quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dossiê 1968

Essa é uma breve adaptação da resenha que escrevi sobre um artigo, Dossiê 1968, da revista História Viva, para a aula de Temas de História Contemporânea.


"O artigo da Revista História Viva, Dossiê 1968 nos traz discussões bastante interessantes, sobretudo partindo das manchetes: A imaginação no poder!

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O ano de 1968 foi um ano explosivo, onde manifestações estudantis ocorreram em vários países, de forma alinhada ou isolada, pode-se afirmar que foi um ano que deixou sua marca na história. Com a ebulição da Guerra Fria com a invasão norte-americana do Vietnã, na Índia, Inglaterra, Brasil, Tchecoslováquia, França, Alemanha, Espanha, Itália,, Polônia e Estados Unidos, registram movimentos jovens de respostam a iniciativa capitalista.

Longe de ser o ano romântico e poético que alguns autores trazem, 1968 foi sim um ano de crescentes ideologias e utopias juvenis, mas foi também um ano violento, de crises e de guerras. O crescimento dos aparatos midiáticos teve sua profunda influência no contexto social do “ano das revoluções.

Nos países capitalistas, o grande medo era o socialismo e a sua influência sobre os estudantes. Contudo, tanto os países capitalistas, quanto nos socialistas o grande pânico era uma possível fusão, unindo as lutas estudantis e operárias.

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“ Diante do embate entre tradição e renovação, quase ninguém percebeu que a geração baby-boom levaria a melhor nos planos social, cultural e político [...] em todos os lugares os estudantes expressavam um profundo mal-estar existencial, que se materializava em uma crítica viva dos valores de suas respectivas sociedades.” (RHV, p. 36), e em razão desta série de movimentos, diversas mudanças ocorreram, mesmo que a longo prazo, como a relação entre homens e mulheres e a relação com a sexualidade.

No Brasil, o movimento estudantil também teve papel importante de resistência, no período que antecedeu a ditadura, que se estendeu por anos no país. O episódio principal foi a morte de um estudante secundarista, assassinado pela polícia. Iniciada pelos estudantes, a manifestação contra a morte do menino, foi defendida por professores, artistas, religiosos, sindicalistas e vários segmentos da sociedade brasileira que eram contra o regime militar. Na realidade, o assassinato do estudante foi apenas o estopim da desilusão da classe média com a ditadura militar. No campo artístico, um movimento de resistência de fez muito claro, onde vários artistas cantavam contra a repressão, sendo inclusive perseguidos. Dentre os estudantes que de destacaram no movimento estudantil e na UNE (união nacional dos estudantes), alguns tiveram papel importante na “revolução”. Contudo, ainda alguns desses representantes de uma esquerda rebelde estudantil, ainda aparecem hoje como importantes no cenário político do país, contudo com tendências diferenciadas (como José Dirceu, José Serra e outros tantos revolucionários, que foram perseguidos por desejarem uma realidade diferente, e acabaram caindo no conservadorismo por eles condenado).

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Destaco algumas contradições que percebi, principalmente em relação a alguns dos indivíduos que compuseram as revoluções que fizeram história em 1968. O ano que não terminou, como denomina Zuenir Ventura, foi um ano que deixou muitas marcas na sociedade, e não apenas no Brasil. Mas ainda como Zuenir Ventura intitula o livro em comemoração aos 40 anos no Maio de 68 – o que fizemos de nós? Questiono a mudança radical dos valores. Essa mudança era necessária, mas com a forma que ela se deu e, além disso, as pessoas que fizeram a “revolução”, hoje não são mais instrumentos de mudança. Acredito que as novas gerações tenham o papel de ser o novo instrumento de mudança, mas particulamente me decepciona a hipocrisia dos antigos revolucionários, que acabaram com disse Raul “sentado num trono de apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes e esperando a morte chegar”, pergunto se estes não “morreram na praia”, depois de tanto lutar, acabar cedendo àquilo que tanto condenaram, se tornando conservadores capitalistas que só pensam na sua conta bancária.

Não sei se esse é um curso natural das coisas no capitalismo, continuo intrigada palavras do Raul (nenhum grande exemplo, mas com sábias palavras em algumas de suas canções): “A solução é alugar o Brasil!”.

“Contradições a parte, a década de 1960 representa ainda hoje um exemplo inspirador de que as pessoas podem superar as velhas atitudes, idéias e estruturas e fazer um mundo melhor.” (RHV, p. 54)"


Por MARIA, L.P.

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