sexta-feira, 21 de maio de 2010

À sombra dessa mangueira


Ontem a noite tive uma aula curiosa, de Teorias de Aprendizagem.

Um grupo teria de ministrar um seminário sobre o livro "À sombra dessa mangueira", do Paulo Freire. Entrei na sala já pensando em sair, até porque destesto o discurso vazio do povo da pedagogia, que vomita Paulo Freire aos quatro cantos e não faz droga nenhuma com o que lê.
A professora apresentou um pouco do que o grupo possivelmente diria, e uma das colegas iniciou a fala com a biografia do cara. Na realidade ela leu tudo o que tem no wikipédia sobre o Freire, e não disse absolutamente nada. Vendo isso, alguns colegas tentaram complementar, mas também não coseguiam pois não sabiam o que dizer. Ai recomeça o discurso vazio do pedagogismo... A professora, retomou a discussão lembrando de aspectos importantes que o grupo (que deveria ter lido) não sabia, como a época em que Paulo Freire esteve exilado, sua docência na Puc/SP, seu envolvimento empírico na política do Estado como secretário de educação... Ai a professora comparou Paulo Freire a Chê Guevara, e quando ela fez isso pensei "putz, agora eu vou embora", mas falou de um lado que nenhum militante fala sobre o seu "mestre", que foi a dificuldade que Freire teve em articular o empírico com o cotidiano, com a vida real. De forma alguma ela desmereceu qualquer um destes dois ícones, mas salientou a dificuldade de ambos em fazer suas teorias tornarem-se reais.
Ai chegou a parte mais interessante datal aula, onde o grupo não falava, não contribuia, pois pelo que pude observar, dois colegas leram o tal do livro, e os outros nada. Mas tenho certeza de que serão esses mesmos que não leram, que vão sair dizendo "Paulo Freire isso", "Paulo Freire aquilo" ou "segundo Paulo Freire", com seus discursos vazios e desalinhados à prática.
De qualquer forma, a professora acabou conduzindo o seminário, que entre outras colocações, salientou a educação liberdadora. Chegamos no ponto!
O que é educação libertadora? O que queremos com isso? Como chegar lá? O que é libertar-se, afinal? Discutimos durante toda a graduação uma série de ideologias, nas quais ninguém mais acredita. Então, o que estamos fazendo na universidade? Lembrei dos muitos professores que nos dizem como devemos ser, o que devemos fazer, o professor ideal, e blá, blá, blá... e continuam seguindo métodos tradicionais de ensino, continuam reproduzindo o que viram em sala de aula há 20 ou 30 anos atrás. Uma puta hipocrisia, ao meu ver. Que droga que professor critica método x ou y, e continua seguindo essa linha? E ainda reclamam que o problema da escola básica está no professor. O professor da escola básica está ali, ouvindo os caras vomitarem pedagogismos a torto e a direito e não fazerem nada além do seu gabinete. É muito fácil pensar em uma educação para transformar a sociedade, se eu não coloco o nariz pra fora do ar condicionado do meu gabinete. Assim é fácil falar da escola, uma escola que o intelectual da academia não conhece e, não está nem um pouco preocupado em conhecer. Até porque pensar cansa, e ele está muito ocupado com o empírico, em produzir conhecimento pra jogar em cima de alguém. Reprodução, reprodução e reprodução.
A tal da educação transformadora consiste em fazer o sujeito aprender a pensar e questionar. A universidade, de uma forma geral, já foi lugar de produção de conhecimento, mas agora isso é responsabilidade apenas dos PPGs, dos nossos mestres e doutores. E o pessoal da graduação só tem que reproduzir os seus mestres, pois o estudante bom é o que diz o que o seu orientador diz, e o que pensa e questiona é subversivo, rebelde, gosta de atrapalhar a aula. E depois nossos intelectuais não querem que a escola seja mais um instrumento de reprodução e alienação.


Eduação libertadora ao acance de todos. Talvez mais um sonho, uma utopia ou uma insanidade de uma acadêmica de História.
Apenas reflexões de uma estudante qualquer.


Por MARIA, L.P.

Um comentário:

  1. Parabéns pela observação!
    Muito bem colocado, até que me privarei de escrever coisa além de parabenizá-la, seria chover no molhado. Disse tudo.

    Ou não!?

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