segunda-feira, 28 de maio de 2012

“Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias”


Eu chamaria esse texto de Vadia (2).

Quando estava me vestindo para ir pra Marcha das Vadias, minha mãe disse "curto esse vestido, né?".
Ai coloquei um casado e meu tio disse "ai em cima já ta protegido". 
Minha cunhada disse "fala pra eles onde tu vai".
Falei da Marcha das Vadias, o motivo desse nome, etc...
Ai minha tia disse "Que legal. Só não vai tirar a roupa, como mostraram na tv".
Eu ri, e segui meu caminho. Marchei!

Esse texto escrevi para o blog do MOVIMENTO CONTESTAÇÃO - “Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias”


"Hey machista, meu orgasmo é uma delícia!"
‎"O corpo é da mulher, e ela dá pra quem quiser, inclusive outra mulher!"
“Hey, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista.”
“Menos violência, mais orgasmos.”
“Ame, não force.”
“Isso não é sobre sexo, é sobre violência.”
“Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede. “
“Eu não vim da sua costela, você veio do meu útero.”
“Sua opinião longe do meu útero.”
“Nem santa, nem puta. Livre!”



“Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias.”

Essas foram algumas das palavras de ordem que ecoaram no domingo no parque da Redenção.
Eram mulheres, homens e crianças, gritando pelo fim do machismo, pela liberdade da mulher de traçar suas próprias escolhas, de ser a única a decidir sobre o seu corpo, pelo direito de amar livremente, sem amarras, sem regras.

Com muita, com pouca, ou com quase nenhuma roupa, todas tinham uma luta em comum: Liberdade.

A Marcha das Vadias surgiu em Toronto, no Canadá em 2011, e assumiu este nome quando um guarda de uma universidade disse para que as estudantes não se vestissem como ‘vadias’ para que não fossem estupradas.  A marcha é uma reação ao discurso reacionário que culpa as vitimas pelos estupros sofridos.

Em todo o mundo, feministas defendem que as mulheres são livres para vestir o que quiserem. Defendem educação sexual, mas não para mulheres aprenderem a não serem estupradas, mas para que os homens aprendam a não estuprar!

Quebrando paradigmas, a Marcha das Vadias invade as ruas das grandes capitais para exigir garantia de direitos, respeito e liberdade.
A marcha das Vadias traz várias pautas feministas para debate, entre elas a laicidade do Estado, a descriminalização e legalização do aborto, o casamento civil e igualitário entre pessoas do mesmo sexo, a criminalização da homofobia,  a humanização do parto.

  
Veja algumas fotos da Marcha das Vadias POA


Estou certa que a Marcha das Vadias traz justamente esse aspecto para a reflexão. Vamos educar. Nos educar para que possamos quebrar os nossos próprios preconceitos, educar os nossos para que aprendam a viver com as diferenças, amando e as respeitando.  Toda mudança passa pela educação.



Enquanto seguíamos a marcha, alguém me perguntou: até onde vai a marcha?
Respondi:  até que sejamos todas livres!

Letícia P. Maria é militante do Movimento Contestação, filiada ao campo Fortalecer o PSOL, Historiadora e mestranda em Ciências Sociais.

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