terça-feira, 27 de março de 2012

Morena Flor!


Outro dia, estava em uma festa com os amigos. Cerveja, cigarros, música, insanidade... ah, a noite.

Eis que estou a dançar e um rapaz para atrás de mim e cheira o meu pescoço...
- Morena Flor? – Pergunta ele após uma profunda ‘cafungada’, sobre o meu perfume.
- É... – respondo eu,  meio desconfiada. De fato, é o meu perfume favorito.
- Mulher e poesia. Ah, Vinicius de Morais é o cara! Muito bom gosto, gata – diz ele com um sorriso meio sem noção.
E vai embora.

É louco como naturalizamos algumas coisas e não valorizamos o nossos sentidos. Coisas que passam despercebidas para uns, tem grande valor para outros.

E assim, a noite continua. Mulher, poesia, cerveja, cigarros, música, insanidade... ah, a noite!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pessoas interessantes

Ao longo dos dias, tenho observado as pessoas que conheci nos últimos tempos.

Não que as pessoas que eu conheço a mais tempo não tenham seu valor, mas percebo como pessoas interessantes faziam falta na minha vida.
Pessoas interessantes em todos os sentidos, que proporcionam boas conversas, momentos agradáveis, pessoas com quem sempre aprendemos algo, com quem a troca é recíproca.

Um professor comentou comigo como no RS são poucas as pessoas realmente interessantes... pessoas com a mente colonizada, provincianas sobram por ai.


Pessoas interessantes são sedutoras.
De senso comum, as ruas estão cheias. E isso não me serve mais.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um pouco de idealismo...

Idealista. Eu?
Não, essa ilusão é toda sua...




Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
 


(Tabacaria - Fernando Pessoa)

domingo, 18 de março de 2012

Vinte e poucos anos

Sempre que faço aniversário, lembro da música 'envelheço na cidade', do Ira!
Mas dessa vez, a primeira desde lembro que ouvi essa música pela primeira vez (deve fazer uns 14 ou 15 anos), não me senti como na música. Não sinto que envelheço na cidade, sem a companhia de um outro alguém.

Quando fiz 15 anos, comecei a contar as pessoas que lembravam do meu aniversário. Antes dos 15, muita gente lembrava, cobrando a festa.
Quando fiz 18, fiz uma festinha com as amigas da escola, do grupo de jovens e do CTG. Algo eu fiz, algo foi surpresa.
Quando fiz 20, meu irmão organizou uma surpresa na casa dele. O menino porquem fui apaixonada muito tempo, esteve lá. A minha melhor amiga não. Disse que eu estava mudando, que depois que entramos na universidade - um ano antes - eu não era a mesma. E de alguma forma, ela tinha razão.
Quando fiz 21, fiz uma janta na casa de amigos, com amigos queridos, com que eu passava muito tempo.
Não lembro do que fiz nos 22.
Quando fiz 23, meu pai fez um jantar na nossa casa. Foram todos meus amigos do grupo de jovens.
Esse ano, de todos os que encheram a minha casa no ano passado, só um deles lembrou do meu aniversário. Engraçado?
Como aniversariei na sexta feira, chamei minha familia pra sair. Não queria ficar em casa. Não sei se era pra não correr o risco  de receber alguém, ou se é o meu espirito boêmio, de 'povo de rua'... De qualquer forma, acabei indo no teatro e depois jantando com a família... comemos na rua e depois fomos comer bolo em casa. No sábado, sai com amigos em Poa. Dancei, bebi, dei muita risada e até comi bolo (uma nega maluca especial, segundo fontes), só não tirei a roupa (porque o clima e o ambiente não estavam propícios, hehehe). Comentei com algumas pessoas... há tempos não me divertia tanto no meu aniversário.

De fato, nesse ano, resolvi mudar em alguns aspectos. Como todo mundo, tive algumas frustrações, mas pra 2012 eu propus a mim mesma, que ia fazer acontecer mudanças reais na minha vida. Entrei no mestrado, mudei de emprego, saí no carnaval, fui a lugares com pessoas sem planejar, conheci pessoas fascinantes, usei menos roupa, bebi bastante, dancei horrores, perdi a vergonha. Enfim,me dei conta que existiam uma série de coisas que eu tinha vontade de fazer e viver e eu não havia me permitido. Até então. Não que eu não vivesse intensamente, mas sempre existem coisas que nossa cultura, nossos valores e nossos preconceitos não nos permitem viver. Então, resolvi que eu precisava viver coisas diferentes. E estou vivendo.

Como na música do Fábio Jr. ''Vinte e poucos anos', (mas que eu fico com a versão dos Raimundos)  'nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais dos meus vinte e poucos anos...'.

Acontece, que o mais importante ainda está por vir.

Estou vivendo estes vinte e quatro mais do intensamente, vivo cada segundo.
Cada um que passou pela minha vida ao longo desses anos, foi importante.  Tudo é importante. Reconheço que recordar aniversários passados é sempre nostálgico. Mas esse aniversário foi diferente. Minha vida está diferente. Eu estou diferente.

'... na vida tudo têm seu preço, seu valor. Eu só quero dessa vida é ser feliz!'

Por MARIA.L.P.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Vamos comemorar?

"Mulheres, parabéns pelo seu dia."

Li isso hoje no fecebook. E na sequencia dizia "até porque amanhã volta ao normal!"

Primeiro fiquei irritada com a piada, mas concordo que ela tem um fundo de verdade. Hoje, nos felicitam nas ruas, nos entregam rosas, nos mandam mensagens e emails. Amanhã, esquecem que merecemos respeito e consideração.

Não queremos flores. Queremos direitos.
Sim, as feministas também gostam de flores... eu então, sou apaixonada por rosas. Mas a questão é mais profunda. Não podemos minimizar a situação, consideramos que temos um dia internacional onde recebemos flores pelo fato de sermos mulheres, enquanto o resto do ano somos vitimas do machismo da nossa sociedade.

Queremos quebrar o machismo.

Vivemos em uma sociedade onde o machismo é culturalmente aceito, onde, no entanto, mulheres morrem todos os dias - vítimas de violência doméstica,  vítimas de violência sexual, abuso e assédio moral - somente pelo fato de serem mulheres.

O oito de março, historicamente é um dia de luta e de reconhecimento da mulher. Não pode ser minimizado com flores e mensagens de quem nos oprime com o machismo. É o dia máximo de luta e revindicação de direitos.  Também não rejeitamos as manifestações de carinho... o que queremos é muito simples e muito complexo... que todos possam rever suas atitudes diariamente. Ensinem os meninos a serem gentis, mas não serem machistas. Ensinem as meninas a serem doces, mas não submissas. Não condenem as mulheres sexualmente livres, pelas suas roupas, pelo seu vocabulário, pelas suas atitudes. Não façam das lésbicas objeto do seu fetiche. Não se aproveite de uma atitude gentil para tirar vantagem de alguma mulher.
Permitam que as mulheres meninas, gurias, garotas, moças, coroas, sejam o que elas desejarem ser, e não o que vocês querem  que elas sejam.



Reconheçam o valor das mulheres diariamente, assim como os seus direitos.
Lutaremos até que todas sejam livres.

Por MARIA L.P.