sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Construção

Depois de alguns dias ouvindo essa canção na estrada, ficom com as palavras do poeta...

Construção - Chico Buarque


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

(...)
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não estar, mas permanecer sendo o que se é

Andava divangando com um amigo sobre a morte.
Falar sobre a morte com um filósofo, é muito doido!

A quando falo sobre (im)previsões, a morte não se inclui neste conceito. A morte - por mais irônico que isso possa soar - é a coisa mais certa da vida.
A morte é uma ausência, presente.
Morte é não estar, mas permanecer sendo o que se é. É mais uma passagem. É um sentir sem tocar.
A morte, talvez não passe de uma dimensão paralela, uma vez que muitos vivem em dimensões e realidades paralelas. Logo, pode se estar vivo e não viver, estar e não ser.
A morte, ela sim é uma constante, ao contrário da vida. A vida é curta, insana e passageira, diferente da morte que é seca e objetiva.
O triste da morte, é que não a aceitamos, mas ela nos aceita.
A morte vem, se achega e não pede licença, quando em nossa sociedade - em nossas famílias - ela significa algum tipo de tabu. Negamos ela a todo instante, e isso é o que a torna dificil de aceitar.
O fato, é que ela é e está. Aqui, ali, acolá...E não importam as nossas vaidades, ela se aproxima quando estamos menos atentos.


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(im) Previsões

Gosto do imprevisível.
É facinante quando as coisas acontecem e não estamos esperando.
Sempre tive (e ainda tenho) o hábito de manter as coisas sob controle. É também muito cômodo além das coisas, ter as pessoas sobre o nosso controle. É bom, eu reconheço.
Mas muito melhor, é quando as coisas fogem do controle, e tomam outros rumos. Naturalmente, quando as coisas fogem do planejado, que o conflito se torne presente... mas até o conflito pode ser muito positivo, quando aprendemos com ele.

Mudar, ser diferente, aprender diferente.
É profundamente instigante ver as coisas mudando, tomando novos rumos.

Agora, o importante é me deixar conduzir, como na dança. Mesmo que eu insista, não sou em que conduz essa dança... é preciso ouvir a música e deixar fluir.

A vida é aquilo que passa, enquanto planejamos.

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do professor

Sem demagogias e pedagogismos.

Feliz dia do professor!

"A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tam pouco a sociedade muda."

Paulo Freire


Mas pensem, no que é ser professor.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sabedoria

OS SEGREDOS DA SABEDORIA - Livro da Sabedoria

A sabedoria é mais ágil que qualquer movimento,
e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra.
Ela é o sopro do poder de Deus,
uma emanação pura da glória do
Todo Poderoso.

Por isso, nada de impuro pode
introduzir-se nela:
ela é reflexo da luz eterna,
espelho sem mancha do poder de Deus
e imagem de sua bondade.
Sendo uma só, tudo pode;
sem nada mudar, tudo renova;
e comunicando-se às almas santas
através das gerações,
forma os amigos de Deus e os profetas.

Pois Deus ama tão somente
aquele que convive com a Sabedoria.
De fato, ela é mais bela que o sol
e supera todas as constelações.
Comparada à luz, ela é mais brilhante:
pois à luz sucede a noite,
ao passo que, contra a Sabedoria,
o mal não prevalece

Do livro da Sabedoria 7,24-30

Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Encontros, saudades, amenidades

Estudava naquela noite, pois sabia que tinha trabalhos para entregar e um difícil prova no dia seguinte.
Mergulhada em uma dimensão paralela, volta bruscamente à realidade com o toque do telefone. Com a surpresa, um sentimento de melancolia lhe abate, pois nesse instante se da conta do tempo que se passou deste a última vez que havia falado com a pessoa que estava no outro lado da linha.
- Oi, como como você ta?
- Oi, tudo bem e tu?
- To legal. Ta ocupada, a gente pode conversar?
Olhou para os livros e respirou fundo - claro que podemos.

Sairam, sentaram no primeiro café de uma rua qualquer. Enquanto conversavam, se deram conta das tantas vezes que tomaram cafés por aqueles bares, naquelas ruas.
Meses haviam passado, desde a última vez que haviam olhando no olho um do outro.

- Senti saudades.
- Eu também.

Conversaram amenidades, contaram novidades, recordaram insanidades.
Se deram conta de que a companhia do outro significava muito.
Que a ausência perturbaria, que a saudade machucaria e que o reencontro aliviaria.

Silêncio.

Silêncio para contemplar o momento partinhado.
Silêncio para sentir a presença do outro.
Silêncio para edificar aquela cena.

- A gente podia ficar junto, e ver o que acontece.
- Sim, podia.

Sabiam que a complexidade da relação era ainda maior que a ausência, que a saudade, que o carinho, até mesmo que o desejo. Apesar de ambos não admitirem, era improvável que qualquer tipo de relacionamento entre eles daria certo... estavam fatalmente promentidos ao caos.

