quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Vida Sem Empregada

Revistas femininas parecem ser, atualmente, uma fonte inesgotável de estereótipos e matérias nonsense. A Revista Claudia publicou A Vida Sem Empregada. Um texto que afirma:

As domésticas serão artigo raro no mercado de trabalho, anunciam os indicadores sociais mais recentes, e o futuro aponta para uma nova equação familiar, em que todos colaboram nas tarefas da casa. A boa notícia: vêm aí pais e filhos mais unidos e um mundo possivelmente mais justo. Mas não vai ser fácil.

Quem tem grana no Brasil costuma ter empregada ou diarista. Eu contrato uma diarista que vem a minha casa uma vez por semana. Porém, nunca achei que deveria ter uma empregada e nem que seria um horror que ela se tornasse um raro artigo no mercado. A divisão de tarefas domésticas parece ser uma utopia nas famílias brasileiras que contam com empregadas domésticas. Sei que só posso contratá-la porque vivemos numa sociedade injusta, que desde a escravidão delega o trabalho doméstico as mulheres negras.


Segundo dados da Fundação Seade e do Dieese, em 2008 as mulheres ocupavam 45,1% do total de postos de trabalho. Entretanto, representavam 95,4% do total de pessoas que prestam serviços domésticos. As mulheres negras de baixa escolaridade são maioria no emprego doméstico. Porém, no Brasil, o emprego doméstico está tão enraizado que não pode ser eliminado repentinamente, por isso é imporante valorizá-lo e garantir seus direitos de acordo com as indicações da Organização Internacional do Trabalho. Atualmente, as trabalhadoras domésticas não contam com benefícios como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, abono salarial e hora extra, entre outros. Fora a hipocrisia de ser tratada como alguém da família e depois não pagarem seus direitos.

Portanto, com a ampliação do direitos deverá ficar cada vez mais caro ter uma empregada doméstica. É claro que algumas pessoas, que não aceitam perder seus privilégios, estão importando trabalhadoras domésticas de países pobres da América do Sul, e mantendo-as ilegalmente no país. O trabalho doméstico é tido como algo que deve ser delegado a alguém com menor escolaridade, porque temos um passado escravocrata muito forte. Então, quando a reportagem de Claudia indaga: A ajuda doméstica está mudando de configuração. Cada dia mais, ela deixa de ser paga e passa a ser negociada: saem as profissionais, entram marido e filhos. Será que dá? Ao ler isso pergunto: E quem não tem empregada faz como?

A matéria segue enumerando razões para se ter uma empregada doméstica:

Como eu, muitas mulheres enfrentavam os mesmos problemas trabalhando ou não fora. O tempo não minimizou as questões. Ao contrário, a evolução feminina multiplicou atividades e funções, incluindo ocupações antes exercidas pelos homens (pagar contas, deixar o carro no mecânico). Sem esquecer, claro, da altíssima demanda social para a manutenção da beleza e da aparência.

Veja bem, as novas ocupações femininas não incluem manusear a furadeira para colocar uma quadro na parede, mas sim pagar contas e deixar o carro no mecânico. Além do que, não devemos esquecer nunca da manutenção da beleza e da aparência. É para isso que evoluímos e é por isso que precisamos ter uma empregada doméstica?

A nossa injusta sociedade cria a idéia de que o homem ajuda no trabalho doméstico, mas é essencial estabelecer uma relação não de favor, mas de divisão de taredas, porque todos moram na mesma casa e todos sujam e bagunçam. Ensinar tarefas domésticas e mostrar no dia-a-dia suas responsabilidades para filhos e filhas é fundamental para a desmistificação da idéia de que precisamos de uma empregada doméstica e que sem ela não iremos sobreviver. O que acontece realmente é que teremos que cancelar uma ida ao cinema, uma saída com amigos, uma festinha no fim de semana ou mesmo mais tempo de sono para limparmos e organizarmos nossas casas. E isso significa reconhecer que temos privilégios, que enquanto tenho lazer há alguem arrumando minha casa. Essa pessoa é uma trabalhadora como eu, merece salário digno e direitos trabalhistas. E também merece mudar de vida, estudar e ter a possibilidade de escolher outra profissão.

Mais para o fim, a reportagem até fala de abdicação e responsabilidade familiar, mas explicita o pensamento de uma classe social mimada que parece não entender que é possível viver sem alguém abaixando-se para catar as roupas do chão:

É uma equação delicada. Nossas filhas, acostumadas à presença do auxílio doméstico, em geral não dão importância a essas tarefas. Foram criadas sem se preocupar com elas e sem treinamento para exercê-las. Portanto, não têm recursos para se transformar da noite para o dia em responsáveis pelo lar. Nem desejam. Por outro lado, a nova geração de meninos parece ser mais cúmplice, porque aprendeu assim. Mas será que eles estão preparados para uma ajuda regular e não eventual?

