quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eu assisti Dona Flor e seus dois Maridos


Sim, eu assisti Dona Flor e seus dois Maridos na televisão.

Gozando de uma insônia, assisti esses dias na madrugada esse clássico – do cinema e da literatura brasileira. Tão clássico que eu nunca tinha assistido.
Pra começar, no elenco Sônia Braga e Zé Wilker. Trilha sonora “O que será”, do Chico Buarque. Muito bom.

Na verdade eu tinha uma ideia completamente diferente da história.

Bahia, década de 1940. Flor era uma moça que fugiu para casar com o homem que amava, contra a vontade da mãe. Dava aulas de culinária em casa para o sustento da família.
Vadinho, o esposo era boêmio nato. Não trabalhava, vivia em festas, dado aos jogos, andava em cabarés e voltava bêbado todas as manhãs.  Inclusive algumas vezes agrediu a mulher por causa de dinheiro. Pedia dinheiro até para o padre da cidade. Era uma pessoa medíocre, mas apesar de tudo amava a esposa.

Vadiagem é coisa de Deus. Foi ele quem mandou.” – Vadinho sobre sexo.

Em um belo carnaval, Vadinho morre.

“Jamais outro virá, tão íntimo das estrelas, dos dados e das putas.
Estão de luto os jogadores e as negras da Bahia.
Um minuto de silêncio em todas as roletas.
Bandeiras a meio pau no mastro nos castelo
Todas em desespero a soluçar.” – Sobre o falecido.

Flor veste luto por um tempo, até que uma vizinha faz os ‘lados’ do farmacêutico Teodoro com ela. E eles casam. Casam devidamente e vão a lua de mel.

“Teodoro é um homem bom. Com ele vai dar certo.” ­– Pensamento de Flor, na noite de núpcias.

Teodoro era um homem socialmente bom. Apesar da relação de ambos ser completamente “sem sal”, ela acreditava estar muito bem, pois não sofria como na época do falecido. Entretanto ela sentia muita falta dele.

Teodoro cuidava de Flor, mas, muito machista, têm várias atitudes que desagradam flor – que cede por acreditar que o marido, como homem respeitável que é, sabe o que é melhor para ela.

Ela é “feliz” com ele.

É até um pecado D. Venâncio. Mas eu vou lhe confessar uma coisa, que eu nunca disse nem a mim mesma. A minha vida é tão feliz, sabe, todos até me invejam. Mas até quando ta tudo bem, nós estamos no bom do melhor, não sei...  Mas me dá uma agonia, tão sem pé nem cabeça, que eu não sei bem o que é, eu não sei nem explicar. Sabe D. Venâncio, acho que a minha natureza é ruim mesmo, sei lá.  “ - Flor sobre a sua vida, para o Padre.

Até que um belo dia, Vadinho aparece. Flor tenta resistir a todo custo a “vadiar” com o morto. Uma amiga faz um “trabalho” para que ele descanse, pois como era de Exu, ainda incomodaria muito. Acontece que quando sua alma está indo, Flor se arrepende.

Desde então, flor se relaciona com seus dois maridos. É claro, um deles, somente ela vê – o vagabundo.

Outro dia, fiz uma postagem, onde aparece o vídeo da canção “Tigresa” (Caetano Veloso). Na mesma noite, antes de assistir ao filme, um amigo me pergunta, “o que quer dizer Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher.?”.

Exatamente isso.

Moral da história: 
Flor tinha ao seu lado, um homem que não a respeitava, que a fazia sofrer. Entretanto eles se amavam e (sobretudo) se desejavam. Com ele ela se sentia mulher.
Quando ele morreu, encontrou outro companheiro. Que a respeitava e olhava por ela. Muito embora não o desejava, sentia-se feliz ao seu lado.

Quero esclarecer, que acho uma grande bobagem machista dizer que as mulheres gostam de sofrer, porque gostam de cafajestes.
Flor não se arrependia de ter ficado com Teodoro, mas não sentia seu corpo tremer por ele. Não havia paixão.
Se ela sentisse a mesma coisa que sentiu por Vadinho pelo novo companheiro, reuniria as duas coisas. Mas o fato é que ela não sentia. Mas para ela, estava tudo bem.
Na verdade, ficou tudo bem quando Vadinho voltou e ela ficou com os dois. Pois ela gozava das coisas boas da companhia de um e de outro.

Egoísmo da parte dela? Penso que não. Flor só queria ser uma mulher completa e, mesmo que tenha sido só na cabeça dela, consegui.


 Por MARIA,L.P.

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