quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mais uma vez, 20 de setembro

Há alguns dias venho rascunhando algo sobre o "20 de setembro". Talvez quem leia este texto, e não me conheça, possa pensar que eu eu seja contra o movimento e as diferentes expressões culturais tradicionalistas gaúchas. Mas devo desde já desmentir isso, pois o movimento tradicionailista por muito tempo teve importância vital para mim, e apesar de tantas interpéries do destino, mantenho algumas das minhas admirações. Sou a favor de tudo aquilo que valorize e divulgue de alguma forma a história/cultura de povos excluidos e marginalizados. Mas devido as circunstâncias, me vejo na obrigação de tecer as minhas críticas a respeito do tema... é mais forte que eu.

A realidade, é que o gaúcho este ser tão valorizado e proclamado neste século , traz em sua história conceitos preconceituosos e pejorativos em razão do termo "gaucho" (um elemento extremamente marginalizado no século XIII). Mas a história a qual nos referimos no feriado de 20 de setembro não é a dos "pobres e oprimidos gauchos sem lei", mas aos grandes proprietários de terra, escravistas que estavam sendo prejudicados economicamente.

A Revolução Farroupilha jamais foi uma guerra de farrapos. Não foi uma disputa ideológica ou de valores - não na sua essência - ela é de fundo estritamente econômico e político.

A estória de que "foi o vinte de setembro o precursor da liberdade", é muito relativa... pois nesse momento não se fala em liberdade, mas em cobrança de impostos, disputa de mercado com países vizinhos, acúmulo de terra e capital. Não existe uma comunidade, e a participação popular é basicamente ligada à agricultura ou com as armas em mãos, como "bucha de canhão".

O fato é que a memória dos gaúchos do século XXI é baseada na história dos heróis farroupilhas. Mas esta não é a nossa história. Não a minha.
A história do povo riograndense, povo este com sede de liberdade, cuja história não é contada, de cujas memórias são esquecidas e descontruídas... a estes nenhuma importância é atribuida.
Não me basta colocar um negro no desfile farroupilha vestido de lanceiro e dizer que o meu povo está represnetado. É necessários que as pessoas sejam lembradas e reconhecidas no desfile, mas sobretudo no cotidiano das entidades , nas danças, na literatura, nos jogos, na música.
É importante que a história deste povo seja contada, reconhecida e ressignificada~, não apenas exaltando personagens de uma elite que deu a vida apenas por seus interesses. Que o movimento tradicionalista seja de fato um movimento social, de cunho popular e representativo, não se atrelando e se limitando como um pequeno clubinho burguês.


Quero um movimento de entidades abertas e acolhedores, que respeitem e vejam e reconheçam a todos de forma natural, pois a sociedade não precisa de mais galpões machistas, racistas e elitistas.
Quero uma história ao alcance de todos.
Quero uma história que contemple a todos.
Quero uma história para todos.
Quero uma história.



Por MARIA,L.P.

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