segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia do Professor - 15.O

No sábado que passou, estive presente no 15.O, juntamente aos companheir@s do Movimento Contestação. Discutimos várias questões ligadas às revoltas populares por todo o mundo, a corrupção, a falta de investimentos em setores necessários e, uma das principais bandeiras do Movimento, os 10% do PIB para a Educação.


Vale lembrar que não consegui postar nada em alusão ao Dia do Professor, devido ao fato de estar off o fim de semana inteiro, envolvida e acampada na Praça da Matriz, em POA - no 15.O.
Nesse sentido, minha consciência me aperta. Minha formação inicial é pelo Curso Normal de Nível Médio – Magistério, e minha formação em nível superior é Licenciatura em História. Logo, ser professora é algo muito presente na minha formação intelectual e pessoal também.


No sábado, durante a atividade na Praça da Matriz, encontrei o Jonas, um colega muito querido e estudante de Pedagogia. Depois de horas papeando, comentei com ele que admirava pessoas como ele (que têm um discurso parecido com o dele), que cursavam pedagogia.


Quando entrei no magistério, em 2003, lembro-me de colegas que falavam que ingressaram no curso por gostarem de crianças. Mesmo na rebeldia dos meus 14 para 15 anos, eu sabia que não estava lá por isso. Sempre acreditei na função do professor, na educação como ferramenta de mudança. Não preciso entrar no mérito do sofrimento e castração pelo qual passei ao longo do curso, a dificuldade de adaptação foi muito grande, mas a maior dificuldade foi a relação com as colegas, sem dúvidas.


Quando entrei na universidade, a primeira cadeira pedagógica que cursei foi Profissão Docente, com a Prof. Nara Nornberg (já postei sobre ela Sobre Amar e Fomos Maus Alunos[?])Ao longo das apresentações dos colegas, lembro-me que alguém – infeliz – comentou que escolhera pedagogia porque gostava de crianças, ele a professora largou a pérola “Gosta de criança? Vai ser mãe então!”... no auge do meu primeiro dia de universidade, me senti radiante, por uma Doutora em educação entendia o meu desespero desde o inicio do magistério. A vontade que eu tive foi de levantar-me e dar um beijo na testa da Nara!! Mais tarde, como cursei outras disciplinas com ela, pude perceber que ela faz uma série de críticas a educação e a formação dos professores, mas não coloca a culpa em ninguém, ao contrário, aponta caminhos para a resolução destes problemas. Além disso, (infelizmente) nutri por muito tempo um preconceito as estudantes de pedagogia, que não tinha muita clareza dos seus motivos para serem professoras.


Ao conversar com o Jonas, fiquei muito feliz em ouvir o que o motiva a ser professor (ele pretende seguir com alfabetização), visto que são poucos os homens no curso e em sala de aula nas séries iniciais. Ele me disse ‘eu acredito na educação’. Em meio a todo aquele sentimento de revolução e insatisfação do15.O, me senti profundamente inspirada ao receber as felicitações relativas ao Dia do Professor, de alguém que faz tala afirmação. È justamente esta a questão!


Não se pode ser professor por falta de opção, porque a mãe foi professora, porque gosta de criança, ou por qualquer outro motivo fútil e vazio. Não se pode ser professor, se és vazio.


É necessário acreditar naquilo que se faz. É necessário ter consciência da importância do ato de ensinar.


No magistério, eu comprava grandes brigas por ver pessoas sem (a menor) noção indo para a sala de aula. Isso me causava um grande desespero, por eu sabia o estrago que isso iria causar, e ainda causa. Pela felicidade do destino, nem todas as Normalistas 2003/2006 seguem lecionando (eu mesma, tenho outro trabalho, mas sigo lecionando em projetos sociais).


Para ser professor é necessário muito mais que uma letra bonita, criatividade nas artes, uma voz mansa, que ser chamado de “tio”. Ser professor é ser comprometido, é saber o que ser quer, o que se pode fazer e onde se pretende chegar. Ser professor é conhecer a precariedade da educação publica deste país e saber atuar nela. Ser professor é não se conformar com isso tudo. Ser professor é ser cidadão, é ter um compromisso com a sociedade, é saber que se forma “gente” e não massa de manobra. Ser professor é ser indignad@, é ser militante, é ser revolucionário, sem esquecer em momento algum que possui a maior e mais eficiente arma de revolução: a educação.
Eu me orgulho de ser professora, me orgulho do que faço. Não me atrevo a culpar o professor que tem tantas dificuldades de trabalhar devido a sua baixa remuneração, imensa desvalorização e imensurável violência a qual é submetido todos os dias. Vivemos em um país onde ser professor não é ser considerado profissional, onde não se visualiza a responsabilidade que lhe cabe. Ser professor não é ser movido por vocação, muito embora isso ajude muito. Ser professor é compromisso com o futuro.


O sábado foi muito especial, foi uma comemoração diferenciada pelo dia do Professor e pelas conversas imensamente ricas, de reflexão e de construção. Ouvir do Jonas, em pleno sábado a noite, um ‘eu acredito na educação’ fez o meu Dia do Professor mais feliz, fez o meu 15.O mais forte e fez da minha militância mais inspirada e fundamentada: a revolução é feita todos os dias, a cada recomeço, por diferentes motivos, nas nossas salas de aula.


"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor" - Che Guevara


Por MARIA,L.P.

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