terça-feira, 30 de agosto de 2011

“Mulheres” são brancas; “Mulheres negras” são negras.

Antes do post, quer esclarecer que o texto não é meu, é de autoria de Mari Moscou, das Blogueiras Feministas. Sempre deixo a fonte ao final da postagem, mas como a autora ao longo do texto afirma a sua afrodescendência, apesar do seu fenótipo europeu.  Em alguns locais, pessoas tentando 'me elogiar' me dissem que eu 'nem sou tão negra assim', por ter a pele mais clara que boa parte da minha família, o que faz de mim branca (em nenhum aspecto).
Achei tri importante além de destacar a minha negritude,  postar do texto da Mari é quando ela diz "O feminismo é a idéia radical de que mulheres negras são gente."

Sem mais palavras.
MARIA,L.P.



“Mulheres” são brancas; “Mulheres negras” são negras.


Ontem foi Dia da Visibilidade Lésbica e pipocaram aqui um monte de textos bacanas. Há alguns dias, uma de nossas autoras fez uma crítica pública, não só ao nosso blog, mas também ao feminismo como um todo, reivindicando que a condição das mulheres negras fosse uma pauta no mínimo mais frequente. Neste blog, esta ausência se refletiu no número irrisório de posts que tratam, especificamente, das mulheres negras. Como bem disse a Luana, em 282 posts somente 3 falavam sobre o assunto, sendo que 2 eram dela mesma. Daí que tivemos a oportunidade de aprender muito a partir dessa crítica, eu, Luana, e todas as outras autoras e não-autoras do blog que participam do grupo chamado Blogueiras Feministas.



Quando esta infeliz estatística nos foi posta a olhos houve, da parte de algumas de nós, eu inclusa, a impressão pouco crítica de que o fato dos outros 279 posts não falarem sobre as mulheres negras não necessariamente significava que falavam sobre as mulheres brancas. Até que azamigue mais afiadas vieram com a novidade para a qual – pasmem – não tínhamos nos atentado até então: quando não se diz a cor, a etnia, a raça, ela é branca, ocidental, europeizada. Oras, não é uma das reivindicações do feminismo dar visibilidade às mulheres? Frisar que estamos aqui, que o coletivo plural no masculino não nos contempla? Então como não havíamos, esta fatia das BF, imaginado que quando não dizemos a cor, a cor é branca?

Simples. Somos brancas. Majoritariamente brancas. A internet é um ambiente majoritariamente branco. Mas isso vai além da cor da pele. Ser branco, ser negro, ser oriental, são questões que passam diretamente pela identidade com aquele biotipo étnico. E de onde vem a identidade? Da educação, da mídia, da televisão, dos jornais, das novelas, da família. Ah, a família… Espaço privilegiado de reprodução e manutenção do status quo, essa nossa velha companheira. Dizemos frequentemente que temos sim, sangue negro, nós brasileiras brancas, que também temos sangue índio, sangue europeu, e por aí vai. E temos. Mas porque o sobrenome que escolhemos é o estrangeiro? Porque insistimos em contar ao mundo de nossa ascendência russa, italiana, suíça, alemã e nos esquecemos de nossa ascendência africana e indígena? Ascendências essas, vejam, que não temos nem como saber exatamente de onde são. A que tribo pertenceu meu trisavô? A que sociedade pertenceram meus trisavós? Me entristece não saber. Me entristece a informação dizimada, apagada, nas voltas de árvores do esquecimento. As partes européias sei exatamente de onde vieram. Não é injusto?


Como todos os outros privilégios sociais, ser branca significa nunca ter vivido uma situação de discriminação racial. Embora haja gente que clame por aí que é discriminado por negros, que há racismo ao contrário e bla-bla-bla-whiskas-sachê, vale lembrar que o racismo é estrutural. Se sou branca e as pessoas em determinado bairro não confiam muito em mim por conta disso (improvável, já que há uma construção histórica e social aí que faz a aparência boa ser a branca, mas vamos supor uma realidade onde isso é corrente), isto não faz com que eu ganhe menos. Isto não faz com que eu tenha menos chances de ser contratada ou aprovada numa banca de seleção de doutorado pela minha “aparência”. Isto não faz com que as pessoas atravessem a rua ao me ver chegar. Isto não faz com que suponham que sou babá ou empregada doméstica ao me verem com crianças de outro biotipo étnico num parque. Isto não faz com que me olhem como se minha sexualidade estivesse disponível a todo e cada homem, como uma garrafa de cerveja.


Pessoalmente, minha afrodescendência não me parece suficiente para me autodeclarar negra, embora eu saiba que, sim, sou negra também. Pois pelo meu biotipo étnico – bem branquela, cheia de sardas, cabelo ondulado, nariz fino pontudinho, lábios de espessura mediana, etc. – sempre fui colocada e aprendi a me colocar no lado privilegiado da sociedade. Isto me deu uma espécie de capital racial, desigualmente distribuído entre as pessoas em nossa estrutura social. Que quero dizer com isso?


