segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quero dizer que agora fiquei pra tia


Quinta feira, 29 de novembro de 2012, às 15h13m me torno oficialmente tia.

Meu irmão Walter e minha cunhada Michele receberam o Ramon. Já tinham o Jonathan, hoje com treze anos (filho biológico só da Mi).

Michele ficou durante uma semana no hospital, na semana anterior ao parto. Teve que fazer uma pequena cirurgia no inicio da gestação. Sofreu com pressão alta nos primeiros e últimos dias. Apesar da cesariana, teve um parto tranquilo. Forte e saudável, chegou com 46cm e 2,810kg.

Há alguns dias, meu irmão e eu comentávamos sobre uma familiar dele, que teve bebê a pouco, e não se mostra nem um pouco feliz e disposta cuidar do bebê. Todos sabem que esta mulher concordou em ter esse filho, para agradar ao marido, pois apesar de ela também já ter um (adolescente), o marido – mais jovem ainda não tinha filhos, e estava muito feliz. Não precisa ser íntimo para saber que aquela mulher nunca quis aquela criança. E isso me parece muito triste.
Teve um dia que ele se afogou, e a Michele atendeu ele rapidamente – quando ainda esperava o Ramon.

O Mano disse que ela agiu por instinto.

Não acredito no instinto materno. Nem um pouco.

Uma mãe e um pai que esperam um filho, que o planejaram e o amaram antes mesmo dele existir, não vão amá-lo sem grandes explicações.
Alguém que tem um filho que não é querido e esperado pode amá-lo. Mas não vai ser a mesma coisa.

Ninguém ama por instinto. Aprende-se a amar. Ama-se quem se conhece e se quer bem. Não se ama quem não se quer bem... mesmo que esse alguém seja um filho.

Além disso, como exigir de alguém uma forma de amor que não conhece? Quem nunca foi amado de verdade é capaz de amar?
Talvez, mas ninguém é obrigado a amar, quando não sabe o que é amor.

Eu amo o Ramon, desde  o dia que soube da existência dele. Amo de uma forma inexplicável. Quero que ele saiba disso.

Mas na verdade, não penso na possibilidade real de ter filhos. Isso mesmo, não sei se quero ter filhos.
Não preciso ter filhos para amar uma – ou várias crianças.
Amo o Ramon, amo o Jonathan. Amo também meus familiares.
Amo porque fui amada, porque sou amada, porque aprendi a amar.
Mas não preciso querer ter filhos para saber o que é o amor.
Não preciso ter filhos para ser uma mulher completa.



Eu sou uma mulher completa.
E amo dizer que agora eu fiquei pra tia.


Por MARIA,L.P.

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