segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Até quando??

Até quando, meu Deus?

Eu reconheço que ainda estou no ritmo das discussões do Fórum Social Temático.
A canção é antiga, mas ainda muita gente precisa ouvir isso.


"Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!





Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro
"


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Crise capitalista, o machismo e o sujeito

Colocando em dia minhas leituras ‘pré-mestrado’, li uma edição do Caderno IHU, sobre os ‘Grundrisse’ de Marx (destaque para o texto de Jorge Paiva, 21/11/2011). Ao longo da leitura, anotações, conversas e releituras, me deparei com a seguinte afirmação:

“... o valor tem sexo [gênero], o capitalismo tem sexo. E que a entrada da modernidade deu, no capitalismo, um papel diferente ao homem e a mulher. E que, portanto, o patriarcado anterior se reforçou no capitalismo. Então, as mulheres ficam subalternas, o ‘homem manda’, exatamente porque também o valor deslocou isso. Então, como a crise atual, é uma crise de valor, ela leva a essa ‘crise do macho’, ela pode despertar nas mulheres um papel diferente. Evidentemente ai há um problema, porque o movimento feminista não pode pedir só oportunidade de ser igual o homem. Tem que pensar num movimento que supere, porque o ‘macho’ é um valor dessa sociedade em crise.”

Além disso, o autor diz que é preciso pensar na superação do sujeito.
Precisamos mudar a realidade.

As tentativas que surgiram no mundo, foram frustrada porque tentaram tomar o poder e acabar com o capitalismo, mas mantiveram as categorias que o constroem. De fato, não é possível acabar com o capitalismo sem realizar profundas mudanças na base da nossa sociedade, ou seja, no sujeito.
É necessário começar, na base, na comunidade. Não acredito que aquilo que vem ‘de cima para baixo’ seja efetivo, que mexa na consciência das pessoas. É necessário muito mais:

"É preciso pensar em uma superação do sujeito, portanto, da própria forma que fomos construídos e criados, organizados.”

Precisamos ir além:

“Não basta apelar para o estado e para o mercado, não basta ter trabalho, porque amanhã a pessoa pode estar desempregada. Somos forçados a pensar em uma situação nova. A dificuldade da critica radical, nesse particular, é organizar um novo movimento social, radical, transnacional, e pensar um tipo de relação social que não mais mediada pela troca. Isso é difícil, porque fomos educados na troca, mas por outro lado, ou nós fazemos isso ou então vamos sucumbir com o sistema.”

Todos, homens, mulheres, brancos, negros, pobres, ricos, cristãos, ateus, precisamos pensar nossas relação como um todo. Sabemos que as instituições, que as ideologias e que as relações nos oprimem. De tudo isso nós sabemos! Precisamos mudar tudo e fazer diferente... mas será que vamos esperar que tudo se exploda para começar a mudar?

Como diz aquela frase de Gandhi  ‘precisamos ser a mudança que queremos para o mundo’. Se de tantos que lutam diariamente pela mudança... mas ainda somos poucos!

Obs: Estou em ritmo de Fórum Social Mundial Temático – crise capitalista, justiça social e ambiental.
Sim, um outro mundo é possível!

Por MARIA.L.P.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O trânsito machista de todos os dias

Entre os meus ‘hobbies’, sempre cito dirigir. Mas ai tem um detalhe: eu adoro dirigir, mas odeio o trânsito, dá pra entender?

Como moro em uma cidade e trabalho em outra, vou todos os dias para o trabalho de moto, e passo diariamente pela adorável BR116.

O trânsito gaúcho é um dos espaços onde o machismo é mais explícito e violento. Todos reconhecem as relações machistas do nosso cotidiano, mas o trânsito... sinto isso na pele todos os dias.
Tenho a impressão de que a maioria dos homens projetam o seu falo no seu veículo: querem mostrar que são fortes, potentes, corajosos, másculos. E quem os interrompe de tal demonstração merece ser expurgado, xingado, banido da estrada.
As atitudes não são nem em função de pressa, mas todo esse estresse é gerado por que o sujeito que está no outro veículo não pode ultrapassar o macho alfa, este que nunca pode dar lado para qualquer veículo, sobretudo os motociclistas.