Por que parece tão difícil educar filhas e filhos para o trabalho doméstico? Por que perguntar se eles estão preparados para limpar e organizar a casa? Crescemos numa bolha em que nunca somos responsáveis por nossa própria sujeira? É de assustar uma reportagem tão maluca a ponto de perguntar se alguém está preparado para ajudar regularmente nas tarefas domésticas. Quanto ao tempo gasto com as tarefas domésticas, ninguém parece levantar na matéria a idéia de reduzir a carga horária dos trabalhadores, de lutar por melhor qualidade de vida e mais tempo com a família. No Brasil, contratar uma empregada doméstica significa abrir uma vaga de trabalho para uma mulher, mas é importante que essa mulher tenha outras oportunidades, direitos garantidos e principalmente, que ela tenha um contrato de trabalho claro, que seja contratada para um serviço específico e não para mimar crianças ou estabelecer tarefas afetivas.



[+] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás. Texto da historiadora, professora e ex-empregada doméstica Luana Diana dos Santos.


Texto de Srta. Bia, disponível em http://srtabia.com/2011/06/a-vida-sem-empregada/

terça-feira, 28 de junho de 2011

A eterna parada dos sem noção




Precisamos de um dia de protesto para poder beijar em público!



Hoje é Dia Mundial do Orgulho LGBTTT. Parabéns, pessoal! (o título do post não tem a ver com a Parada Gay!). Tem que se orgulhar mesmo de ser o que é, apesar de o que somos (lésbicas, gays, transexuais, mulheres, negros, gordos, ateus, pessoas com necessidades especiais etc)  ser constantemente massacrado pela sociedade através de violência, discursos de ódio, religiões, piadinhas, falta de representatividade, preconceitos, insultos, e até leis contra nós. Apesar do dia 28 de junho ser dedicado ao orgulho LGBT, faço questão de escrever no plural. Todas as minorias são discriminadas. Ao invés de competirmos numa espécie de Olimpíada da Opressão para ver quem sofre mais preconceito, temos mais é que nos unir. E mais: precisamos ter orgulho de estar na companhia de outras minorias igualmente aguerridas. Tod@s nós lutamos por um mundo melhor, livre de preconceitos. Escrevo isso porque a quarta da semana passada foi uma abominação, um verdadeiro f reak show. Nesse dia um deputado paulista sugeriu que fosse fixada uma data pra comemorar o orgulho de ser heterossexual. E imediatamente as absurdas palavras Orgulho Hétero alcançaram o primeiro lugar dos Trending Topics do Twitter. Eu escrevi dois tweetzinhos contra e recebi uma avalanche de críticas (coloco aqui alguns dos melhores momentos. Não é importante quem falou, mas o que foi dito). Em seguida veio a Consciência Branca (alguns dizem que esse foi um TT pra zoar do Orgulho Hétero e do projeto do deputado, mas, como sempre no Twitter, havia gente levando o troço a sério). A primeira pergunta que vem desse pessoal que deseja se orgulhar de ser o padrão, a Verdade e a Luz, costuma ser: puxa, mas se um negro pode usar uma camiseta escrito 100% negro, por que não posso usar um a escrito 100% branco?

É o seguinte: poder até pode. Ninguém vai te fazer tirar a camisa, nem você irá preso por isso. Mas muita gente irá te considerar um completo babaca por vestir tal camisa. Um ignorante mesmo. Sabe por quê? Porque você tá deixando claro que não sabe o que é contexto. Porque, através de uma lousy t-shirt, você está dizendo que não sabe, ou não acredita (o que é pior?), que negros sofreram (sofrem ainda) séculos de exploração e humilhação. Porque você está afirmando que desconhece que nossa sociedade, t odos os dias, associa negritude a coisas feias e sujas, e brancura ao que é limpo, puro e belo. Porque, pra finalizar, você está fingindo que não sabe (só pode estar fingindo!) que existem montes de movimentos fascistas como a Ku Klux Klan e os skinheads que fazem da supremacia branca a sua razão de viver. Eles, sim, têm motivos pra ter orgulho de ser branco — é porque odeiam os negros. Qual é o seu motivo? Se você não odeia os negros, por que quer esfregar na cara de todos que você não tem nem uma gotinha de sangue negro no seu organismo? O que você quer provar, ainda mais num país miscigenado como o nosso?

