segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Encontros, saudades, amenidades

Estudava naquela noite, pois sabia que tinha trabalhos para entregar e um difícil prova no dia seguinte.
Mergulhada em uma dimensão paralela, volta bruscamente à realidade com o toque do telefone. Com a surpresa, um sentimento de melancolia lhe abate, pois nesse instante se da conta do tempo que se passou deste a última vez que havia falado com a pessoa que estava no outro lado da linha.
- Oi, como como você ta?
- Oi, tudo bem e tu?
- To legal. Ta ocupada, a gente pode conversar?
Olhou para os livros e respirou fundo - claro que podemos.

Sairam, sentaram no primeiro café de uma rua qualquer. Enquanto conversavam, se deram conta das tantas vezes que tomaram cafés por aqueles bares, naquelas ruas.
Meses haviam passado, desde a última vez que haviam olhando no olho um do outro.

- Senti saudades.
- Eu também.

Conversaram amenidades, contaram novidades, recordaram insanidades.
Se deram conta de que a companhia do outro significava muito.
Que a ausência perturbaria, que a saudade machucaria e que o reencontro aliviaria.

Silêncio.

Silêncio para contemplar o momento partinhado.
Silêncio para sentir a presença do outro.
Silêncio para edificar aquela cena.

- A gente podia ficar junto, e ver o que acontece.
- Sim, podia.

Sabiam que a complexidade da relação era ainda maior que a ausência, que a saudade, que o carinho, até mesmo que o desejo. Apesar de ambos não admitirem, era improvável que qualquer tipo de relacionamento entre eles daria certo... estavam fatalmente promentidos ao caos.

- Eu gosto tanto de ti.
- Eu também, senti muito a tua falta.
- Tu ta cada vez mais linda.
Sorri - Ta tarde, eu tenho que ir...
- Eu te levo.

Seguem andando, param na frente da casa dela e se abraçam por instantes.
Aquele abraço carregava a intensidade da saudade que estava por vir.

- Eu te ligo.
- Boa noite.

Seguiram seus caminhos. Até o próximo reencontro. Até a próxima crise de saudades.


Por MARIA, L.P.

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