quarta-feira, 22 de junho de 2011

A reportagem que eu queria ter lido sobre a Marcha das Vadias de Brasília

Apesar da dificuldade de ressignificar o termo vadia, a Marcha das Vadias de Brasília legitimou sua proposta, reafirmando a necessidade das mulheres de se organizarem coletivamente contra as diversas formas de violência presentes no nosso cotidiano.



Marcha das Vadias - Brasília/2011. Imagem da Universidade Livre Feminista no Flickr.

Hoje marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres

Quando cheguei em frente ao shopping para a concentração fiquei um pouco receosa. Parecia haver mais fotógrafos que manifestantes, fiquei com medo de ser aquela nota de pé de página: “20 pessoas protestam em Brasília acompanhadas de 2000 fotógrafos”.
Essa sensação caiu por terra quando começamos a caminhar. Eu estava na frente e quando chegamos no semáforo da plataforma superior da Rodoviária quase perdi o fôlego ao olhar para trás. Era muita gente! Na primeira reportagem que vi, a Globo estimou 300 participantes. Depois corrigiu, 1000 é uma aproximação mais justa para a multidão que tomou conta da cidade.



Manifestantes da Marcha das Vadias caminham pelo centro de Brasília. Foto de Lula Marques / Folhapress

Segundo Guacira Oliveira, “a militância do Fórum de Mulheres do DF, as bem antigas (que a gente não via há algum tempo), as que a gente sempre encontra, as mais recentes, todas se sentiram convocadas e participaram de todo o agito”.

Para as meninas da organização, a Marcha foi um sucesso, tanto em relação à mobilização quanto à politização do debate. Para Lia Padilha, “A marcha foi linda, foi politizada, foi libertária, foi alegre, foi séria, foi criativa, foi respeitosa e cá pra nós, foi um “tapa na cara” do conservadorismo! [...] Me senti assim também, livre, livre, livre…”.



Marcha das Vadias - Brasília/2011. Imagem de Carolina Correa no Flickr.

A participação dos homens foi realmente surpreendente. A maior parte estava com cartazes muito legais, totalmente favoráveis à causa. Eles também nos acompanharam nos batuques e na cobertura alternativa da Marcha.

Todo mundo se pergunta, mas que movimento organizou a marcha? Posso dizer que foi o movimento de pessoas descontentes com todas as formas de violência contra a Mulher. Movimentos organizados aderiram, obviamente. O processo, contudo, foi bem horizontal. “Me senti muito bem percebendo que conseguimos ajeitar as coisas de forma horizontal e solidária. Foi a primeira vez que participei de um movimento onde conseguir enxergar verdadeiramente uma horizontalidade na organização!”, afirmou Leila Saads.

No entanto, apesar de toda a alegria, precisamos ficar ligadas para que a marcha não tenha fim, para que ela possa fortalecer as lutas feministas, ajudando muitas pessoas a se engajarem nos movimentos ou simplesmente a descobrirem-se feministas, empenhando-se nas lutas cotidianas. Não deixar o encanto do sábado se perder, porque o machismo está aí nos violentando todos os dias.

Como disse a Saionara, uma das organizadoras do protesto, “precisamos aproveitar essa energia e seguir fazendo intervenções nas universidades, no trabalho, nas ruas, dentro de casa, nos pontos de ônibus, nos muros, nas calçadas, na vida… Vamos ocupar os espaços juntas, vamos continuar com as nossas pautas e reivindicações, vamos seguir… Vamos?”.

P.S. Assistam ao vídeo que o DCE da UnB fez da Marcha das Vadias de Brasília:



Texto de Priscilla Caroline, disponível em http://blogueirasfeministas.com/2011/marcha-das-vadias-brasilia/

2 comentários:

  1. Olá, Maria,L.P.
    Muito significativa a marcha das vadias, uma bela resposta ao machismo no mundo e aqui também leiam o que o Cappacete postou
    http://blogdocappacete.blogspot.com/2011/06/camara-de-sp-tenta-criar-dia-do-orgulho.html
    Cara amiga, sou pouco de comentar mas visito sempre seu espaço e com prazer

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  2. Oi Jader, tudo bem?!
    Obrigada pelas visitas, apesar dos poucos comentários, noto que tenho recebido muito acessos. Isso é muito bom.
    Essa postagem achei muito importante, visto que em diversos veículos, a Marcha das Vadias tem se disvirtuado um pouco da luta das mulheres. A manifestação é importante, mas é necessária uma clareza frente as bandeiras que essa marcha representa.
    Li hoje a tarde sobre 'o orgulho hétero', twittei algo e postei no facebook...
    Por isso mesmo, acho importante a manifestação pública, mas uma profunda clareza acerca das nossas lutas, para que possamos compreender o que está acontecendo e mudar essa realidade.
    Mas muito obrigada pelas visitas! Abraço!

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