- Eu gosto tanto de ti.
- Eu também, senti muito a tua falta.
- Tu ta cada vez mais linda.
Sorri - Ta tarde, eu tenho que ir...
- Eu te levo.

Seguem andando, param na frente da casa dela e se abraçam por instantes.
Aquele abraço carregava a intensidade da saudade que estava por vir.

- Eu te ligo.
- Boa noite.

Seguiram seus caminhos. Até o próximo reencontro. Até a próxima crise de saudades.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mais uma vez, 20 de setembro

Há alguns dias venho rascunhando algo sobre o "20 de setembro". Talvez quem leia este texto, e não me conheça, possa pensar que eu eu seja contra o movimento e as diferentes expressões culturais tradicionalistas gaúchas. Mas devo desde já desmentir isso, pois o movimento tradicionailista por muito tempo teve importância vital para mim, e apesar de tantas interpéries do destino, mantenho algumas das minhas admirações. Sou a favor de tudo aquilo que valorize e divulgue de alguma forma a história/cultura de povos excluidos e marginalizados. Mas devido as circunstâncias, me vejo na obrigação de tecer as minhas críticas a respeito do tema... é mais forte que eu.

A realidade, é que o gaúcho este ser tão valorizado e proclamado neste século , traz em sua história conceitos preconceituosos e pejorativos em razão do termo "gaucho" (um elemento extremamente marginalizado no século XIII). Mas a história a qual nos referimos no feriado de 20 de setembro não é a dos "pobres e oprimidos gauchos sem lei", mas aos grandes proprietários de terra, escravistas que estavam sendo prejudicados economicamente.

A Revolução Farroupilha jamais foi uma guerra de farrapos. Não foi uma disputa ideológica ou de valores - não na sua essência - ela é de fundo estritamente econômico e político.

A estória de que "foi o vinte de setembro o precursor da liberdade", é muito relativa... pois nesse momento não se fala em liberdade, mas em cobrança de impostos, disputa de mercado com países vizinhos, acúmulo de terra e capital. Não existe uma comunidade, e a participação popular é basicamente ligada à agricultura ou com as armas em mãos, como "bucha de canhão".

O fato é que a memória dos gaúchos do século XXI é baseada na história dos heróis farroupilhas. Mas esta não é a nossa história. Não a minha.
A história do povo riograndense, povo este com sede de liberdade, cuja história não é contada, de cujas memórias são esquecidas e descontruídas... a estes nenhuma importância é atribuida.
Não me basta colocar um negro no desfile farroupilha vestido de lanceiro e dizer que o meu povo está represnetado. É necessários que as pessoas sejam lembradas e reconhecidas no desfile, mas sobretudo no cotidiano das entidades , nas danças, na literatura, nos jogos, na música.
É importante que a história deste povo seja contada, reconhecida e ressignificada~, não apenas exaltando personagens de uma elite que deu a vida apenas por seus interesses. Que o movimento tradicionalista seja de fato um movimento social, de cunho popular e representativo, não se atrelando e se limitando como um pequeno clubinho burguês.


Quero um movimento de entidades abertas e acolhedores, que respeitem e vejam e reconheçam a todos de forma natural, pois a sociedade não precisa de mais galpões machistas, racistas e elitistas.
Quero uma história ao alcance de todos.
Quero uma história que contemple a todos.
Quero uma história para todos.
Quero uma história.



Por MARIA,L.P.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quarto de despejo



"Estou num quarto de despejo. E o que está num quarto de despejo ou vai para o lixo ou queima."





“Um dia houve uma inauguração de um parque infantil, próximo da favela. Todo mundo foi... conta Carolina. A certa altura, os adultos começaram a expulsar as crianças e a tomar conta das gangorras e balanços. Carolina disse para uma companheira, que morava ao lado: “Este é o tipo de animal com quem eu tenho que viver. Eu os porei no meu diário, assim jamais serão esquecidos”.


Frustrações. Trechos da vida e da obra de Carolina Maria de Jesus - Mulher, negra e favelada. (1914-1977)


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Algumas das minhas atuais frustrações..

As eleições...

Novos rostos na Assembléia, novos rostos na câmara federal, no senada, no governo do estado e ainda um segundo turno para a presidência.

Novos rostos, mas nomes bem tradicionais.
Particularmente, de novidade não há muito.

Mas e o que sobra para nós?
Seria talvez o limbo, o lodo e a merda?

"... dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria Amada Brasil!"


Querida mãe nação, reservaste para nós um presente grego!

Que seja o que Deus quiser.
Se é que ele quer alguma coisa, ou nos abandonou ã nossa própria sorte, em razão de um tal livre arbítrio, ou uma tal democracia - que quem tem, não sabe usar.



Por MARIA, L.P.