segunda-feira, 6 de junho de 2011

Re: Marcha pela Família

Posto hoje mais um trecho da nossa conversa sobre a Marcha pela Família. No post anterior, comentei sobre ter ficado chateada com a posição do meu amigo. Mas hoje, me coloquei a disposição de uma maior reflexão sobre o tema. Preservo o nome dele, pois não sei se ele gostaria de ser exposto, não sei se ele lê esse blog, e também não gostaria que ele ficasse chateado com a postagem. Entretanto, acho importante que esse diálogo seja exposto a alguns questionamentos, a uma reflexão!


Olá Leticia.
Que bom receber sua opinião sobre o assunto, muito obrigado.
Não entendi qual argumento que defendes quando chamas de hipocrisia a manifestação de quem é contra o Kit gay. Nada contra quem é a favor, eu pessoalmente não sou, e você? És a favor ao Kit?
Também concordo que algumas índoles presentes como as de Anthony Garotinho e Bolsonaro ( o qual também não simpatizo; mas que convenhamos é obvio que a Esquerda política, se aproveita do infeliz e retrógrado comentário feito por ele em entrevista dada ao CQC ...) ... não tem moral alguma para representar o que quer que seja, e em verdade não os considero líderes de tal manifestação e sim aproveitadores de espaços (como todo político) para fazerem bancadas e o próprio merchan., em espaço e manifestação originada pela ala evangélica do Congresso e Câmara...
Desculpe, em verdade não quero ser um ignorante de plantão (talvez eu ja esteja sendo... rrsrsrs...) mas o que você quer dizer que não existe ' o que chamam de família'?
Eu também quero um país para a minha família.


Um abraço.
Fique com Deus.

Segue, a minha resposta!

Oi querido, tudo tranquilo?!

(...)
Sobre a Marcha da Família, minha opinião é bastante complexa sobre o assunto, mas acho muito importante discutir.
Sobre o 'kit gay', acho importante que, em primeiro lugar, fique claro, que essa expressão que 'batizou' foi o próprio Bolsonara, facista de carteirinha. Sou sim a favor do Kit Contra a Homofobia, por diversos motivos. Primeiro, porque sou educadora, e conheço muito bem a nossa escola pública, que é 'por exelência' racista, machista, classista e homofóbica. E sobre isso, infelizmente, não há o que discutir, é essa a nossa formação. Na escola aprendemos que o correto é ser branco, heterossexual e classe média: esse é o modelo de um bom cidadão. E sabemos que a parcela da nossa população que se encaixa nesses quesitos, é bem pequena.
Creio que discutir homofobia na escola é ótimo, pois é nela que formamos nossos preconceitos. Recentemente, existe uma lei que obriga o ensino de história da África e cultura negra nos curriculos escolares, e penso que a coisa vai por ai. O combate a homofobia na escola não visa a formação de gays, até porque isso não existe... ninguém vira gay, mas muita gente vira homofóbico. Esse kit tem como público alvo estudantes do ensino médio, ou seja adolescentes. Minha mãe inclusive viu alguma coisa na tv e disse que não gostou, porque só aparecia 'casaisinhos'. Eu te digo, a Malhação também é pra esse público, e esse programa, ao meu ver, sim é acesso fácil a pornografia, assim como as demais novelas que tem classificação livre (ou 10 anos). É pornografia hetero, mas não deixa de ser pornografia.
Não consigo compreender pq um beijo gay incomoda tanta gente, sendo que essas mesmas pessoas não se importam com cenas de sexo hétero na novela das oito. E isso sim, me incomoda. Esse discurso me parece muito hipócrita. Parece que jogamos todas as culpas da nossa sociedade em quem busca apenas o seu direito, de viver livremente.
Agora pq eu chamo a Marcha da Família de hipocrisia, não pense que estou te xingando, bem pelo contrário, também quero partilhar a minha opinião. Quem vem organizando esses movimentos, são fundamentalistas religiosos que buscam mover milhões de votos de pessoas inocentes, como as que participaram dessa marcha. Lutar pelo direito gay não é ser contra a família, pelo contrário. É garantir que essas pessoas tem o mesmo respeito que as demais, só isso. Ai peço que leve em consideração a quantidade de mães que estão na luta contra a homofobia, porque sonham que seus filhos sejam livres e respeitados.
É ai que eu questiono o nosso conceito cristão de família, o qual - infelizmente - não existe há tempo. A minha família se encaixa nesse modelo, tenho pai e mãe casados ha quase 30 anos, com dois filhos héteros. Mas já o meu irmão, não entra nesse padrão, veja bem. Ele casou com uma mãe solteira, depois de morar junto com ela por quase dois anos. Logo, não considero a família dele uma família padrão. A desfragmentação das nossas famílias é uma realidade: famílias formadas por mãe e filhos, por avós e netos, tios e sobrinhos, irmãos de difentes casamentos, e por ai vai. Mas essa fragmentação é causada nas relações héteroafetivas, e não homoafetivas. Em relação as famílias consitituidas através de relações homoafetivas, não vou nem entrar profundamente, mas as que conheço, são muito mais estruturadas que a maioria das famílias hetero e cristãs que conheço.
Não sou contra a Marcha pela família, mas acho que esse movimento merece uma boa reflexão, assim como todas os movimentos que lutam por seus direitos, inclusive os homossexuais. É fato!
Mas sugerir que discutir homosexualidade na escola é agredir a família, ta ai uma grande inversão. Pode, como é na maioria das vezes, inocência de mais, falta de informação ou, pura e simplesmente ignorância.
Sou a favor da família, claro, sem dúvidas. De uma família cristã, livre e sem preconceitos.
Mas sobretudo, sou a favor da liberdade e do direito que todos tem do amor livre. Mas veja bem, em momento algum me refiro a amor livre como ausência de valores, vulgaridade e/ou libertinagem. Longe disso!
O amor livre, é o amor que liberta. Afinal, Deus nos mandou amar o próximo, e não agredi-lo (física, verbal, ou ideologicamente) na sua essência.
Sou a favor de muitas coisas, mas sobretudo do amor e da liberdade!


Beijo grande!



É como eu digo, sempre:
"Amar e mudar as coisas me interessa mais!" (Belchior)
 
Por MARIA,L.P.

Um comentário:

  1. "Vem, vamos embora, que esperar não é saber
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

    Nas escolas, nas ruas, campos, construções
    Somos todos soldados, armados ou não
    Caminhando e cantando e seguindo a canção
    Somos todos iguais, braços dados ou não
    Os amores na mente, as flores no chão
    A certeza na frente, a história na mão
    Caminhando e cantando e seguindo a canção
    Aprendendo e ensinando uma nova lição"

    Não podemos ser radicais, mas também não podemos censurar seja qual forem os direitos das pessoas.

    ResponderExcluir