Só dizer “tenho orgulho de ser hétero” não significa necessariamente ser homofóbico. O problema é que é um a declaração dessas não vem à toa. De onde isso veio tem muito mais. Pode apostar que na frase seguinte a pessoa já vai dizer alguma bobagem como, sei lá, “Não tenho nada contra os gays, mas quero mais é que eles morram”. Nunca sei se essa pessoa está provando ser uma completa sem noção (ao não perceber que se contradisse na mesma sentença), ou se é brincalhona, e só não tem noção que está insultando seu interlocutor. Geralmente a pessoa que diz isso ou assume que é homofóbica (exemplo: “Se bater no meu filho pra evitar que ele vire viado é homofobia, então eu sou homofóbico sim!”, seguido de uma batida no peito), ou nega: “Claro que não sou homofóbico, tenho até amigo gay!” (ou , pros mais sem noção ainda: “Claro que não sou homofóbico, até assisto The L Word!”). Orgulho é o oposto de vergonha. Quando é que você sentiu vergonha de ser branco? É verdade que existe algo chamado white guilt, culpa branca, mas isso é sentir vergonha do que os brancos fizeram (é, quase sempre isso é visto como passado, fato encerrado) aos não-brancos. Mas esse “sentir vergonha” é no coletivo, é algo distante — por exemplo, ter vergonha dos antepassados que tinham escravos. No plano individual, a pessoa continua sendo contra as cotas pra negros. Ou seja, vergonha por ser branco pode acontecer, mas aí é vergonha pelo que outros brancos fizeram. Quando você sentiu vergonha de ser homem? (novamente, se acontecer, é pelo que outros homens fazem). Mas a sociedade não vem pra você e te diz “Eca! Que horror que é ser branco e homem!”. Não, isso é celebrado. Pense no que a gente vê na mídia (tirando os comerciais da Bombril e outros que dizem que homens são totais incapazes. Mas até isso é bom e estratégico, porque ninguém vai esperar que um incapaz faça alguma coisa, como cozinhar ou limpar a casa. Melhor deixar com quem sabe. Opa, esse alguém é a mulher?! Que incrível coincidência!). Pense na linguagem que usamos. Pense nos termos usados para condenar a sexualidade feminina (vadia, piranha, galinha etc) e para celebrar a sua (garanhão). Pense em como “aquilo roxo” e “colhões”, que só existem na anatomia masculina, são sinônimos de coragem, e em como macheza está associada à valentia, determinação, bravura, e em como “mulherzinha” é o oposto. Ser homem e branco é o padrão dominante, é a cor e o sexo de quem manda, de quem tem poder, de quem tem dinheiro, de quem faz as leis, e para quem as leis são feitas. Mas de nada adianta estar dentro do padrão desejável — homem e branco — se você puser tudo a perder sendo gay. Porque aí você será expulso do clubinho de homens brancos. É como se você estivesse cuspindo no prato que comeu, rasgando sua carta de privilégios. Tudo bem se você esconder que é gay. Se a gente olhar pra você sem desconfiar que você gosta de pênis alheio (porque a gente só gosta do nosso próprio), se você se enfiar num armário e não sair dele jamais, se você mantiver um namoro ou um casamento de conveniência (com uma mulher, lógico!), se você não tiver o menor trejeito que te denuncie, se você rir das nossas piadas que dizem — brincando, claro, tenha senso de humor!! — que viado é ridículo e inútil e nojento, bom, se você seguir todas essas regras, a gente te atura. Somos tolerantes e bonzinhos com os gays: é só não ser gay, entendeu?! E é por isso que ser gay é tão ofensivo pro padrão dominante. Porque, pô, um negro não pode escolher ser negro, uma mulher não pode escolher ser mulher (e tudo bem uma mulher ser mulher, desde que saiba seu lugar e cumpra suas funções), mas um gay definitivamente pode escolher ser hétero! É só querer! É só deixar de ser fresco! Óbvio que um gay só quer ser gay porque está na moda, porque, né, ser gay traz um mundo de vantagens! Pense nos privilégios que um hétero tem. Quando você sentiu vergonha de ser hétero? (nesse caso, em geral, a gente nem costuma se envergonhar dos outros héteros!). Quando você foi discriminado por ser hétero? A única resposta que um hétero tem na ponta da língua pra essa pergunta é “Quando fui a uma boate gay”. Primeiro que não acredito muito nisso (héteros são bem tratados em boates gays). Depois que, olha só, você tev e que ir a um lugar específico para ser discriminado. Prum gay, lésbica, trans ser discriminado, tudo que el@ tem que fazer é sair à rua. Aliás, serve ser discriminado dentro de casa também. Não tem que ir a lugar nenhum pra sofrer discriminação, basta existir.

Portanto, ter orgulho de ser hétero é querer celebrar a sorte que você tem simplesmente por ter nascido hétero. É ostentar riqueza, e ostentação de riqueza não pega bem. Sabe quando um milionário fútil gasta milhares de reais festejando o aniversário do seu bichinho de estimação? Sabe quando um cara tem a petulância de reclamar das suas férias num resort de esqui porque lá não estava frio o suficiente? Sabe quando o filhinho de papai critica a empregada por mexer nas suas coisas, sem imaginar que ser empregada não é um emprego dos sonhos, e que é um privilégio ter alguém pra limpar a sua sujeira? Então. Você, hétero, ao querer celebrar publicamente sua heterossexualidade, é um filhinho de papai. Porque ninguém está mexendo nas suas coisas ou ameaçando tirá-l as de você. Porque sua orientação sexual não está correndo riscos. Porque você tem e vai continuar tendo todo o direito de andar de mãos dadas, beijar, casar com alguém do sexo oposto, adotar uma criança, e ninguém vai te olhar feio. Ninguém vai te expulsar do recinto, ninguém vai te bater ou matar, ninguém vai querer te transformar, ninguém vai dizer que se envergonha de ser seu pai/mãe, ninguém vai pensar que sua orientação sexual é depravada ou relacioná-la à pedofilia, ninguém vai te despedir do emprego po r causa da sua heterossexualidade, ninguém vai dizer que o que você faz é pecado e que você vai arder no inferno por conta disso. Ou seja, você não precisa de uma data específica pra defender sua orientação sexual. Ela não está sob ataque. Todo santo dia você está mostrando seu orgulho hétero. Todo dia é um desfile sem fim pra você. Então, em vez de se orgulhar do seu privilégio, que tal envergonhar-se de viver numa sociedade que insiste em negar direitos a quem não é “normal” como você?

