terça-feira, 28 de setembro de 2010

O melhor, o bom e o suficiente

Decidi que hoje não vou esquentar a cabeça, não vou perder o sono, não vou estragar o humor, não vou deixar de comer doce.
Não hoje.

Hoje não é nenhum dia especial, não aconteceu absolutamente nada e nem vai acontecer... A temperatura está mediana, o sol se esconde por entre as nuvens, o telefone não toca, ninguém passa pelo corredor.

Nada de diferente.

Mas hoje eu não quero me aborrecer. Não vou perder o pouco que me resta de jovialidade em coisas desnecessárias.

Vou deixar acontecer.
Que a vida se deixe fluir. Que as coisas sejam naturais. Que a flor desabroche ao seu tempo, para que eu possa contemplar as suas cores... quando elas quiseres pintar os meus dias.

Até lá, que o vento sopre.

Que o vento sobre as folhas verdes no meu rosto, e que eu possa sentir o toque de um raio de sol.
Que eu sinta que a vida é algo sem explicação, podendo assim partilhar essa essência com quem quiser...

Hoje eu não vou me preocupar com o futuro. Nem com o imperialismo norte americano. Nem com o populismo, com o desemprego, com...
Ah, o desapego sim, é uma arte.
Mas eu ainda não consigo me aventurar assim.


Enquanto tento exercitar este tal desapego, vou meditar e tentar não me preocupar com tudo ao mesmo tempo.
Que cada coisa possa fluir ao seu jeito. Cada ser, cada situação, cada preocupação, cada problema, cada solução.


Que as coisas não seja com devem ser ou como eu quero.
Que as coisas sejam de acordo com o melhor, para cada um... para todos.

O melhor, o bom e o suficiente.

Por MARIA, L.P.

Orgulho farroupilha?...

Achei o texto ótimo. Ele está disponível na íntegra no IHU On Line - Notícias, de Antonio Cechin - acessado em 28 de setembro de 2010)

Orgulho farroupilha?... Porém às custas de quem?

A badalação farroupilha que já dura um mês, com festa máxima no dia 20 de setembro, exibida em desfiles quase sempre a cavalo mas também a pé, por todo o estado do Rio Grande do Sul, com divulgação diária nos grandes meios de comunicação, diretamente desde o grande acampamento farrapo levantado no parque central de Porto Alegre – verdadeira cidade de moradias e serviços de todo tipo – e de CTGs interioranos, ao som do hino farroupilha, hoje também estadual por lei ad hoc – tocado dezenas de vezes ao dia, na íntegra ou como música de fundo, não raro acompanhado com a mão sobre o peito ou com agitação de bandeiras, parece que encerrou ontem, 26 de setembro, com um fecho de ouro no grande desfile em cidade da fronteira, noticiada hoje nos jornais televisivos, mostrando fogosos ginetes, embandeirados com lábaros rio-grandenses, todos os cavalarianos caprichosamente pilchados, traje em que avultam os “tradicionais” lenços de pescoço, brancos ou vermelhos, de maragatos ou chimangos.

Em meio a toda essa unanimidade estadual chamou-nos a atenção uma notícia inusitada. Um dos jornais diários de Porto Alegre, em página interna, traz a informação que, no dia festivo maior, o próprio 20 de setembro, na capital Porto Alegre, enquanto acontecia o desfile máximo dos moradores da cidade-acampamento farroupilha que corta o parque da Redenção (nome com que foi inaugurado em homenagem aos negros que nele moravam e também pelo dia abolicionista, hoje com o nome Farroupilha), um grupo de escoteiros composto de 80 pessoas entre jovens e adultos, em vez de formarem no grande desfile comemorativo da Revolução também chamada de Guerra dos Farrapos, puxada pela brigada militar e pela polícia, tiveram a ousadia de dirigir-se à estação central do trem metropolitano, junto ao mercado público, para fazerem uma homenagem aos Lanceiros Negros.