Que tendo este biotipo étnico sempre fui tratada como branca, com as regalias e privilégios que uma pessoa branca tem. Também sempre estudei e frequentei espaços majoritariamente brancos. Minhas cantoras ídalas na infância e adolescência eram quase sempre brancas (exceção para Mel B, das Spice Girls, ié!). As pessoas que eram mostradas como bacanas na TV eram brancas. As modelos, as “mulheres bonitas” eram brancas (porque, se fossem negras, não eram “mulheres bonitas”, eram “negras bonitas”, o que faz toda diferença). As professoras, cientistas, pesquisadoras, intelectuais, executivas, empresárias, princesas, presidentas: brancas, brancas, brancas, brancas…


Deriva-se daí a sensação de que, estando nestes espaços (universidade, mídia, política, etc) estou justamente onde eu, branca, deveria estar. Como esta sensação e este tratamento não são aplicados individualmente só a mim, mas parte da forma da nossa sociedade ver as pessoas, é como se eu partisse na corrida com 100m de adianto. As negras 100m atrás. Os homens negros uns 50m atrás de mim e os brancos uns 80m mais à minha frente. A pista da chegada a posições de poder, prestígio e salários altos tem 200m no total.


Façam as contas.


Então, sim, precisei de um chacoalhão de minhas companheiras pra perceber tudo isso. Ou pra lembrar, já que tive o privilégio (outro) de crescer em ambientes cercada de pessoas anti-racistas, mesmo com esse racismo estrutural nos cercando. Mas não, não tenho orgulho nenhum disso. Orgulho de ocupar uma posição privilegiada às custas de uma estrutura desigual que massacra, oprime, mata? Não, obrigada.


O feminismo é a idéia radical de que mulheres negras são gente.

Texto de Mari Moscou, disponivel em http://blogueirasfeministas.com/2011/08/mulheres-brancas-negras/



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Por que os cristãos devem defender os direitos dos homossexuais

Texto de André Egg 'Por que os cristãos devem defender os direitos dos homossexuais'. Como os que leem este blog sabem, sou católica e defendo os direitos LGBTTT's.
Achei a análise muito bem colocada!! Acredito que é um dever do cristão (que assim se intitula) amar e respeitar o próximo, seja ele quem for. Tolerância é bom, mas respeito é fundamental. E não cabe ao bom cristão cultivar a hojeriza ao outro, o mandamento, afinal, é este ‘amar uns aos outros’.



-- www.changingattitude.org --

Existe uma certa tradição no cristianismo que consiste em negar a sexualidade. Essa tradição não é, de maneira nenhuma, “correta”, “divina” ou “bíblica”. É uma tradição espúria, um ascetismo que pode ser creditado às influências de religiões muito mais antigas que o cristianismo.

Essa tradição pode ser creditada em parte a Agostinho de Hipona, também conhecido como Santo Agostinho, o mais importante dos chamados “pais da igreja”, e certamente uma das maiores colunas daquilo que se entende por ortodoxia cristã. Para ele, o “pecado original” tinha conotação sexual, e vinha transmitido de Adão para toda a raça humana quase como uma doença venérea que passa de pai para filho. Tal tradição associou-se fortemente à noção de perdição-salvação que formou a base de uma teologia que tem pouco de cristã, se pensarmos essa palavra como relacionada ao ministério de Cristo.

Os principais personagens bíblicos sobre cujas vidas sexuais há algo mencionado nos relatos não são exatamente os bons exemplos de “virtude” e “pureza” que hoje certos grupos identificam como qualidades cristãs. A ideia de controlar a sexualidade das pessoas não tem nada de “bíblica” ou “cristã”. Não há por que imaginar que um adulto não possa decidir quem ele quer beijar, em que posição ele quer transar, com que tipos de roupas ou apetrechos, ou quaisquer outros detalhes que não vou mencionar aqui.
Os limites da sexualidade moralmente aceitável devem ficar claramente dentro daquilo que podemos definir como ética cristã: a inexistência de violência, o respeito ao próximo, a compreensão, o amor, o carinho. Fatores que certamente não excluem as relações homoafetivas — e, por outro lado, não podemos deixar de lembrar que certamente estão ausentes em diversos casais heterossexuais.
Dificilmente alguém poderia usar de argumento teológico ou mesmo do relato bíblico para condenar condutas sexuais consentidas entre adultos. Trata-se, na verdade, de outras questões, muito mais mesquinhas.

Os judeus tinham suas regras muito claras, que incluíam o apedrejamento de mulheres adúlteras. É fácil lembrarmos de como Jesus trata desses casos no relato dos Evangelhos. Estão lá essas mulheres sendo defendidas pelo Mestre em histórias narradas no capítulo 8 do Evangelho de João, no final do capítulo 7 de Lucas, ou no capítulo 4 de João.

