terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre amar...

Estas são palavras da Prof. Nara Nörnberg, em entrevista no Cardernos IHU.

“Eu sou o intervalo entre o que eu gostaria de ser e o que fizeram de mim” (Fernando Pessoa)

Tive aula com a Nara no meu primeiro e no penúltimo semestre na universidade. Meio sem noção, meio anarquista, meio marxista, totalmente freireana, essa professora mexeu comigo em muitas das suas aulas. Compartilhamos muitas idéias, sobretudo em Teorias de Aprendizagem.
Muitos dos colegas achavam ela esquisita, mas era exatamente isso que me fascinava, ela não ser como os outros professores, que vomitavam por ai pedagogismos vazios e descolados da prática. Ela sempre se mostrou realista e honesta. Visceral é como ela se define. E eu concordo, mais do que plenamente.

Destaco da entrevista, o que ela fala sobre o amor:

Amor:
 Acredito que existem vários tipos de amor e amor é sempre amor. Eu entendo esse sentimento assim e é difícil você encontrar pessoas que compartilhem dessa ideia: o amor muda de forma. Muda-se a forma de amar. Eu posso amar uma pessoa sexualmente, espiritualmente, com fraternidade, incondicionalmente; posso ser apaixonada por uma pessoa. Muda a forma, mas o amor é o mesmo. Eu tenho um amor filial, tenho amor maternal. Amor é sempre amor e isso é difícil das pessoas entenderem. Por isso, acredito que não se ama uma só pessoa. E você pode amar muitas pessoas ao mesmo tempo. Sou partidária de que as pessoas vivam seus amores com a maior intensidade possível e com poucas amarras sociais. Penso que quanto mais livre a gente puder ser dentro de uma relação, melhor. Hoje, é preciso que alguém me convença de que é viável a construção de uma relação a dois. Só se eu conseguisse me manter livre, casaria de novo.


[...]

Eu não sei se sou uma pessoa para o casamento porque eu acho difícil amar uma só pessoa.


Nara Eunice Nörnberg
Leia na integra em http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4064&secao=372


Posto estas palavras sobre o amor, por partilhar deste ponto de vista em diversos aspectos. E normalmente, é exatamente isso o que me enlouquece... e que faz realizada plenamente.
O anseio pela liberdade de ser, perpassa também a liberdade de amar e se relacionar com o outro. Há sim, várias formas de viver o amor, e nenhuma é mais importante e digna que a outra. Amor e amor, e pronto. Não se escolhe amar, ama-se porque é preciso!
Até por isso me considero um ser constantemente apaixonado.
Também tenho minhas dúvidas em relação ao casamento e a relações 'estáveis' por não ter certeza sobre a possibilidade de amar uma unica pessoa, como a outra pessoa quer, como a sociedade espera que seja.
Acho que o amor é uma coisa maravilhosa, mas ele vem carregado de muitas coisas, e sim, as amarras sociais nos aprisionam.
É preciso se libertar para poder amar.


Por MARIA,L.P.

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