terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não somos o que deveríamos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos!

Olá amigos, colegas, leitores.

Estou há alguns dias sem postar nada, estava em férias.

Eu teria muitas coisas a escrever, sobre Curso do Onda, enchentes, acidentes familiares, doenças, festas e tantas outras coisas que ocorreram nesses dias que nada postei.
Mas este momento da minha vida, merece uma postagem mais que especial... minha formatura na Universidade! Sonhei muito com este dia, muitas foram as pessoas que fizeram parte deste momento e de toda a jornada. Obrigada aos amigos, colegas, companheiros e camaradas... e parabéns queridos amigos formandos! Só posso dizer que estou muito feliz, por este momento. Mas ainda há muito o que fazer... somos seres inacabados, e como historiadora sei que este é apenas um episódio. Muitas histórias ainda virão!

Como sabem, fui oradora da turma de formandos 2011/01 em História da Unisinos. Segue o meu discurso... é importante partilhar daquilo que me alegra, entristece as vezes:, mas é no que acredito!




Discurso de Orador de Formatura História 2011/01





Ilustríssimo Prof. MS. Carlos Alberto da Cruz (presidente da mesa) , demais componentes da mesa, caros colegas, queridos familiares, amigos, senhoras e senhores, boa noite!

Em primeiro lugar, preciso me desculpar frente aos colegas, pois havia prometido uma coisa, e devido ao frio não será possível. Mas não se preocupem, fica para a nossa próxima formatura... oportunidades sempre teremos, afinal, esta é a Era de Aquarius...

Também preciso assumir o quanto estou nervosa! Fui por diversas vezes porta voz do Diretório Acadêmico de História em palestras, eventos, seminários, encontros estudantis, sem contar as inúmeras vezes que interrompi as aulas dos professores aqui presentes para falar a respeito das atividades do movimento estudantil. Mas agora é diferente, não falo apenas ‘de estudante para estudante’, mas falo como graduada, representando esta turma de Licenciados em História, a responsabilidade é outra, mas como assumi esta tarefa, vamos lá!!

Então, caros colegas, aqui estamos. Graduados, finalmente! Nessa Grande Jornada, fomos obrigados a aprender a caminhar. Para uns, a caminhada teve mais curvas, para outros, menos. Andando por quatro, cinco, seis, sete, oito, nove ou até dez anos, alguns correram e chegaram ao seu destino mais rápido, muito embora outros precisaram parar algumas vezes, mas todos sabemos o quanto isso nos custou, cada um percorreu o seu caminho para o destino.

Como todos já sabem, o tema escolhido por nós é o Cinema. Creio que o que este tema nos proporciona de original, também nos caracteriza. Este tema nos possibilita agregar arte e ficção, articulando a história com o tempo presente, os contextualizando. Pois, como nos filmes, cada um de nós viveu a ‘sua história’ até este dia de festa. A primeira coisa que me veio a cabeça, com este tema em vista, foi a música da Legião Urbana, “Vamos fazer um filme”, quando ela fala ‘o sistema é mau, mas minha turma é legal’. Mas achei mais polido não a citar por completo, por conter um pequeno palavrão em seus versos. De qualquer forma, mantenho a questão em voga: vamos fazer um filme?? Vejam bem, muitos foram os ‘gêneros cinematográficos’ com os quais protagonizamos nossas histórias.

Quem não se sentiu em um filme do Indiana Jones, nas saídas de campo com o Professor Marcus Beber, com o seu chapéu e o colete mil e uma utilidades? Tenho certeza, que como eu, em São Miguel das Missões, em algum momento, todos acharam que ele iria tirar uma metralhadora de algum daqueles bolsos... bom, talvez não uma metralhadora, mas uma foice e alguns pincéis ao menos. E as demais saídas de campo? Certamente foram episódios de aventura, muitas histórias para contar entre sambaquis e museus. Os registros no orkut, da visita ao Anchietano quase foram censurados, devido ao nosso atrevimento de expor o material arqueológico.

E os romances? Em toda boa história cabe um romance, não é mesmo? Entre os colegas aqui formandos, os que conheceram os seus amores na universidade sabem bem do que digo, sobretudo quem casou com algum colega de curso. Claro que alguns já entraram casados na universidade, mas não podemos deixar de citar o par romântico que ingressou junto no curso, estudou junto e aqui está, juntinho! É muito importante citar isso, pois um amor que perpassa toda a graduação em história, tenham certeza que merece uma boa história!