Jesus estava pronto a apontar a incoerência dos homens religiosos de seu tempo, que estabeleciam suas hierarquias de pecado conforme certos interesses. O que nos mostra que a moral sexual que os religiosos arrotavam não era nada de origem divina. Era mera formalidade, coisa para estabelecer que uns seriam melhores que outros, exatamente o tipo de estereótipo que o Cristo sempre se dignou a quebrar.

Em tempos posteriores, pensou-se que o fato de o relato dos Evangelhos não descrever que Cristo tivesse se casado devesse ser tomado como exemplo de santidade, reforçado pelo exemplo do apóstolo Paulo. Assim, surgiu o monasticismo cristão, e a noção de que uma vida sem sexo era uma vida livre de pecado. Os seres melhores e mais santos seriam aqueles que não copulavam (a verdade é que muita coisa sempre aconteceu dentro dos mosteiros, mas vamos tomar a inocência por admissível). Os mais fracos seriam os que não resistiam ao “desejo da carne” e mantinham a procriação da espécie. Entretanto, o ato não poderia ser tomado como fonte de prazer, especialmente pelas mulheres – que deveriam ter o exemplo de Maria como máximo. Engravidar e dar a luz sem ter transado tornou-se o inatingível ideal a ser perseguido.

O celibato se impôs como necessidade econômica no momento em que a produção coletiva dos mosteiros era capaz de fazer a diferença entre a vida e a morte de populações em vastas regiões da Europa e do Oriente Médio. O clamor pelo celibato vinha do povo para os clérigos, pelo exemplo que contrastava a vida corrupta dos bispos “seculares” em comparação aos homens santos dos mosteiros.

De modo semelhante, a família nuclear burguesa pareceu o melhor arranjo ao mundo das transações comerciais urbanas, enquanto desarranjos sexuais podiam pôr a perder a economia e subsistência da população. No mundo urbano que se desenhava na Europa do século XVI, uma das principais medidas das reformas religiosas que sacudiram o continente junto com revoluções políticas foi a abolição do celibato e do monasticismo, e o surgimento de uma teologia da família. A necessidade da existência da família nuclear como modo de fazer frente às necessidades produtivas da vida moderna talvez tenha feito com que os hábitos sexuais continuassem sendo tão vigiados.

Não existe mais necessidade disso, entretanto o cachimbo faz a a boca torta. Ninguém é capaz de dar razão plausível, mas a condenação de certas condutas sexuais é hábito arraigado. Isso leva pessoas a agredirem outras na rua por expressão de afetividade que julgam não tolerável. O mesmo tipo de reação condicionada, irrefletida e brutal, leva ao clamor que faz com que líderes religiosos mais interessados em serem bem vistos por seu público alvo do que em manterem-se fiéis à Verdade são capazes de bradar de seus púlpitos contra as condutas sexuais que são julgadas intoleráveis.

Os jovens devem-se resguardar do sexo, bradam pastores e padres. O sexo é só para casados, seguem os inquisidores. Só pode ser heterossexual, normatizam os que se arrogam a posição de líderes do rebanho. E assim barram-se no Congresso brasileiro as leis que punem a violência contra homossexuais. “É para defendermos a lei de Deus”, argumentam os falsos pastores. Deveriam dizer: “É para podermos continuar usando a violência verbal, institucional e física para coagir a obediência às nossas leis, que as fazemos e colocamos na boca de Deus”.

E barram-se as iniciativas para que a afetividade homossexual possa ser discutida na escola. E segue-se usando a intolerância contra decisões de foro individual – achamos que temos o dever de bater, prender, internar, condenar quem usa roupa assim ou assado, fuma isso ou aquilo, transa desse jeito ou daquele, com essa pessoa ou com aquela.
Nada mais tolo, desumano e injusto. Obviamente não há nada de cristão em praticar ou defender este tipo de violência insana. Defender o direito de cada um à expressão de sua própria sexualidade é uma obrigação moral e, como tal, uma ordem de Deus. Não há mais o que esperar: nós, cristãos, devemos tomar posição a respeito.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carta a um machista em redenção

Este post foi originalmente publicado no Papo de Homem a convite de seus editores, com o título “Conselhos a um machista em redenção”. Ele está sendo republicado aqui na íntegra como foi enviado. Outro post nosso que também foi publicado lá é o “7 Mitos Machistas que eu e você reproduzimos” que já teve seu original “7 Fatos do Machismo Diário” republicado aqui.



Imagem de Paul Lowy, no Flickr em CC alguns direitos reservados


Oi, Gustavo Gitti,


Soube que você estava se questionando, pensando em como ser menos machista, e resolvi escrever pra você. Não tenho pontos de chegada, mas conheço umas estradas, vamos percorrê-las? De quebra, escrevo não só pra você mas todos aqueles que desistiram de ser o macho que bate no peito e grita como Tarzan no século XXI. Para os que resolveram mudar e construir um mundo mais igualitário, para mulheres e homens. Aquele que decidiu que chegou a hora de tirar o “S” do peito e deixar de lado aqueles preconceitos idiotas de que mulher no trânsito é perigo constante, de que se pagou o jantar na sobremesa deve estar incluído um boquete.