A inusitada notícia veio seca, sem comentário de espécie alguma, o que nos causou espécie. Ué!.. 80 pessoas de um grupo de escoteiros?... Da Restinga, um bairro eminentemente popular, quase um favelão? Em visita a um monumento aos Lanceiros Negros?... Moro em Porto Alegre desde o ano de ‘1937 e nunca ouvi falar em monumento aos Lanceiros Negros. O jornal deve ter-se equivocado. Certamente tudo deve ter acontecido fora daqui.

A notícia que me causou tanto embaraço só consegui sofrear durante sete dias. Fui ao centro para compras e aproveitei para ir ao mercado. De fato, lá numa das paredes arredondadas à saída do trem metropolitano, bem ao lado do grande arco central que cobre a estação, um painel de um artista local, diante do qual me demorei a contemplar durante uma meia hora a fim de procurar entender. Num grande painel, tipo azulejo: à esquerda uma cena missioneira onde avulta a cruz tradicional, as Ruínas da catedral de São Miguel, a figura de um anjo. Por baixo, desta parte do quadro letras dizendo São Miguel, que primeiro foi cidadão de Roma ou coisa parecida. Um erro crasso em relação ao arcanjo. Logo ao lado, soldados em posição de tiro, da Revolução Farroupilha; ao lado, sempre da esquerda para a direita, os tais lanceiros negros, depois a fotografia de Bento Gonçalves e não sei quê mais. O mural não me convenceu. Achei que tudo estava muito misturado e me perguntei se a mixórdia não foi aí colocada exatamente para confusão entre os próprios fatos. Mas vamos aos Lanceiros Negros, motivo do deslocamento de um grupo de escoteiros da vila mais afastada da cidade de Porto Alegre. Mais de 30 quilômetros de distância desde o centro.

Tenho aqui à minha frente o livro de Moacyr Flores, historiador e professor da PUC, com dedicatória pessoal em data de lançamento. O título: NEGROS NA REVOLUÇÃO FARROUPILHA. Como sub-título: Traição em Porongos e Farsa em Ponche Verde. Logo de cara, na Introdução, o professor de História da PUC, começa assim “Os revolucionários liberais rio-grandenses adotaram como lema “liberdade, igualdade e humanidade”. Na letra do hino, de autoria de Francisco Pinto da Fontoura, consta: “foi o vinte de setembro precursor da liberdade”. Em outra estrofe: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”. Como explicar a manutenção do sistema de escravidão de negros e a traição no combate de Porongos? Por que os farroupilhas não aboliram a escravidão?” (Negros na Revolução Farroupilha – Traição em Porongos e farsa em Ponche Verde – Edições EST – Porto Alegre, 2004 – E-mail: ahrs@via-rs.net – Fone: (51) 3227-0883 – Acervo das etnias Frei Rovílio Costa)

Sabemos que a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos durou 10 anos. Estavam cansados de correrias, fugas, desentendimentos entre chefes da revolta, transportando sua capital por três ou quatro diferentes lugares: Porto Alegre, Piratini, Caçapava, Alegrete... Mandaram aviso ao poder central do país que queriam fazer as pazes e que por isso mandasse algum representante com amplos poderes. O governo federal mandou o Barão de Caxias. Os historiadores dizem até que a “paz” tão desejada por ambas as partes foi retardada por um ano porque os amotinados farroupilhas não sabiam o que fazer com os negros. Tinham mandado seus escravos para a frente de batalha com a promessa de libertação depois que terminasse o levante entre fazendeiros de lá e de cá. Não sustentaram a promessa. Mancomunados com o poder federal, acabaram com a degola de todos os negros combatentes a fim de que o Rio Grande do Sul, em especial os comandantes da Guerra dos Farrapos, junto com todo o Brasil, continuassem com a escravidão até o ano de 1888. O Brasil como sabemos, foi a última nação do mundo a acabar com a escravidão africana.


(...)

