quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Biscateando com o feminino

Antes de repliicar o texto, só queria contar que quando encontrei o blog Biscate Social Club, me identifiquei por completo, me apaixonei...

Eis a descrição do blog:
Biscate é uma mulher livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Esse é o nosso clube.
Entre, sintaxe a vontede e saboreie...

Por Silvia Badim, nossa Biscate Convidada





Bom, ser biscate não é uma tarefa fácil. Isso já é sabido em tons fortes e letras claras, com dedos em riste e defesas prontas para sermos quem somos. Uma biscate vai conquistando espaço, esparramando-se, sentindo-se à vontade com seu eu no mais profundo feminino plural. Um feminino feito de muitos, uma vontade feita de muitas, e uma liberdade conquistada de seguir seu caminho e dizer: eu vou. E vamos assim como for, com as pernas de fora ou os seios respirando ar puro, com paqueras roubadas ou beijos pedidos, com amigos risonhos e amores declarados. E, sobretudo, com coerência de ser quem se é. Com o sorriso franco rasgado de orelha a orelha, saltando pelos olhos: eu posso. E como é bom ser quem se é.

E a gente pode ser muita coisa, mesmo que os julgamentos avolumados digam não. Caminhamos pelo não com o orgulho afiado, buscando a autoestima esticada pela felicidade. E as possibilidades de amores se alargam à medida em que caem as amarras morais. O afeto cresce em cada esquina onde exista uma flor vermelha, e a vontade aumenta em cada gozo compartilhado com sede de vida. A gente pode, a gente tenta. A gente quer.

Uma biscate aprende logo cedo que amor não se esgota, amor se multiplica. Que o corpo é a chave para a acessar tanta coisa lá dentro, e lá dentro é um mundo que não ter portas ou fronteiras. Lá dentro é grande e fundo como os oceanos gelados. E a gente mergulha, é claro que a gente mergulha. Porque sem mergulhar as coisas perderiam metade da graça, e morreriam sem nunca terem nascido por completo. E eis que um dia, lá embaixo, naqueles mergulhos profundos, a gente descobre que a sexualidade é livre. Lá, beirando o fundo, não existem marcas de territórios ou quadrinhos com posses e regras. É um reino livre para nadar-se de braçadas, para acolher-se em estado submerso. E se o preconceito já não existia para o outro, passa a não existir para a gente também. A gente perde o preconceito com a gente mesmo. E aí a vida pode se apresentar, sorrir e chorar, colocar amores e desamores aos montes, escondidos debaixo da pedra ou visíveis em cartazes. A gente enxerga. A gente enxerga a gente sem máscaras, desenrola o novelo e lá no fundo somos essência brilhante que molda-se livre.

As barreiras de gênero então se alargam e a gente se permite biscatear com o feminino. Biscate-biscate amando mulher, repartindo corpos nus com a mesma forma e mistério de entranhas. O amor pode, ele é. Biscate ama, mulher ou homem, feminino ou masculino, homem-mulher ou mulher-homem, trans ou supertrans, qualquer coisa acima de rótulos ou caixinhas com etiquetas. A gente quer o outro, assim como ele é. É assim que é bonito: assim dilacerado em verdades, assim pronto para transgredir a vala comum. Até porque não sabemos de fato o que somos. Mas temos pistas e vontades acolhidas.

Sim, somos biscates. E somos livres. Eu sou!

Texto de Silvia Badim, disponivel em http://biscatesocialclub.wordpress.com/2012/02/01/biscateando-com-o-feminino/

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