Então, eu acredito que existem três coisas fundamentais pra começar este processo:


a) sair da postura defensiva. Quando falamos de machismo não estamos reduzindo você a este aspecto. Não é que você SEJA machista e nada mais. Reconhecemos que você também se comporta de forma atenciosa, inteligente, espirituosa…isso são aspectos, né? Cada um de nós é um mosaico.


b) aceitar abrir mão de privilégios. Faz parte da sociabilidade humana: ceder, respeitar, reconhecer. Que privilégios, você pode se perguntar. Eu respondo: desde ser melhor pago pelo mesmo trabalho que uma mulher até avaliá-la e classificá-la pejorativamente pela sua disposição ou disponibilidade sexual. Se eu for de vestido curto para faculdade, se entrar embaixo do edredon com alguém num reality show, se pegar dois caras de uma mesma turma, o que me acontece? Não interessa minha inteligência, meu senso de humor e nem minhas dicas de shows bacanas, se eu era de esquerda ou direita, a partir daquele momento eu sou a vadia, a puta, a biscate que não vale nada. E você? Quando você pegou duas mulheres na mesma noite, disseram o quê? Pois é. Privilégio é isso.

c) ficar vigilante. Nossa sociedade é estruturada com valores machistas. Há uma naturalização dos campos de comportamento, aprendizagem, trabalho, lazer, sexualidade, baseados em estereótipos biológicos. Masculino e Feminino não são regras fixas, pré-determinadas, naturais. São conceitos construídos e fixados ao longo de séculos de formação cultural, reproduzidos diariamente. Será que você consegue enxergar as entrelinhas? Por exemplo: mulheres não foram sempre preocupadas com dietas, achando que sempre podem perder mais 3 quilos. Não é biológico categorizar mulheres em dois grandes grupos: as putas e as decentes. A cientista que passou anos estudando e descobriu a cura para uma doença terá que dar entrevista falando que sempre arruma um tempinho para pintar as unhas. A presidenta, senadora, deputada ou vereadora será questionada em entrevistas sobre o que mais gosta de cozinhar. A universitária que cursa engenharia mecatrônica terá que ouvir milhares de piadinhas sobre mulheres que não sabem ligar uma cafeteira. Nenhum homem terá seu trabalho, ou seu blog avaliado como “coisa de homenzinho”. Essa banalização de papéis nos cega para as distinções cotidianas. É preciso “estar atento e forte” e reconhecer que todo mundo pisa na bola, que somos passíveis de engano, que vez ou outra o contexto cultural fala pela nossa boca.




Partindo do reconhecimento destas premissas, algumas sugestões pro dia-a-dia. Não é receita, não é modelo, tá? Se se compreende que há diversidade de anseios, desejos e comportamentos nas mulheres simetricamente também se reconhece a diversidade dos homens. Das pessoas. Mas vamos às dicas que estamos neste papo pra isso, né?

1. Não faça piadas sexistas. Nem homofóbicas. Nem racistas. Não ria de piadas assim. Observe a sua linguagem. Por exemplo: quando você fica com raiva de uma mulher – seja por um problema no trabalho, no trânsito, etc. – qual o primeiro xingamento que lhe ocorre? Você já chamou algum homem de “boi”, “galo”, “piranho”? Já reparou a diferença de conotação entre “vagabundo” e “vagabunda”? É isso, tente evitar usar palavras que trazem essa carga de sexismo. Ah, uma dica, repare também se você fala “o homem” no sentido de “a humanidade” como: “o homem está pesquisando a cura de várias doenças”, é um bom indício de um pensamento sexista.


2. Não rotule. Reflita se suas conclusões estão sendo tiradas a partir da sua relação pessoa-pessoa ou baseada em generalizações sociais. Pode causar estranheza ver uma mulher em ambientes considerados masculinos, como estádios de futebol, cursos de engenharia, etc. Mas não tire conclusões precipitadas, não assuma logo de cara que ela está ali porque está a fim do jogador ou porque quer aparecer. Muitas mulheres gostam de futebol, curtem matemática, são hábeis em situações que exigem lógica. Olha, comportamento não vem de fábrica. É item customizado. “Mulher”, assim como você, é ser em construção e deve ser compreendida uma a uma.


3. Pense. Somos humanos e desde Sócrates (o filósofo, não o meia) que se reconhece que uma das coisas que caracteriza nossa humanidade é a capacidade de refletir sobre a reflexão. Na dúvida, antes de fazer um julgamento, se pergunte: e se fosse um homem naquela situação? Se a resposta for a mesma, beleza. Se houver inquietação, alerta vermelho, comportamento machista à vista. E se fosse um homem andando sozinho na rua de madrugada? E se fosse um homem dirigindo? Jogando? Falando sobre leis da física? Cozinhando?