Heróis, os Farroupilhas, ou vilões? Os autênticos heróis a comemorar, não deveriam ser os Negros Lanceiros que lutaram por liberdade para si e também para todos os negros do Brasil que não agüentariam ver os negros do Rio Grande do Sul em liberdade enquanto eles na escravidão.


(grifo meu: então, sirvam às façanhas de quem?! Percussor de qual liberdade?? De que História estamos falando?)

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quanta mudança alcança o nosso ser?

Como é possível saber o que nos espera?
Como é possivel saber o que está reservado para nós?
Como é possivel saber o que há além dessa realidade em que vivemos?

Não é possível.

Não cabe a nós.

Como é possivel saber o caminho a seguir?
Como é possivel saber de fato se somos nós quem escolhemos os nossos caminhos?

Não seria talvez o caminho que nos escolhe?


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Política limpa?!?

Na verdade, eu esperava escrever sobre o 20 de setembro, mas isso fica pra depois.
Ontem, no fatídico feriado, fomos em uma turma pro rodeio, pra ver o show do César Oliveira e do Rogério Melo. De fato, o show foi ótimo, as companhias fantásticas (como sempre), sem muitas novidades.

O detalhe, foi o final do feriado. Fomos e voltamos do Centro a pé, e no retorno, estávamos a frente eu e mais três meninos. Passamos por uma placa de um infeliz candidato tucano a deputado estadual (infeliz sim!!) e derrumei uma das placas que estávam capengas. Demos risadas, e seguimos, afinal era noite e, certamente as placas seriam recolhidas para o dia seguinte. Mais atrás estava o resto do bando, entre sete e oito pessoas, mas não apenas meninos, mas dois homens, entre eles o meu irmão.

Enquanto descíamos, esperamos o bando.
Eis que estávamos parados e parou um carro atrás de nós, chamando um dos meninos.
Do carro desceram dois elementos que faziam campanha para o tal tucano infeliz, que chamaram um dos meninos, intimando ele por derrubar a placa. Ele, naturalmente não entendeu nada e ficou assustado.
Eis que o resto da turma chegou e foram ver o acontecido. Os elementos intimavam o guri, querendo agredí-lo.
Como a "adulta responsável" que sou, disse que fui eu a derrubar a placa, e pedi desculpas. Mas eles me ignoraram.
Ouviram apenas o meu irmão, que estava pilchado, com uma faca nas costas e disse que o guri tinha quatorze anos. Nós éramos responsáveis por ele, que não havia feito nada.


Eis que a parte cômica do episódio aconteceu:
"A gente tá trabalhando, por uma política limpa e vocês vem fazer bagunça"

Que p*** de política limpa é essa, tucano infeliz?
Política limpa é agredir adolescentes para mostrar que manda?
Política limpa é ignorar as atitudes de uma mulher?
Política limpa é acalmar os ânimos a baixo de violência?

De que m*** de política estamos falando???


Eu admiti o meu erro, numa boa. Mas não posso admitir que um elemento, sob a bandeira de um partido com dinheiro se provaleça frente aos jovens que estão por ai.


Se isso é política limpa, to pra ver o que é sujeira...



Fiquem atentos, pois são esses que fazem o "trabalho" dos nossos políticos!
Eu vou lembrar disso ao votar. Espero que todos façam o mesmo!




Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um dia de sol

O que eu gosto mesmo é de dias de sol.
Dias iluminados. Com ou sem vento, calor ou frio, importa o sol.
O sol aquece os nossos corpos e ilumina a nossa alma.
A melhor hora do meu dia é quando me sento no sol. Sentar na grama, a beira do lago, no sol. Só pra ficar ali, lagarteando, pensando na vida, pensando nas coisas, pensando nos pensamentos, pensando no mundo.
Dias chuvosos me deixam triste. Talvez pelos traumas que as chuvas me trouxeram outrora, mas o sol traz a sensação de que o passado, as coisas tristes e pesadas, são levadas com o vento, e se evaporam com o sol.
Felizes os que podem sentar ao sol.
Mais felizes são os que percebem que ele brilha. Mesmo quando não estamos vendo.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O feriado e nós

