domingo, 13 de maio de 2012

Treze de Maio

13 de maio.
Mais um.
São 124 anos, dessa vez.
Mas, e ai?
Quem comemora o quê?
Podem até dizer que eu ando meio avessa a comemorações. Mas no 13 de maio meu país não tem nada a comemorar.
A exploração continua. A violência continua. O descaso continua. O racismo continua.
Só que agora, tudo tem novas versões: somos explorados, mas agora somos trabalhadores (explorados, mas trabalhadores). Matam diariamente os jovens negros (eram só bandidinhos, mas ninguém percebe a cor dessa gente). Não damos a devida importância ao sujeito, ele é pobre (e preto?!). O racismo não existe mesmo (afinal, o negro sabe o lugar dele).
Não é mesmo?
Não. Os negros devem comemorar, pois a lei hoje é pra todos. A constituição nos declara iguais.
No papel.
É no cotidiano que percebemos que o 13 de maio, serviu para aliviar a consciência do branco, para reorganizar a sociedade, para reparar e reestabelecer a economia. Para o branco.
Mas jamais teve a intenção de aliviar o fardo do negro.
Por MARIA.L.P.

Um comentário:

  1. Pois é, Abolição? Isso aconteceu mesmo?

    Li no livro " A Doutrina do Choque" da Noami Klein uma afirmação sobre o fim da escravidão que dizia +- "tiraram as correntes do nosso pescoço e colocaram em nossos pés". Acho que isso resume muito o que disse, temos a falsa ilusão que fomos libertados. Mas fomos mesmo?

    Somos escravos do capital, do individualismo, de tudo o que esse sistema repressor representa. Mas como não vemos nossas correntes, comemoramos a nossa "liberdade".

    Ou melhor:
    "E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!” (Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus)

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