4. Observe o cotidiano. Repare no trabalho invisível que sobrecarrega as mulheres. Por que as mulheres é que levam as crianças ao médico? Por que elas é que comparecem às reuniões de pais na escola? Por que você lava a louça e se sente “ajudando em casa” e ela esfrega os azulejos do banheiro, engoma a roupa, arruma os armários quando se chega do mercado, coloca as roupas na máquina? Repare nas obrigações e culpas invisíveis que exacerbam esta sobrecarga. Por que “quem pariu Mateus que balance”? Se você quer realmente mudar, Gustavo, faça o trabalho doméstico. Porque eu posso ficar horas nesse blá blá reflexivo, mas nós dois sabemos que na hora do pega pra capar (olha a linguagem sexista aí, gente – tá vendo, eu também piso no tomate) o que vale é ação refletida. Então, faça o trabalho doméstico. Experimente a rotina dela: chegar em casa e ainda ter a casa para cuidar, o supermercado para fazer, a roupa para lavar. Melhor do que ler e se informar sobre a dupla jornada de trabalho das mulheres é entender na prática o que isso significa. Se quiser dar mais realismo à experiência, peça a essa mulher que ao chegar em casa te pergunte o que tem pra jantar e reclame: “Frango, de novo?!”

Ah, como você notou, tenho muito a dizer sobre isso. Quem sabe continuamos falando, adoro papear.

Para entender mais:
Pesquisa da Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc: Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado.


Disponível em Blogueiras Feministas
http://blogueirasfeministas.com/2011/08/carta-a-um-machista-em-redencao/
(Somos brasileir@s, de várias partes do país, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O medo do comunismo (isso não é um eufemismo)


Recebi hoje um email, de um amigo com o texto "EUFEMISMOS e UTOPIAS" (de autoria de um tal de Gen Bda Ref Carlos Augusto Fernandes dos Santos) sobre o qual não pude deixar de expressar minha opinião...
Essa pessoa que me enviou isso, outras vezes já havia me enviado outras coisas sobre a ameaça comunista nas escolas e outras coisas do tipo. Os dois posts que fiz sobre a Marcha da Familia foi baseado também nos emails dessa pessoa.
Lamento, essa ingenuidade.



O texto tem bem a cara de um militar.
Diga-se de passagem, que nunca leu Marx e não faz idéia do que é comunismo, socialismo ou mesmo cooperativismo. É uma pena.
Sem contar que o PT deixou de ter um caráter popular desde que se permitiu capitalizar, com a ascensão ao governo federal, através do pacto com grandes partidos igualmente corruptos.
Concordo que a corrupção deja um dos nossos grandes maus, esta que desvia dinheiro da educação e da saúde. Mas tenho certeza que a culpa é do capitalismo e o comunismo, não tem absolutamente nada a ver com isso. Comunismo é outra coisa. Mas entender o marxismo através de um militar, é muita igeniudade.
Não acredite em tudo o que dizem por ai, quando afirmam que isso é uma democracia. Não há democracia onde um governo é movido pelo capital, políticos ganham milhões e milhares morrem de fome todos os dias. E quando a idéia de que o PT vem se infiltrando com o objetivo de 'implementar uma ditadura comunista', é discurso de militar com medo de perder o poder. Isso sim é uma ditadura.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pelo retrovisor

Amém - O Teatro Mágico


" [...]

Retrovisor é passado

É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas!"




Caso gostem, acessem http://www.oteatromagico.mus.br/
Musica de qualidade, música com conteúdo e, enfim, boa música.


Por MARIA,L.P.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não somos o que deveríamos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos!

Olá amigos, colegas, leitores.

Estou há alguns dias sem postar nada, estava em férias.

Eu teria muitas coisas a escrever, sobre Curso do Onda, enchentes, acidentes familiares, doenças, festas e tantas outras coisas que ocorreram nesses dias que nada postei.
Mas este momento da minha vida, merece uma postagem mais que especial... minha formatura na Universidade! Sonhei muito com este dia, muitas foram as pessoas que fizeram parte deste momento e de toda a jornada. Obrigada aos amigos, colegas, companheiros e camaradas... e parabéns queridos amigos formandos! Só posso dizer que estou muito feliz, por este momento. Mas ainda há muito o que fazer... somos seres inacabados, e como historiadora sei que este é apenas um episódio. Muitas histórias ainda virão!

Como sabem, fui oradora da turma de formandos 2011/01 em História da Unisinos. Segue o meu discurso... é importante partilhar daquilo que me alegra, entristece as vezes:, mas é no que acredito!




Discurso de Orador de Formatura História 2011/01





Ilustríssimo Prof. MS. Carlos Alberto da Cruz (presidente da mesa) , demais componentes da mesa, caros colegas, queridos familiares, amigos, senhoras e senhores, boa noite!

Em primeiro lugar, preciso me desculpar frente aos colegas, pois havia prometido uma coisa, e devido ao frio não será possível. Mas não se preocupem, fica para a nossa próxima formatura... oportunidades sempre teremos, afinal, esta é a Era de Aquarius...