Também tiveram os que se tornaram pais e mães de família, e tem os seus filhos hoje aqui nessa platéia, assistindo esta solenidade, mas também tem àqueles que os filhos estão por vir, muito em breve, diga-se de passagem.

Além das belas histórias, também passamos por ficção científica, digo, iniciação científica. Para alguns, podemos dizer que os artigos, relatórios para o CNPq e a preparação para as apresentações em eventos e mostras estiveram mais para filme de terror do que para ficção científica. Mas como todos sabemos, o mocinho e a mocinha que sobrevivem aos filmes de terror sempre tem um final feliz. Então, bolsistas e ex-bolsistas: fica a dica!

Tivemos dramas também. Américas e Brasil, principalmente, mas também podemos recordar alguns episódios dramáticos de História da Arte e dos Estágios. Bom, o TCC é um episódio completamente a parte, nem se fala. Eu, pelo menos não posso falar, pois a minha orientadora está ouvindo (rsrsr). Mas falando sério, o Trabalho de Conclusão é um momento onde já estamos saturados do nosso curso, não vemos a hora de chegar à formatura. Mas com ela chegando, com toda a pressão que envolve a produção acadêmica, as coisas se tornam muito mais difíceis, e só quem está debruçado sobre a sua monografia, sabe o quão precioso é conseguir sentar-se e escrever uma página, quando muitas vezes ficamos dias para escrever não mais que um parágrafo. E com as datas e prazos chegando, o drama psicológico é tão presente, que o momento da entrega do TCC pronto, é tão digno de comemoração e festa quanto à própria formatura.

Falando em momentos dignos de festa, não podemos esquecer as nossas festas ao longo do curso. Festas no DA, festas nos encontros estudantis, Abbey, San Lou, ou até mesmo no Rapach e no Bar do Alemão... Existem horas na vida de um acadêmico em história, em que todas as respostas estão na cerveja gelada na mesa do bar, ali no outro lado da rua. Hey, não se trata de bater cartão no buteco de segunda à sexta, mas existem momentos em que precisamos extravasar, ou pelo menos relaxar e esquecer que na terça temos prova com a Reichel, ou que esquecemos de uma importante leitura para a aula da Fleck, nem que seja por alguns minutos. E quanto à festa dos formandos no Dhomba, essa sim, foi no mínimo uma comédia, as fotos nos denunciam!

Algumas vezes nos sentimos em filmes de ação, sobretudo quem vem dirigindo para a Unisinos à noite, pois percorrer o trânsito na BR116 toda a noite, não é pra qualquer um, definitivamente! Em compensação, quem teve que vir até a unisinos durante as férias, se sentiu em um filme do Velho Oeste, quando ouviu sua voz ecoar nos corredores, viu os gramados altos, gatos, patos e quero-queros atacando, faltou apenas a bola de feno e a trilha sonora.

Foram tantas as histórias... se fizéssemos um filme de cada uma dessas histórias, não teria videoteca disponível para guardar todas as nossas produções cinematográficas!

Em nosso cotidiano acadêmico, vivemos muitas coisas, sem dúvidas. Mas o mais importante de todo o nosso crescimento intelectual e acadêmico não se deu em sala de aula ou em meio aos livros, mas lá fora, no mundo real! Lá sim, aprendemos a ser profissionais qualificados, professores e/ou pesquisadores de verdade. Lá fora, aprendemos o mais importante para qualquer profissional de qualquer área do conhecimento - no mundo - aprendemos a ser gente: gente de verdade, que convive com gente de verdade, que tem problemas de verdade. Pois, infelizmente, aqui na academia, as autoridades presentes que me perdoem, mas na sala de aula, aprendemos a ser profissionais de ponta, os quais na maioria das vezes não condizem com a realidade da escola lá do meu bairro. Quem não chega a ir até a Vila Kippling, ou até a Vila dos Tocos, ao longo da sua graduação, me perdoem, mas ainda não conheceu o mundo real. Quem não tem ou não teve um aluno que chega de manhã na escola sem comer, e não vai comer o dia inteiro se a escola não oferecer algo. Quem não se deparou com um aluno de chinelo de dedos em pleno julho, enquanto chegamos na universidade e a primeira coisa que fazemos é buscar o cafezinho na máquina? Quem não teve um aluno ausente por uma semana, pois a sua casa estava completamente embaixo d’água, o não viu o olhar de desespero deste seu aluno em um dia de chuva ao olhar para a janela. É meus amigos, sinto em ser a porta voz do drama, mas é bem provável que o terror de verdade, ainda esteja por vir...

