indivíduo produzir gametas dos dois sexos, a reprodução sexual exige a união de dois indivíduos de sexos diferentes, a fim de poder-se dar a troca de material genético.

Segundo o Nando Reis:



Quando ouvi essa musica pela primeira vez, achei engraçada.
Quando prestei atenção, achei louca.
Quando procurei pela letra, achei forte.
Quando me dei conta do que dizia, achei perfeita.

Eu sou um monoico.

"Eu quero tudo e sempre coloco tudo em risco ...

Sou sua sombra, seu espelho, sua ilusão ...

Será que você me entende?

Pois fatalmente terminaremos sós

Mas você: a quem pertence?
Você pertence a você!"


Sem mais.

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A motociclista de (vestido ou shortinho) rosa


Tem uma aba no meu blog, explicando o seu nome, que fala sobre a ‘motoqueira’ como autora. Entretanto, alguns motociclistas entendem esse conceito como pejorativo. Por isso para esse post vou utilizar motociclista – muito embora eu acho que motoqueira soe mais poético.

Sobre ser motociclista, existe uma tradição na minha família. Meu pai comprou sua primeira moto quando eu tinha dois anos de idade. Desde então, a família sempre teve moto, tirando o período onde compramos nossa casa, por uns três anos de aperto mesmo. Quando meu irmão completou dezoito anos, comprou sua primeira moto. Ficou um tempo sem, por motivos financeiros também. Hoje ele tem carro, pois ele a esposa têm bebê. Minha mãe nunca teve habilitação pra moto, e quando começou a cogitar a hipótese (para comprar uma moto a meia comigo) sofreu um acidente sério, e desde então não sobre mais em uma moto.
Eu comprei minha moto assim que me formei na graduação. Comecei a dirigir por influência principalmente do meu irmão. Aos dezoito fiz minha habilitação, e volta e meia dirigia a moto do meu pai ou do mano.

Quando fiz meus 18 anos e fui tirar minha habilitação, minha mãe me deu uma jaqueta de couro, preta. O pai sempre dizia que quando eu fosse dirigir a noite, devia usar algo mais sóbrio. Por motivo de segurança mesmo. Afinal, uma mulher a noite em um carro é uma coisa, uma mulher de moto é bem outra...
De fato.

Comprei a moto no inverno. E por algum tempo usei apenas jaquetas pretas. Até que um belo dia comprei uma jaqueta rosa da Honda! Preta e rosa... assim como minhas luvas de couro. Meu pai enlouqueceu, pois na estrada com uma roupa daquelas eu estaria muito vulnerável. Nessa mesma época, comecei a trabalhar em outra cidade, e por isso coloquei um baú na moto. Sim, rosa. Assim como meu capacete, preto e rosa. Mas não é nada tipo Barbie, é rosa e preto. Só isso.

Logo que comecei a dirigir, por orientação do meu pai, usava calça, tênis, camiseta... não por uma questão de segurança em relação a possíveis quedas, mas para me proteger dos olhares, das buzinas, enfim, dos loucos do trânsito.
Até que um belo dia, resolvi usar vestido e leggin (que eu sempre usava, quando não estava dirigindo).

Nesse dia, me dei conta de que o que me expõe quando estou na minha moto não é o que eu visto, mas o fato de ser uma mulher dirigindo. Quero dizer, que de calça ou de shortinho, o babaca que quiser buzinar pra mim, vai fazer isso. E não importa o que eu vista.

O motoboy machista e estressadinho que vai me fechar na BR, esteja eu com o uniforme do trabalho, ou de regata e short, vai fazer da mesma forma.
O caminhoneiro que vai dar aquela freiada ao meu lado, esteja eu com roupa de couro ou de vestido e meia calça, vai fazer da mesma forma.
O machistinha de carro, que vai colocar a cara pra fora da janela e buzinar, esteja eu de roupa de chuva ou de tomara que caia, vai fazer da mesma forma.

Sexta feira (11 de janeiro)  fui a Porto Alegre, e estava dirigindo de regata e shortinho. Pegar a BR às 15h da tarde, com o asfalto cozinhando, é muita coragem dirigir de jaqueta! E enquanto dirigia, pensava justamente em escrever algo sobre isso.

Acontece que no sábado (dia 12), fui à formatura de uma amiga. Depois disso, iria a festa na casa dela (em outra cidade) e a outra festa ainda. Comprei um vestido lindíssimo para ir na formatura – rosa escuro, tomara que caia (mas não era desses cubinhos justíssimos que as guriazinhas estão usando, a saia do vestido tinha um corte evasê, um pouco rodado - lindo!!).
Fui à festa. Coloquei uma capa, que ia até o joelho, encobrindo todo o vestido e uma sapatilha rasteirinha, pois a sandália alta ficou no baú. Cheguei na universidade, estacionei, troquei a sandália e tirei a capa. Depois da solenidade, coloquei tudo de novo, e fui pra festa. Mais tarde, encontrei algumas amigas em outra festa, e fiz tudo de novo. Ao chegar na última festa, estacionei e encontrei as meninas. Não que nos outros lugares não houvessem olhares, mas na festa o olhar de algumas pessoas me pareceu tão escandalizador... Mais tarde, coloquei a moto em um estacionamento, ao lado do prédio de uma amiga. Os olhares foram muitos novamente.

Esses olhares na verdade, não me incomodam em nada. Não fazem diferença pra mim. Não me incomodo por tão pouco. Me incomoda é que as pessoas se escandalizem por tão pouco. Não pelo vestido curto, mas por ser  motociclista e usar de vestidos. Não pela sandália, mas por trocá-la sem vergonha. Por ser mulher e não ter vergonha de ser livre.