Também preciso assumir o quanto estou nervosa! Fui por diversas vezes porta voz do Diretório Acadêmico de História em palestras, eventos, seminários, encontros estudantis, sem contar as inúmeras vezes que interrompi as aulas dos professores aqui presentes para falar a respeito das atividades do movimento estudantil. Mas agora é diferente, não falo apenas ‘de estudante para estudante’, mas falo como graduada, representando esta turma de Licenciados em História, a responsabilidade é outra, mas como assumi esta tarefa, vamos lá!!

Então, caros colegas, aqui estamos. Graduados, finalmente! Nessa Grande Jornada, fomos obrigados a aprender a caminhar. Para uns, a caminhada teve mais curvas, para outros, menos. Andando por quatro, cinco, seis, sete, oito, nove ou até dez anos, alguns correram e chegaram ao seu destino mais rápido, muito embora outros precisaram parar algumas vezes, mas todos sabemos o quanto isso nos custou, cada um percorreu o seu caminho para o destino.

Como todos já sabem, o tema escolhido por nós é o Cinema. Creio que o que este tema nos proporciona de original, também nos caracteriza. Este tema nos possibilita agregar arte e ficção, articulando a história com o tempo presente, os contextualizando. Pois, como nos filmes, cada um de nós viveu a ‘sua história’ até este dia de festa. A primeira coisa que me veio a cabeça, com este tema em vista, foi a música da Legião Urbana, “Vamos fazer um filme”, quando ela fala ‘o sistema é mau, mas minha turma é legal’. Mas achei mais polido não a citar por completo, por conter um pequeno palavrão em seus versos. De qualquer forma, mantenho a questão em voga: vamos fazer um filme?? Vejam bem, muitos foram os ‘gêneros cinematográficos’ com os quais protagonizamos nossas histórias.

Quem não se sentiu em um filme do Indiana Jones, nas saídas de campo com o Professor Marcus Beber, com o seu chapéu e o colete mil e uma utilidades? Tenho certeza, que como eu, em São Miguel das Missões, em algum momento, todos acharam que ele iria tirar uma metralhadora de algum daqueles bolsos... bom, talvez não uma metralhadora, mas uma foice e alguns pincéis ao menos. E as demais saídas de campo? Certamente foram episódios de aventura, muitas histórias para contar entre sambaquis e museus. Os registros no orkut, da visita ao Anchietano quase foram censurados, devido ao nosso atrevimento de expor o material arqueológico.

E os romances? Em toda boa história cabe um romance, não é mesmo? Entre os colegas aqui formandos, os que conheceram os seus amores na universidade sabem bem do que digo, sobretudo quem casou com algum colega de curso. Claro que alguns já entraram casados na universidade, mas não podemos deixar de citar o par romântico que ingressou junto no curso, estudou junto e aqui está, juntinho! É muito importante citar isso, pois um amor que perpassa toda a graduação em história, tenham certeza que merece uma boa história!

Também tiveram os que se tornaram pais e mães de família, e tem os seus filhos hoje aqui nessa platéia, assistindo esta solenidade, mas também tem àqueles que os filhos estão por vir, muito em breve, diga-se de passagem.

Além das belas histórias, também passamos por ficção científica, digo, iniciação científica. Para alguns, podemos dizer que os artigos, relatórios para o CNPq e a preparação para as apresentações em eventos e mostras estiveram mais para filme de terror do que para ficção científica. Mas como todos sabemos, o mocinho e a mocinha que sobrevivem aos filmes de terror sempre tem um final feliz. Então, bolsistas e ex-bolsistas: fica a dica!

Tivemos dramas também. Américas e Brasil, principalmente, mas também podemos recordar alguns episódios dramáticos de História da Arte e dos Estágios. Bom, o TCC é um episódio completamente a parte, nem se fala. Eu, pelo menos não posso falar, pois a minha orientadora está ouvindo (rsrsr). Mas falando sério, o Trabalho de Conclusão é um momento onde já estamos saturados do nosso curso, não vemos a hora de chegar à formatura. Mas com ela chegando, com toda a pressão que envolve a produção acadêmica, as coisas se tornam muito mais difíceis, e só quem está debruçado sobre a sua monografia, sabe o quão precioso é conseguir sentar-se e escrever uma página, quando muitas vezes ficamos dias para escrever não mais que um parágrafo. E com as datas e prazos chegando, o drama psicológico é tão presente, que o momento da entrega do TCC pronto, é tão digno de comemoração e festa quanto à própria formatura.

Falando em momentos dignos de festa, não podemos esquecer as nossas festas ao longo do curso. Festas no DA, festas nos encontros estudantis, Abbey, San Lou, ou até mesmo no Rapach e no Bar do Alemão... Existem horas na vida de um acadêmico em história, em que todas as respostas estão na cerveja gelada na mesa do bar, ali no outro lado da rua. Hey, não se trata de bater cartão no buteco de segunda à sexta, mas existem momentos em que precisamos extravasar, ou pelo menos relaxar e esquecer que na terça temos prova com a Reichel, ou que esquecemos de uma importante leitura para a aula da Fleck, nem que seja por alguns minutos. E quanto à festa dos formandos no Dhomba, essa sim, foi no mínimo uma comédia, as fotos nos denunciam!