Não pensem de forma alguma que a dureza das minhas palavras sejam o oráculo do pessimismo, muito pelo contrário, é um alerta! A academia nos intelectualiza, mas sobre o mundo real, só o mundo real vem nos ensinar. Portanto, a escolha mais séria não foi o vestibular, mas o diploma. Como vimos no filme O Motoqueiro Fantasma, quando o protagonista nos diz “Faça suas escolhas ou não terá escolha”, é necessário realmente estar atento, pois se chegamos até aqui, precisamos estar dispostos, não a encarar a profissão, mas a desafiar a nós mesmos a enfrentar o mundo através da nossa profissão.

Caríssimos, se estamos aqui é por mérito acadêmico, e somos dignos disso. Lembro a todos o que o nosso queridíssimo Prof. Pe. Luiz Fernando nos disse na quarta feira, na homilia da nossa Celebração Eucarística: “não sejam medíocres”. Sejamos os melhores! Por nós, pelos nossos, mas sobretudo pelo mundo... mundo que construímos e modificamos diariamente. Mundo que sonhamos construir para as próximas gerações, para continuar a HISTÓRIA.

Há alguns dias, ouvi de um familiar que uma pessoa com curso superior é uma pessoa importante. Às vezes, nesse meio acadêmico, os ‘maiores que nós’, gostam de insinuar que somos pequenos, insignificantes. Temos que ter um Lattes de quinze páginas para ser alguém. Concordo que na academia, a graduação é apenas o primeiro degrau. Mas jamais permitam que alguém diga que vocês são inferiores porque não tem mestrado, doutorado e tantos outros títulos. Preocupem-se sim com a sua formação, e que ela permaneça em constante dinamismo. Mas currículo algum diz que uma pessoa é boa. Temos, vagando nestes corredores, uma porção de profissionais graduados, pós-graduados, com pós do pós e PHD, e que não contribuem em nada para a sociedade, fechados em sua “nobre missão” de aumentar seu Currículo Lattes. Claro, ao contrário de nossos professores aqui presentes, profissionais humanos, exemplos para nós, preocupados com a sua responsabilidade e determinação em “mudar o mundo”. Aprendemos nessa universidade que o bom profissional é aquele que se preocupa com as pessoas, e não com os artigos que determinada experiência vão lhe render. Vejam bem, não estou dizendo que estas coisas não são importantes, muito pelo contrário. Mas de nada serve um profissional vazio, que esquece que é gente, e precisa viver em sociedade (e que a sociedade não é o seu gabinete).

Na minha família, eu sou a primeira a ter uma graduação. Por parte de mãe, tenho uma prima formada, por parte de pai poucos concluíram o ensino médio. Os meus pais, por exemplo, não tem uma formação acadêmica e são pessoas extraordinárias. Portanto, jamais esqueçam que não é a formação acadêmica que vai definir o sujeito, mas o próprio sujeito!

Comentei com alguns, sobre questões que enfrentei ao longo do Curso Normal de Nível Médio (acreditem, escolhi ser professora aos quatorze anos de idade, mas eu não fui única que sobreviveu ao magistério), mas devido a enfrentamentos,ao longo do curso jurei que chegaria ao final, a qualquer custo, e mais, eu disse a uma das minhas professoras que eu me formaria porque eu era melhor que ela. Pretensiosa, esta negrinha, não acham? Ai está! A diferença entre eu e ela, é que eu vivo no mundo real. Nasci nele, aprendi a sobreviver, e sigo na luta.

Meus queridos, chegamos aqui porque somos, porque lutamos e vivemos. Ninguém nos disse que seria fácil, que seria bonito, que iríamos ganhar bem, que seria, sei lá... mas o fato, é que topamos o desafio. Como nos disseram no filme Forrest Gump “a vida é como uma caixa de chocolate. Você nunca sabe o que vai encontrar” e por isso vamos nos deparar com episódios tristes, feios, alegres, cômicos e emocionantes, todos os dias - tal qual do mundo real. Mas se queremos um final feliz nisso tudo, arregacem as mangas e vamos à luta. O futuro nos espera!

