sábado, 8 de maio de 2010

Tenacidade...

A conheci há muito tempo, numa quinta feira a noite, em um bar qualquer da cidade.

A via da todas as quintas feiras sentada naquele bar. Chegava por volta das 9h, pedia uma garrafa de vinho e duas taças. Fumava o seu cigarro, servia as taças e ficava ali... depois de uma hora, duas talvez, pedia a conta e ia embora, sozinha. Sempre que alguém perguntava se ela estava acompanhada, a resposta era a mesma... esperava por alguém.

Semanas se passavam, meses, anos talvez. Todas as quintas feiras ela ia ao mesmo bar. Repetia a mesma rotina, fumava o mesmo cigarro, servia o vinho, vestia preto, sempre.

Um dia, estava no bar com alguns amigos, mas não pude conter a curiosidade e fui até ela. Aquela mulher me intrigava profundamente. Perguntei o que fazia naquele bar, pois a via há muito tempo naquele lugar: sempre de preto, com uma garrafa de vinho e duas taças. Sozinha, jamais a vi beber sequer um gole daquele vinho.

Ela me disse o que dizia a todos: estava esperando alguém. Mas quem seria? Ela sempre esperava por alguém, pedia o vinho, mas ninguém nunca aparecia para encontrá-la. A mulher misteriosa me disse que havia recebido um bilhete, há algum tempo, de alguém que pedia para encontrá-la naquele lugar, quinta feira, as 9h. Mas no bilhete não tinha assinatura, contato, data nem nada do tipo. O bilhete continha o nome dela, marcava o encontro pedindo que esperasse o remetente com duas taças de vinho.

Achei aquilo muito engraçado, e a questionei porque voltava àquele bar, se fazia tanto tempo que havia recebido o tal bilhete, e até agora ninguém jamais havia aparecido. Ela sorriu docemente e me disse:

"Não sei quando, mas sei que ele virá!"


Retribui o sorriso e me despedi. Voltei à mesa de meus amigos e tomei a minha cerveja. Fiquei pensando nela... tomara que "ele" (seja quem ele for) um dia apareça.

Um dia, talvez.




Por MARIA, L.P.

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