segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Perdas

Creio que toda perda seja sempre triste e frustrante.


Perder algo de valor (seja simbólico, seja financeiro); perdeu um amigo de muitos anos de convívio; perder um amor, correspondido ou não; perder um ano, um mês, um dia.
Toda perda é sempre frustrante e nos causa uma profunda sensação de vazio. Acho que isso acontece com todo mundo, mesmo com aqueles que não reconheçam que sente falta de algo ou alguém.

Já perdi muita gente, e não pela morte, mas pela vida mesmo. E perder alguém pela morte, ao menos te traz a certeza do motivo pelo qual é irreversível, pois as vezes pessoas que perdemos ao longo da vida, também se constituem perdas irreversíveis. Mas o irreversível parece inexplicável frente a vida.

É confuso, mas perdemo-nos uns aos outros.

Dizem que a esperança é a última que morre, mas eu vou mais além. Creio que a fé seja ainda mais importante. Fé em Deus, fé no sagrado, fé no inexplicável, fé numa igreja/templo/religião, fé nas pessoas, fé na vida.
É claro, se considerarmos ateus pessoas sem qualquer tipo de fé, essa idéia não se aplica. Mas somente para aqueles que sempre foram ateus, e não para quem se tornou.

Acho frustrante a perda de algo/alguém, mas não existe nada mais triste que perder a fé.

A fé é o que nos move. Acreditamos quando lutamos por um sonho; acreditamos quando defendemos uma ideologia; acreditamos quando construímos algo para assegurar o futuro de alguém.
Quando não acreditamos, é simples. Não perdemos nada. Mas quando deixamos de acreditar, perdemos a razão.
Nos últimos tempos, tenho conseguido muitas coisas importantes, conquistas com as quais sonhei muitas vezes. Mas ao mesmo tempo, vejo minha fé se dissipar, mais vazia e líquida que o amor de Baumann.

Como nos versos de "A Fé solúvel" (O Teatro Mágico)...

"É, me esqueci da luz da cozinha acesa
de fechar a geladeira
De limpar os pés,
Me esqueci Jesus!
De anotar os recados
Todas janelas abertas,
onde eu guardei a fé... em nós


Meu café em pó solúvel
Minha fé deu nó
Minha fé em pó solúvel"

Tenho me sentido ligeiramente assim, sobretudo com essa parte...

"Tudo o que eu já salvei
E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras..."

De tudo, sempre fica muita coisa. Mas é triste, muito triste ver a tua fé ir embora. Quem nada possui, nada perde. Mas para quem possui e cultiva com amor, é muito doloroso. “Minha fé deu nó”.
Sei que perdi o que mais amo, mas agora é tarde... deu nó. Já foi, ela partiu. Adeus, minha fé.

Por MARIA,L.P.

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