Algumas vezes nos sentimos em filmes de ação, sobretudo quem vem dirigindo para a Unisinos à noite, pois percorrer o trânsito na BR116 toda a noite, não é pra qualquer um, definitivamente! Em compensação, quem teve que vir até a unisinos durante as férias, se sentiu em um filme do Velho Oeste, quando ouviu sua voz ecoar nos corredores, viu os gramados altos, gatos, patos e quero-queros atacando, faltou apenas a bola de feno e a trilha sonora.

Foram tantas as histórias... se fizéssemos um filme de cada uma dessas histórias, não teria videoteca disponível para guardar todas as nossas produções cinematográficas!

Em nosso cotidiano acadêmico, vivemos muitas coisas, sem dúvidas. Mas o mais importante de todo o nosso crescimento intelectual e acadêmico não se deu em sala de aula ou em meio aos livros, mas lá fora, no mundo real! Lá sim, aprendemos a ser profissionais qualificados, professores e/ou pesquisadores de verdade. Lá fora, aprendemos o mais importante para qualquer profissional de qualquer área do conhecimento - no mundo - aprendemos a ser gente: gente de verdade, que convive com gente de verdade, que tem problemas de verdade. Pois, infelizmente, aqui na academia, as autoridades presentes que me perdoem, mas na sala de aula, aprendemos a ser profissionais de ponta, os quais na maioria das vezes não condizem com a realidade da escola lá do meu bairro. Quem não chega a ir até a Vila Kippling, ou até a Vila dos Tocos, ao longo da sua graduação, me perdoem, mas ainda não conheceu o mundo real. Quem não tem ou não teve um aluno que chega de manhã na escola sem comer, e não vai comer o dia inteiro se a escola não oferecer algo. Quem não se deparou com um aluno de chinelo de dedos em pleno julho, enquanto chegamos na universidade e a primeira coisa que fazemos é buscar o cafezinho na máquina? Quem não teve um aluno ausente por uma semana, pois a sua casa estava completamente embaixo d’água, o não viu o olhar de desespero deste seu aluno em um dia de chuva ao olhar para a janela. É meus amigos, sinto em ser a porta voz do drama, mas é bem provável que o terror de verdade, ainda esteja por vir...

Não pensem de forma alguma que a dureza das minhas palavras sejam o oráculo do pessimismo, muito pelo contrário, é um alerta! A academia nos intelectualiza, mas sobre o mundo real, só o mundo real vem nos ensinar. Portanto, a escolha mais séria não foi o vestibular, mas o diploma. Como vimos no filme O Motoqueiro Fantasma, quando o protagonista nos diz “Faça suas escolhas ou não terá escolha”, é necessário realmente estar atento, pois se chegamos até aqui, precisamos estar dispostos, não a encarar a profissão, mas a desafiar a nós mesmos a enfrentar o mundo através da nossa profissão.

Caríssimos, se estamos aqui é por mérito acadêmico, e somos dignos disso. Lembro a todos o que o nosso queridíssimo Prof. Pe. Luiz Fernando nos disse na quarta feira, na homilia da nossa Celebração Eucarística: “não sejam medíocres”. Sejamos os melhores! Por nós, pelos nossos, mas sobretudo pelo mundo... mundo que construímos e modificamos diariamente. Mundo que sonhamos construir para as próximas gerações, para continuar a HISTÓRIA.

Há alguns dias, ouvi de um familiar que uma pessoa com curso superior é uma pessoa importante. Às vezes, nesse meio acadêmico, os ‘maiores que nós’, gostam de insinuar que somos pequenos, insignificantes. Temos que ter um Lattes de quinze páginas para ser alguém. Concordo que na academia, a graduação é apenas o primeiro degrau. Mas jamais permitam que alguém diga que vocês são inferiores porque não tem mestrado, doutorado e tantos outros títulos. Preocupem-se sim com a sua formação, e que ela permaneça em constante dinamismo. Mas currículo algum diz que uma pessoa é boa. Temos, vagando nestes corredores, uma porção de profissionais graduados, pós-graduados, com pós do pós e PHD, e que não contribuem em nada para a sociedade, fechados em sua “nobre missão” de aumentar seu Currículo Lattes. Claro, ao contrário de nossos professores aqui presentes, profissionais humanos, exemplos para nós, preocupados com a sua responsabilidade e determinação em “mudar o mundo”. Aprendemos nessa universidade que o bom profissional é aquele que se preocupa com as pessoas, e não com os artigos que determinada experiência vão lhe render. Vejam bem, não estou dizendo que estas coisas não são importantes, muito pelo contrário. Mas de nada serve um profissional vazio, que esquece que é gente, e precisa viver em sociedade (e que a sociedade não é o seu gabinete).