Disponível (com imagens) em http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/06/eterna-parada-dos-sem-nocao.html





sexta-feira, 24 de junho de 2011

UFRGS apura racismo em sala de aula

EU INSISTO!
Depois dizem que sou radical, que é exageiro, coisa da minha cabeça e blá, blá,blá.
Ta ai a prova, de due o que eu coloquei no meu tcc é fato. O racismo é uma ideologia dominante, tão intrísseca no nosso pensamento brasileiro, que não me surpreende em nada, em um acadêmico de história expor essas coisas absurdas. Fico feliz que isso seja divulgado e que o professor tenha tomado uma atitude séria. Esse é o primeiro passo, a denúncia, agora vamos a ação: uma educação não racista, para a construção de um pensamento libertador.
Boa sorte para nós!
Por MARIA,L.P.






Texto de aluno compara miscigenação de povos a “exterminação racial ou genocídio”


Marcelo Gonzatto
marcelo.gonzatto@zerohora.com.br




Trabalhos produzidos por um aluno do curso de História vêm provocando perplexidade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ao defender ideias consideradas racistas por colegas e professores. Em um manifesto distribuído em sala de aula, esta semana, o estudante chama filhos de casais multirraciais de “híbridos” e compara a miscigenação populacional a uma forma de “exterminação racial ou genocídio”.


>>  Leia trecho de carta escrita pelo estudante de História.


As declarações já motivaram um processo disciplinar e o registro de uma ocorrência policial. As aulas do primeiro semestre de História começaram a ficar tumultuadas em abril, quando um trabalho de tema livre foi considerado inadequado pelo professor Cesar Guazzelli por conter tons antissemitas.Conforme uma testemunha que estava presente à aula, Guazzelli alertou os alunos de que não aceitaria esse tipo de argumentação. O autor do ensaio, José Francisco Alff, 50 anos, não admitiu a reprimenda e teve início uma série de manifestações. Guazzelli informa que, como foi aberto um processo disciplinar, nem ele ou qualquer outro servidor da universidade podem se manifestar.— Foi formada uma comissão que está averiguando o assunto — diz.


>> Leia esta matéria na íntegra na edição impressa de ZH desta sexta-feira.


ZERO HORA


A carta: http://zerohora.clicrbs.com.br/pdf/11347030.pdf
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Geral&newsID=a3364377.xml






Texto disponível em http://movimentocontestacao.blogspot.com/2011/06/ufrgs-apura-racismo-em-sala-de-aula.html 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A reportagem que eu queria ter lido sobre a Marcha das Vadias de Brasília

Apesar da dificuldade de ressignificar o termo vadia, a Marcha das Vadias de Brasília legitimou sua proposta, reafirmando a necessidade das mulheres de se organizarem coletivamente contra as diversas formas de violência presentes no nosso cotidiano.



Marcha das Vadias - Brasília/2011. Imagem da Universidade Livre Feminista no Flickr.

Hoje marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres

Quando cheguei em frente ao shopping para a concentração fiquei um pouco receosa. Parecia haver mais fotógrafos que manifestantes, fiquei com medo de ser aquela nota de pé de página: “20 pessoas protestam em Brasília acompanhadas de 2000 fotógrafos”.
Essa sensação caiu por terra quando começamos a caminhar. Eu estava na frente e quando chegamos no semáforo da plataforma superior da Rodoviária quase perdi o fôlego ao olhar para trás. Era muita gente! Na primeira reportagem que vi, a Globo estimou 300 participantes. Depois corrigiu, 1000 é uma aproximação mais justa para a multidão que tomou conta da cidade.



Manifestantes da Marcha das Vadias caminham pelo centro de Brasília. Foto de Lula Marques / Folhapress

Segundo Guacira Oliveira, “a militância do Fórum de Mulheres do DF, as bem antigas (que a gente não via há algum tempo), as que a gente sempre encontra, as mais recentes, todas se sentiram convocadas e participaram de todo o agito”.

Para as meninas da organização, a Marcha foi um sucesso, tanto em relação à mobilização quanto à politização do debate. Para Lia Padilha, “A marcha foi linda, foi politizada, foi libertária, foi alegre, foi séria, foi criativa, foi respeitosa e cá pra nós, foi um “tapa na cara” do conservadorismo! [...] Me senti assim também, livre, livre, livre…”.



Marcha das Vadias - Brasília/2011. Imagem de Carolina Correa no Flickr.

A participação dos homens foi realmente surpreendente. A maior parte estava com cartazes muito legais, totalmente favoráveis à causa. Eles também nos acompanharam nos batuques e na cobertura alternativa da Marcha.

Todo mundo se pergunta, mas que movimento organizou a marcha? Posso dizer que foi o movimento de pessoas descontentes com todas as formas de violência contra a Mulher. Movimentos organizados aderiram, obviamente. O processo, contudo, foi bem horizontal. “Me senti muito bem percebendo que conseguimos ajeitar as coisas de forma horizontal e solidária. Foi a primeira vez que participei de um movimento onde conseguir enxergar verdadeiramente uma horizontalidade na organização!”, afirmou Leila Saads.