No filme Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, nos dizem que “Não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento, não há liberdade sem sacrifício”. Portanto, sejamos bons, sejamos militantes, sejamos guerreiros, sejamos profissionais, sejamos gente. Sejamos o melhor de nós mesmos! Protagonistas das nossas histórias, de nossos próprios filmes.

Estou certa, que se estamos aqui, hoje, é porque estamos dispostos. Como nos disseram no filme Fúria em Duas Rodas “Se eu dissesse que fosse fácil, não teria graça”.

Mas, falando em ‘nós mesmos’, como protagonistas das nossas histórias, para descrever esta turma, pensei em tanta coisa, mas como falar de um grupo tão rico, heterogêneo, com vivências imensamente distintas, mas que ainda assim têm tantas coisas em comum? Então, tive o insight! Porque não reunir frases de filmes, que representassem cada um destes colegas nesse momento?...

Para a Priscila (do filme Piratas do Caribe - No Fim do Mundo) “Nenhuma causa é perdida se tivermos um só tolo para lutar por ela”.

Para o Arthur (do filme Senhor dos Anéis) “Não devemos nos questionar porque algumas coisas nos acontecem e sim o que podemos fazer com o tempo que nos é dado”.

Para a Fabriela (do filme Dom Juan de Marco) "Há apenas quatro questões na vida. O que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido e qual o motivo pelo qual vale a pena morrer? A resposta é a mesma para todos: apenas o amor”.

Para a Eliane do (do filme Toy Story) "Ao infinito e além".

Para o Nathan (do filme Divã) "Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi. Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora. A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar".

Para a Fernanda (do filme Homem Aranha) “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades” responsabilidades” e (do filme O Gladiador) “O que você faz nessa vida ecoa na eternidade”.

Para o Roberto (do filme O Grande Ditador) “Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade”.

Para o Ernani (do filme Prisioneiro da Morte) "Sonhe como se fosse viver para sempre. Viva como se fosse morrer amanhã”.

Para a Jacqueline (do filme Grande Menina, Pequena Mulher) “Toda história tem um fim, mas na vida cada final é um novo começo!”.

Para o Samir (do filme Matrix) "Cedo ou tarde você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho".

Para a Vanice (do filme Pearl Harbor) “A vitória pertence aquele que acredita nela, e aquele que acredita nela por mais tempo”.

Para a Adriana (do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) “Tempos difíceis para os sonhadores”.

Para a Camila (do filme A Vida é Bela), simplesmente “A vida é bela”.

Por fim, para mim, Letícia (do filme O Libertino) “A vida? A vida é um poço infinito de questionamentos”.



Certamente, ainda teríamos muito a dizer, cada um de nós. Até porque este episódio não é um capítulo final, mas ele continua. Alguns continuarão aqui na academia, seguirão carreira acadêmica, farão mestrado, doutorado... Outros, segunda feira estarão na sala de aula, e assim o farão por muito tempo. Já outros, vão tomar rumos tão diversos e talvez não tenhamos mais nem notícias.

Certo, é que este episódio é apenas o primeiro... Do primeiro dia do resto das nossas vidas!



Encerro minha fala, com as sábias palavras de Martin Luther King, que mesmo que fuja um pouco do nosso tema, descreve muito bem o que significa estar aqui, frente aos senhores: “Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para o que o melhor fosse feito. Não somos o que deveríamos ser, mas graças a Deus, não somos o que éramos!”.

Muito obrigada!


Por MARIA, L.P.

2 comentários:

  1. Oi Lê finalmente encontrei teu blog e adorei, está lindo e tua escrita maravilhosa. Adorei o teu discurso de formatura. Parabéns amiga e que continuemos nossa trajetória em contato. Abraço.

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  2. Oh Marli, obrigada!
    Também acompanho as tuas 'memórias'.
    Obrigada pelas palavras.. os nossos destinos são engraçados. O ciberespaço é uma forma que temos de nos manter próximos e ao mesmo tempo tão distantes...

    A estrada, está apenas começando!

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