terça-feira, 10 de maio de 2011

Crime é não reconhecer o amor, em tempos tão carentes!

Sexta feira, dia 06/05, o Cris, meu colega de trabalho disse que estava esperando eu postar algo sobre o direito homossexual. Na realidade, faço essa reflexão, pois considero importante e, sobretudo porque foi o Cris que me cobrou. As vezes (muitas) acho que esse guri traz consigo uma bagagem tão machista e tão natural (pois afinal, isso é natural na nossa sociedade de origem judaico-cristã) que não se dá conta. Discutimos diariamente, mas o que me motiva a escrever é, que apesar de não concordar comigo, ele me escuta. E sei que vai ler este post.



Recentemente, o STF reconheceu a união estável entre casais homossexuais. E eu vibrei com essa decisão, pois a considero uma brilhante conquista para toda a comunidade LGBTTTs.

Eu ia postar sobre no blog do Movimento Contestação, no qual também faço as minhas contribuições, entretanto, a matéria que li no site do IHU fez com que eu mudasse de idéia, por encerrar com uma fala do advogado da CNBB, Hugo José Cysneiros, que criticou o reconhecimento da relação homoafetiva e disse que uma decisão neste sentido poderia beneficiar pessoas que praticam a poligamia e o incesto.

"Polígamos, incestuosos, alegrai-vos, eis ai uma excelente oportunidade para vocês”

Fiquei horrorizada, mas não surpresa com tal declaração. Estou cansada de saber que a minha igreja, é contra a homossexualidade. Meus irmãos, que me conhece do movimento jovem do qual participo – o ONDA – também estão mais do que carecas de saber que eu sou radicalmente contra diversas posturas da minha igreja. Assumo isso sem problema algum.

Partilho da idéia de Luís Roberto Barroso, que na mesma reportagem do IHU afirma:

"Impedir uma pessoa de colocar o seu afeto e sua sexualidade onde está o seu desejo é aprisionar-lhe a alma. É impedir a pessoa de ser em sua plenitude”

Acredito que o que há de mais santo é o amor. Não escolhemos amar, amamos por que amamos. Existem pessoas que não sabem amar, que são amadas e não sabem retribuir. Existem pessoas que não sabem expressar. Amar é um presente divino, e deve ser gracejado na sua plenitude, sem dúvidas. Penso que o direito de constituir família deve basear-se no sentimento, e não nas formalidades. Se duas pessoas se amam, que mal há de que elas tenham garantido o seu direito de assumir isso publicamente? Que problema há em terem os seus filhos, e o educarem em seu amor? Definitivamente, não vejo mal algum nisso, muito pelo contrário, pra mim é santo que duas pessoas que se amem e querem ter filhos (e biologicamente não podem) adotem os seus.

Sobre a declaração dramática de Cysneiros, sobre poligamia e o incesto, vejo um grande equivoco. Até onde sei, poligamia e incesto são prática comuns, entre os heterossexuais e não entre os homossexuais. Conhecemos diversas histórias de estupradores que violam suas próprias filhas (veja em Machismo Mata), homens que tem várias mulheres, homens que traem, homens que isso e que aquilo. Mas, curiosamente, estes, todos: héteros.

E quando falam em homossexuais abusadores, pedófilos etc e tal, curiosamente estes são sacerdotes. Sim, padres católicos.

Por acaso não estão demonizando as pessoas erradas? A inversão me parece clara. Projetam o demônio num sujeito que não tem absolutamente nada a ver com a decadência da nossa sociedade. O inferno são os outros, não é mesmo?

Sobre o que o infeliz do DEM disse na Folha sobre a necessidade de criar o dia do hétero, O Dia do Hétero é a oportunidade de protestar contra o excesso de valorização do gay. Não precisa dizer ao gay: "Ei, camarada, que bom!’”, sinto em lhe afirmar meu caro. O hetero tem todos os dias! Não existe excesso de valorização do gay, o que existe é um movimento que busca garantir os direitos mínimos para as pessoas. Só isso. Não me parece nem um pouco radical. Radical é saber que morre gente todos os dias por motivos homofóbicos, e a igreja e o governo não consideram isso crime.

Crime é negar que as pessoas têm direitos. Crime é permitir que gente morra por causa do preconceito. Crime é viver negando a si mesmo, para ser socialmente aceito. Crime é o jovem se assumir somente quando se afasta do seu círculo.

Crime é não reconhecer o amor, em tempos tão carentes!



Por MARIA,L.P.

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