No entanto, apesar de toda a alegria, precisamos ficar ligadas para que a marcha não tenha fim, para que ela possa fortalecer as lutas feministas, ajudando muitas pessoas a se engajarem nos movimentos ou simplesmente a descobrirem-se feministas, empenhando-se nas lutas cotidianas. Não deixar o encanto do sábado se perder, porque o machismo está aí nos violentando todos os dias.

Como disse a Saionara, uma das organizadoras do protesto, “precisamos aproveitar essa energia e seguir fazendo intervenções nas universidades, no trabalho, nas ruas, dentro de casa, nos pontos de ônibus, nos muros, nas calçadas, na vida… Vamos ocupar os espaços juntas, vamos continuar com as nossas pautas e reivindicações, vamos seguir… Vamos?”.

P.S. Assistam ao vídeo que o DCE da UnB fez da Marcha das Vadias de Brasília:



Texto de Priscilla Caroline, disponível em http://blogueirasfeministas.com/2011/marcha-das-vadias-brasilia/

terça-feira, 21 de junho de 2011

Advogado é ameaçado de morte por defender vítima de racismo

E ainda tem uns e outros por ai dizendo que eu sou radical, que as coisas não são bem assim, que isso não aocntece hoje em dia. Não mesmo??
No Rio Grande do Sul, um jovem ameaçado de morte por se encontrar em uma situação complexa, frente a polícia. Mas sobrou pra ele por um único motivo: ser negro.
Já cansei dessa palhaçada.

Por MARIA,L.P.



No RS, advogado é ameaçado de morte por defender vítima de racismo


Helder Santos, vítima de racismo, teve que fugir da cidade em que estudava, sim, essas coisas ainda acontecem no Brasil


Radioagência NP

O advogado Onir de Araújo pedirá a prisão preventiva de cinco policiais da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, após ter recebido uma carta anônima com ameaças de morte. Ele atua na defesa do estudante Helder Santos, que no início do ano foi vítima de racismo durante uma abordagem policial.

Jurado de morte por denunciar os agressores, Helder cursava História na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no município de Jagurão, e precisou abandonar os estudos e retornar às pressas para a Bahia. Na ocasião, a diretora do curso saiu em defesa do estudante e também recebeu ameaças. Onir de Araújo, em entrevista ao Coletivo Catarse, revela que o clima de terrorismo cresceu quando a Promotoria Militar aceitou a denúncia.

“Várias pessoas começaram a receber e-mails. Inusitadamente, os e-mails, supostamente, foram postados pelo Major Ferreira [José Antônio Ferreira da Silva]. Era de seu e-mail corporativo ameaças às pessoas que estariam sendo solidárias com o Helder.”

Um dos e-mails dizia: “esse negrinho só levou uns croques da polícia e nada mais. Vamos parar com essa conversinha mole de racismo que isso é coisa de fresco.” O major, que comanda as ações policiais em Jagurão, negou a autoria das mensagens. Onir considera que a situação não é apenas um atentado contra a segurança dos envolvidos no caso.

“Isso revela uma situação institucional de crise, com a existência de setores que não poderiam estar dentro da Brigada Militar, que ferem o próprio princípio constitucional de segurança pública e o estado democrático de direito. Ou seja, deixa a sociedade à mercê de setores que são, digamos, uma verdadeira facção criminosa.”

A carta encaminhada ao advogado foi postada de uma agência dos Correios do município de Pelotas, a mesma de onde saíram as correspondências enviadas à professora da Unipampa.


Disponível em http://blogdocappacete.blogspot.com/2011/06/no-rs-advogado-e-ameacado-de-morte-por.html

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Xarum waay...

“Xarum waay gaynde way”

 (O cordeiro para uns, é leão para outros)



Provérbio Tradicional dos Povos Pulo (Senegal)



Essas palavras usei na epígrafe do meu tcc.
As vezes temos um olhar sobre as coisas/pessoas.  Mas o fato, é que cada um consegue observar de acordo com a posição da sua cadeira. Nem tudo o que pensamos tem o mesmo significado para todo mundo.

Mas isso não tira o caráter daquilo que vemos.
Por mais que o que seja 'cordeiro' para mim, não seja para você, isso não significa que  não seja cordeiro. Ou Leão.


Por MARIA,L.P.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Homossexualidade não é uma opção”

Para 'fechar' a discussão sobre Marcha da Família, posto hoje um texto do psicólogo  Claudio Picazio, que li no blog Maria da Penha Neles.
Algumas pessoas até estranham, mas eu não canso de reafirmar o fato de que sou cristã e acredito que podemos lutar para a contrução de um futuro mais justo para os que amamos. Entender que vivemos numa sociedade doente é um começo, mas precisamos entender a diferença entre problemas e polêmicas sociais. Algumas coisas na nossa sociedade são polêmicas e não passam de tabus burros e feios, tais como dicutir sexualidade, homoafetividade, aborto, descriminalização da maconha e por ai vai. Os problemas que a nossa sociedade enfrenta estão ligados a pobreza, a desigualdade, a corrupção, a ausência de valores e de ética e tantos outros.
Justifico esse texto para fechar esse debate, pois o meu amigo, o qual referi nos dois últimos posts me respondeu por último que não é homofóbico, apenas não concorda com as relações homoafetivas. Na realidade, já ouvi isso de muitas pessoas que da mesma confissão religiosa que eu.
Acontece, que não se trata de apenas mais um tema polêmico. São pessoas. Não há o que concordar o que deixar de concordar. Mas se somos cristão de fato, precisamos passar por cima daquilo que achamos certo/errado, e amar e compreender as pessoas, na sua essência.
Se vc não gosta de gays, o problema é seu, mas veja bem - homossexualidade não é uma opção!

