sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Hoje me dei conta que no dia em que o voto feminino completa 80 anos no Brasil....


Parece que foi ontem.
Uma semana depois de completar 16 anos fiz meu título de eleitor. Tinha uma ânsia enorme de poder exercer o meu direito ao voto - o direito de colaborar com as decisões políticas da nossa sociedade. Isso me inspirava de tal forma, que nem sei explicar o que senti no dia que cheguei em casa com meu título em mãos.

Foi em 2004, e naquele ano haveriam eleições municipais. Lembro que na minha cidade as eleições foram anuladas e ocorreram novamente em março do ano seguinte, e o resultado se repetiu: Jair Foscarini prefeito e, por sua vez, meu 'chefe', pois eu era estagiária em uma escola municipal.

Até então, eu era simpatizante do PT, partido político por quem eu, adolescente nutria uma certa afeição. Tive várias professoras petistas (petezonhas, como ouvi algumas vezes) apaixonadas, que me contagiaram de alguma forma. Eis que neste mesmo ano surgiu o PSOL. Inicialmente, essa mudança me causou certo estranhamento, pois mesmo não sendo militante, percebia que muitas coisas estava erradas naquele PT que desde criança acompanhei.
Como votava no Ralfe (vereador de Novo Hamburgo), resolvi acompanhar tal mudança.

Sempre acreditei que o voto além de um direito, fosse um profundo instrumento de mudança. Inclusive ficava revoltada com os colegas da minha idade que não faziam questão de votar, pois ainda não tinha 18 anos... Como alguém em sã consciência vai abrir mão do seu direito de escolha, por não ter isso como obrigação?
Claro, que hoje tenho o entendimento do descrédito que a maioria das pessoas têm pela política, e que o cenário atual não é favorável para essa relação mais estreita entre as decisões políticas e a sociedade.

Em 2007, quando entrei na universidade, então com 19 anos, conheci alguns militantes do PSOL. Militantes mesmo... pessoas que acreditavam e que realmente atuavam politicamente nos espaços onde estivessem. Passei a fazer parte do diretório acadêmico e me relacionei com pessoas de diferentes partidos políticos e tive a feliz oportunidade de conhecê-los mais de perto.
Em 2008, uma amiga, a Vanessa, foi candidata a vereadora em nossa cidade. Na realidade, estar em um partido político me parecia algo abstrado demais, até me deparar com uma amiga em campanha eleitoral, onde colaborei como pude. Desde então me senti mais próxima de uma intervensão política de fato. Mas sempre deixei claro aos companheir@s, que colaboraria sempre, mas só me filiaria no dia em que eu achasse que realmente devesse fazer isso.
Acontece, que discretamente, em 2011, enquanto todos jantavam, durante o Acampamento do Movimento Contestação, peguei a ficha de filiação e preenchi. Lembro que passei o fim de semana cutucando a todos, insistindo que a sociedade organizada não necessita de uma organização partidária. Muito embora nem eu acreditasse naquilo. Resolvi me filiar ao PSOL, devido a acontecimento muito pessoais (familiares), onde me dei conta de que apenas o meu voto era pouco... eu precisava fazer mais: construir a mudança na qual acredito.

Hoje,  me dei conta que no dia em que o voto feminino completa 80 anos no Brasil, sou uma eleitora há 8 anos. Ao longo deste tempo, percebi que exercemos nossa cidadania não só nas urnas, a cada dois anos, mas na nossa militância cotidianda, nas nossas intervensões.
Queria comemorar mais do que o direito ao voto. Queria  comemorar viver em um país livre, em uma sociedade consciente. Onde não apenas o voto, mas onde a mulher fosse realmente respeitada e ouvida, onde mulher negra tivesse os mesmos espaços e oportunidades dos homens brancos. Onde as diferenças religiosas não interferissem nas decisões políticas. Onde todos tivesse o acesso a mesma educação pública e de qualidade.
Talvez, comemoraremos uma coisa de cada vez.
Mas agora a minha função vai além do voto, está na luta. Espero que possa contar com quem leu esta postagem até aqui.

Por MARIA,L.P.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

... até porque, todo Carnaval têm seu fim.

