segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amenidades...

Naquele dia, ela pulou da cama cedo. Despertou-se ansiosa, decidida "é hoje!". Levantou-se, escolheu a melhor roupa, ajeitou o cabelo, pintou os lábios. Os olhos! Era um dia decisivo, precisava pintar os olhos, apresentar-se como uma mulher marcante.

Saiu de casa.
Andava rápido. Feliz. Afinal, havia decidido que naquela manhã diria a ele tudo o que sentia... Seus sentimentos, desejos, emoções. Diria tudo! Aquela manhã tinha tudo para ser especial.

Entrou... e, finalmente falou com ele.

"Hum... ahmm... eu... quero... três cacetinhos"
Seria possível?! Havia esperado tanto tempo, e isso era tudo o que ela era capaz de dizer a ele?

"Mais alguma coisa?"
"200g de queijo"
"Pronto. É só passar no caixa."

Decepcionada, com vontade de morrer, pois não conseguira dizer nada do que havia planejado, só as mesmas amenidades cotidianas, quando escuta ele chamar.

"Moça! As suas chaves!"

De cabeça baixa, pegou as chaves e balançou a cabeça.

"Espera. Ta tudo bem? Tu ta diferente hoje..."

"Nada não, só pintei os meus olhos hoje."

"Ficou bonito."

Sorriu e agradeceu. Pagou suas compras e se foi. Foi apenas mais uma manhã, como outra qualquer. Ela queria dizer tantas coisas, mas o mais importante, consegui... ele a notou.

Talvez outro dia, talvez na manhã seguinte.

Talvez.



Por MARIA, L.P.

2 comentários:

  1. Olá, Motoqueira
    Estava no blogue do capacete e cheguei aqui, adorei estee conto, realmente é limpo,preciso, humano e cheio de arte.
    Abraços

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  2. Oi Jader!

    Obrigada... volte sempre que quiser.

    Estamos todos na estrada...

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