Por MARIA,L.P.


Entrevista com Claudio Picazio: “Homossexualidade não é uma opção”

Com quase 30 anos de experiência clínica, o especialista em sexualidade afirma que os pais devem encarar a homossexualidade sem preconceito ou culpa. O melhor caminho de combate ao preconceito sempre foi a informação. Especialista em sexualidade humana, Claudio Picazio é psicólogo clínico há quase 30 anos. Atende adolescentes, adultos e casais homossexuais e foi consultor do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação no projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Sua experiência se traduziu em três livros. O mais recente, “Uma outra verdade: Perguntas e respostas para pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência” (Editora GLS), acaba de ser lançado.
Enquanto o tema volta aos holofotes com a recente agressão não explicada a três rapazes na avenida Paulista, em São Paulo, e a publicação de uma carta do reverendo Augustus Nicodemus Gomes Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, opondo-se à aprovação da lei que pretende criminalizar a homofobia, Claudio acredita que, com alguma dose de informação, o preconceito possa diminuir – e o papel dos pais é fundamental, seja amparando seus filhos gays, seja educando filhos heterossexuais para o fim do preconceito. Leia abaixo entrevista com o autor.


iG: Baseado na sua experiência, qual o erro mais comum que os pais ao descobrirem que o filho é gay?
Claudio Picazio: Se culpar pela homossexualidade dos filhos e culpar os filhos. Não tem culpado, nem inocente nessa história. Os filhos não são gays para torturar os pais. Tem alguns pais que se colocam nessa posição e tratam a situação com aversão e homofobia. Ser homossexual não é uma opção, ninguém escolhe, é escolhido. A gente percebe os nossos desejos. Os desejos hetero e homo são iguais. Ninguém sentou do lado de uma criança e falou “goste de meninos” ou “goste de meninas”.


iG: Como os pais podem lidar com a frustração que sentem ao se depararem com a sexualidade do filho?
Claudio Picazio: Não tem jeito, os pais vão ficar frustrados. Eles colocam expectativas nos filhos o tempo inteiro, é normal. Mas além das frustrações deles, eles podem observar que quem está frustrado, quem está muito mal é o filho. Alguns pais esquecem a sua função, que é de proteger, amparar os filhos. Ser pai é ajudar os seus filhos a crescer. Nessa história, quem está sentindo mais dor não são os pais. Mesmo assim, alguns ainda obrigam os filhos a entender a dor deles. E a dor desses jovens, quem entende? Os pais precisam passar por cima da frustração e perceber que quem mais precisa de apoio é o filho.


iG: O que um adolescente sente ao se descobrir homossexual? Como é a dor?
Claudio Picazio: A dor é única. É a dor de se sentir completamente errado. É como se o mundo estivesse dizendo para você que o que você sente é errado, que você é errado, que você está excluído da sua família. Como se a sua maneira de amar e de gostar é errada, e isso causa uma dor terrível. Imagina só o que você sentiria se o mundo dissesse que você não está autorizado a sentir atração por quem você sente – sendo que as relações amorosas são megavalorizadas? É isso que leva esses gays a se esconderem, a se trancarem no armário, a terem casamentos de fachada. O pior é que é uma dor cretina, que não precisava acontecer. É pura ignorância social.


iG: Qual a melhor maneira para lidar com a homossexualidade dos filhos?
Claudio Picazio: Os pais têm que dizer para esses filhos que entendem que a homossexualidade não é uma opção. E que entende que ele faz parte dos 10% da população. Tudo no mundo é criado para o heterossexual, por isso os pais precisam amparar esse filho. Para isso, os pais precisam se preparar, primeiramente, eliminando o preconceito interno, e depois, aprendendo sobre o assunto.


iG: Muitos pais “fingem que não veem”. Isso é pior para os filhos?
Claudio Picazio: Isso é péssimo. Quando não são vistas, as coisas tendem a ficar maiores e piores do que realmente são. Às vezes os pais se justificam, alegando que não comentam nem falam com os filhos sobre isso porque não querem invadir a vida do filho. Na verdade, não é invasão. Para o filho, isso pode aparentar um total desinteresse com a sua vida.


iG: O que os pais podem fazer para que os filhos não sejam preconceituosos?
Claudio Picazio: Eles têm que bater na tecla de que a homossexualidade não é doença, não é desvio. Quando a criança começar com atitudes preconceituosas, os pais têm que coibir de imediato. Têm que falar que elas estão erradas. Agora, se os próprios pais fazem isso, se são preconceituosos com gays, fica difícil a criança aprender. Não é doença, não é desvio. Começa por aí. Tem um paciente meu, pré-adolescente, que fala o seguinte: todo mundo é passarinho. Tem sabiá, canarinho, eles são diferentes um do outro, mas são todos passarinhos. Não é estranho que os canarinhos queiram matar todos os sabiás porque se acham melhores?