Durante muito tempo, não gostava de carnaval.
Como minha familia nunca teve o costume de viajar no verão, nem de pular carnaval, o carnaval pra mim sempre fio um fim de semana sem nada pra ver na tv. Um tédio.
Com o tempo, comecei a gostar só do fato de ser um fim de semana de festa. Pra mim era o suficiente.
Ao compreender a manifestação artistica e cultural dessa festa, tudo isso passou a ter outro sentido pra mim.

Hoje, carnaval pra mim é um misto de tédio e loucura. É o momento de se resguardar e extravasar. Tudo ao mesmo tempo.

Hoje eu sei o que Los Hermanos quiseram expressar no Bloco do Eu Sozinho... afinal, carnaval é o momento:

'Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz...'


... até porque, todo Carnaval têm seu fim.

Por MARIA,L.P.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Eu, Paulo Freire e o Marxismo

Escrevi isso no domingo, no meu facebook.

Algumas pessoas perdem tanto tempo pedindo a Deus, reclamando do rumo pra onde caminha a humanidade... entretanto não fazem a menor questão de ir a luta, colocar a mão, fazer a diferença.

De nada serve um discurso religioso (cristão) cheio de 'se vc ama Jesus, compartilha' se você não faz nada além de rezar o terço.

Quanta hipocrisia! Quem quiser posar de boa pessoa, sai da frente do computador, e vai pra vila! Vai ver o que os caras tão precisando lá. Pára de cultivar teus preconceitos, pára de acusar os outros daquilo que vc não fez.
Precisamos sim de fé, mas isso por si só, não basta, não faz diferença! Se vc 'ama Jesus' como anuncia no Facebook, não precisa compartilhar (não enche o saco, ok?!), vai a luta e seja revolucionário como ele, vai a luta e seja a mudança que ele foi na sociedade onde ele viveu.


Os remos são dois.

Sabias palavras do Pensador... até quando vai ficar sem fazer nada?? 


Esses dias, papeando sobre educar, ser professor e etc, falei de Paulo Freire.
Na realidade, na universidade aprendi a detestar as pedagogas que ficam a falar e falar de Freire e nada fazem de concreto (Escrevi sobre isso em Fomos Maus Alunos?). E essa distâcia entre o discurso e a prática ea dissnância disso, me incomoda muito.
Hoje assisti pela milésima vez a entrevista do Paulo Freire, sobre Marxismo. Eu me apaixono cada vez que ele lembra que foi a realidade que fez com que ele aumentasse a sua fé, e por isso ele ia a luta.
Me disseram que sou idealista (e eu acho que concordo).

Esse post que fiz no facebook, foi em função de um profundo sentimento de decepção com meus companheiros cristãos. Ja escrevi algo sobre isso também (Fé e coisas simples), maa insisto em me incomodar com a hipocrisia de quem se diz cristão.
Então digo, não cante a Deus o que não canta pra si mesmo!
Não fique na igreja posando de bom/boa moço/a, se vais descer do altar pra humilhar e magoar alguém. Se é assim, fica em casa vendo o Luciano Huck.
Se você quer ver a mudança no mundo, sai do sofá. Larga esse terço e vai luta.
Quando falo dos dois remos (é uma alegoria, que ilustra o remo do trabalho e o da oração). Sem fé, sem acreditar, certamente não vais a lugar algum.

Mas não acredite que a tua fé vai mover montanhas, nem morro, nem nada.

Freire fala que com os camponeses ele se aproximou ainda mais  "do Cristo de quem eu era mais ou menos camarada". Mas ele só chegou lá, indo até a favela com as próprias pernas.
Vamos a luta, ainda há tempo.



Faço minhas as palavras de Freire:
"eu fiquei na mundanidade de Marx a procura da transcendência de Cristo."

Por MARIA,L.P.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não sou feminista e também sou contra o aborto

Na oficina “Mulher e Participação Política, Avanços e Desafios”, promovida pela União Brasileira de Mulheres (UBM), no Fórum Social Temático 2012, Estela Maris Cardoso, vice-presidente da Unegro e membro da UBM, lembrou da situação das mulheres negras e do encorajamento das mulheres:



“Nós mulheres negras já estamos nos espaços de poder, nos colocamos nas disputas. As mudanças acontecem nos materiais didáticos e livros escolares. Muitas vezes a questão cultural também é um impedimento. Eu tinha muita dificuldade em entrar na UBM. Eu dizia: não sou feminista e também sou contra o aborto. Mas comecei a refletir que, independente de ser ou não contra o aborto, muitas meninas morrem por abortos mau feitos. Então, integrei na UBM porque eu posso decidir que sou contra o aborto, mas essas meninas que decidem pelo aborto precisam ter o direito de escolha”, declarou Estela Maris, que é de Santa Catarina.


