terça-feira, 24 de maio de 2011

Será que é querer muito? Mais das minhas revoltas

Gostaria de partilhar aqui um pouco das minhas frustrações.
No sábado, dia 21, minha mãe passou por uma cirurgia, ainda em razão do acidente sofrido em dezembro passado, onde ela e meu pai cairam de moto.

Na época, fiz uma postagem Minhas revoltas, as quais espero que não sejam só minhas, contando como foi a trágica passagem pelo hospital municipal de Novo Hamburgo. Esse mesmo texto escrevi e o Jornal NH se recusou a publicar.

A mãe seguiu sua recuperação, e necessitou fazer essa cirurgia, onde colocou platina na clavícula, pinos e retirou um 'pedaço' de osso da bacia para usar como enxerto no ombro. O procedimento teve sucesso, ela reagiu bem a cirurgia e está bem, só precisa de alguns cuidados.

Até ai, tudo bem.

O detalhe, é que ela foi operada dessa vez no Hospital Regina (das irmãs la do Colégio Santa). Quem conhece o hospital sabe que ele é de ponta, refêrencia na região.
A mãe baixou por volta das 7h da manhã no sábado, às 8h30m entrou pra sala de cirurgia. Por volta das 10h30m o médico sentou com a gente, explicou o procedimento em detalhes, receitou medicação, falou como seria o pós operatório e deixou o número do seu telefone celular, para que ligássemos a qualquer horário em caso de emergência ou mesmo dúvidas. Ficamos o tempo todo na sala de espera, o pai e eu, com confortaveis poltronas, café e chá (free), ar condicionado e wirelles disponível.  Por volta das 16h a mãe ganhou alta e fomos pra casa.
A mãe teve um atendimento ótimo, e nós, familiares, também.

Mas não pensem que estou escrevendo hoje para criticar o hospital municipal e elogiar o regina. Negativo.

O Mano trabalho de manhã, e chegou no hospital por volta do meio dia. Ficou com a gente até perto das 15h, quando falamos com a enfermeira que disse que a mãe estava acordando.  Ele foi pra casa, foi buscar uma coisa pra mãe comer e abriu a casa para nos esperar. Enquanto ele saia, fui até a recepção do hospital e troquei algumas palavras com ele. Disse que estava muito tranquila e feliz, apesar de toda a situação da mãe hopitalizada, mas apesar ded tudo, estava muito frustrada. De mais.
Ele disse que até sabia o que era, mas pediu que eu dissesse - tinha a ver com uma placa pela qual havíamos passado  a pouco.
Me frustrava  ter todo o conforto e qualidade de atendimento por estar pagando (muito caro). Fizemos tudo particular, e pagamos o olho da cara para que a mãe tivesse tudo isso. De forma alguma há arrependimento por isso, muito pelo contrário. Mas não tenho como não me frustrar, considerando que a mãe só teve aquele atendimento por poder pagar por ele.
Isso me frustra.
Se a gente tivesse pago logo, quando ela foi internada depois do acidente, talvez nem teria que se operar agora.

O Mano entedeu bem o meu sentimento. Que bom poder pagar e ver a mãe bem, é bom sim. Não posso ser hipócrita, porque ver teu familiar na fila do SUS é cruel e degradante.

Quantas pessoas morrem todos os dias nessa fila?
Isso não pode ser naturalizado, se jeito algum.

As vezes nos acostumamos a pagar pelas coisas, a pensar que as coisas são assim e pronto.  Naturalizamos e tornamos comum situações horríveis, quando elas não nos atingem (ou deixam de nos atingir).

O que quero dizer com o post de hoje, é que eu continuo insistindo.
Não vou deixar as coisas assim.
Alguma coisa tem que ser feita, precisamos fazer a nossa parte, mas precisamos fazer com que 'eles' façam alguma coisa também.

Estou sim defendendo a minha mãe, mas quero lembrar que ela não é primeira, a última e nem a única.
Não quero que seja a mãe dos outros. Nem mesmo a do Tarcísio (nem sei se ele tem mãe, mas tb não me importa).
Eu queria apenas que todas as pessoas tivessem um atendimento de qualidade e acesso digno e humano as suas necessidades básicas, nesse caso, saúde.  Só isso.
Ninguém precisa de milhões para viver.
Quero que as pessoas tenham o suficiente para viver como 'gente'.

Será que é querer muito?

Por MARIA,L.P.

Um comentário:

  1. Melhoras para sua mãe, não fique chateada, infelizmente existe por todos os lados injustiça social, principalmente na saúde.
    Abraços

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