iG: Há alguma diferença na maneira que as pessoas tratam a sexualidade de meninos e meninas?
Cláudio Picazio: A sexualidade feminina se apresenta de várias maneiras. Se uma menina não namora, tudo bem; se ela tem várias amigas, tudo bem; se ela andar apenas de camiseta e jeans, também tudo bem. As pessoas não ligam. Já a sexualidade masculina é única, se o cara não coçar o saco e não gostar de futebol, é bem capaz que seja considerado gay.


iG: E qual o papel da escola nesse contexto?
Claudio Picazio: A escola tem uma função básica. O professor é o agente que ajuda na socialização das crianças. A escola é onde as crianças convivem com todas as pessoas, fora da proteção da família. Ou seja, o professor tem que ser uma pessoa que ajudará todos a aprenderem a se respeitar. Se o professor também for preconceituoso, danou-se. Eles deveriam ajudar as pessoas a não se omitir, a se relacionarem melhor. Porém, a maioria deles se omite ou até tira sarro do homossexual. Usam de experiências pessoais ou religiosas para tentar alterar a ideia do adolescente, e isso é um erro enorme.


iG: Qual a sua opinião sobre o caso da carta do chanceler da Universidade Mackenzie ter feito uma carta contra a lei anti-homofobia?
Claudio Picazio: É um absurdo! Como é que um cara, com aquela posição em uma instituição de ensino pode falar aquilo? É misturar religião com educação, e a educação deveria ser laica. Ou seja, começou errado. Pelo que eles falam na carta, que todos têm que ser protegidos de maneira igual, o Estatuto do Menor, a Lei Maria da Penha deveriam ser derrubadas. Se as pessoas têm um preconceito, que guardem pra si. Agora, se eu acho que um menino é gay eu posso agredi-lo com uma lâmpada na cabeça e tudo bem? O que é isso?


Fonte: Portal iG

Disponível em http://mariadapenhaneles.blogspot.com/2011/06/homossexualidade-nao-e-uma-opcao.html

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Re: Marcha pela Família

Posto hoje mais um trecho da nossa conversa sobre a Marcha pela Família. No post anterior, comentei sobre ter ficado chateada com a posição do meu amigo. Mas hoje, me coloquei a disposição de uma maior reflexão sobre o tema. Preservo o nome dele, pois não sei se ele gostaria de ser exposto, não sei se ele lê esse blog, e também não gostaria que ele ficasse chateado com a postagem. Entretanto, acho importante que esse diálogo seja exposto a alguns questionamentos, a uma reflexão!


Olá Leticia.
Que bom receber sua opinião sobre o assunto, muito obrigado.
Não entendi qual argumento que defendes quando chamas de hipocrisia a manifestação de quem é contra o Kit gay. Nada contra quem é a favor, eu pessoalmente não sou, e você? És a favor ao Kit?
Também concordo que algumas índoles presentes como as de Anthony Garotinho e Bolsonaro ( o qual também não simpatizo; mas que convenhamos é obvio que a Esquerda política, se aproveita do infeliz e retrógrado comentário feito por ele em entrevista dada ao CQC ...) ... não tem moral alguma para representar o que quer que seja, e em verdade não os considero líderes de tal manifestação e sim aproveitadores de espaços (como todo político) para fazerem bancadas e o próprio merchan., em espaço e manifestação originada pela ala evangélica do Congresso e Câmara...
Desculpe, em verdade não quero ser um ignorante de plantão (talvez eu ja esteja sendo... rrsrsrs...) mas o que você quer dizer que não existe ' o que chamam de família'?
Eu também quero um país para a minha família.


Um abraço.
Fique com Deus.

Segue, a minha resposta!

Oi querido, tudo tranquilo?!