Outro aspecto que venho observando os xingamentos mas comuns: descrédito à mulher, ao idoso e ao motociclista. Quando começam a buzinar e xingar o trânsito lento, sempre tem algo do tipo ‘sai daí seu velho’ ou ‘só podia ser velho’, o clássico ‘só podia ser mulher’ ou ‘veado, veadinho, bixa’, sem contar os xigamentos inúmeros que se fazem às mulheres, machistas e homofóbicos e à mãe do sujeito. Mas isso - lamentavelmente - não é nenhuma novidade.

Mais uma situação comum e extremamente violenta é a forma que tratam os motociclistas. Outro dia, em um congestionamento, um carro me fechou contra um ônibus (e todos os motociclistas que vinham atrás xingaram ele, pois por pouco não cai debaixo do ônibus). Outra vez, um cara jogou água em mim, pois estava ultrapassando. Ai se não ultrapasso, ‘só podia ser mulher’. Dá pra entender?

Mas o que mais me incomoda, é o assédio no congestionamento. Isso é muito ruim... paramos em uma sinaleira e o carro para no lado e buzina, faz sinal de luz, ou mesmo grita e começa a chamar. Isso é horrível... Pior ainda é quando tu não consegue te livrar, parando em duas ou três sinaleiras ao lado desses elementos. Eu queria saber se uma cantada machista e violenta no trânsito já ‘funcionou’, porque é ridículo para que faz, e constrangedor para quem recebe.

Canso de ouvir queixas sobre os motociclistas, que de fato, abusam da sorte no trânsito, mas os violentos, estão nos carros.
Lembrem dissoe quando estiverem na direção, falem para seus amigos e familiares estressadinhos no trânsito para ir devagar, o ir de ônibus mesmo.

Veículo não é arma, não é falo. Carro não é avião. Você não têm o corpo fechado e também não é um super herói. E mais importante, não espere isso das pessoas.

Leia mais em Mulher no volante sofre machismo constante em Blogueiras feministas


É pedir demais um trânsito mais democrático, menos violento e machista?
Mas é bom cada um começar fazendo a sua parte...

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poderia o amor ser uma ameaça a humanidade?

As pessoas que lêem meu blog sabem que sou católica.
Mas precisamos ter clareza de que quando a doutrina da nossa igreja não nos representa - muito pelo contrário - precisamos falar sobre isso. Sempre fui muito atuante na minha comunidade, e o fato de estar afastada não quer dizer que não vou continuar problematizando as coisas que acredito e as coisas que não aceito na minha religião.

Este texto encontrei no blog Católicas pelo direito de decidir, e se trata de um texto do deputado federal do PSOL Jean Wyllys, militante das causas LGBTTT's.
Outro ponto importante, é que como mulher, feminista e ainda assim católica, não posso me omitir de defender a causa LGBTTT's.
Como católica, como mulher, me sinto na obrigação de defender o amor, antes de qualquer coisa.

Bento XVI e as ameaças contra a humanidade - texto do deputado federal Jean Wyllys

13/1/2012
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Eu pensava que o que o ameaçava o Planeta eram as guerras e a injustiça social, mas o Papa Bento XVI pensa que é o casamento homossexual. Foto: AFP
por Jean Wyllys

O papa Bento XVI disse que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”.
Eu pensava que o que o ameaçava eram as guerras (muitas delas étnicas ou religiosas), a fome, a miséria econômica, a desigualdade e as injustiças sociais, a violência, o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, o crime organizado, as ditaduras de todo tipo, a supressão das liberdades em diferentes países, os genocídios, a poluição ambiental, a destruição das florestas, as epidemias… Porém o papa, mesmo ciente de todos esses males e consciente de que sua instituição – a Igreja Católica Apostólica Romana – contribuiu com muitos deles ao longo da história ocidental, disse que a humanidade é ameaçada pelo fato de dois homens ou duas mulheres se amarem e, por isso, decidirem construir um projeto de vida comum e obter o reconhecimento legal dessa união para gozar de direitos já garantidos aos heterossexuais.