No sete de setembro, me peguei a refletir sobre um tweet da Carol, que disse:

@riotcarolzinha "4 de julho nos EUA é dia de festa em casa e na rua... 7 de setembro no Brasil é dia de ver os militares desfilando ou dormir até doer"

Parei pra pensar nisso.
Dormi até tarde, e fui almoçar no meu irmão. Não por comemorar algo, mas para não cozinhar mesmo... fiz faxinha e coloquei minhas coisas em ordem em casa. Mas só fui me dar conta do feriado que me permitia estar em casa, quando li o tal tweet. Me bateu uma decepção meio que de cunho nacionalista.

Onde está a nossa consciência de unidade nacional? Talvez porque não reconhecemos a nossa história, como em outros lugares, que gritam aos sete ventos que são daquele país e que a sua história contrói a identidade dessa população.

E nós?

Vamos esperar o 20 de setembro, e ver o que acontece.
Será que no próximo feriado, vamos ver uma representatividade popular no desfile farroupilha, ou vamos contemplar mais uma vez uma pequena elite desfilando seus cavalos gordos na avenida?
Espero que não.

Sejamos nós. Mas é importante que sejamos alguma coisa.
Para um povo sem identidade, que não conhece a sua história, sobra pouco. Pouquíssimo!


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amenidades, sempre amenidades...

Chova naquele dia.
Estava frio e úmido.

Estava sonolenta e colocou o fone nos ouvidos pois não estava afim de conversar... mas a pessoa ao lado puxou assunto, amenidades.

Estava completamente sem paciência.

A pessoa ao lado insistia... e ela disse:

- É incrível como em dias chuvosos as pessoas conseguem me irritar por qualquer coisa.

E o outro respondeu:

- É incrível que mesmo o teu mau humor, mesmo a chuva, mesmo quando olho pra rua e vejo muitas pessoas atrasadas como eu, vejo os congestionamentos e os acidentes de trânsito, quando vejo pessoas com fome, pessoas sem casa e se futuro, eu ainda consigo acreditar que há concerto!

- E porque teria concerto?

- Porque a minha parte, eu estou fazendo. E o teu mau homor, permite que você faça a sua?


Por MARIA, L.P.

O diálogo, a discussão e a argumentação

Dizem que religião e política a gente não discute pra não perder o amigo. Eu não acho.


Acredito que só conseguimos entender, resolver ou concretizar algo se no colocarmos a disposição para discutir.

Mas discutir na boa. Com argumentos.

Não precisamos doutrinar o outro, impor as nossas idéias, fazer o outro aceitar ou acatar. Pelo contrário, é preciso discutir e trocar idéias.

A onda do momento, é a campanha eleitoral - que pra mim é um grande piada. As pessoas dizem que vão votar no x porque ele tem mais experiência, ou no y porque o governo do munícipio vai ser do mesmo partido, ou no w porque ele vai ganhar mesmo, ou até no ç porque é jovem ou bonitinho.

Não!! Eu quero argumentos para isso!

É importante que conheçamos as pessoas que escolhemos para nos representar, e que tenhamos confiança naquele elemento. Caso contrário, grande coisa que tu fez!
Frente ai isso, vejo a importância da comunicação.

Uma série de idéias que eu trouxe comigo por muito tempo, pude modificar ao discutir com os demais. Claro que discutir e argumentar é incômodo, porque tu tens que saber o que quer, saber pra onde ir e como chegar lá.
Mas ao se esconder em uma caixinha, nada vai ser feito, nada vai mudar, nada!

O diálogo é fundamental.

É importante que possamos expor nossas idéias, mas é fundamental escutar o outro (por mais difícil que isso seja), saber o que ele pensa para confrontar com as nossas idéias.

Liberdade para se expressar e interagir!

Talvez, com as questões que a sociedade traz atualmente, discutir por discutir pode não levar a nada.
Mas é o primeiro passo.


Por MARIA, L.P.