Para uma motociclista, dirigir, sentir o vento no rosto em uma noite de verão... a sensação de liberdade que algumas coisas simples nos proporcionam, são indescritíveis.
Entretanto, acabamos perdendo o prazer desses momentos por medo. E o pior é por um medo estúpido... Não é só o medo da violência, do trânsito, é um medo maior, pois combina violência + trânsito + machismo.

E o que podemos fazer contra isso?
Se esconder em casa, de burca?

Eu não.
Bloco na rua (e pra ontem!)


Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ou a igreja enfrenta seus problemas reais, ou pode começar a encaixotar suas relíquias e fechar suas portas


Chego em casa da praia, e minha mãe me pergunta se estousabendo do último babado da igreja: o Papa Bento XVI renunciou.

Estava incomunicável, e não sabia. Disse a mãe o seguinte:
Nenhum Papa renunciaria por motivos de saúde, o único motivo que levaria a uma renuncia, seria um motivo político. Morrer no papado é uma ‘dádiva’ da qual eles não abririam mão. Só um motivo político que conduz a uma pressão muito forte leva a uma decisão tão extrema. Agora a igreja católica tem dois caminhos: ou ela cede aos “progressistas” e se abre ao diálogo com a sociedade (dentre os temas mais polêmicos) ou cede aos conservadores, que atualmente são maioria (ao menos no Brasil) e se afasta definitivamente do povo a quem deveria servir.

Essa foi a minha fala sem saber da notícia.

Na tarde, vi algumas notícias e confirmei minha opinião. Minha mãe disse “que boca”, respondi que “apenas conheço meu ofício”.

A quem não sabe, trabalho em uma escola confessional (católica) e minha função está ligada a função pastoral que a escola exerce.
Esse ano, a Campanha da Fraternidade traz um tema muito legal, e traz um material até que bem bom – Fraternidade e juventude. Nesse sentido, a igreja se coloca a discutir as pautas da juventude, e isso é ótimo. Esse no ocorrerá no Brasil a Jornada Mundial daJuventude um espaço de evangelização, mas sobretudo de ação política, que visa o protagonismo da juventude em relação a igreja.
Entretanto, os setores que estão formando a juventude católica atualmente (me refiro ao setor da igreja que está a frente dos movimentos de juventude) são alguns dos setores mais conservadores e reacionários, cada vez mais fechado ao diálogo, mais preconceituoso e voltado a passado. E isso é muito preocupante.
Os setores que estão a frente das Pastorais da Juventude a perspectiva é um pouco melhor, pois (não são setores revolucionários, longe disso) mas estão mais articulados a conjuntura sócio-histórica e política, e estão abertos ao diálogo. 

Não vou me adentrar as pastorais e os demais setores da igreja ligados aos movimentos sociais do campo, ligados a pobreza, a população carcerária, a infância, a teologia da libertação, enfim, voltados à população que realmente precisa - pois esse setores, muito embora apresentem vários problemas, ainda podemos considerá-los como (em diversos aspectos) como progressistas.

Considerando esses elementos, frente a renuncia do Papa nesse momento, algumas observações precisam ser feitas.

- Historicamente, uma postura como essa dá margem a grandesrupturas, como teólogos já vinham prevendo para os nossos tempos

- Agora é o momento de discutir ordenação de mulheres, o fim do celibato e do direito canônico

- Revisão da lista de instituições que compõe a Igreja CatólicaApostólica Romana (e os diversos ritos)

 - Repensar a pauta dos métodos contraceptivos e a sua postura sobre a mulher

 - Estado Laico

Enfim, creio que pautas não faltem, mas esses seriam – na minha visão – os principais pontos de conflito e convergência para o debate frente as mudanças que sinalizam.
Certamente mudanças radicais não serão vistas por minha geração, mas se a crise na igreja chegou nesse ponto, é porque já passou da hora de discutir essas pautas.

Questões como união e ordenação homossexual, aborto, políticas sobre drogas, penso que ainda é cedo pra problematizar, mas a hora vai chegar.  O tempo está correndo: ou ela enfrenta os seus problemas agora e se abre para discutir mudanças reais, ou ela pode começar a encaixotar suas relíquias e fechar suas portas.

Por MARIA,L.P.



Nota: Este texto foi publicado com Guest Post no blog Escreva, Lola, Escreva - em 12 de fevereiro de 2013.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O problema não é ver machismo em tudo. O problema é não ver.


Um cara legal, bonito e inteligente.

Mas era machista.

Conhecia todas as músicas, agradava a todos que estavam por perto.

Mas fazia comentários preconceituosos.

Bem humorado, uma companhia engraçada e agradável.

Mas fazia piadas homofóbicas.

Gentil, disponível e cavalheiro.

Mas era autoritário.

Ele era uma pessoa legal.

Mas não valia a pena discutir pois quando uma pessoa se reconhece preconceituosa, machista e homofóbica, e acha que têm a razão, não vamos mudar sua opinião. Mas ele tem que saber como está errada, e como este erro faz mal a toda a sociedade.

Moral da história: às vezes conhecemos pessoas legais por ai, entretanto quando temos a oportunidade de conviver com algumas delas, podemos perceber quem realmente merece nosso respeito e consideração.
  
O problema não é ver machismo em tudo. O problema é não ver.

Feminismo sem demagogia


Esse post é baseado em fatos reais.

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Me guardando pra quando o carnaval chegar...

"Minha carne é de carnaval,
meu coração é igual..."





Algumas vezes, não precisava ter fim.


Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Reflexão do dia

"O que não te mata, te deixa mais... estranho!"

Pérola!

Coringa, em Batman - O Cavaleiro das Trevas