segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Crise capitalista, o machismo e o sujeito

Colocando em dia minhas leituras ‘pré-mestrado’, li uma edição do Caderno IHU, sobre os ‘Grundrisse’ de Marx (destaque para o texto de Jorge Paiva, 21/11/2011). Ao longo da leitura, anotações, conversas e releituras, me deparei com a seguinte afirmação:

“... o valor tem sexo [gênero], o capitalismo tem sexo. E que a entrada da modernidade deu, no capitalismo, um papel diferente ao homem e a mulher. E que, portanto, o patriarcado anterior se reforçou no capitalismo. Então, as mulheres ficam subalternas, o ‘homem manda’, exatamente porque também o valor deslocou isso. Então, como a crise atual, é uma crise de valor, ela leva a essa ‘crise do macho’, ela pode despertar nas mulheres um papel diferente. Evidentemente ai há um problema, porque o movimento feminista não pode pedir só oportunidade de ser igual o homem. Tem que pensar num movimento que supere, porque o ‘macho’ é um valor dessa sociedade em crise.”

Além disso, o autor diz que é preciso pensar na superação do sujeito.
Precisamos mudar a realidade.

As tentativas que surgiram no mundo, foram frustrada porque tentaram tomar o poder e acabar com o capitalismo, mas mantiveram as categorias que o constroem. De fato, não é possível acabar com o capitalismo sem realizar profundas mudanças na base da nossa sociedade, ou seja, no sujeito.
É necessário começar, na base, na comunidade. Não acredito que aquilo que vem ‘de cima para baixo’ seja efetivo, que mexa na consciência das pessoas. É necessário muito mais:

"É preciso pensar em uma superação do sujeito, portanto, da própria forma que fomos construídos e criados, organizados.”

Precisamos ir além:

“Não basta apelar para o estado e para o mercado, não basta ter trabalho, porque amanhã a pessoa pode estar desempregada. Somos forçados a pensar em uma situação nova. A dificuldade da critica radical, nesse particular, é organizar um novo movimento social, radical, transnacional, e pensar um tipo de relação social que não mais mediada pela troca. Isso é difícil, porque fomos educados na troca, mas por outro lado, ou nós fazemos isso ou então vamos sucumbir com o sistema.”

Todos, homens, mulheres, brancos, negros, pobres, ricos, cristãos, ateus, precisamos pensar nossas relação como um todo. Sabemos que as instituições, que as ideologias e que as relações nos oprimem. De tudo isso nós sabemos! Precisamos mudar tudo e fazer diferente... mas será que vamos esperar que tudo se exploda para começar a mudar?

Como diz aquela frase de Gandhi  ‘precisamos ser a mudança que queremos para o mundo’. Se de tantos que lutam diariamente pela mudança... mas ainda somos poucos!

Obs: Estou em ritmo de Fórum Social Mundial Temático – crise capitalista, justiça social e ambiental.
Sim, um outro mundo é possível!

Por MARIA.L.P.

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