(...)
Sobre a Marcha da Família, minha opinião é bastante complexa sobre o assunto, mas acho muito importante discutir.
Sobre o 'kit gay', acho importante que, em primeiro lugar, fique claro, que essa expressão que 'batizou' foi o próprio Bolsonara, facista de carteirinha. Sou sim a favor do Kit Contra a Homofobia, por diversos motivos. Primeiro, porque sou educadora, e conheço muito bem a nossa escola pública, que é 'por exelência' racista, machista, classista e homofóbica. E sobre isso, infelizmente, não há o que discutir, é essa a nossa formação. Na escola aprendemos que o correto é ser branco, heterossexual e classe média: esse é o modelo de um bom cidadão. E sabemos que a parcela da nossa população que se encaixa nesses quesitos, é bem pequena.
Creio que discutir homofobia na escola é ótimo, pois é nela que formamos nossos preconceitos. Recentemente, existe uma lei que obriga o ensino de história da África e cultura negra nos curriculos escolares, e penso que a coisa vai por ai. O combate a homofobia na escola não visa a formação de gays, até porque isso não existe... ninguém vira gay, mas muita gente vira homofóbico. Esse kit tem como público alvo estudantes do ensino médio, ou seja adolescentes. Minha mãe inclusive viu alguma coisa na tv e disse que não gostou, porque só aparecia 'casaisinhos'. Eu te digo, a Malhação também é pra esse público, e esse programa, ao meu ver, sim é acesso fácil a pornografia, assim como as demais novelas que tem classificação livre (ou 10 anos). É pornografia hetero, mas não deixa de ser pornografia.
Não consigo compreender pq um beijo gay incomoda tanta gente, sendo que essas mesmas pessoas não se importam com cenas de sexo hétero na novela das oito. E isso sim, me incomoda. Esse discurso me parece muito hipócrita. Parece que jogamos todas as culpas da nossa sociedade em quem busca apenas o seu direito, de viver livremente.
Agora pq eu chamo a Marcha da Família de hipocrisia, não pense que estou te xingando, bem pelo contrário, também quero partilhar a minha opinião. Quem vem organizando esses movimentos, são fundamentalistas religiosos que buscam mover milhões de votos de pessoas inocentes, como as que participaram dessa marcha. Lutar pelo direito gay não é ser contra a família, pelo contrário. É garantir que essas pessoas tem o mesmo respeito que as demais, só isso. Ai peço que leve em consideração a quantidade de mães que estão na luta contra a homofobia, porque sonham que seus filhos sejam livres e respeitados.
É ai que eu questiono o nosso conceito cristão de família, o qual - infelizmente - não existe há tempo. A minha família se encaixa nesse modelo, tenho pai e mãe casados ha quase 30 anos, com dois filhos héteros. Mas já o meu irmão, não entra nesse padrão, veja bem. Ele casou com uma mãe solteira, depois de morar junto com ela por quase dois anos. Logo, não considero a família dele uma família padrão. A desfragmentação das nossas famílias é uma realidade: famílias formadas por mãe e filhos, por avós e netos, tios e sobrinhos, irmãos de difentes casamentos, e por ai vai. Mas essa fragmentação é causada nas relações héteroafetivas, e não homoafetivas. Em relação as famílias consitituidas através de relações homoafetivas, não vou nem entrar profundamente, mas as que conheço, são muito mais estruturadas que a maioria das famílias hetero e cristãs que conheço.
Não sou contra a Marcha pela família, mas acho que esse movimento merece uma boa reflexão, assim como todas os movimentos que lutam por seus direitos, inclusive os homossexuais. É fato!
Mas sugerir que discutir homosexualidade na escola é agredir a família, ta ai uma grande inversão. Pode, como é na maioria das vezes, inocência de mais, falta de informação ou, pura e simplesmente ignorância.
Sou a favor da família, claro, sem dúvidas. De uma família cristã, livre e sem preconceitos.
Mas sobretudo, sou a favor da liberdade e do direito que todos tem do amor livre. Mas veja bem, em momento algum me refiro a amor livre como ausência de valores, vulgaridade e/ou libertinagem. Longe disso!
O amor livre, é o amor que liberta. Afinal, Deus nos mandou amar o próximo, e não agredi-lo (física, verbal, ou ideologicamente) na sua essência.
Sou a favor de muitas coisas, mas sobretudo do amor e da liberdade!


Beijo grande!



É como eu digo, sempre:
"Amar e mudar as coisas me interessa mais!" (Belchior)
 
Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Marcha da Família

Recebi ontem um email de um amigo muito querido, sobre a Marcha da Família.
O texto, de Reinaldo Azevedo, particularmente me encomodou muito. Recebo muito emails desse amigo, e se que ele tem uma consciência política e se propõe a discutir as coisas. Mas, dessa vez, não foi possível concordar. Segue um trecho do email:

"Cerca de 20 mil pessoas, segundo a PM, participaram da Marcha Pela Família, em frente ao Congresso Nacional, convocada pelo pastor Silas Malafaia. Trata-se de um protesto contra a aprovação do PLC 122, conhecido por Lei Contra a Homofobia. Não se sabe ainda que forma a relatora, Marta Suplicy (PT-SP), dará ao texto na Casa. Na forma como chegou, trata-se de um repto contra a liberdade religiosa e contra a liberdade de expressão. Sob o pretexto de proteger os homossexuais, direitos fundamentais estariam sendo agredidos. [...]"



Frente a isso, respondi o email, com um pouco daquilo que penso sobre a 'polêmica':


"Chamar de 'marcha pela família' algo que chamam de oposição ao 'kit gay' é uma grande hipocrisia. Eu chamaria de marcha pela homofobia.

Só gente boa liderando, a começar pelo Anthony Garotinho (risos).
Sinto pela minha igreja ser tão engessada em se recusar a dicutir, mas essa é a atual conjuntura da nossa sociedade, e ao contrário do que dissem, não é uma pequena represenação gay. Morrem gays todos os dias em beneficio do que chamam de 'bem estar da família brasileira'. Kit gay é demagogia do Bolsonaro.


Eu quero um país para a minha família, mas o que chamam de 'família' hj não existe. É preciso encarar a realidade, sem ódio, sem ignorância, sem hipocrisia e, sobretudo, sem preconceito!


Abraço!
Letícia P. Maria


Graduanda em História - Unisinos
'Amar e mudar as coisas me interessa mais!' (Belchior)"


Acho essa Marcha pela Família uma grande desculpa furada.
É preciso criar novos conceitos, de justiça, de igualdade, de respeito e, principalmente de amor. Já passou da hora da gente repensar a nossa sociedade, e encarar seriamente algumas questões.
Família sim, ódio não. Amor sim, preconceito não.
Fica a dica, meu amigo!


Por MARIA,L.P.