O amor e a felicidade como ameaças contra a humanidade: foi o que afirmou Bento XVI.
O amor, uma ameaça?!

Dentre todos os desatinos do papa, este foi o que mais me chocou. Talvez porque sua afirmação estapafúrdia e anacrônica tenha violado diretamente a minha dignidade humana de homossexual assumido e orgulhoso de minha orientação sexual e de minha formação científica (sim, porque a afirmação de Bento XVI parte da crença absurda de que o casamento civil igualitário vai transformar todos os homens e mulheres em homossexuais e vai impedir que todas as mulheres da Terra recorram às técnicas de reprodução artificial).

Ora, o amor, como a fé, é inexplicável: sente-se ou não. Não há dicionário que possa defini-lo; só o poeta pode dizer alguma coisa a respeito — fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente— mas para entendê-lo é preciso sentir tudo aquilo que o papa, os cardeais, os bispos e os padres, pelas regras do trabalho que escolheram desde jovens, são proibidos de sentir – seja por outro homem, seja por uma mulher.
Talvez por isso eles não entendem.

Mas o amor nunca poderia ser uma ameaça para a humanidade; antes, sim, uma salvação para os seus piores males, um antídoto contra os venenos que a intoxicam, uma vacina contra as doenças que a afligem. O papa está errado de cabo a rabo. Ele não entendeu nada mesmo.
Contudo, mesmo não entendendo, ele deveria ter um pouco de responsabilidade. Suas palavras têm poder, influência, entram na cabeça e no coração de milhões de pessoas no mundo inteiro. Ele poderia usá-las para fazer o bem. Em vez de dedicar tanto tempo e esforço a injuriar os homossexuais — eu confesso que não consigo entender o porquê dessa obsessão que ele tem com a gente — o papa poderia se colocar na luta contra os verdadeiros males que ameaçam, sim, a humanidade. Esses que matam milhões, que arruínam vidas, que condenam povos inteiros.
Bento XVI não pode continuar difundindo o ódio e o preconceito contra os gays. Ele não pode dizer que nós, só por amarmos, só por reclamarmos que o nosso amor seja respeitado e reconhecido, somos “uma ameaça”. Aliás, porque esse tipo de frases têm uma história. “Os judeus são a nossa desgraça!” (“Die Juden sind unser Unglück!”), disse o historiador Heinrich von Treitschke, e essa desgraçada expressão, publicada na revista alemã Der Sturmer e logo usada como lema pelos nazistas, deu no que deu. Nós, homossexuais, também sabemos disso: o nosso destino na Alemanha nazista, onde Bento XVI passou sua juventude, era o mesmo dos judeus, só que em vez da estrela de Davi, o que nos identificava noscampos de concentração era o triângulo rosa.
A tragédia do nazismo deveria ter servido para aprender que o outro, o diferente, não é uma ameaça, nem uma desgraça, nem o inimigo. E nós, homossexuais, não ameaçamos ninguém. O nosso amor é tão belo e saudável como o de qualquer um. E merecemos o mesmo respeito e os mesmos direitos que qualquer um.

Da mesma maneira que acontece agora com o “casamento gay”, o casamento entre negros e brancos — chamado, na época, “casamento inter-racial” — já foi considerado “antinatural e contrário à lei de Deus” e uma ameaça contra a civilização. Numa sentença de 1966, um tribunal de Virgínia que convalidou sua proibição usou estas palavras: “Deus todo-poderoso criou as raças branca, negra, amarela, malaia e vermelha e as colocou em continentes separados. O fato de Ele tê-las separado demonstra que Ele não tinha a intenção de que as raças se misturassem”. O casamento entre alemães “da raça ária” e judeus também foi proibido por Hitler. Até os evangélicos tiveram o direito ao casamento negado em muitos países durante muito tempo, porque eram, também, uma ameaça para a Igreja católica. Parece que alguns pastores não se lembram, mas foi assim.
Na Argentina, que em 2010 aprovou o casamento igualitário, a primeira grande reforma ao Código Civil, no século XIX, foi impulsionada pela demanda dos protestantes, que reclamavam o direito a se casar. Vários casais não católicos se apresentaram na Justiça, como agora fazem os homossexuais. Quando o país aprovou a lei de criação do Registro Civil e, depois, o matrimônio civil, em 1888, houve graves enfrentamentos entre o governo argentino e a Igreja Católica, que incluíram a quebra das relações diplomáticas com o Vaticano. No Senado, um dos opositores ao matrimônio civil disse que, a partir de sua aprovação, perdida a “santidade” do matrimônio, a família deixaria de existir. A lei foi chamada de “obra-mestra da sabedoria satânica” por monsenhor Mamerto Esquiú, quem disse sobre os governantes argentinos da época que “amamentam-se dos peitos da grande prostituta, a Revolução Francesa”. Todas a predições apocalípticas que foram feitas contra a lei de matrimônio civil, no entanto, não se cumpriram. Anunciaram, garantiram que o mundo ia se acabar… mas o mundo não se acabou.
Passou-se mais de um século, mas as discussões são as mesmas. Os argumentos são os mesmos. E o papa Bento XVI continua sem entender.