Na minha família, eu sou a primeira a ter uma graduação. Por parte de mãe, tenho uma prima formada, por parte de pai poucos concluíram o ensino médio. Os meus pais, por exemplo, não tem uma formação acadêmica e são pessoas extraordinárias. Portanto, jamais esqueçam que não é a formação acadêmica que vai definir o sujeito, mas o próprio sujeito!

Comentei com alguns, sobre questões que enfrentei ao longo do Curso Normal de Nível Médio (acreditem, escolhi ser professora aos quatorze anos de idade, mas eu não fui única que sobreviveu ao magistério), mas devido a enfrentamentos,ao longo do curso jurei que chegaria ao final, a qualquer custo, e mais, eu disse a uma das minhas professoras que eu me formaria porque eu era melhor que ela. Pretensiosa, esta negrinha, não acham? Ai está! A diferença entre eu e ela, é que eu vivo no mundo real. Nasci nele, aprendi a sobreviver, e sigo na luta.

Meus queridos, chegamos aqui porque somos, porque lutamos e vivemos. Ninguém nos disse que seria fácil, que seria bonito, que iríamos ganhar bem, que seria, sei lá... mas o fato, é que topamos o desafio. Como nos disseram no filme Forrest Gump “a vida é como uma caixa de chocolate. Você nunca sabe o que vai encontrar” e por isso vamos nos deparar com episódios tristes, feios, alegres, cômicos e emocionantes, todos os dias - tal qual do mundo real. Mas se queremos um final feliz nisso tudo, arregacem as mangas e vamos à luta. O futuro nos espera!

No filme Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, nos dizem que “Não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento, não há liberdade sem sacrifício”. Portanto, sejamos bons, sejamos militantes, sejamos guerreiros, sejamos profissionais, sejamos gente. Sejamos o melhor de nós mesmos! Protagonistas das nossas histórias, de nossos próprios filmes.

Estou certa, que se estamos aqui, hoje, é porque estamos dispostos. Como nos disseram no filme Fúria em Duas Rodas “Se eu dissesse que fosse fácil, não teria graça”.

Mas, falando em ‘nós mesmos’, como protagonistas das nossas histórias, para descrever esta turma, pensei em tanta coisa, mas como falar de um grupo tão rico, heterogêneo, com vivências imensamente distintas, mas que ainda assim têm tantas coisas em comum? Então, tive o insight! Porque não reunir frases de filmes, que representassem cada um destes colegas nesse momento?...

Para a Priscila (do filme Piratas do Caribe - No Fim do Mundo) “Nenhuma causa é perdida se tivermos um só tolo para lutar por ela”.

Para o Arthur (do filme Senhor dos Anéis) “Não devemos nos questionar porque algumas coisas nos acontecem e sim o que podemos fazer com o tempo que nos é dado”.

Para a Fabriela (do filme Dom Juan de Marco) "Há apenas quatro questões na vida. O que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido e qual o motivo pelo qual vale a pena morrer? A resposta é a mesma para todos: apenas o amor”.

Para a Eliane do (do filme Toy Story) "Ao infinito e além".

Para o Nathan (do filme Divã) "Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi. Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora. A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar".

Para a Fernanda (do filme Homem Aranha) “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades” responsabilidades” e (do filme O Gladiador) “O que você faz nessa vida ecoa na eternidade”.

Para o Roberto (do filme O Grande Ditador) “Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade”.

Para o Ernani (do filme Prisioneiro da Morte) "Sonhe como se fosse viver para sempre. Viva como se fosse morrer amanhã”.

Para a Jacqueline (do filme Grande Menina, Pequena Mulher) “Toda história tem um fim, mas na vida cada final é um novo começo!”.

Para o Samir (do filme Matrix) "Cedo ou tarde você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho".

Para a Vanice (do filme Pearl Harbor) “A vitória pertence aquele que acredita nela, e aquele que acredita nela por mais tempo”.

Para a Adriana (do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) “Tempos difíceis para os sonhadores”.

Para a Camila (do filme A Vida é Bela), simplesmente “A vida é bela”.

Por fim, para mim, Letícia (do filme O Libertino) “A vida? A vida é um poço infinito de questionamentos”.



Certamente, ainda teríamos muito a dizer, cada um de nós. Até porque este episódio não é um capítulo final, mas ele continua. Alguns continuarão aqui na academia, seguirão carreira acadêmica, farão mestrado, doutorado... Outros, segunda feira estarão na sala de aula, e assim o farão por muito tempo. Já outros, vão tomar rumos tão diversos e talvez não tenhamos mais nem notícias.

Certo, é que este episódio é apenas o primeiro... Do primeiro dia do resto das nossas vidas!



Encerro minha fala, com as sábias palavras de Martin Luther King, que mesmo que fuja um pouco do nosso tema, descreve muito bem o que significa estar aqui, frente aos senhores: “Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para o que o melhor fosse feito. Não somos o que deveríamos ser, mas graças a Deus, não somos o que éramos!”.

Muito obrigada!


Por MARIA, L.P.