quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Para além de aparência e essência.


Estava saindo para uma festa com algumas amigas, com quem sempre saio.
Rosi e eu paramos para comer, pois começamos a beber antes, em outro bar. Paramos em um ponto conhecido, pedimos a tal ‘pizzinha’ e ficamos em frente ao local para comer.

Eis, que chega um rapaz, bem vestido (de terno e gravata) e puxa assunto com a gente. Continuamos a comer, conversando amenidades com o individuo, enquanto chegam mais quatro rapazes, que o acompanhavam.

Perguntaram sobre a pizza, sobre as festas, sobre a noite.
O do terno se apresentou, nós nos apresentamos. Brincaram com as iniciais dos nomes, e apelidos possíveis (Roberto e Rosi = Beto, Rô, Ro-Rô; Letícia = Lê).

Entre algumas piadas e indiretas, começaram a falar sobre nomes e apelidos heterossexuais. Para eles, “Leandro” por poder ser apelidado de Lê, é um nome “multi” (não hétero).
Um deles saiu na frente e se defendeu “Vicente é hétero”. Perguntei se esse era seu nome, outro disse “ele não ia se acusar, ofender a si próprio”.
Se algo, que não seja hétero é algum tipo de xingamento? Comentamos sobre isso, mas não sei se eles entenderam ou se fizeram. Fato é que aquele risinho em relação a minha frase “qual o problema em não ser hétero?” escapou de todos eles.
Agradecemos a conversa, a companhia e seguimos para nossa festa.

Talvez para quem lê isso, não ache grande coisa, mas depois desse “encontro”, ficamos divagando algumas coisas.

Deixo alguns destaques.

  1. Ao se aproximarem, os rapazes chegaram afirmando nossa “heterossexualidade”. Não se passou na idéia deles que poderíamos ser um casal. Eles nos olharam e viram duas mulheres na noite, à disposição.
  2. Entre papo e piada, subentenderam que as duas moravam em Novo Hamburgo, pois eu mencionei que não morava na capital.
  3. Ao conversarem com a gente, afirmaram que éramos irmãs (as duas negras). Afinal, duas mulheres negras juntas, devem ser parentes (??). Brinquei dizendo que a Rosi era a Rutinha, e eu a Raquel – a irmã má.


O que realmente me chamou a atenção nessa conversa foi basicamente o fato dos rapazes chegarem em nós com suas opiniões formadas em relação a nós. Mesmo sem nunca terem nos visto antes.
Por que é necessário rotular, estigmatizar, classificar as pessoas?
Para além de aparência e essência.

Por MARIA, L.P.

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