sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O amor em seu formato mínimo...

Viajando violentamente na letra e na melodia dessa canção.
Juro que quando penso que gostaria de ter escrito algo que já existe, penso nessa canção. A ouvi pela primeira vez logo que lançada, em uma madrugada morcegando pela rádio (no Pijama Show, que tanto ouvi na adolescência). Cada vez que ouço novamente, me imagino a escrevendo. Quando Samuel Rosa escreveu, estava em uma inspiração muito alinhada a minha. Ou eu a dele.

... Leiam, ouçam, saboreiem e lambuzem-se, a vontade! 



 Formato Mínimo (Skank)

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rúbrica

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