(Fonte: UBM discute desafios da mulher para o próximo período (30/01/2012))


Encontrei essa pequena fala no Facebook, num link relacionado as Blogueiras Feministas. Li e me identifiquei por completo.

Não concordo que nós, mulheres negras estejamos em espaços de poder, mas creio que estamos lutando para ocupá-los gradativamente, assim como tantas ‘minorias’.

Concordo que mudanças significativas estejam ocorrendo, mas também creio que estas sejam lentas (muito leentas). Que questões culturais muitas vezes são impedimentos, concordo mais que plenamente! Vejo isso no espelho todas as manhãs, e luto contra isso em mim mesma.

Eu dizia: não sou feminista e também sou contra o aborto
Caramba, também já disse isso. Primeiro, pois a mística que se constrói sobre uma feminista, é a imagem do demônio católico - de saias (e com as pernas cabeludas)... feministas são chatas, são radicais, são todas lésbicas (que horrível, não?!), odeiam os homens, e blablablabla. Na medida que fui conhecendo melhor o feminismo e as companheiras feministas, me dei conta de que essa imagem turva é construída pelo machismo, e não pelo feminismo. Inclusive até escrevi um pouco sobre isso nesse post (Eu e o feminismo)
Sobre ser contra o aborto, também tenho minhas contradições. Escrevi sobre isso aqui (Um resposta sobre o aborto - debater é legal!)  e considero que o mais importante em relação a este assunto, é um debate sério e maduro.

Normalmente as pessoas que se posicionam contra o aborto, são afetadas diretamente pelo moralismo cristão (inclusive eu). Se deixar convencer em razão de um falso moralismo é muito sério, pois precisamos de mais ‘choque de realidade’ e menos conservadorismo. Quem já se imaginou condenada pelo resto da vida a carregar uma responsabilidade que não é somente sua? É muito fácil dizer ‘vadia’, ‘assassina’, ‘fez e agora quer tirar o seu’, quando não está na pele da outra... sobretudo para os homens.

O homem até pode ter a sua posição, mas essa, é uma decisão da mulher. É uma política para mulheres, que deve ser pensada e discutida por elas, que são as verdadeiras interessadas. E isso pra mim, é o que conta. Reconheço que ainda tenho os meus pontos conflitantes pessoais em relação ao tema, mas penso que essa é uma pauta fundamental em relação à emancipação da mulher (política, cultural, social e religiosamente) e a garantia do seu direito.

Hoje estava acompanhando uma breve discussão no facebook, onde um rapaz levantava alguns questionamentos a cerca de dois bebês que foram abandonados recém nascidos essa semana no RS. Claro que isso é chocante, que é uma violência sem tamanho. Mas ninguém pensa no que a mulher que chega nesse ponto está vivendo... todos a criminalizam. Mas e o pai?? Ninguém lembra de perguntar sobre o pai...

A violência contra a mulher, acontece de diversas formas, e normalmente não é como os setores mais conservadores imaginam... os casos de estupro em uma rua escura a noite, é estatística. Centenas de mulheres são violentadas diariamente, pelos companheiros, por familiares, por amigos. Ai vem a mídia e os nossos amigos do face dizer ‘na hora de fazer não pensou’.
Não pensem que eu esteja defendendo o abandono de crianças por ai... estou questionando a nossa moral. Não criminalize, não julgue, não ofenda... não sabemos o que passou. Sejamos solidários a criança, a dor desse pequeno ser, mas sejamos solidários também ao desespero de uma mulher que deseja/comete um aborto. Certamente ela não vai fazê-lo sem motivos... é uma prática violenta e desumana, centenas de mulheres morrem por causa de abortos mau feitos. Mas se ela tem motivos, no mínimo, respeite.

Quando me refiro que os meus ‘valores cristãos’ também me deixam em conflito em relação a isso, eu admito, é um tema muito forte. Reconheço, abrimos mão me uma vida... mas quantas vidas não acabam se auto-destruindo com uma gravidez indesejada?? Imaginem a mãe que abandonou o seu filho, no ápice do desespero, vê na televisão todos acusarem a sua atitude... e essa vida, não foi destruída?