Não entende, tampouco, que o casamento civil e o casamento religioso são duas instituições diferentes. O casamento civil está regulamentado pelo Código Civil, que pode ser modificado pelo Congresso, já o casamento religioso depende das leis de cada igreja: por exemplo, o casamento católico é diferente do casamento judeu.
O casamento religioso é feito na igreja, templo, mesquita ou terreiro; o civil, no cartório. Para celebrar o casamento religioso na Igreja católica, os noivos devem ser batizados ou fazer um juramento supletório do batismo e devem realizar um curso prévio na igreja – o que não é necessário para o casamento civil, que pode ser celebrado por pessoas de qualquer religião ou por ateus. O casamento religioso, na maioria das igrejas cristãs, é indissolúvel – já o civil admite o divórcio.
Em conseqüência, uma pessoa pode se casar na Igreja apenas uma vez na vida, mas pode casar quantas vezes quiser no cartório, desde que seja divorciada. O casamento religioso, para que produza efeitos jurídicos, deve ser registrado no cartório – os efeitos jurídicos do casamento civil são imediatos. E essas são apenas algumas das muitas diferenças que existem entre o casamento civil e o religioso…

O que nós, homossexuais, reclamamos é o direito ao casamento civil. O projeto de emenda constitucional (PEC) que estou impulsionando no Congresso não mexe em nada com casamento religioso, cujos efeitos jurídicos são reconhecidos no art. 226 § 2 da Constituição, que se manterá inalterado. Meu projeto legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas nada diz sobre o casamento religioso. Da mesma maneira que o Estado não deve interferir na liberdade religiosa, as religiões não devem interferir no direito civil. Este último é uma instituição laica, que deve atender por igual as necessidades daqueles e daquelas que acreditam em Deus — em qualquer Deus ou em vários Deuses — e também daqueles e daquelas que não acreditam.

Chegará o dia no qual uma criança irá à biblioteca da escola para procurar, nos livros de história, alguma explicação sobre um fato surpreendente que o professor comentou em sala de aula: “Até o início do século 21, o casamento entre dois homens ou duas mulheres não era permitido”. Para o nosso pequeno cidadão, essa antiga proibição resultará tão absurda como hoje nos resulta a proibição do casamento entre negros e brancos, ou do voto feminino. E se ele descobrir, na biblioteca, que houve um dia em que um papa disse que o casamento gay ameaçava a humanidade, provavelmente sentirá a mesma repulsa que nós sentimos ao lermos a desgraçada frase de von Treitschke.
Bento XVI deveria pensar se ele quer passar à história dessa maneira. Ainda está em tempo.

Tomara que algum dia ele seja capaz de entender e aceitar o amor — qualquer maneira de amor e de amar — e fazer aquilo que Jesus Cristo pregava: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.

Disponivel originalmente em Carta Capital

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Dois mil e doce!



Felicidade - Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.

Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.


Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.


Feliz dois mil e doce!
Muitos sonhos, muita luta, muito trabalho, muitas conquistas, muito amor...
Que ninguém espere por um ano melhor do que o que passou. Mas que sejamos pessoas cada vez melhores para o ano que surge!
Paz e bem - pax et bonum!

Por MARIA, L.P.