segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Feliz dia do professor. Só que não.



O dia do professor passou e não consegui escrever nada sobre.
Na verdade – os raros leitores que tenho – todos sabem que há algum tempo não consigo manter este blog atualizado, como gostaria. Mas enfim, segue minha singela homenagem aos meus mestres, aos colegas e a todos que lutam por uma educação pública, gratuita, popular e de qualidade para todos.

Na quinta feira, véspera do dia do professor li a seguinte mensagem, durante a oração da manhã lá na escola.



Propus a reflexão sobre a eternização do professor, mas ao mesmo tempo questionei. O que queremos?
Salário. Utopia. Futuro. Dignidade. Respeito. Reconhecimento. Segurança.  Talvez, só que não.

Quando sai do magistério, observava minhas colegas que buscavam um concurso publico, pelo simples fato de que a profissão – assegurada por um concurso – lhes garantiria segurança e estabilidade, financeira e emocional. E isso eu nunca procurei.
Percebo que aquelas meninas que em 2007 saíram do Colégio Santa Catarina para a sala de aula, não tinham a menor noção do que isso significava. Hoje, não mais critico profissionais da educação que buscam isso, em razão as dificuldades que encontramos na área. Entretanto, cobrava algumas coisas de minhas colegas, e elas me odiavam por isso. O que realmente queremos? Podemos levar a vida que queremos e somos livres para isso, mas precisamos nos dar conta de que somos responsáveis por outras pessoas.
Uma vez, uma professora minha disse que o erro de um médico ele enterra. Mas o erro de um professor continua andando por ai.
Essa é a questão.
Criticamos uma sociedade hipócrita e individualista. Criticamos o descaso dos governos, dos administradores e – veja só – dos nossos alunos também. E o que fazemos em relação a isso? Fechamos a porta da sala, passamos nosso conteúdo e fingimos que fizemos a nossa parte.
Nós fingimos que ensinamos, os estudantes fingem que aprendem e a escola finge que esta tudo bem.
Só que não.

Durante as eleições, companheiros visitaram várias escolas em Porto Alegre (eu fui a poucas) e relataram o a degradante situação das mesmas. O mesmo tempo que pudemos partilhar das últimas esperanças desses profissionais com os quais encontramos, visualizamos nas urnas a lamentável ausência dos mesmos.
Ausência esta, que se manifesta quando não nos posicionamos politicamente, quando não intervimos dentro daquilo que está no nosso alcance, quando vivenciamos o descaso e a injustiça e não fazemos nada.

Ser professor é cumprir uma função elementar na sociedade. É formar o cidadão. Seja o médico – na escola privada – que vai atender no SUS; seja o advogado – na escola privada – que vai ser o defensor público, o juiz, o promotor; seja o pequeno ou grande empresário; seja o jogador de futebol – mesmo que este fuja da escola (heheh); seja o peão e o servente; seja egoísta que vai pensar somente no seu próprio umbigo ou o revolucionário, que vai lutar e se preocupar com todos estes. Seja o futuro professor, que vai se tornar responsável por todos estes.
Todos conhecem aquela máxima, de não existe nenhum profissional, sem antes um professor. Mas até quando vamos viver sem esse reconhecimento?




Na medida em que nos damos conta da nossa responsabilidade como professores e formador social, podemos pensar em novos rumos para sociedade.
Eu acredito na educação como um dos principais elementos de transformação e libertação da sociedade.

Precisamos exigir as condições necessárias para que o nosso trabalho faça sentido. Para que tenhamos alunos da escola pública da vila onde moro, concorrendo com as mesmas condições que o estudante da escola privada. Para que tenhamos uma universidade pública e acessível para o filho do trabalhador. Não para criar uma ‘nova classe média’, mas para criar condições de igualdade.
  
Agradeço as mensagens que recebi pelo facebook no dia do professor.
Mas suplico a todos, que para além de homenagens nesse dia, que tenhamos mais comprometimento com a educação, sejamos nós professores, estudantes, administradores públicos e comunidade escolar.



Quando a educação for prioridade, teremos um feliz dia do professor!

Por MARIA,L.P.

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