Tenho acompanhado um blog muito legal, o Católicas Pelo Direito de Decidir. Sugiro, aos amigos cristãos, a leitura... vale a pena.

Mas lembrem, aborto é um caso de saúde pública, e nem a minha igreja e nem outra qualquer tem o direito de dizer o que fazer. Precisa ser um política pública, é um direito e uma escolha da mulher, e liderança religiosa nenhuma tem absolutamente nada a ver com isso.

Antes de concluir. Digo a todos que mudei.
Eu sou feminista. Não posso ser contra o aborto.

Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Biscateando com o feminino

Antes de repliicar o texto, só queria contar que quando encontrei o blog Biscate Social Club, me identifiquei por completo, me apaixonei...

Eis a descrição do blog:
Biscate é uma mulher livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Esse é o nosso clube.
Entre, sintaxe a vontede e saboreie...

Por Silvia Badim, nossa Biscate Convidada





Bom, ser biscate não é uma tarefa fácil. Isso já é sabido em tons fortes e letras claras, com dedos em riste e defesas prontas para sermos quem somos. Uma biscate vai conquistando espaço, esparramando-se, sentindo-se à vontade com seu eu no mais profundo feminino plural. Um feminino feito de muitos, uma vontade feita de muitas, e uma liberdade conquistada de seguir seu caminho e dizer: eu vou. E vamos assim como for, com as pernas de fora ou os seios respirando ar puro, com paqueras roubadas ou beijos pedidos, com amigos risonhos e amores declarados. E, sobretudo, com coerência de ser quem se é. Com o sorriso franco rasgado de orelha a orelha, saltando pelos olhos: eu posso. E como é bom ser quem se é.

E a gente pode ser muita coisa, mesmo que os julgamentos avolumados digam não. Caminhamos pelo não com o orgulho afiado, buscando a autoestima esticada pela felicidade. E as possibilidades de amores se alargam à medida em que caem as amarras morais. O afeto cresce em cada esquina onde exista uma flor vermelha, e a vontade aumenta em cada gozo compartilhado com sede de vida. A gente pode, a gente tenta. A gente quer.

Uma biscate aprende logo cedo que amor não se esgota, amor se multiplica. Que o corpo é a chave para a acessar tanta coisa lá dentro, e lá dentro é um mundo que não ter portas ou fronteiras. Lá dentro é grande e fundo como os oceanos gelados. E a gente mergulha, é claro que a gente mergulha. Porque sem mergulhar as coisas perderiam metade da graça, e morreriam sem nunca terem nascido por completo. E eis que um dia, lá embaixo, naqueles mergulhos profundos, a gente descobre que a sexualidade é livre. Lá, beirando o fundo, não existem marcas de territórios ou quadrinhos com posses e regras. É um reino livre para nadar-se de braçadas, para acolher-se em estado submerso. E se o preconceito já não existia para o outro, passa a não existir para a gente também. A gente perde o preconceito com a gente mesmo. E aí a vida pode se apresentar, sorrir e chorar, colocar amores e desamores aos montes, escondidos debaixo da pedra ou visíveis em cartazes. A gente enxerga. A gente enxerga a gente sem máscaras, desenrola o novelo e lá no fundo somos essência brilhante que molda-se livre.

As barreiras de gênero então se alargam e a gente se permite biscatear com o feminino. Biscate-biscate amando mulher, repartindo corpos nus com a mesma forma e mistério de entranhas. O amor pode, ele é. Biscate ama, mulher ou homem, feminino ou masculino, homem-mulher ou mulher-homem, trans ou supertrans, qualquer coisa acima de rótulos ou caixinhas com etiquetas. A gente quer o outro, assim como ele é. É assim que é bonito: assim dilacerado em verdades, assim pronto para transgredir a vala comum. Até porque não sabemos de fato o que somos. Mas temos pistas e vontades acolhidas.

Sim, somos biscates. E somos livres. Eu sou!

Texto de Silvia Badim, disponivel em http://biscatesocialclub.wordpress.com/2012/02/01/biscateando-com-o-feminino/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

... até que todas sejamos livres!

E lembrando, relembrando e reforçando que...
 "Quando uma mulher AVANÇA, nenhum homem retrocede!"



(foto disponivel no Face da Lueci Silveira, tirada na Marcha de Abertura do FST 2012)
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!

Lutamos diariamente...
"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres"
(Rosa de Luxemburgo)